A Trouxa

18 O Fim


Notas iniciais
Olá, pessoas. Não postei domingo porque não consegui terminar. Posto hoje com o coração na mão esse final, chorei muito o escrevendo. O trecho que postei no "Informativo Especial" também está aqui. Peço que releiam para que a história tenha continuidade, uma vez que retirei o pedacinho sem contextualização alguma. Aproveitem!

Eu olhava pela janela, o trem ganhara força alguns minutos após passarmos pela saída da estação. A imagem de meu pai em meio aos raios verdes cintilavam em minha memória. Eu presenciava aquilo repetidamente, sempre que parecia que a imagem mudaria; sumiria, ela sempre voltava ao ponto da despedida.

Dei um abraço em meu pai, ele me disse que estava orgulhoso e que eu não me preocupasse com ele, subi os degraus e percorri um caminho que parecia longo até uma cabine, me virei para acenar, tentando transpassar a saudade que sentiria de casa e, principalmente dele. O trem deu um solavanco e, de repente, as luzes verdes invadiram minha córnea e, ao que pareceu um tempo muito longo, os impulsos nervosos passaram pelas bainhas de mielina em meu sistema, uma a uma, até chegar ao meu cérebro. Finalmente entendi o que acontecia.

Eu havia lido isso em um livro durante meu tempo livre na biblioteca. Um livro sobre defesa contra as artes das trevas, na verdade sobre como se identificar um Feitiço Proibido.

Ao que parecia, um dos piores feitiços já utilizados era o da morte, muito utilizado na Guerra Bruxa, alguns anos. Ao ser pronunciada as temidas palavras, as varinhas emitiam ondas tão potentes que se tornavam verdes ao encontrar o ambiente, fazendo com que sua distinção se desse pela cor.

Meu pai fora morto por um feitiço proibido e eu não tive a mínima chance de o salvar. Ser impune era a pior coisa para mim, naquele momento.

E então, tudo voltou novamente. Em minha mente eu retornara á estação ferroviária, estava com meu pai em frente antes do assassinato em massa. Não suportaria o lopping incessante me minha mente, passar por todo o sofrimento momentâneo de novo e de novo e de novo...

Precisava de uma distração, mas não de qualquer uma. Alunos do segundo ano da Sonserina estavam envolvidos nisso e eu precisava saber o que estava acontecendo e o porque de tudo aquilo. Era minha nova meta á ser completa antes mesmo de nossa chegada ao castelo.

Precisaria informar minha mãe sobre o que havia acontecido, antes de fazer qualquer coisa. Ela merecia saber sobre meu pai e, principalmente, sobre o que eu poderia ter feito, sobre minha vontade de não deixa-lo me acompanhar até a plataforma, sobre o meu desejo de não retornar a escola antes que aquilo acontecesse.

Estava envolta no que precisava fazer, era tanta coisa naquele momento que não sabia como distingui-las, separá-las e planejá-las. Me sentia impotente e descompassada mas, em contrapartida, desejava a melhor vingança e uma justiça eficaz.

Entrei na estação, abraçada a meu pai, havíamos passado muito tempo conversando no café no mágico que eu acabei me tornando uma garota atrasada, correndo com um carrinho carregado de malões estranhos em meio as pessoas nas estações de trem. Meu pai corria as minhas costas com o barulho de suas botas pesadas em confronto com o piso ressoando pelo salão, seu chapéu em sua cabeça quase voando para longe e suas mãos segurando minha mala de roupa.

Como uma corrida sem fim contra o tempo, nos encaminhamos diretamente para a parede entre as plataformas 9 e 10, e entramos no mundo bruxo tarde de mais. O trem fechou suas portas e não havia como chegar perto dele antes de sua partida.

Encarei a fumaça saindo da chaminé que ganhara a lenha necessária para a primeira rotação das rodas dos vagões, elas subiam de forma sistemática mas desuniforme, sumindo depois de uma curta distância com o vagão. Aquele não era um dia frio como os outros, embora prevalecesse uma chuva do lado de fora.

Arthur nos encarava da extremidade oposta ao salão, seus olhos corriam pela multidão em busca de algo. Eu sabia, lá no fundo, o que ele queria. O teórico mistério não durou muito e ele encontrou meu pai, seus olhos nem se lançando a mim.

