A Trama da Bruxa
4 Uma Tempestade se Aproxima
Notas iniciais
Passaram-se três anos desde que Yamuraiha, Ja’Far, Hinahoho e Sharrkan haviam fugido de Sindria. Durante todo esse tempo eles foram perseguidos por Sinbad e Hakuei acusados de traição e suas cabeças estavam a prêmio com uma grande recompensa. Os demais generais também escaparam porque foram avisados por mensageiros enviados por Hinahoho e seu paradeiro era desconhecido. Nenhum deles suspeitava que Hakuei era na verdade Ren Gyokuen.
— A única coisa que posso concluir é que essa que vimos não é Hakuei. É outra pessoa se fazendo passar por ela. — Disse Ja’Far a Yamuraiha. Ele agora achava muito estranho que ela tivesse usado magia para paralisá-lo enquanto estava no cárcere
— Sim, é verdade. A princesa Hakuei possui um recipiente de metal e pelo que sabemos, magos são incompatíveis com eles. Há duas hipóteses: a primeira é que existe outra pessoa se passando por ela, a segunda é que ela tenha adquirido o dom para utilizar magia. Mas nunca ouvi falar da segunda hipótese, ou você nasce mago ou não, portanto acho que podemos descartá-la. O que mais me preocupa é quem qual a verdadeira identidade dela. Será alguém da Al Thamen?
Ja’Far sabia que aquilo não soava bem, mas era o mais provável. Ninguém mais possuiria habilidades para criar uma réplica perfeita de outra pessoa além deles. Isso o preocupava muito, porque agora Sindria estava nas mãos de uma pessoa extremamente perigosa e talvez da própria Al Thamen.
— Bom, ficar aqui conjecturando não vai nos levar a nada. Precisamos tomar uma atitude. Faz muito tempo que estamos apenas fugindo. — Disse Sharrkan.
— Ja’Far, agora que a procura por nossas cabeças diminuiu um pouco já que conseguimos sair de vista, eu proponho que formulemos um plano para descobrir quem é aquela mulher e o que ela pretende. Infelizmente não podemos contar com os outros generais. Temo que estejam mortos ou presos já que não tivemos notícias deles desde que fugimos. — Hinahoho sabia que quanto mais esperassem, pior ficaria para desmascarar a usurpadora que se encontrava ao lado de Sinbad.
— Você está certo. Eu tenho uma grande quantidade de ouro que escondi. Podemos usar isso para contratar pessoas e usá-las para montar uma rede de espionagem. Sinbad sempre dividiu conosco os tesouros que obtivemos quando conquistamos as dungeons no passado e eu nunca gastei tudo por prevenção. Eu só não esperava usar isso contra ele algum dia. Mas que seja! Primeiro vamos conhecer nosso inimigo, depois damos um jeito de cortar a cabeça daquela serpente. E se necessário, eu mesmo mato Sinbad. Prefiro vê-lo morto a deixar que destrua o próprio país.
Todos concordaram e Ja’Far deu início a procura de pessoas qualificadas para ajudá-lo.
Sindria não havia mudado apesar de todo o tempo que se passou. Continuava um país pacífico e membro da Aliança dos Sete Mares. Seu rei agora possuía uma filha: Safira. A menina possuía pouco mais de dois anos e era muito amada por seu pai. Seus cabelos eram da mesma cor que os de Sinbad e possuía uma pinta no rosto idêntica a de sua mãe. Hakuei e Safira eram protegidas por uma guarda especial em Sindria e ninguém nunca ousou tentar fazer mal a elas. Sinbad nunca havia sido tão feliz. Ele sentia falta de seus generais e se ressentia deles por terem abandonado o país como traidores, mas agora possuía uma linda filha e uma esposa gentil que também era uma rainha amada pelo povo.
Ao contrário de Sindria, no restante do mundo ocorriam guerras civis fomentadas pela Al Thamen. A organização era poderosa, implacável e organizava um desastre atrás do outro para fazer com que as pessoas caíssem em depravação. Mesmo quando descobertos, eles sempre conseguiam um jeito de escapar da Aliança dos Sete Mares graças as informações privilegiadas que Gyokuen lhes fornecia.
