A Triste Felicidade
1 Capítulo 1:Um possível começo
Faziam 28° graus quando Alan saiu de casa, o calor aumentava debaixo do capuz de seu moletom preto, pequenas gotas de suor escorriam em suas costas enquanto ele continuava seu trajeto.Alan sempre enchia sua cabeça de pensamentos aleatórios, ele tentava esquecer de um terrível acidente que havia acontecido quando ele era criança, acidente este que tinha lhe dado uma terrível cicatriz que percorria a parte de baixo de seu antebraço.
Alan quase tinha esquecido o motivo de sua caminhada quando se aproximou da escola local, Anelice sua tutora que sempre trabalhou em dois empregos para sustentar-se a si mesma e ao seu tutelado tinha sido demitida de um emprego, assim Anelice não podia mais pagar as aulas em domicílio, e Alan fora obrigado a estudar em uma escola pública até ela poder ter o controle dá situação novamente. Alan entrou pelo portão vermelho da escola dando de cara com um pátio lotado de pessoas diversas, que se reuniam em vários grupos pelo pátio, todos estavam com roupas abertas e coloridas.Alan se sentia deslocado, ele sabia que estava deslocado, mas ele não se importava com isso. Assim Alan decidiu sentar-se em uma parte dá escola coberta, cheia de vários banquinhos ocupados também por grupos de pessoas diversas com roupas abertas e coloridas. Mas, havia um banco onde uma garota sentava sozinha, e Alan decidiu sentar-se lá. Aquela menina era instigante e despertou a curiosidade de Alan; ele mantinha o olhar no além afim de disfarçar a análise que ele fazia na garota; a sua pele era morena, usava óculos redondos, seus cabelos longos e castanho claro com mechas rosas acabavam em duas tranças, ela não parava de digitar algo em seu celular, mais o que mas chamava atenção em Alan eram os seus fones de ouvidos cintilantes de gatinho que mudavam de cor de tempos em tempos, Alan não conseguia mais fingir que não estava analisando a garota, foi aí que...:
— Hey, quer ouvir? Disse a garota sem ao menos olhar no rosto de Alan.
—O que é? Perguntou Alan interessado.
—Pesadelo Sonoro
—Uh...? Disse Alan sem entender nada.
— É a banda de rock da região, Haha não conhece?
—Bem, não!
— Ok, escuta aí vai que tu gosta! Disse a garota positiva.
— Até que é bom.
—E aí, qual é a sua idade?
—16.
—Então parece que vamos estudar juntos!
—Legal, isso pode ser legal. Disse Alan incerto disso
—Aliás meu nome é Maria Catarina!
—Alan, prazer em conhecer você!
Triiiiiiim- o sinal de entrada bateu, Alan e Maria Catarina foram juntos a sala do primeiro ano do ensino médio. Maria Catarina sentou uma fileira ao lado de Alan, que se sentia desconfortável com tudo isso, ele nunca foi alguém de conversar, ele estudou a vida inteira sozinho, sem nenhum amigo no mundo, diálogos com as pessoas o deixavam nervoso, ele sabia que tinha se saído bem nessa conversa, e por mais gentil que Maria Catarina esteja sendo com ele, ele não se importava com ela.
Uma professora havia chego na sala, "Marília-Álgebra" foi o que ela escreveu no quadro negro. A mulher começou a discursar sobre a sua carreira como professora, enquanto as pessoas se reuniam em grupos e cochichavam algo totalmente diferente do propósito dá aula, todos faziam sem que a professora percebesse isso, mas ainda assim Alan ainda conseguia ver um sorriso em seus rostos, é isso significava que eles estavam felizes com isso, que mesmo cometendo um erro eles estavam felizes, mesmo com os possíveis erros do passado eles ainda estavam felizes, eles ainda conseguiam sorrir, isso foi um pensamento que desmoronou Alan, que o fez refletir, que o fez derramar uma lágrima de seu olho direito, Alan podia ter caído em prantos silenciosos molhando o seu moletom, mas isso não aconteceu porque quando ele estava prestes a derramar mais uma lágrima:
— Cara, essa professora é "moh" chata!- disse Maria Catarina rindo baixinho.
Ao longo das próximas aulas, Alan foi se recompondo, percebendo que não há espaço para choro é lamento, que o passado deve ficar no passado, mesmo que isso lhe traga a infelicidade de ter que carregar tamanho fardo por toda sua vida. No período do intervalo Alan e Maria Catarina sentaram no mesmo banco, ouviram a mesma banda, e esperaram o tempo passar. Enquanto isso Alan analisava os grupos no pátio, e as pessoas que os compunham, ele não tinha se interessado por ninguém até fitar os olhos em um rapaz mais velho, ele não sabia bem ao certo o que fazia seus olhos brilharem naquele momento; se era sua jaqueta amarrada na cintura, seu cabelo roxo, suas poses espontâneas, mas sabia que o sentimento que o garoto tinha despertado nele não era curiosidade, mas sim outro sentimento, um sentimento parecido com um que ele já havia sentido no passado. Então ele resolveu perguntar sobre o garoto para Maria Catarina:
— Ei Maria, quem é aquele garoto?
—Aquele, é o Tin.
—E você o conhece?
—Não, ele só é bem popular.
No momento em que eles conversavam uma garota loira se aproximou do garoto e deu lhe um abraço.
—E aquela menina? É a namorada dele?
—Não, não aquela é só a Helena, mas também é fácil de achar que ela namora alguém, essa daí dá em cima de todo mundo, super falsa! Disse Maria Catarina com um ar de indignação.
—Hey, e Alan não precisa me chamar de Maria Catarina, pode só me chamar de Cat! Disse Cat empolgada.
As próximas aulas passaram rápido, Alan não conseguia tirar o rosto de Tim da Memória. Ele mau ouviu o sinal de saída tocar. Cat coincidentemente foi pelo mesmo caminho que Alan, ela mantinha uma conversa em fluxo com Alan, que ele nem estava prestando atenção, ele só se recordava de Tin e daquele sentimento que o remetia o passado, isso o deixava triste,mas feliz também. A tristeza da felicidade o fazia pensar em coisas que ele não compreendia, e quando reparou já estava em casa.
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