A Tumba Do Faraó
11 A marca, um sequestro sem sentido e mais Nuttela
Notas iniciais
–Ela está viva?
–Acho que sim, está respirando.
Acordei e ouvi essas frases. Só por isso já sabia algo não muito bom e agradável me esperava do lado de fora da tenda (claro, obvio. Sou o senhor do obvio.).
Corri para fora da tenda, depois de trocar de roupa né, não ia sair de pijama por aí parecendo um louco varrido. E do lado de fora eu vi o que era o que afligia a todos.
Era Annya, caída no chão, mal respirando e com uma marca brilhando em seu pescoço. Gabriel estava abaixado do seu lado, preocupado (Gabriannya é vida, apenas, esses dois são perfeitos). Mais longe da cena, Nico observava tudo ao lado de Bianca, os dois trocavam sussurros entre si e observavam Annya. Eu me aproximei deles.
–Hey, Di Angelo! O que está acontecendo aqui?- chamei Nico, chegando por trás e me apoiando em seu ombro e no de Bianca. Eles se viraram rapidamente e arregalaram os olhos, assustados.
–Leo? Você não ouviu nada, certo?- ele me perguntou com a voz confusa e tremula e os olhos bem arregalados.
–Eu, não. — disse com um sorriso inocente no rosto. Eles me olharam desconfiados, porém nada dizem.
–Certo... — eles falaram juntos e se viraram para o corpo de Annya.
– Temos que conversar. Agora, nesse instante. ENTENDERAM?- exclamou Bianca. Eu e Nico olhamos de modo assustado para ela. — O que?
–NADA- nos dois dissemos, alarmados com seu comportamento estranho.
Olhamos novamente para o corpo de Annya caído e todos em volta. Gabriel ainda estava do seu lado, segurando sua mão.
–Leo... — Bia pegou minha mão e olhou para mim. — As coisas estão saindo do controle. Lorde V está desesperado. Os Kane não vão conseguir sobreviver por muito tempo se ele continuar assim.
–Vamos sair daqui. — disse Nico, já nos puxando pelo braço. — Esse incidente de Annya não pode ser uma coincidência.
Fomos andando para longe de todas as atenções, em silêncio. Fomos até tenda da recreação, e nos sentamos no chão. Ninguém falou durante alguns segundos, até que a Bianca cortou a quietude.
–As coisas estão muito feias. — Bianca esfregava as mãos uma na outra, nervosa. — Agora não somos mais os únicos envolvidos.
–Como assim?- eu e Nico gritamos, bom quase gritamos, porque se gritássemos... É, deu pra entender.
–Octavian, Reyna e Zoe foram capturados. Rachel, Frank, Jason e Piper saíram para procura-los essa manhã. Algo estranho está acontecendo.
–E coloca estranho nisso! Quem ia querer o inútil do Octavian para alguma coisa?- eu disse meio indignado.
–Vai saber- Nico deu de ombros. — E é exatamente o que queremos saber. Pra que esses três teriam alguma utilidade para o Lorde V?
Bianca estava calada, mordendo o lábio inferior, visivelmente nervosa (Isso é o óbvio porque né, mordendo o lábio, já quis dizer “eu sei de alguma coisa, mas não vou falar o que é”).
Cheguei perto dela e abracei por trás.
–Você tem algo para contar, não tem Bia?
Ela olhou para mim de olhos arregalados e saiu dos meus abraços. Doeu? Sim, doeu. Mas ninguém precisava saber e só fiz cara de indignado.
–Não, não tenho. E estou indo para a tenda das meninas.
Bianca saiu da tenda de braços cruzados. Eu e Nico ficamos a observando sair, com cara de “Que?”.
Em seguida da saída dela, Giselle entrou, devorando uma colher de Nuttela. Bem, já deu para perceber que a Bianca não era a única nervosa ali.
Nico foi saindo dali discretamente, com cara de “vou deixar vocês dois sozinhos”.
Não, obviamente eu não podia reclamar.
–Leo... A situação da Annya é tão estranha que nem sei se consigo descrever direito. — disse Giselle, e se sentou de pernas cruzadas. Sentei ao seu lado, passando os braços pelos seus ombros. Ela parou de comer a Nuttela e deixou a colher limpa do lado.
–Tente.
–Certo. — ela respirou fundo. — Há uma marca em seu pescoço. Com certeza é em egípcio. Procuramos em um livro a tradução e...bem... Estava escrito um nome de...um...deus...- ela começou a apertar as mãos uma na outra.
–Deus? Que deus? Um egípcio? Qual?- perguntei visivelmente espantado. FALA SÉRIO! A MARCA DE UM DEUS! UM D-E-U-S!
–Essa é a pior parte. Era o símbolo de um deus não muito querido. — Ela parou de falar e mordeu o lábio inferior.
–Quem era?
–Set.
O silêncio se fez entre nos dois. “Por que Set?” pensei. Annya podia não ser a pessoa mais normal do mundo e tals... Mas Set? WAT?
Ela se deitou no meu ombro.
–O que será que está acontecendo?
Acariciei seu cabelo e beijei sua testa, calado.
“Quem dera eu soubesse.” Pensei, e o silêncio contínuo permaneceu no ar.
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