Stephan Moore

Meu coração estava batendo mais forte que o normal, era inacreditável, eu iria finalmente fazer meu primeiro show, não pensei duas vezes, liguei para minha mãe surtando de alegria.

— Mãe você não vai acreditar — digo ofegante pelo telefone. Após explicar o ocorrido a ela, a mesma disse que queria ir junto comigo para o show, ela foi a mulher que me apoiou dês do dia em que larguei a faculdade para seguir carreira como artista. Depois dela a outra pessoa que mais me apoiava era a Bella, a garota mais incrível que eu já conheci em toda a minha vida, ela era minha namorada, linda, meiga, inteligente, de uma bondade extremamente grande, eu agradecia todos os dias por ter uma garota como ela em minha vida.

Recebo uma mensagem:

“NÃO ACREDITO, É SERIO ISSO????” — dou uma risada fraca e lhe envio outra mensagem.

“ É sério, estou indo na sua casa agora mesmo.”

Pego minha moto e vou até a casa dela, toco a campainha e ela surge na porta sorrindo, Bella como sempre estava linda, um vestido preto que batia em seus joelhos, e aquele cheiro de jasmim que me envolvia quando ela me abraçava e eu quase não me aguentava soltando um suspiro. Eu estava muito feliz, ela percebeu isso em meu olhar.

— Não sei nem o que te dizer... — ela disse — estou tão feliz por você... Você conseguiu. — ela pulou em meus braços e me deu um beijo na bochecha.

— Nem caiu a fixa ainda — digo — você tem que ir comigo.

— Eu tenho que ir com você — eu sorrio e ela corresponde, aquele sorriso era inacreditavelmente lindo, e sentia uma vontade incontrolável de beija-la, e eu beijei.

Aquele dia... Foi o melhor dia da minha vida, acho que nunca mais vou conseguir sentir algo por outra pessoa como eu senti pela Bella. Eu estava certo que aquele seria o primeiro dos dias mais felizes da minha vida, até que o dia do show chegou...

Eu não agüentava de nervosismo, minhas mãos estavam geladas e suando, parecia que um bando de borboletas frágeis, porém agressivas em meu estomago, quase desisti naquele dia, mas não podia, lutei a vida inteira por esse sonho, e não seria agora que eu deixaria escapar. Minha mãe exigiu que fosse junto comigo, ela dizia que eu seria o melhor dos cantores no mundo, e que queria assistir meu primeiro show.

— Estou pronto — desço as escadas e me deparo com minha mãe e minha namorada me esperando lindas como sempre, meu pai estava sentado em sua velha poltrona lendo um de seus muitos livros que ficavam em uma estante ao lado.

— Você está lindo — Bella diz se aproximando e me dando um selinho. Minha mãe exigiu que eu tirasse uma foto, como seu estivesse em uma daquelas formaturas, após a foto vamos direto ao carro que ainda estava na garagem, não me despedi de meu pai, e nem fazia questão, muito menos ele, nossa relação sempre foi ruim, e ficou ainda pior quando tranquei a faculdade para virar musico.

No caminho fomos todos conversando animados, parecia que elas estavam mais eufóricas que eu, na verdade eu estava, só que o nervosismo falava mais alto. Então de repente vejo dois faróis se aproximando e tudo começa a girar. E o que eu me lembro foram luzes e paredes brancas, pessoas mexendo em mim, e quando acordo descubro que estava no hospital. Olho para os lados, eu não estava pensando em mim naquele momento, só queria saber onde elas estavam, eu estava com medo, apavorado. Uma enfermeira entrou no quarto e notou que estava acordado.

— Você finalmente acordou. — ela deu um sorriso para mim.

— A quanto tempo estou aqui?

— Dois meses... — aquele momento minha cabeça girou novamente, onde estava Bella e minha mãe?

— Onde elas estão?— a enfermeira não disse nada, apenas aplicou alguma coisa em mim e eu apaguei novamente, e acordei só três dias depois.

Os dias se passaram e eu finalmente recebi alta, entrei em casa novamente e só podia sentir a dor que ecoava em meu peito, eu ainda não podia acreditar, eu não me conformava. Meu pai estava sentado na poltrona novamente, meu coração acelerou, não vi meu pai dês do dia do acidente e sua expressão não mudou mesmo após a morte da minha mãe.

— Sinto muito pela sua namorada — ele disse sem tirar os olhos do livro, como se o meu peixinho dourado estivesse morto.

— O senhor sente?— pergunto alterando meu tom de voz — eu duvido que possa haver algum tipo de sentimento dentro de você, a única coisa que importa para você é o seu dinheiro...

— O dinheiro? — ele disse se levantando lentamente — É isso mesmo que você pensa? Dinheiro? E a sua mãe? — ele deu uma pausa — que você matou — ele deu ênfase no “você”.

Depois daquele dia eu fui embora, já era maior de idade e aluguei um apartamento, com o dinheiro do meu queridíssimo papai.