Ele caminhava em nossa direção de forma determinada e apressada. O prazo para as morte estaria perto, eles matariam as pessoas assim que o trem ultrapassasse o portal, eu sabia disso, inocentes morreriam e eu sabia disso.

Tentei gritar para todos saírem da estação, me mover e levar meu pai para longe, mas não consegui. Eu estava imóvel e, por incrível que pareça, estava contente por o encontrar, a memória do atentado sendo reprimida o mais forte possível em minha c mente.

Eu lutava, o mais forte que podia, para tornar aquela memória real, não sucumbir ao instinto de me perder nos incríveis olhos de Arthur e me perguntar o porque de parecerem, pela primeira vez, sem vida. Lutava para ter vontade de avisar a todos o que iria acontecer em seguida, mas não consegui.

De forma descompassada, a imagem das mortes, vista algumas horas antes, por mim, ainda dentro da estação, fora substituída pelo simples sentimento de pertencimento. Com Arthur era onde eu pertencia e onde eu deveria estar, com ele tudo seria perfeito e compensador.

Rapidamente o menino pelo qual tanto me apaixonei se postou ao lado de meu pai. Seu olhar estava no trem, buscando alguém especifico. Me perguntei se estaria invisível aos seus olhos ou se ele estaria procurando seus amigos até que a lembrança me atordoou novamente.

Ele havia matado meu pai, seus amigos assassinaram pessoas inocentes, civis sem comprometimento algum com qualquer coisa a qual eles estivessem fazendo parte. Não queria acreditar no que estava lembrando, não pareciam ser as pessoas que eu havia conhecido alguns meses antes no magnifico castelo de Hogwarts.

Olhei em volta e pareciam muito mais alunos do que os que eu havia identificado do vagão. Além de meus amigos e conhecidos do segundo ano, estavam presentes pessoas do terceiro, quarto, quinto e sétimo, que pude identificar. Eram mais de 300 alunos, com certeza, talvez não apenas da Sonserina, talvez eu estivesse identificado errado e alguns mais velhos faziam parte do atentado.

Não sabia o motivo, mas a memoria se foi novamente me vi absorta do que estava acontecendo, não entendia oque Arthur estaria fazendo e apenas olhei. Encarei tudo com a naturalidade que senti. Confiava em meu primeiro romance, por mais que tenha chego ao fim par um proposito designado a mim.

Retirei minhas mãos da bagagem e as destinei ao entorno de Arthur. Absorto em seus pensamentos ele pareceu nem se importar com minha presença.

Meu pai parado ao seu lado encarando o vagão como se seu mundo tivesse acabado por eu tê-lo perdido. Não me importei, estava com vontade de não embarcar no trem desde o momento em que deixei minha casa aparentemente mesmo desejando não ter, ao menos, entrado na estação ferroviária.

Quando o trem passa pelo portal rumo á escola, Arthur seus amigos retiram suas varinhas das longas rapar, apontam para os cure, incluindo meu pais, pronunciam o feitiço de forma rápida e sem emissão de sons e jatos verdes são liberados de suas varinhas. Em um baque inaudível, os corpos caíram no chão, restando poucos, além da Sonserina em pé.

“Nunca vi alguém resistir tanto a visualização de uma imagem antes, você conseguir ficar sã quase que completamente. Não me surpreenderia se você conseguisse, em algum momento, se mexer e avisar a todos o que estava prestes acontecer.

Perdoe-me interromper seus pensamentos, Alice, mas você parecia estar sofrendo uma grande dor, quis apenas lhe informar que não foi culpa sua a morte de seu pai, nada do que você fizesse diferenciaria o resultado. Olhe, seu pai foi uma vítima da ação de terroristas, portanto não foi sua culpa.

Estou aqui para que você soubesse, antes disso tudo terminar, que os alunos não estavam lúcidos durante o ataque. Os alunos estavam sob um feitiço poderoso de persuasão e, tudo indica, que iniciou-se durante o primeiro período de aulas ainda no castelo. Além de você, uma infiltrada do governo, existe alguém infiltrado e realizando feitiços das trevas entre vocês.”

O ministro me encarou por um período e se sentou em minha frente. Eu tentava ler suas expressões e adivinhar seus pensamentos, mas ele estava tão fechado e frio, apenas olhando para mim, que não me senti confiante naquele momento. Me senti uma pequena garota, perdida em sua vida e esperando que alguém a salve do meio da confusão que eu me coloquei sozinha.

