A Tribo de Moacir: A Flauta de Akuanduba
3 Minha mãe me salva do afogamento
Já era de madrugada e todos estavam lá jogando coisas em cima de mim, nesse tempo entre o começo da punição e agora estava pensando em jeitos de não deixar nada entrar no pote, e tive uma idéia maluca mas que podia funcionar.
— Volte! — O pajé gritava com seu sorriso maléfico no rosto. — Quer desistir? — Não podia desistir seria ridicularizado pela tribo inteira e nunca ganharia um cargo de respeito.
— Nunca! — Bufei e pus meu plano em pratica, enfiei o pote em minha cabeça e sai correndo. Podia tropeçar mas era um caminho reto não tinha como se perder.
— Ei! Volte aqui! Isso é contra as regras! — O pajé gritou e em sua voz tinha um tom de medo, ele estava perdendo o que ele queria.
— Você não disse nenhuma regra! — Corria e sem que eles vissem estava sorrindo.
O solo ficava mais molhado a cada passo estava chegando ao rio, estava chegando ao final. Fui diminuindo o passo cada vez que o solo umedecia, mas mesmo assim cai no rio que estranhamente me derrubou e senti a correnteza me puxando.
— Socorro! — Gritei tirando o pote da cabeça e vendo que todos tinham ido embora menos o pajé que observava por entre as árvores. — Pajé! — A água entrou em minha boca e quando a correnteza me tirou do rio levantei, e uma mulher metade peixe flutuava acima do rio olhando para mim. — Éeh... Olá.
— Olá filho! — Ela dizia sorridente. — Sou Iara, Deusa dos mares, rios e lagos.
— Iar... — Ela não me deixou terminar e continuou.
— Protetora de todas as formas de vida aquáticas, e sua mãe. — Ela era linda, tinha cabelos verdes, olhos azuis claros e... Era uma sereia! Ela deu um risinho e falou. — Sim! Eu sou uma sereia, mas não como aquelas que atraem os homens para o mar e os afogam. Só alguns. — Essa ultima parte ela disse bem baixa, e deu uma risadinha, mas voltou a ficar seria. — Estou aqui para guiá-lo.
— Me guiar para aonde? De volta para a aldeia? — Sua cara mudou de feliz para confusa num piscar de olhos.
— E você quer voltar para lá? Achei que o pajé desta mesma aldeia era quem queria que você se afogasse. — Ela levantou um dedo como se lembrasse algo muito importante. — Já ia me esquecendo, além de te guiar vim te dar um dom que eu não para muitos poucos dos meus filhos. O dom de respirar dentro d'água.
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