A Trágica Vida De Kinberlly
30 Capítulo 29 - Quase morri de susto com um cara completamente pintado de roxo.
Notas iniciais
Kin já tinha se apoderado do lugar.
Havia se sentado numa cadeira onde seria a suposta sala de câmeras e como tinha pelúcias no lugar e estava um imenso tédio para a “creepypasta”, ela simplesmente adquiriu um dos objetos e fingiu estar frente a frente com o pai, distribuindo alguns socos na cabeça do pequeno brinquedo e as vezes puxando com força os pequenos braços que possuía. O triste é que as horas passavam devagar, e a loira começava a se irritar.
Ah, podemos dizer que Kin conseguiu tirar a tinta dos cabelos num dos banheiros locais. Só não podia mencionar que o lugar era bem limpo, pois assim estaria mentindo. Pelo menos continha água, o que é bom, já não morreria de sede tão rápido.
Digamos também que ela conseguiu trocar de roupa, mas era aparentemente roupas masculinas que haviam no local, então obviamente ficaram grandes, tanto que as mangas da blusa eram tão descomunais, que suas mãos não podiam ser vistas e precisava apertar o máximo possível o cinto de sua roupa. E o que ela vestia? Ah, uma roupa de guarda. Não podia ser a melhor roupa possível, mas pelo menos, era confortável para passar a noite.
Kin já havia notado o sumiço repentino de algumas dos supostos animatronics da Pizzaria. Inicialmente, não havia achado estranho, pensou que eles não eram desligados quando ficava de noite, tanto que havia se encontrado com um deles.
Continha a aparência de uma galinha ou um pato, mas a “creepypasta” não conseguia detectar diferença em nenhuma das duas opções. A única coisa que conseguiu pensar foi em correr no exato momento em que a criatura ergueu os braços para a mesma começou a ir em sua direção.
–- QUEM FOI O TÉCNICO QUE PROGRAMOU ISSO?! – Gritou esta, se escondendo dentro da sala de câmeras e fechando o que seria uma porta.
Ok, isso foi estranho. Como o lugar tinha a aparência de ser uma pizzaria para CRIANÇAS tinha robôs que provavelmente atacavam pessoas? Isso não tem sentido nenhum!
Então Kin passou a observar as câmeras, podendo ver a criatura em sua porta, igualmente a uma outra que não havia visto: Um urso amarelo sem olhos bem....gasto.
Parabéns, Kin! Você só faz besteira mesmo! Saiu de uma encrenca com bonecos que fizeram voodoo para uma pizzaria com robôs assassinos fora de controle! Parabéns! Mais um ponto para o seu contador de idiotices em que você se mete num dia! Pelo menos, conseguiu fugir de Liu e Cold, e estava torcendo para que ambos estivessem bem longe.
Mas olha pelo lado bom para não dizer cruel: As portas e o lugar em si tinha uma espécie de bateria, que era a energia total aparentemente durante a noite. E estava gastando muito mantendo essa porta fechada.
–- Ai que ótimo. Uma bateria que não é Duracell para sustentar a energia de um lugar inteiro por uma noite. Melhor ideia do mundo...
Kin acabou abrindo a porta, levantou o chapéu de guarda que usava na cabeça para prender uma parte de seus cabelos, já que mesmo que fosse ventilado, ainda fazia muito calor dentro do lugar. E para melhorar, o ventilador não estava funcionando. Isso se chama o que? Improviso! Mas, a loira passou a olhar os corredores, e como a suposta galinha/pato não estava mais a vista, só pode-se ouvir um suspiro relaxado da mesma, que voltou a se sentar relaxadamente na cadeira, pegando o tablet das câmeras e retornando a bela arte de sentar, não fazer nada e apenas ver as criaturas andando livremente por ai. Contanto que não a incomodassem, estava tudo bem.
