A Tumba Do Faraó

6 Conversando na maca da enfermaria


Depois daquilo, passei simplesmente a odiar galinhas.

Sério, ela tentou matar a Bianca e depois a mim! Isso não é,definitivamente, NÃO é legal! Minha santa Nutella!

Ah, vamos voltar a história.

Quando abri os olhos, me sentei e vi Giselle mexendo no meu pé. E caraca! Meu pé estava virado em um ângulo TOTALMENTE fora do normal. Ela olhou para mim e deu um sorriso.

-A Bela Adormecida acordou! E esse seu pé tá meio esquisito, Leo.- Ela tinha colocado uma tala e bandagens. Isso fora o gesso.-Seu pé quebrou, e bem feio.- Giselle disse e fez uma careta. Depois olhou para alguém que deveria estar do meu lado.- A cabeça dele está melhor, Bia?

-Sim, está!- respondeu Bianca atras de mim. Só que reparei que havia bandagens na minha cabeça também- Há um corte grande, mas o cabelo esconde. Vai cicatrizar em até 2 semanas, sem seqüelas, acho.

-Acabei com o pé dele. Vou falar com Nico e avisar que Leo acordou.- Giselle se virou para mim.- Ele quer falar com você. E parece que é urgente.

Urgente? O que seria assim tão urgente? Ah, como sou bobo! Esqueci que nós encontramos Sadie e Carter Kane. E eu tinha que contar isso a Bianca, mas só depois que Nico estivesse ali.

-Minha cabeça vai sarar do doidoí, Doutora Di Angelo?- Falei brincando. Ela riu.

-Vai sim, seu bebezão!- Ela sorriu e sentou na maca perto de mim. Eu estava meio sentado-deitado na maca.-Escuta aqui, você não me disse como encontrou o grupo.

-Você também não me contou.- devolvi. Bianca sorriu.-Damas primeiro.

-Ok, ok.- ela olhou para a abertura da tenda da enfermaria, como se esperasse que alguém aparecesse ali.- Eu tinha 8 anos, Nico tinha 7. A noite daquela Sexta-Feira, dia 27 de março, eu, Nico, papai e mamãe fomos a um museu que chamavam de Museu das Estrelas, que só abria a noite. Foi um passeio legal, até que aconteceu: um terremoto. Eu morava no Chile, apesar de ser Americana, nascida na Califórnia, por isso não achei estranho o terremoto no inicio. Mas a coisa foi ficando mais forte até que o teto do museu começou a se despedaçar e cair. Minha mãe gritava para sairmos, então meu pai pegou a mim e meu irmão no colo e saiu correndo, e ela lá ficou, até que o teto desmoronou por inteiro e...- uma lágrima caiu de seu olho-Deu para entender. Depois disso, meu pai entrou em depressão, e acabou que eu e Nico fomos morar com nossos tios, que eram arqueólogos. Foi assim que eu e meu irmão entramos no grupo, através de nossos tios. O nome da minha mãe era Maria Di Angelo, e do meu pai era Olie Di Angelo.

-Minha vez então- eu respirei fundo. Não gosto dessa história.- Minha mãe e meu pai trabalhavam em uma oficina mecânica, e eu adorava ficar com eles lá. Um dia, quando eu tinha 7 anos, eu estava com meus pais na oficina e eu achei uma garrafa de diesel. Havia fósforos ali perto também. Eu esbarrei na garrafa, que caiu em um fósforo que me minha mãe acendeu e depois jogou no chão. Resultado: botei fogo na oficina. Meus pais gritaram para que eu saísse e, meio em dúvida, eu ouvi o que eles me gritaram e sai dali. Mas eles não tiveram essa mesma sorte. A porta foi barrada pelas chamas e eles não conseguiram sair. Nem mesmo... sobreviver.- Eu derramei uma lágrima- Então, fui levado a um orfanato. Uma família humilde e legal me adotou, e o meu pai adotivo era arqueólogo. Foi assim que entrei no grupo, graças ao meu pai adotivo. Minha mãe era Esperanza Valdez e meu pai era Jack Valdez.

Nós dois ficamos em silêncio por um tempo e então Nico apareceu na tenda.

-Olá Leo! Oi Bia!- ele se sentou na maca também.-É bom que a Cocota não tenha te matado, cara.

-Verdade.-concordei. Bianca olhou para mim e para Nico.

-Hã? Cocota? De raios estão falando?- ela perguntou e por um instante pude jurar que seus olhos estavam vermelhos. Isso não foi legal.

-Quer que eu conte?- perguntou Nico. Assenti com a cabeça.-Certo. Então foi o seguinte maninha: Eu e Leo entramos por uma passagem secreta na pirâmide e encontramos uma tumba. A Tumba do Faraó.

-Sim. Aquela tumba era gigante.- acrescentei. Nico continuou.

-Lá, encontramos eles. Sadie e Carter Kane.

-Não acredito! Temos que contar a Marina ou a Giselle ou o Gabriel ou...- Bianca estava agitada.

-Não vamos contar a ninguém, Bianca.- disse, tentando parecer calmo. Só que eu NÃO estava calmo.-Prometemos a eles. Amanhã voltaremos lá, e com comida.

-Mas...Mas...- Bianca começou mas Nico a interrompeu.

-Mas nada, maninha. Você vem com a gente amanhã.- Ele olhou para minha perna. E a minha cabeça continuava dolorida. Maldita Cocota do Mal!-Acho que Leo tem que descansar. Vamos Bia. Já está tarde.

-Já?- perguntei, procurando um relógio.-Que horas são?

-Oito em ponto. Você ficou desacordado durante um bom tempo, Valdez.-Octavian apareceu na abertura da tenda.- O que não foi tão ruim assim, foi?

-Metido a besta.- murmurei.

-Bianca, Marina quer falar com você.- ele disse.- E ande logo.

-Já vou. Espere um pouco.- ela resmungou.- Antes, esses dois tem que me contar uma coisa.

-Blé, isso tampouco me importa. Seja rápida.- Octavian saiu dali. Graças a Deus!

-Contar o que, Bia?- perguntou Nico.

-O que aconteceu lá, para Leo estar com o pé quebrado e um corte na cabeça? E quem é Cocota?- ela parecia meio nervosa.

-Não é 'quem', mas sim 'o que'.- completei.- Cocota é uma galinha do mal que trabalha para uma múmia do mal, que chamava ou a mim, ou a Nico de "O garoto!". Que raio de coisa é essa, eu sei lá.

-"O garoto"?- Bianca perguntou, dessa vez seu braço tremia, e seus olhos brilharam vermelhos novamente.- Isso não é bom, não não.

-Bianca!- a voz de Octavian gritou.

-Eu vou indo, antes que Octavian resolva me arrastar até lá. Amanhã vamos para a tumba então?- Bianca sorriu.

-Vamos, e não se esqueçam da comida!- disse Nico. Os dois se despediram de mim. Nico saiu mas Bianca ficou ao meu lado na maca.

-Boa noite, Leo. Boa sorte com a perna.- ela beijou minha testa e sorriu.

-Boa noite, Doutora Di Angelo.- eu sorri e ela saiu da tenda.

Dormi sonhando com Cocotas do mal.