A Tu Lado

1 Capítulo 1


7:00 am — Segunda Feira

"Os olhos de quem por anos me cuidou fecharam-se para sempre, não ouvir mais sua voz e seus ensinamentos ainda é um dos momentos mais difíceis da minha vida nestes últimos 6 meses, o único homem que me trouxe a alegria de viver, aquele que me ajudou por diversas vezes a superar muitas perdas e que hoje infelizmente sou uma pessoa só para superar justamente a sua perda."

Assim me perco em pensamentos sentada na varanda da grande casa e olhando o mais belo nascer do sol que Deus pode me presentear, olhar ao redor e pensar que tudo isso é meu, ainda sim é surreal e inexplicável, eu sempre pensei que esse dia chegaria, mas nunca passou pela minha cabeça que fosse assim, de uma maneira trágica e tão chocante.

— Dona Maricruz. — Maria me chama.- Dona Maricruz.

— Olá Santinha. — Respondo saindo dos meus pensamentos. — O que houve ? — Perguntei encarando seus olhos que apresentavam assustados.

— O Sr. Miguel quer falar com a senhora. — Maria disse já amassando o avental que vestia sobre as roupas largas e enormes.- Disse que é de seu interesse.— Revirou os olhos.

— Sem problemas, Santinha, peça que entre, eu sei muito bem lidar com este ser humano. — Falei firme e com a expressão séria, Maria assentiu e se retirou.

Miguel Narvaez é um dos fazendeiros mais ricos que conheço, e mais influente da cidade também, alguns dizem que ele é uma espécie de coronel, e quem discorda sofre represália, há quem diga que as terras que tem fora compradas da maneira mais suja e impetuosa que possa ter, aproveitando-se da dor de moças e mulheres que recém perderam seus homens, estas que não foram criadas para enfrentar homens como ele. Ele é um homem bonito, não posso negar, mas tem um coração de pedra, somente lhe interessa o dinheiro e o poder, nem sei se ele pode amar alguém.

Enfim, Miguel na minha fazenda algo raro, ainda mais a essa hora da manhã, ele realmente quer algo do seu interesse e não do meu, portanto, aqui não ganha, esse idiota pensa que sou essas mulheres que caem aos seus pés. Meus anos de faculdade e de experiência neste lugar me deixaram vacinada e bem orientada contra essas coisas que sabia que teria que enfrentar.

— Bom Dia senhorita Olivares, desculpe-me vir a essa hora, mas cavalgando por estas bandas vi que estava sozinha tomando seu café da manhã e pensei em fazer-lhe companhia.- Disse ele já sentando a mesa, e de frente para mim.— Como te sentes exatos 6 meses depois da sua perda inabalável.— O homem tentou pegar em minha mão, mas retirei-a dali.

— Olá senhor Narvaez, estava cavalgando só a essa hora da manhã, ao invés de aproveitar a companhia de sua bela esposa ? — Perguntei dando um ênfase na esposa.

— E..eu precisei ir até a cidade para resolver algumas coisas pendentes e..— Ele ficou um tanto nervoso com a minha abordagem.— Enfim, a senhorita sabe que é como se fosse da família pra mim, e vim te dar meu apoio para tudo que precisar.— Disse me entregando o cartão de seu advogado.

— Senhor, agradeço sua compaixão e solidariedade, mas eu já tenho uma advogada e quanto ao meu avô, ele foi minha força e minha fortaleza desde a morte do papai e da mamãe, tudo o que farei daqui adiante será para honrar o que ele fez por mim.— Disse recordando-me de momentos especiais de ensinamento com as finanças e as produções em seu escritório.— A propósito seu advogado me conhece e comigo ele não trabalhará, pergunte a ele o porquê...— Tomei um gole de café.

— Vejo que a senhorita está bem amparada, posso saber quem é seu advogado ? — Perguntou com um ar curioso. — É que eu conheço tantas pessoas... — Tomou seu gole de café.

— Não, não vou dizer quem é minha advogada, isto é confidencial e só cabe a mim e a minha família esta informação.— Meu tom de voz aumentou e engrossou.— Se o senhor quer tratar de negócios venha em um momento mais oportuno, passar bem.— Levante apertei sua mão e pedi que Maria o acompanhe até a porta.

— Voltarei sim e não voltarei sozinho... — Disse com um tom ameaçador dando-me as costas.- Não preciso que me acompanhem, sei o caminho até a saída desta casa, conheço ela mais do que você.— Seus gritos ecoaram pela casa deixando-nos um pouco assustados.

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Horas passaram...

Comecei a trabalhar no escritório para continuar organizando a parte financeira deste lugar, graças aos meus anos de faculdade, isto não é difícil e por ser algo que gosto tanto, é prazeroso. me traz paz, pois é minha gente, números me causam felicidade, números.

— Batidas na porta me tiram de meus pensamentos. — Santinha, desculpa em que posso ajudar ? - Ao olhá-la um arrepio subiu pelo meu corpo, isto não é normal.- Está tudo bem ? — Perguntei apreensiva. — Santinha, sente-se, você está muito nervosa.- A acompanhei até o sofá.

— Dona Maricruz, sua irmã... — Disse chorosa.— Sua irmã está..- Sem conseguir completar a frase, me entregou o telefone.— Por favor, é da capital, algo aconteceu...— Saiu em seguida.

— Alo — Atendi com a voz trêmula.

— Maricruz, é o Tony. — Identificou-se meu cunhado.— Sua irmã precisa de você aqui na capital, é urgente.— Sua voz era tristonha.

— Mas, o que aconteceu ? — Perguntei.- Ela está com algum problema de saúde ou algo do tipo ? — Perguntei um pouco confusa, porque nos falamos ontem e ela não me falou nada.

— Pior do que isso cunhada, muito pior.- Ele estava preocupado.— Ela precisa do seu sangue, uma tragédia aconteceu, uma tragédia... sua irmã, vem, corre..— Seu desespero me deixou mais nervosa ainda.

— Estou indo, estou indo.— Desliguei o telefone as pressas.

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No meio do caminho em quanto dirigia pensava nos momentos bons em que passamos juntos, espero que tudo isto não seja em vão, e que todas as multas que eu levar, seja para salvar a minha irmã. Já não tenho mais meus pais, meus avós, agora a minha irmã, isso seria demais para mim, não sei se aguentaria.

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Pelo visto hoje será mais um daqueles dias em que terei surpresas a todo instante, Miguel... Soledade, o que será que vem agora ?

Assim que entro no hospital, meu coração quase salta pela boca, tive que me sentar para raciocinar o que estava diante de mim, eu e minha maldita intuição deveríamos nos calar de vez em quando.

Octávio e seu amigo Eduardo junto com meu cunhado na recepção do hospital, assim que me viu seu rosto ficou pálido e o vi engolir seco, Eduardo saiu de fininho e deixou-me ali com os dois homens.

— Eer... Oi.— Falou coçando a nuca.— Eu estou aqui porque sua irmã passou mal e bateu contra o meu carro.— Disse com a voz trêmula.

— Tudo bem, obrigado por ajudar, senhor.— Falei realmente agradecida.- Hoje é dia de ver a família Narváez, acho que querem reviver os momentos do passado.— Assim que parei de falar o médico chegou e eu o acompanhei até sua sala.

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.