Pena que a vida não é feliz com ninguém. Um coelho roxo se aproximava do lugar, e estava ao seu lado pelo o que a câmera demonstrava. E no outro lado, tinha novamente a galinha/pato. A menor se levantou rapidamente e fechou as portas, num piscar de olhos, começando a andar para trás.
–- Ok... isso foi legal no começo mas pode ir embora tá?....
A mesma ligou a luz, e viu o animatronic amarelo na janela. Kin ficou em frente a janela, tocando na mesma levemente, num sentido de “vá embora”.
–- Foi divertido no começo, entretanto pode ir tá? Vá hã... Retocar a maquiagem. Acho que você é uma mulher, por mais que você não tenha muito a pinta de ser uma mulher... Vá pintar as unhas! Limpar os cabelos... Algo assim! Só sai daqui! Eu tenho tempo contado com essa porcaria de bateria que não é Duracell!
Os apelos da mesma de nada serviam, já que o pato continuava ali. Então, a garota começou a recuar, olhando para as janelas que por sinal, tinha um robô em cada uma. Mas só parou ao sentir um ruído metálico chocar com a mesma, e quando olhou para trás, viu o urso amarelo. Aparentemente ele tinha entrado quando abriu a porta na primeira vez.
Kin já pensou que seria sua morte, já que não tinha nenhuma arma com ela e não tinha força o suficiente para bater numa máquina que era provavelmente mais forte que si mesma.
Mas não podemos dizer que a menor não tomou um susto quando a cabeça do ser inanimado saltou, e um homem de olhos brancos e completamente roxo saltou deste.
–- OLÁ! – Disse o homem, com um largo sorriso nos lábios – Eu não sou um robô!
–- Ai! – reclamou a mais nova, visto que não só tomou susto como também a cabeça do robô bateu em si. – Por que diabos você entrou num corpo de uma máquina?!
–- Para assustar os trouxas como você. Me diga, o que o Phone Guy disse para você, meu companheiro? Disse que seria uma noite fácil? Tudo normal?
Digamos que Kin ficou calada por um momento, mas assim que caiu a ficha, a mesma não pode evitar não arregalar os olhos. Primeiramente, ele se referia a mesma como se fosse um homem, mas estava bem óbvio que era uma mulher, então esse homem tinha sérios problemas de vista. E segundamente, era visível que ele achava que Kin fora um guarda contratado, não uma pessoa que entrou no lugar por puro acaso.
–- Er... Sim... Ele disse que era uma noite normal... E que seria fácil para mim... Mas esqueceu de mencionar que a bateria do lugar não é Duracell...
–- Nunca ouvi falar dessa Duracell... No seu caso, é uma pena que o gerador seja bem antigo a ponto de não lhe ajudar nessa situação. – O homem estava terminando de sair da roupa de urso, e se aproximou um pouco de Kin, inclinando a cabeça para o lado, ainda com um sorriso no rosto, agora erguendo a mão, de forma que ficasse ao lado de seu rosto – Eu me chamo Vincent! Mas as pessoas costumam me chamar de Purple Guy. Quem seria você meu caro companheiro?
–- Eu nem imagino porque lhe chamam de Purple Guy... – Ironizou Kin, mas quando o maior perguntou seu nome, Kin congelou. Era mais fácil falar que era uma garota, não um homem, e dizer seu nome original, mas como não queria tirar a fantasia do homem, e nem mesmo dizer seu nome original, resolveu permanecer como “homem” – Me chamo.... Mike. É, Mike. Esse é o meu nome.
–- Bem, Mike... Vai ser uma noite dura. É capaz de eu lhe ver amanhã se sobreviver. Mas como eu sou uma boa pessoa, eu vou ficar aqui, com você, olha que legal! Vai ser divertido, eu prometo! Onde o Purple Guy passa, é só diversão! As ultimas cinco crianças que andaram comigo comprovaram isso!
–- Cinco...crianças? E onde elas estão agora? – Kin ergueu a sobrancelha, cruzando os braços, olhando o homem, que permanecia sorrindo.