Algum tempo se passou e fui convidado para o meu “primeiro” show novamente, tudo aquilo se passou pela minha cabeça,a perda das pessoas mais especiais da minha vida, porém não fiquei nervoso, de um jeito ou de outro acabei me transformando na pessoa em que eu mais odiava, meu pai, uma pessoa sem sentimento algum.

Estava a caminho, quando estacionei nos fundos da boate, aquele era um recomeço, entro faço o meu show e tudo ocorre bem, mas depois que eu me apresentei nãopodia ficar lá, tudo estava me sufocando, saí pela porta dos fundo,e fui pelo beco até meu carro, mas no percurso esbarro em uma garota, a mesma caiu e me dispus a ajudá-la a se levantar, até que reparo em suas roupas todas rasgadas, logo pensei em ser uma mendiga e quase passei direto sem pedir desculpas, mas aí reparei que a moça estava cheia de hematomas.

— Você esta bem? — pergunto tentando mostrar um pouco de compaixão.

— O que você acha? — ela diz sendo sarcástica, logo de inicio gostei daquela garota, não gostava de mulheres nojentinhas que faziam drama por tudo.

— Precisa de ajuda?

— Não, estou bem assim — ela diz me dando as costas e indo embora. Entro no carro e vou para casa.

Liam Clark

Estava voltando do show da banda do cara que estuda na minha sala, quando já perto de minha casa encontro uma garota meio perdida:

— E ai gatinha, precisa de ajuda? — pergunto jogando meu charme de conquistador na novinha. Ela me olha de cima a baixo e volta a andar só que depressa, penso que ela devia estar drogada, mesmo assim lhe sigo quando do nada vejo que a garota para bem em frente a minha casa e da duas batidas na porta de minha casa:

— O que você está fazendo na porta da minha casa garota? — ela olha incrédula para mim, não entendo quase nada, aquela mina devia estar muito nóia.

— Eu estou a procura do Francis Clark, minha mãe disse que ele poderia me ajudar.

— Acho que o velho ta dormindo, se você quiser eu posso abrir a porta pra você — ela novamente me olha dos pés a cabeça.

— Não, obrigada. Eu espero ele acordar— ela diz.

— Boa sorte então — zombo — aquele não acorda nem com terremoto.

— Está bem — ela acaba cedendo e entrando, a menina da uma olhada geral na casa.

— Se quiser, pode dormir lá em cima comigo — dou uma piscada pra ela, ela me fuzila com os olhos, então eu reparo nas suas roupas, e convenhamos, que corpão da porra. Reparo um pouco mais a fundo e percebo que a menina tinha varias marcas espalhadas pelo corpo, meu sorriso de cafajeste desaparece na hora e pergunto. — Quem fez isso com você?

— Não te interessa!

— Claro que me interessa, você está na minha casa e não quer me dizer quem fez isso com você...

— Você não é meu pai. — ela diz seca.

— Então o que você quer com o meu pai? — começo a lhe interrogar.

— Isso só diz respeito a mim e ele, não a você. — logo após essa resposta, eu me irrito, vou para o meu quarto e deixo a mina lá.

Acordo no outro dia com os gritos da minha mãe, tanto eu como meu pai descemos as escadas correndo para ver o que aconteceu:

— Quem é essa garota aqui? — Minha mãe diz se referindo aquela mina da noite anterior.

— Sei lá, só sei que ela queria falar com o pai— digo.

— Posso falar com você? — a menina diz se referindo ao meu pai — meu nome é Felicite Hemmings. — meu pai arregala os olhos e a chama para ir a sala de estar no andar de cima.

A conversa demorou em cerca de uma hora, e quando os dois desceram estavam rindo juntos, eu e minha mãe fuzilávamos os dois com os olhos, exigindo explicação mentalmente:

—Lucy, Liam, está é Felicite Hemmings, filha de uma velha miga, ela vai ficar aqui por um bom tempo, até as coisas se ajustarem. — minha mãe muda de expressão e vai ao encontro da tal Felicite dizendo:

— Querida está com fome? — a menina apenas assentiu — então enquanto eu preparo alguma coisa pra você, tome banho enquanto o Liam arruma suas coisas no quarto de hóspede. — reviro os olhos, pelo menos agora eu a morar com uma gata.

Enquanto arrumava o quarto meus olhos se desviam para a porta aberta que dava de frente para o banheiro, infelizmente a porta do banheiro estava levemente aberta, eu consegui ver Felicite de costas completamente nua, eu não consegui desviar os olhos daquela visão que poderia ser realmente comparada ao paraíso, mas por respeito, passo pelo corredor do banheiro e fecho a porta, em seguida ela abre a porta novamente, só que enrolada em uma toalha e me pergunta:

— O que você pensa que está fazendo seu tarado?

— Nada ué, menina louca — digo me fazendo de desentendido, ela estreita os olhos me encarando novamente, mas entra no banheiro para meu alivio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.