A Ultima Noite
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu estava tendo mais uma noite tranqüila de verão com Pedro. Nós Ficávamos conversando amigavelmente, ate meia noite ou uma hora da manhã em um bairro perto de casa. Mesmo sendo uma época quente era uma noite fria.
Ele ganhava uns trocados fazendo favores a certas pessoas, já eu fazia diária para pagar minha faculdade. Ele me olha nos olhos e diz:
-hoje tenho um trabalho que vai me dar um bom dinheiro...
Eu como de costume muito curiosa:
-o que você vai fazer hoje?
Seus olhos negros como a noite, se ascendam, o que me deu certo receio de ter feito aquela pergunta:
-não é bom que eu te fale, pode atrapalhar meus negócios...
Ele iria fazer algo que eu sem duvida não podia, e eu agora nem queria saber...
Pedro andara estranho nos últimos dias, andando com gente que nunca havia visto, devia estar com um negocio com alguém barra pesada, eu não gostava quando ele ficava quieto como agora. Com um meio sorriso no rosto, ele toma a palavra:
-não leve a mal, são só negócios...
Ele se aproxima lentamente, e com um só movimento agarra meu pescoço:
-Pedro o que você esta fazendo?!
Eu gritava enquanto ele apertava cada vez mais. Minhas forças vão se esvaindo lentamente, ele aperta mais, eu consigo soltar uma das mãos dele:
-Pedro pare!Pare!Por favor!Não fassa isso!
Minha voz já estava sumindo, e minha cabeça doía muito, não conseguia pensar em nada, queria sair dali o mais rápido possível!
Como ele podia fazer isso??Justo ele, meu “melhor amigo” e tudo isso por uns míseros trocados!
Minha cabeça formigava, meus olhos lacrimejavam, comecei a arranhá-lo fincava minhas unhas em seu pescoço, ele soltou um pouco as mãos, mas só aquilo não ia adiantar, fechei minha mão e dei um soco certeiro em sua face. Ele soltou as mãos e ele começou a tentar pegar minha garganta novamente, eu não deixava, queria poder acabar com aquilo!Não sabia exatamente como... Mas ia tentar ao maximo !Ele põe a mão no bolso tirando um canivete, ele me golpeia na barriga, uma dor enorme percorre meu corpo, ele golpeia novamente, e na 3° vez me defendo com a mão direita, esta é cortada pela lamina sem esforço, ele segura minha mão, ele faz um corte na ponta do meu dedo, eu aproveito a distração assombrosa dele e o derrubo.
Corro o mais rápido possível, ele tenta me alcançar, eu acelero meus passos, mas eu estava muito fraca, corria pela minha vida, pelos meus sonhos, e por mim mesma... Nada disso era motivação para que meu corpo continuasse com o ritmo da corrida...
Minhas pernas estavam falhando, comecei a um cordeiro com a perna machucado fugindo do veloz predador. Era impossível continuar... Pensei em parar de correr e gritar, até poderia fazer isso se no bairro em que nós estávamos não tivesse somente alguns depósitos.
Enquanto pensava nisso Pedro havia se aproximado mais do que eu podia imaginar, podia sentir suas mãos quase me tocando. “O que eu faria?” ou “o que você em meu lugar faria?”.
Ele saltou contra mim. Nós dois estávamos no chão em uma luta frenética, o meu sangue deixava meu corpo rapidamente eu já não pensava com clareza. Levada pelo próprio quase sobrenatural instinto de sobrevivência agarrei um pedaço de cimento solto e o bati contra a cabeça de Pedro, ele desmaiou por alguns segundos, ele tentou reagir e mais uma vez eu o atingi, e outra e outra e outra...
Quando recobrei a consciência do que havia feito, olhei o chão horrorizada, ele estava morto e em torno dele uma grande poça de sangue rubro e ainda quente. Eu havia matado Pedro meu “melhor amigo”.
Autora: Letícia Rocha Belotti.
2 de agosto de 2009 ás onze e três da noite.
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