A Ultima Cifra
1 Capítulo 1
Notas iniciais
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Boa leitura
Felicite Hemmings
Estava em casa mais uma vez preparando o jantar – sopa como sempre – para minha mãe e Edgar, não que eu fizesse questão de cozinhar para aquele monstro, mas para ajudar minha mãe que não passava bem aquele dia.
Ouço um barulho direto da porta e me distraio:
— O que está acontecendo nessa casa? — Edgar diz aos berros.
— Ué, não esta vendo? Estou cozinhando. — digo sarcástica.
— Sua mãe não te ensinou a ter bons modos mocinha? — ele diz se aproximando — o que essa folgada está fazendo deitada uma hora dessas? — Edgar se aproxima de minha mãe.
— Se afaste seu nojento — digo tentando afastar ele de minha mãe, mas sou empurrada para a parede.
— Ande, levante — ele diz puxando minha mãe jogando-a no chão, até que a mesma bate a cabeça e fica inconsciente.Eu corro até ela desesperada, Edgar não reagiu, apenas sentou no sofá com sua garrafa de whisky. Tento sentir a respiração de minha mãe, mas a única coisa que sinto é seu sangue escorrendo por minha mão que estava em sua nuca.
Tento gritar, mas nada saía, pego meu celular em meu bolso e disco os números na emergência, dentro de alguns minutos a ambulância estaria vindo. Fico abraçada com minha mãe, não poderia abandoná-la agora, ela era minha ultima esperança, mas ao ouvir o barulho das sirenes Edgar se levanta em imediato e corre para onde estávamos, me pegando pelo braço e me arrastando até o banheiro. De lá podia escutar as vozes ecoando pela cozinha e chegando até o banheiro.
— O que aconteceu aqui? — perguntou uma voz desconhecida, mas induzi ser o socorrista.
— Ela tropeçou no tapete e acabou caindo batendo a cabeça no chão. — disse Edgar, mentindo descaradamente. Tento gritar, mas a Voz não saí, apenas choro tentando dizer que aquele monstro havia lhe matado. Logo após escuto a sirene se afastando, minha mãe já estava indo embora sem que eu pudesse fazer justiça.
Eu estava me sentindo sozinha, minha mãe foi a pessoa mais importante da minha vida, eu daria a minha vida por ela, após o falecimento do meu pai por câncer, ficamos só eu e ela dando forças uma a outra, minha mãe virou outra pessoa depois daquilo, ela era super protetora, desconfiada, calada e trabalhava demais. Foi então que conheceu Edgar.No começo ele era um homem bom, ajudava minha mãe, trabalhava e não bebia, mas um dia tudo mudou, ele chegou bêbado em casa e a primeira coisa que fez foi bater em minha mãe, por ele achar que ela havia respondido mal, aquele dia nunca saiu da minha memória, minha mãe estava sofrendo e eu não podia ajudá-la, não podia mover um dedo em função dela, hoje aconteceu o mesmo, minha mãe morreu e eu não pude impedir. Tudo esta perdido, tudo o que havia de sentimento em mim foi embora junto da minha mãe, nunca existiu um vazio tão grande no peito como existe agora.
Me levanto do chão e me encaro no espelho por alguns minutos, peguei uma lâmina em que havia guardado. Automutilação... me cortava para descobrir se ainda sentia alguma dor maior que aquela.
Alguns dias se passaram, e então numa sexta-feira á noite enquanto terminava de jantar Edgar chegou tropeçando nos móveis e sem dizer uma palavra se aproximou, tento correr para a sala mas ele me prensa na parede colocando suas mãos sujas em mim e sussurrando “gostosa” ao meu ouvido. Empurro ele e tento escapar, mas acabo caindo no sofá e ele se aproveita para se deitar por cima de mim me imobilizando, sinto suas mãos sujas rasgando minha camiseta, me desespero e consigo alcançar uma garrafa caída e enquanto ele tirava o cinto dou uma garrafada em sua cabeça, fazendo com que ele caísse do sofá. Pego ele pelos braços e arrasto até o armário de casacos que havia ao lado da sala, tranco e subo correndo para meu quarto, pego uma mochila encho de roupas, mas enquanto vasculhava as minhas roupas, deixo uma caixa cair aos meus pés.
Era uma caixinha florida, com uma fita dourada, pego-a e sento em minha cama abrindo com cuidado, a primeira coisa que vejo era um cartão e de baixo dele alguns dólares, já não me agüentando de curiosidade abro a carta para ver.
“Querida Felicite, se você esta lendo essa carta é porque já não estou mais aqui, quero que você saiba que eu te amo muito, e sempre vou cuidar de você, mesmo ausente. Quero pedir perdão pelas escolhas que fiz, sei que não foram as melhores, mas era tudo para o seu bem.Quero que você preste muita atenção, Edgar não era um homem que eu pensava que fosse, e você não pode continuar morando aí, ou se não vai ter um fim igual o meu, e isso eu não posso admitir de jeito nenhum. Por isso estou te deixando esse endereço ****. É de um amigo que mora em outro bairro e que ficaria muito feliz em te receber e cuidar de você, não tenha medo ele não te fará mal, ao chegar lá conte tudo o que aconteceu, aqui nesta caixa tem alguns dólares que venho guardando ao longo dos anos para uma necessidade que agora infelizmente ela chegou, e algumas lembranças para que você nunca se esqueça de mim, pois eu vou sempre estar com você.
Com amor Mamãe.”
No fundo da caixa havia outra caixinha dourada, e dentro dela um colar com um coração, e dentro dele havia uma foto da minha mãe e do meu pai. Coloquei o colar em meu pescoço, até que ouço um barulho vindo do andar de baixo, guardo tudo correndo e tento pular a janela, mas a aterrissagem não foi das melhores, acabei machucando meu pulso. Passo pelas ruas de Williamsburg, já era tarde da noite quando desci em umas das ruas estreitas, atrás de uma casa noturna, não queria ser vista por ninguém,por estar com a roupa rasgada e cheia de hematomas. Não estava prestando atenção no caminho, as coisas não paravam de girar em minha cabeça, até que do nada, alguém esbarra em mim...
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