“Alice, você é uma menina esperta e inteligente, acabei pegando empatia por você e, por esse motivo e unicamente por ele, peço que preste atenção no que vou lhe indicar. Os alunos usados no ataque na estação chegarão a qualquer momento, sei que você tem um apreço especial por alguns garotos do segundo ano, sugiro que você deixe o trem com eles e retorne para o mundo trouxa assim que possível.

As coisas vão ficar feias daqui a pouco, acredite em mim, garota. Coisas ruins estão prestes a acontecer e eu não gostaria que você fosse parte disso.”

O ministro me encarou por um tempo, se levantou e me agradeceu por tê-lo ouvido com tanta atenção. Contudo, a verdade é que eu não consegui me concentrar no que ele dizia, eu ouvia as palavras e elas perdiam o significado, mesmo as mais simples e usuais.

Após sua saída da cabine, olhei pela janela por um momento, refletindo sobre o que acabara de acontecer e tentando relembrar suas palavras. Quando dei por mim, mais uma vez, Arthur estava parado na porta, seguido de Otaves e Thomas.

Estava temerosa em abraça-los e demonstrar afeto novamente. Eu precisava das pessoas que me davam carinho, conforto e segurança novamente, precisava de alguém ao meu lado, segurando minhas mãos e enfrentando isso junto comigo. Mas como confiar em alguém que, segundo o ministro, estaria sob efeito de uma poção de obediência? Como confiar em quem acabou de matar meu pai, meu único amigo de infância e meu único porto seguro?

“Alice, sei que não mereço seu perdão. O que eu fiz não tem volta. Eu olhei bem no fundo de seus olhos e matei a única pessoa que eu sabia que significava o mundo para você, mas acho que lhe devo uma explicação, nem que for mínima.”

Arthur abriu passagem por entre as malas que restavam no chão, alguns de meus pertences caíram durante a viagem e eu não me importei em recolhe-los. Esses defeitos nem pareceram ser notados por ele, que caminhava em minha direção calmamente e com toda sua culpa transparecendo.

“Eu estava lúcido, Alice, sabia exatamente o que fazia. Eu olhei em seus olhos dentro do vagão e matei seu pai, assim como outros fizeram o mesmo com os familiares e amigos de outros alunos, mas não é como se eu quisesse fazer isso. Minha mente gritava constantemente um “não” bem definido, lutava com todas as minhas forças me revoltar contra os passos que eu dava, contra os movimentos que eu fazia, mas o feitiço era tão poderoso que eu não possuía os comando necessários para tal feito.

Imaginei suas lagrimas caindo após a morte de seu pai, imaginei sua vida sem um único apoio que sairia dele, imaginei como tudo seria para você e, mesmo assim, não fui capaz de parar. Ei fui fraco, lutei por algo impedi, ajoelhei ao lado do corpo de seu pai e chorei como nunca havia chorado antes. Eu matei uma vida inocente que só queria o bem para sua filha.”

Ele estava diante de mim, seus olhos me encaravam incessantemente e eu descobri, naquele momento, que não importa a casa para qual fomos designados, sei que ele não é uma pessoa má. Talvez apenas tendenciado a isso, mas não é má de coração.

Eu amava esse garoto e desejava nunca mais ter que me distanciar dele, nem que seja por apenas alguns meses, semanas ou dias. Nós nos completávamos, éramos maravilhosos juntos e poderíamos enfrentar tudo, com certeza.

Ei senti falta de seu toque em minha pele, seus lábios macios sobre os meus e a forma carinhosa com que ele vazia cada pequena parte de mim se sentir especial, mesmo que por um único momento. Foi durante esse beijo de reconciliação que eu entendi o que o ministro quis dizer com tido o que ele havia pronunciado.

“Arthur, o ministro veio me visitar momentos antes de você entrar e ele me indicou sair rápido do trem porque algo iria acontecer em breve. Ele sabe de algo e não avisará a todos. Precisamos evacuar esse trem imediatamente!”

Os meninos me olharam com a cara assustada, por um segundo, como se eu tivesse proferido palavras que eu conseguiria. Sim, eu indiquei que o governo não estaria preocupado com a segurança de todos os alunos de Hogwarts e dos funcionários.

