A Trama da Bruxa
2 A Armadilha
—Boa tarde princesa Hakuei. Gostaria de conversar com você a respeito da situação de Ja’Far. Já faz um bom tempo que ele se encontra encarcerado e acho que você poderia nos ajudar a convencer Sinbad a perdoá-lo. —Disse Sharrkan a Gyokuen que estava secretamente usando a forma da primeira princesa do Império Kou.
—Sinto muito, mas isso está além do meu alcance. Ele está preso por desacatar o rei a quem serviu por tanto tempo com devoção. Não posso pedir que ele seja perdoado e arriscar que ele saia por aí compartilhando segredos militares de Síndria. —Apesar de Hakuei fingir muito bem, Sharrkan percebeu que aquela justificativa era muito suspeita.
— Desde quando uma simples briga levaria um general de Síndria a trair seu reino dessa forma? Você está me escondendo alguma coisa. Quais as suas verdadeira intenções Ren Hakuei? Eu notei que nosso companheiro está sofrendo muito naquela masmorra quando fui visitá-lo. Não encontrei indícios de tortura física, mas ele parece ter sofrido um grande choque mental. Seu espírito está em frangalhos. Uma mera prisão arbitrária e um desentendimento não fariam isso com ele.
O sangue havia subido a cabeça de Sharrkan. Era fácil notar que algum esquema sinistro se escondia por trás de tudo. Mas a forma como ele abordou a situação havia sido a pior possível. Sua inimiga havia percebido aquele descontrole e não deixou escapar a oportunidade de tirar vantagem disso.
—Eu não escondo nada. Mas já que está tão ávido a ter seu amigo de volta duele comigo. Uma luta simples de espadas sem usar os poderes do seu familiar ou técnicas de manipulação de magoi. O primeiro a cortar o oponente ou fazê-lo se render vence. Se conseguir me derrotar, eu pedirei ao seu rei que solte aquele traidor.
—Muito bem. Mas você se arrependerá disso. Eu sou o melhor espadachim desse reino. Técnica é tudo que preciso para ensinar uma princesa mal-educada e aproveitadora o seu devido lugar.
O que o jovem espadachim não sabia é que aquela não era um oponente comum. Aquela era Ren Gyokuen, outrora conhecida como Arba em Alma Toran e seu talento era muito maior do que ele pensava.
A luta começou. Sharrkan atacava com velocidade e uma técnica excelente. Sua oponente mantinha-se apenas na defensiva, bloqueando a maior parte dos ataques e se desviando conforme necessário. Raramente investia em um contra atraque. Intencionalmente ela diminuiu a distância entre os dois e fingiu ser encurralada. No momento em que seu oponente tentou desferir o golpe final, Gyokuen se desviou e começou uma rápida sucessão de contra ataques a curta distância. Sharrkan conseguiu se esquivar de quase todos, mas um dos golpes acabou arranhando levemente seu rosto. Era o fim. Sua derrotada havia sido decretada.
—Não é possível que você seja tão boa assim! —A indignação não era por ter sido derrotado, mas por ter perdido a chance de ajudar seu amigo.
—Você queria um prêmio se fosse derrotado, então eu também exijo um. Quero que saia dos generais e deixe Síndria. — A bruxa havia feito sua jogada.
O ódio de Sharrkan explodiu.
— Agora entendi o que você quer. Quer derrubar aos generais e conselheiros de Sinbad! Eu não sairei. Você é quem deve ir embora!
Naquele momento ele perdeu a cabeça e a agarrou pelos ombros. Sua intenção de agredi-la era evidente. Mas ao invés de tentar se soltar, Gyokuen o provocava ainda mais.
—E o que você vai fazer a respeito? Vai me bater? Você não é homem para isso. Deve ser por isso que aquela sua companheira, a bruxinha peituda, não lhe dá atenção. O que você tem no meio das pernas nem deve funcionar direito.
A provocação havia funcionado. O jovem a prensou encostando seus seios contra a parede e colocou sua mão dentro de seu vestido e colocou uma de suas mãos entre as pernas da nova conselheira de seu rei. Sua inimiga estava excitada e ele pôde comprovar isso porque sua mão agora se encontrava molhada e quente enquanto a acariciava.
—Vá em frente. Me prove que não sabe apenas gritar e fazer acusações sem sentido. Não vê como eu estou molhada. Se me deixar satisfeita, não conto nada de nossa discussão a Sinbad. E talvez você me convença a interceder por Ja’Far. — A bruxa se mostrou ainda mais depravada e atrevida do que nunca.
Sharrkan não tinha como voltar atrás. Com a atual influência que aquela mulher possuía sobre o rei de Síndria era melhor não arriscar. Ele a levou para uma área pouco movimentada do palácio e lá fizeram sexo de forma violenta e selvagem. O espadachim combinou sua fúria com seus desejos libidinosos na tentativa de puni-la, mas nada que fazia parecia ter o efeito desejado. Nem durante o sexo anal intenso que fizeram sua inimiga mortal demonstrou arrependimento algum. Muito pelo contrário. A sensação de estar com alguém que a odiava e o risco de tudo aquilo ser descoberto por um dos serviçais do palácio ou até por Sinbad lhe excitavam ainda mais.
—Muito bem. Pelo seu sorriso acredito que está satisfeita. Agora por favor, cumpra sua parte e ajude Ja’Far. — Disse Sharrkan após saciar a sede de luxúria de Gyokuen.
—Verei o que posso fazer. Pode ir agora e espere notícias minhas.
No outro dia Ren Gyokuen realmente lhe deu notícias, mas não era o que o jovem esperava. Guardas armados acompanhavam Hakuei e Sinbad.
—Sharrkan, você está preso por abusar sexualmente de Ren Hakuei. —Disse Sinbad com um olhar extremamente desapontado.
—Espere, minha magia de água vai nos mostrar se isso realmente aconteceu. Ele é mesmo um mulherengo, mas duvido que chegasse a forçar alguém. — Disse Yamuraiha extremamente preocupada.
Mesmo com a magia de Yamuraiha, o resultado foi o pior possível. A magia mostrou apenas que os dois haviam lutado e que depois disso, Sharrkan agarrou violentamente Hakuei e a levou a um dos quartos de hóspedes na parte afastada do palácio para fazer sexo com ela.
—Isso é mentira! Não pode ser! — Yamuraiha não resistiu ao choque e desabou em prantos.
—Podem prendê-lo! Não acredito que fez isso. Um do meus amigos mais queridos agindo dessa forma? Como se fosse um lixo! Você terá um julgamento justo, é tudo que lhe resta agora. — Afirmou Sinbad em um tom triste e ao mesmo tempo furioso.
—Eu sou inocente! Foi armação dessa puta! Ela me obrigou Yamu! Você tem que acreditar em mim! —Sharrkan tentou escapar, mas um dos guardas o nocauteou.
Yamuraiha conseguia apenas chorar. Não tinha forças para esboçar nenhuma outra reação.
Agarrada aos braços de seu rei e fingindo estar triste por ter sido estuprada, Gyokuen no fundo comemorava. Seus planos seguiam conforme planejado. Dois inimigos estavam fora do caminho. Só faltava a ela derrubar os generais restantes e dar um herdeiro a Sinbad. Com isso seu futuro como rainha de Síndria estaria garantido.
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