A Triste Felicidade

14 Capítulo 14: Passado


Notas iniciais
Neste capítulo Alan e Mike entram em um cemitério para lembrar do passado de Alan, mas uma surpresa na saída abala os sentimentos de Alan. Além da chegada de Anelice.

Alan despertou de seu sono, sua visão ainda estava turva, tinha a impressão de ter acordado tarde. A luz do sol que entrava pelas frestas da janela tiravam sua concentração em voltar a dormir, devido a isso ele pegou seu celular de debaixo de seu travesseiro e olhou as horas. Alan, ao ver 12:34 no relógio do celular, de primeira ele não se importou, mas bastou olhar para a mão que segurava o celular que ali havia uma aliança, lembrou-se, de hoje ele e seu namorado Mike iriam ao cemitério. Neste momento, Alan pulou da cama e apressou-se em vestir. Foi a cozinha e comeu um salgadinho de milho que havia na despensa, em seguida foi ao banheiro, escovou os dentes o mais rápido que podia, certificou que a casa estava toda sozinha, pegou o dinheiro da viagem que não tinha gastado e foi até a porta.

Alan abriu a porta, e viu Mike a frente do portão, o mesmo levou um susto ao vê-lo alí. Alan saiu do portão percebendo Mike com uma feição estranha. Mike perguntou:

—Alan, tá tudo bem? Olha eu acho que fui um pouco... apressado, ontem. Mas, como você saiu tão rápido da minha casa, acho que eu te magoei, certo?

Alan olhou fundo nos olhos de Mike e se aproximou rapidamente, Alan beijou-o como nunca antes tinha feito.

—Isso responde sua pergunta?-questionou Alan com um sorriso-

Mike em seguida o beijou também, fazendo a mesma pergunta:

—Isso responde a sua pergunta?-ambos riram-

—E aí, como chegamos no cemitério?

—Vamos pela pracinha, e depois eu te mostro o caminho.

Os dois foram seguindo o mesmo trajeto de sempre. Chegando na viçosa praça, Mike abandonou Alan e foi ao centro da pracinha​, não bastou muito para que ele voltasse segurando algo em suas mãos. Mike segurava um flor roxa, ele estendeu a mão para Alan, como se fosse dá-la, e sem entender ele perguntou:

—Mike, o que é isso?

—Uma flor!

—Isso eu tô vendo, mas para que?

—Considere isso como um presente- disse Mike colocando a flor gentilmente atrás da orelha de seu parceiro-

—Eu devo estar ridículo-riu-

—Não está não -suspirou, e em seguida segurou as mãos de Alan- Bom, pelo menos eu gostei disso.

Eles se beijaram novamente.

—Então, para onde vamos? — perguntou Alan corado-

—Para lá, subiremos aquele morro.

E foi o que fizeram. Em meio a enjoativa caminhada que faziam, Alan pode ver uma torre ao longe, ele se acanhou em perguntar, mas de qualquer forma ele fez isso:

—Mike, que torre é aquela?

—Quando você disse que não saia de casa a alguns anos, não tinha percebido o quão literal era o que estava dizendo-riu- aquela é a torre da igreja, a catedral foi reformada lá a dois anos.

—Mike... você é religioso?

—Sou, mas não muito, venho aqui com pouca frequência. E você Alan, também é?

—Eu? Eu não sei nem se fui batizado, Anelice não sabe sobre isso, e sem poder perguntar para os meus pais, isso torna-se impossível de se saber...

—Desculpe, eu não queria....

—Não, não precisa disso. Tá tudo bem!

Os dois entram pelo portão da igreja, Mike se ajoelhou perante a escadaria da igreja e recolheu suas mãos ao peito, Alan fez o mesmo. O terreno do cemitério era logo atrás da igreja, em meio a lápides, jazigos e memoriais, sobre as cruzes e mensagens de adeus, foi no lado oeste do cemitério que eles encontraram um pequeno memorial com letras esculpidas em mármore, Alan não alarmou quando encontrou, ele apenas disse:

—Está aqui.

—"Em memória de..."-leu- esses eram seus pais?

—Sim...

—Mas porque o nome não está gravado na sepultura? Qual eram os nomes deles?

—Eu... Eu não me lembro- chorou- só consigo me lembrar de "Suzana"...

—Alan, você sente muita saudade deles?

—Não, somente dela...

Alan tirou a flor de trás de sua orelha e a colocou do lado da fotografia onde sua mãe estava, e sussurrou "me desculpa", ele se levantou e abraçou Mike com força:

—Você se lembra do acidente?

—Todos os dias....

Ambos continuaram abraçados por um período de tempo, até que Mike tomou a atitude de enxugar as lágrimas de Alan, ele segurou em sua mão firmemente, assim saindo do lar daqueles que já se foram.

Na saída do cemitério, logo em frente a igreja, Alan pode ver alguém que no fundo fazia saudades, segurando a mão de Mike ele foi até lá:

—Cat!

—Alan? O que você tá fazendo aqui garoto?

—Viemos ao cemitério, fazer uma visita.

—Já acabou a visita? Então cai fora, não preciso de alguém pra estragar meu dia!

—Não fale assim com ele, ainda está chocada pela cena que viu?-disse Mike defendendo Alan-

—E você? Quer levar um tapa novamente? Fora da escola não vai ter ninguém que possa te defender...

Enquanto discutiam, um garoto desceu as escadarias da capela e foi ao encontro de Maria Catarina:

—Eles estão te incomodando, amor?-Alan se espantou com esta frase-

—Eles? Não! Na verdade nem os conheço, vamos, Nathan temos coisas mais importantes a fazer do que perder tempo com essas pessoas. -bateu seu ombro contra o de Alan e entrou no cemitério com o garoto-

—Alan, o que foi isso? Pensei termos conversado sobre esquecer aquela... Biscate- Mike chamou a atenção de Alan-

—Eu sei, mas é só que... ela faz falta!

—Falta? Do que você tá falando?

—Acho que devemos voltar, certo? -Alan mudou de assunto-

Sem entender, Mike apenas revirou os olhos. Eles desceram o morro e quando chegaram na praça, se separaram, despediram-se com um celinho. Alan fez o mesmo caminho o qual já cansava sua visão ao ver cenários tão comuns. Quando chegou em sua casa, espantou-se ao ver as janelas abertas. Ele entrou pela porta e viu Anelice sentada na cadeira da mesa de jantar:

—Anelice! Como foi sua viagem?

—Alan, quanto dinheiro você pegou de mim?

—300, guardei comigo, não cheguei a usar o resto.

—Bom, fique com isso para si...-sua cara era de abatida-

—Anelice, onde está a Cotton?

—Eu a vendi, agora vá para seu quarto Alan.

—Você fez o que?-alterou-se- Só, por que? Como você pode fazer isso?

—Eu a vendi pois valia dinheiro, não se preocupe, em breve vai vela de novo, agora por favor Alan, vá para o seu quarto!

—COMO ASSIM VOCÊ A VENDEU? O QUE VOCÊ TEM NA SUA CABEÇA???

—PELA ÚLTIMA VEZ, VÁ PARA O SEU QUARTO- disse ela apontando para a porta de seu quarto-

Alan entrou em seu quarto e bateu a porta, certificou-se de chavear a porta. Ele ficou com os ouvidos grudados a porta, era possível se ouvir Anelice chorando do outro lado.

Notas finais
Muito obrigado e espero que tenham gostado!