Como se não fossemos nada, eles nos descartaria para uma simples publicidade contra os terroristas. Crianças, como eu, morrerão em um breve período de tempo se não evacuarmos o trem imediatamente.

“Alice – iniciou Otaves- o ministro visitou o castelo no dia que Arthur desapareceu. Alguns meninos sumiram durante o mesmo dia durante as aulas, mas acharam que estavam procurando por Arthur. Além de diversas outras faltas que ocorreram no dia em que o ministro visitou o castelo.”

“Isso não quer dizer nada – Continuou Thomas – mas pode ser uma pista do que realmente está acontecendo.”

“Alice, faz todo o sentido. Se o ministro sabe do próprio ataque, ele deveria saber dos anteriores e porque não parou desde o início? Todos os lugares que sofreram ataques foram visitados pelo ministro instantes antes, assim como aconteceu no castelo e na estação, porque aqui não seria diferente?

As manchetes dos jornais destacando como os terroristas falharam outra vez ao tentar ferir o Ministro da Magia. Uma grande propaganda para um político, mesmo sendo as custas de vidas inocentes. Tudo por uma boa publicidade.”

Fazia todo o sentido o raciocínio dos meninos. Tudo pela permanência no poder, como sempre girou o mundo trouxa. A final, acredito que o mundo bruxo não seja tão especial a ponto de ser melhor do que o mundo trouxa no aspecto ética.

Logo formulei a ideia de que, se mantermos o ministro dentro dos vagões, o ataque seria cancelado imediatamente por quem quer que os esteja planejando-os. Então precisava encontrar o homem que seria a chave de tudo isso, quem acabaria com tudo o que ele começou.

Saí de minha cabine e corri pelos vagões, sendo seguida pelos meus amigos e meu namorado. Chamar Arthur de namorado, novamente, era uma sensação deliciosa e que eu desejava, nunca, perder. Não poderia perder o foco no momento, eu sabia disso, mas minha mente sempre voltava para o topo da barreira entre o momento feliz em ter Arthur de volta e o momento escuro, quando perdi meu pai.

Enquanto corríamos, os meninos abriam cada porta e avisavam cada pessoa disposta em suas cabines. Sem muita explicação, era possível apenas ouvi-los dizendo para que elas saíssem do trem imediatamente porque outro atentando iria acontecer.

Segui em frente, em sentido á cabine da diretora Minerva, onde acreditei que o ministro ainda estaria, mas me enganei. Cheguei na porta de sua cabine e fui informada, de imediato, que ele já havia partido. Ele aparatou antes que eu conseguisse chegar até ele, mas havia deixado uma mensagem para mim.

Em vagas palavras disse que sabia que eu havia descoberto e que não se importava com isso. Ele esperava que eu seguisse seu conselho e, por fim, não fiz, o que o deixou chateado, mas ele respeitava minha decisão.

Aquele era foi o primeiro lugar que eu me senti confiante e tive amigos. Eu tive uma vida e apoio. Eu me senti pertencente a um lugar pela primeira vez. Não podia deixa-los.

O ministro me avisou que o feitiço ainda estaria nos alunos que estavam no atentado da plataforma 9-3/4, mas que eu não deveria me preocupar com meus três amigos, pois eles ficariam bem. Decidimos, então, retornar para a cabine porque, não importava o que fizéssemos, o feitiço nos alcançaria, os estudantes seriam mortos aqui ou em outro lugar.

Gravar a minha história foi o modo que encontrei de agradecer tudo o que passei e tudo o que eu conquistei. Foi o modo de eternizar minha gratidão.

Me apaixonei e me vi completamente alegre, da mesma forma que senti saudades de meu pai e me reconectei com a minha mãe. Embora tenha sido manipulada por completo pelo Ministro da Magia, saio feliz por ter lutado pelo que acreditei ser certo. Porque o futuro...

Notas finais
"Porque o final..." é totalmente subjeito e inalcançável. Ela morreu (para quem precisa de explicação) pouco antes de terminar sua fita. Agora vocês sabem a história dessa magnífica garota. Foi isso, o final que tanto esperava para mostrar para vocês. O primeiro capítulo que projetei e o motivo por eu ter feito essa história. Amei conhecer vocês! Xoxo forever, Bábi.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!