–- Ah, estão dentro dos animatronics. Eu matei elas, não resisti. Perdão. – O homem começou a rir. Ok, ele era bem estranho na vista de Kin, mas como permanecia rindo e sorrindo, Vincent era um simpático psicopata. Pelo menos, não ficava falando de morte o tempo todo... Até agora.
A mesma olhou a tela do tablet das câmeras, vendo que faltava apenas mais duas horas, e estava com muita sede. Observou o homem, que vestia a mesma roupa que a sua, mas estava mais ajustada para si e era roxa. Vincent ficava brincando com o telefone que tinha, e esfregava o rosto no mesmo de vez em quando. Abriu a porta da sala de câmeras, começando a sair, e isso chamou a atenção de Purple Guy, que parou de se acariciar no telefone.
–- Onde você vai? A noite não acabou ainda! Faltam duas horas! Não pense em abandonar cento e vinte dólares tão rápido...
–- Fique hã.... Tranquilo. Eu só vou pegar água. Nada mais. Se acalme.
E começou as aventuras de Kin até a cozinha. Pode-se dizer que demorou mais para correr de uma raposa que quase corria na mesma velocidade que a “creepypasta”. Mas com o tempo, e com uma corrida ao banheiro feminino, o robô parou, e voltou ao seu canto original em dois segundos. Conseguiu chegar na cozinha e conquistou a bela água que tanto procurava e queria. Mas na volta, se esbarrou com um urso dessa vez marrom, que quase ia fazer a mesma bater a cabeça na parede com uma forte patada. Agradecemos a Jeff por existir e ter feito Kin herdar o mesmo arrepio que costumava sentir na infância. Mas infelizmente, o chapéu de guarda caiu. Quem liga para chapéu se tem sua vida em jogo né.
A garota começou a correr para a sala de câmeras, fechando a porta rapidamente, arfando e encostando as costas na mesma. Purple Guy olhava agora sem o sorriso que tinha na face para a mesma, parecendo tentar raciocinar alguma informação nova.
–- Você... Você é....
–- Eu sou o que? Sortuda demais por não ter levado uma patada que ia surgir do nada em mim?
–- Você é uma garota... Mas... O Phone Guy... Ele... Ele não aceita garotas...
–- Prazer, invasora de propriedade número um, senhor.
Agora, Purple Guy estava com cara irritada, sem mais aquela alegria de antes.
–- Não tem nada para você roubar aqui.
–- Ei! Eu sei que não sou aquela santa, mas não sou ladra! Apenas me esbarrei aqui por acaso! E você não pode me julgar, já que você matou cinco crianças e eu matei nada!
Por um momento, Kin ficou com medo de ter dito besteira, pois Purple Guy estava com cara de ódio, mas passou a sorrir, e em seguida rir. Pode-se dizer que a mais nova não entendia nada do que estava acontecendo agora.
–- Gostei de você! É a primeira garota com humor que vejo!
Esta olhou rapidamente para o tablet. Incrível foi como passou quase duas horas em pouco tempo. Faltava apenas dois minutos para chegar as seis da manhã, e de acordo com Purple Guy, na hora que disse faltar duas horas, eram quatro da manhã, então nas seis seria o tempo final.
Kin começou a abrir a porta novamente, as duas. Faltava três por cento de bateria, e a mesma já estava torcendo para sair do lugar.
–- Então... Vincent... Ou Purple Guy... Foi bom o tempo que fiquei aqui, foi super divertido... Eu acho. Mas falta apenas dois minutos para acabar meu “turno” aqui então...
A mesma arregalou os olhos quando seu pulso foi segurado com força. Virou a cabeça para trás, observando Purple Guy, que tinha um sorriso psicótico no rosto. Só agora Kin tinha notado que além de ele ser roxo e estar sorrindo, tinha sangue em seu corpo. E seus olhos estavam negros, mas podia ver suas íris.
–- Você não vai sair daqui. Você não pode. Não permitirei que saia daqui... Com vida.
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