Tristeza. Essa foi a primeira palavra que veio em minha cabeça quando eu subi no telhado daquele prédio. Eu realmente não sabia o que estava sabendo. Devia ter sido internada a tempos, mas nunca ninguém fez isso. O ódio pela minha vida nunca foi tão grande como naquele momento.

A cada passo que eu dava, eu me sentia mais depressiva. Parecia que eu ia me explodir. Ficava me pergunta o por quê de eu nunca ter feito isso antes. O por quê de eu nunca ter me suicidado antes. Eu sempre fui solitária. Nunca tive razões para viver

Mandei uma mensagem para minha mãe dizendo que era tarde demais, e que havia chegado o meu momento. Depois disso, peguei meu celular, e o joguei prédio a baixo. Eu não precisaria disso no inferno.

Fui para mais perto da borda do prédio, e me sentei ai. Olhei para baixo, para cima e para os lados. O meu suicídio não seria um daqueles que são gravados por helicópteros e era transmitido ao vivo para milhões de pessoas que não se importam comigo, mas choram quando eu me jogo daquele penhasco para o mundo dos mortos.

Me levantei, e me aproximei mais do precipício de almas perdidas. Aposto que várias pessoas já se jogaram daquele prédio. Ou talvez eu fui a primeira. Nunca quis saber a respeito disso.

A porta da escada que dava para o telhado se abriu. Olhei para trás, e vi a pessoa que eu mais amava no mundo estava lá.

-Não faça isso, Kessi -Josh suplicou.

-Agora me diga o por quê de eu não ter que eu fazer isso -eu retruquei.

-Eu te amo. Desde a segunda série eu te amo. Se você morrer, eu morro.

-Você teve dez anos pra dizer que me amava, e só me diz no dia do meu suicídio. Agora é tarde demais.

Virei me novamente para a distância de vinte e sete andares até o chão. Voltei minha atenção para Josh novamente e disse:

-Sabe, Josh, eu também sempre te amei. Só que eu te via com as outras garotas populares e pensei que você nem sabia da minha existência. Eu não tenho amigos. Meus pais me odeiam, igual todo o resto da minha família. Eu não tenho nenhum dom que eu possa usar para beneficiar o mundo. Agora, me diga, o que eu estou fazendo viva?... Eu nunca me mutilei. Nunca tive um distúrbio alimentar, ou esses dramas de meninas idiotas, mas eu percebi que essa minha depressão é algo mais sério do que tudo isso, e o único tratamento é a morte. Então, me desculpe por isso, mas saiba que eu te amo, e sempre irei te amar, porque você é o meu primeiro e último amor.

Enquanto eu falava, olhava para o chão, e não vi o garoto se aproximar. Ele estava parado a minha frente, com lágrimas nos olhos. Ele pegou meu rosto com as duas mãos, e me beijou. Foi o meu primeiro beijo.

Eu até poderia descrever o quão maravilhoso foi a sensação da boca dele na minha, mas a perfeição não se resume em palavras, mas sim em suspiros longos e apaixonados, olhares bobos, expressões faciais e todas essas coisas bestas de apaixonados.

-Se você for -ele disse-, eu vou também.

Agora, foi eu que o beijei. Nos beijamos por quase um minuto. Descolei meus lábios dos dele, e entrelacei meus dedos com os dele.

-Juntos? -eu perguntei.

-Sempre -ele disse.

E então, nós pulamos. Pode ter sido algo clichê, e até mesmo coisa de Tumblr, mas eu lembro que, durante a minha caída, eu sussurrei "meu Deus, o que aconteceu?". Minhas últimas palavras foram as mesmas da princesa Diana, e isso é a maior honra que já fui concedida em toda minha vida.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!