Depois de seis meses Ja’Far havia conseguido montar a rede de espionagem que tanto precisava. Ele encontrou alguns jovens vítimas dos planos da Al Thamen em uma região onde a organização estava presente distribuindo ferramentas mágicas para dois países em guerra. Todos estavam passando fome e haviam perdido suas famílias para a guerra. Os antigos generais de Sindria lhes ofereceram comida e um teto em troca dos serviços como espiões. Ja’Far os treinou durante alguns meses e em seguida os enviou em pequenas tarefas para testar suas capacidades.
Gyokuen também não estava sozinha. Ela possuia dois guarda-costas extremamente eficientes, um garoto e uma garota. Os dois eram muito jovens tendo apenas dezesseis anos, ou talvez menos. Nefertari e Ramsés tinham a aparência típica do povo de Heliohapt. Eram morenos, possuiam cabelos brancos e trajavam vestes características do povo ao qual Sharrkan também pertencia. Os dois eram exímios espadachins e portavam espadas curtas.
Foi Gyokuen quem os trouxe ao palácio e implorou para que Sinbad conseguisse uma casa para os irmãos. A natureza benevolente de Sinbad, fez com que acolhesse os irmãos. Eles diziam não se lembrar de quem eram seus pais e afirmavam apenas que moravam nas ruas catando lixo para sobreviver até que a rainha Hakuei os encontrou. Em pouco tempo os jovens aprenderam a lutar e se revelaram um prodígio na arte do combate. Sendo assim, ficaram responsáveis pela guarda pessoal de Hakuei e de Safira.
Mas havia algo a respeito de Nefertari e Ramsés que ninguém sabia. Além de irmãos os dois eram amantes, algo que era incentivado secretamente pela própria Hakuei. A única advertência que ela deu a eles foi para que nunca fizessem nada em público porque as outras pessoas poderiam não entender. Ela os acobertava sempre que podia e permitia que cedessem a seus impulsos luxurioso sempre que quisessem e chegou até mesmo a ordenar a alguns servos do palácio que participassem e mantivessem tudo em segredo.
Era uma tarde de sol em Sindria, o céu estava calmo e as ondas batiam levemente na costa. Era um dia ideal para velejar. A rainha de Sindria estava próxima a um navio dando as últimas instruções a seus servos antes que saissem.
— Nefertari e Ramsés, conforme discutimos mais cedo, a missão na qual estou enviando vocês e o restante do grupo é muito séria. Vocês devem capturar os alvos vivos se possível. Mas se não tiverem escolha, eliminem todos sem demonstrar nenhuma piedade. Entenderam?
— Sim, mãe. Como a senhora ordenar. Nosso pai está entre eles. Vamos fazer com que ele pague por ter te engravidado e abandonado. Sharrkan vai pagar caro por ter te estuprado e largado como se fosse uma puta de rua. — Nefertari disse com o coração cheio de ódio.
— E vamos matar a tal Yamuraiha que roubou ele de você também! Eu posso brincar um pouco com ela antes? — Disse Ramsés com um um sorriso pervertido.
— Lembrem-se do que eu disse, não é para matar nenhum deles a menos que seja necessário. Depois que a utilidade deles tiver terminado eu vou entregá-los a vocês. Quanto a brincar um pouco com eles, não tem problema. Seu pai me fez abandonar vocês na rua e depois fugiu com aquela vagabunda. Levei anos para encontrar vocês de novo, meus filhos. É uma pena que Sinbad não pode saber que eu não era mais virgem quando me casei com ele. Ele poderia me abandonar e eu não suportaria isso. — Disse Gyokuen com lágrimas nos olhos.
— Nós sabemos... — Responderam os dois irmãos.
— Agora vão, eu levei anos para localizar esses desgraçados. E soube que eles tramam para destruir nosso país. Vão com minha benção.
Os dois jovens assentiram e entraram no navio juntamente com os demais soldados encarregados de capturar os generais foragidos de Sindria, que aos olhos de Sinbad e de todo o cenário internacional eram criminosos e terroristas.
Gyokuen sempre fomentou as chamas de ódio nos corações dos garotos com mentiras para que nunca tivessem piedade com Sharrkan e os outros generais e para que nunca a questionassem. Para isso ela os educou muito bem e os ensinou pessoalmente a manejar as espadas. Além disso, ela os ensinou a ganhar as graças de Sinbad que os via como filhos e confiava cegamente nos dois.
Fale com o autor