A Triste Felicidade
2 Capítulo 2: Nova memória
Notas iniciais
Alan estava em seu quarto assistindo filmes de zumbi quando alguém bateu na porta, era Anelice sua tutora, ela parecia diferente de todos os dias, estava com os olhos cansados, o cabelo despenteado, toda molhada, Alan quis saber o que havia acontecido:
—Anelice? Fez hora extra hoje? Chegou tarde, tá tudo bem?
—Tá sim, é que eu tive que passar no posto de saúde e pegar uns remédios, daí na volta pra casa eu acabei pegando chuva.
—Remédios?
—Sim para insônia é para o estresse, sabe esse emprego novo tá me matando. Mas me conta como foi seu dia hoje na escola nova?
—Foi bem normal até...
—Sei... Olha eu prometo que quando eu conseguir uma grana eu volto a pagar as suas aulas em domicílio, ok?
—Ok.
—Ah! Já ia me esquecendo, amanhã de manhã eu vou na igreja, quer ir comigo? Porque a gente pode aproveitar para levar flores para eles.
—Não, eu tô de boas! O que eu mais quero é esquecer isso.
—Você está certo... Bom eu vou dormir, você deveria ir também!
—É o que eu vou fazer.
No dia seguinte, Alan acordou e foi para a cozinha, lá havia um pacote escrito: "Preparei o seu almoço, Anelice". Dentro havia alguns potes com sua comida, ele almoçou, escovou os dentes, e saiu de casa. Ele se deparou com Cat no portão de sua casa, olhando para baixo e digitando algo:
—Até que enfim né Alan, eu já estou esperando nesse sol faz uns 5 minutos.
—Maria Catarina? O que você tá fazendo aqui?
—Sei já te disse me chama de Cat! E porque eu sou uma boa amiga vim te esperar para irmos juntos!
—Tá bom então...
—Você ainda tá com esse moletom Alan, Deve estar fazendo uns 30° graus hoje, tira esse capuz, olha como você é pálido pega um sol isso não vai te fazer mal! Disse Cat tirando o capuz de Alan, e expondo seus lindos cachos cor de mel.
—Ah meu rosto!
—Você não é um vampiro para ficar temendo o sol, aproveita e tira o moletom e amarra ele na cintura!
—NÃO, eu não posso fazer isso!
—Ei calma, eu só quis te ajudar, não precisa ser grosso comigo!
—Eu, eu só não quero tirar o moletom ok?
—Ok então, Tá com o seu celular aí?
—Tô sim.
—Ata então me passa aqui! Disse Cat pondo a mão no bolso de Alan e retirando o celular. — Aqui, te passei meu número,a gente conversa por mensagem qualquer dia desses!
Enquanto caminhavam para a escola, Alan ia refletindo sobre a forma com que ele havia tratado Cat, ele sabia que de qualquer forma ela não era só mais uma pessoa qualquer, por mínima que fosse eles tinham uma afinidade, ele não gostou de magoar ela, ele não gostava de fazer ninguém se sentir ruim, pois ele mesmo já tinha sofrido muito um acidente do passado, mas expor a marca do acidente não era algo que ele queria fazer, essa fora a única coisa que ele podia fazer naquele momento.
Quando chegaram na escola, Cat parecia eufórica, e a euforia aumentará ao chegar no pátio:
—Mike! Disse ela aos berros para um completo estranho na visão de Alan.
—Gata! Poxa até que enfim né te encontrei! Disse o garoto abraçando Cat.
—E quem é o bonito aí? Disse o estranho abraçando Alan e dando dois beijos em suas bochechas.
—Eh... Eu sou o Alan.
—Ele é meu amigo, acho que vocês vão se dar bem também! Mas até que enfim a gente está juntos novamente, porque tu não vai acreditar quem tá estudando aqui!
—Quem sua louca?
—A falsa da Helena!
—Mentira! Não tô acreditando, esse ano eu ainda quebro a cara dela, aquela vaca!
—Eu... Perdi alguma coisa? Perguntou Alan.
—É que ela é uma fura olho. Me arrependo de ainda não ter dado um tapa na cara de pau dela!
Triiiiiiim- o sinal da escola bateu, Alan, Cat e Mike foram para a sala de aula. Eles sentaram todos próximos, enquanto Mike e Cat conversavam sobre um assunto aleatório Alan analisava Mike; os olhos azuis celeste de Mike chamavam a atenção de Alan, juntamente com o seu cabelo loiro quase dourado, usava uma camisa xadrez e por debaixo dela era possível se ver que os músculos do braço de Mike eram um pouco definidos, ele também usava um colar com um pingente de âncora um tanto quanto desgastado.As aulas seguiram como biologia, química e gramática até o período do intervalo.
No intervalo Cat, Alan e Mike continuaram sua conversa:
—O Martin estuda aqui? Perguntou Mike
—Sim, desde o ano passado! Respondeu Cat.
—Ah e pelo que vejo ele é bem amigo da Helena, os dois se merecem mesmo!
—E quem é Martin? Perguntou Alan
—É o Tin, lembra que eu te disse isso ontem?
—Ah sim, e ele te fez alguma coisa Mike?
—Eu e ele ficamos por um tempo, não deu muito certo, já vou te avisando que aquele lá não é boa pessoa!
—Como se a gente fosse, hahaha! Disse Cat rindo.
—Cala a boca sua Piranha, Haha! Reponde Mike.
—Não calo seu trouxa, Haha! Falou Cat levando na brincadeira.
Os dois conseguiam se ofender e ainda rir disso, Alan achava aquilo algo fascinante. Os três voltaram para a sala, as aulas foram normais, apenas um pouco de conteúdo foi passado.
Na saída do colégio Mike entrou em uma Pick Up, e se despediu de Cat e Alan, os dois continuaram o trajeto até suas casas:
—De noite eu te mando mensagens Alan!
—Ok, tchau!
Alan entrou em casa, tomou um banho, e depois decidiu cozinhar uma torta para Anelice. Quando a torta e o recheio estavam prontos só bastava Alan assá-la, por algum motivo o fogo do fogão não estava funcionando, então ele decidiu acender o fósforo, na ponta do fósforo a luz e o calor do fogo faziam Alan voltar no tempo, em um tempo feliz, em um tempo em que ele não era triste, mas qualquer felicidade pode ser manchada pela tristeza pois ela é inflamável e depois da primeira gota já fica fácil de queimar a felicidade e assim não sobra nada, nem a esperança. Enquanto Alan refletia sobre isso, o fósforo foi queimando pouco a pouco a ponta de seus dedos, e aquela dor o fez acordar para a realidade e continuar sua torta.
Alan pós a torta no microondas para que não esfriace quando Analice chegasse, foi aí que ele sentiu seu celular vibrar com uma mensagem:
—E aí Alan.
-Oi Cat.
—Então, me diz aí você gostou do Mike né, pq tipo eu shippo vcs!
-Como assim?
—Ah... Vc não é gay?
-Não.
—Ata, foi mal aí :P
—Mas, você já pelo menos experimentou?
-Nunca.
—Então como você pode dizer isso, tipo não foi por isso que vc me perguntou sobre o Martin ontem?
-Não, olha eu tenho que ir tchau.
Por mais bravo que Alan estivesse ele sabia que Cat estava certa, e ele não conseguiria esconder os seus sentimentos, porque foi assim tempos atrás naquele acidente, por que não seria assim de novo?
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