A Traição de Ariel Clowns
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Durante as horas seguintes, dancei com todos os homens já casados e influentes ali presente. Evitei ao máximo minha mãe e seus comentários ácidos e os rapazes solteiros para que não gerasse nenhum falatório mais tarde. Se dançasse apenas com um, na manhã seguinte já estaria noiva, se dançasse com mais de cinco, seria por de mais leviana, por tanto, mantive-me afastada deles para que os falatórios fossem o mínimo possível. E então, chegou a hora.
– Queridos aqui presente. É com grande apreço que lhes recebo hoje em minha casa para comemorar esta data tão especial. Por anos minha filha tem sido constantemente preparada para este momento e os que estão por vir, sei que ela é digna de total confiança de nossa parte e não irá decepcionar a nenhum de nós. – disse para os senhores e senhoras presentes no grande salão do topo da escada. Virou-se para mim. – Filha, venha até mim.
Obedeci, subindo ereta e calmamente a escadaria, parando entre meu pai e minha mãe. De cima, era possível ver tudo alí, e não pude deixar de reparar na face Bernard, que exprimia toda a sua arrogância, desmerecendo em escala estrondosa o momento. Ele seria um problema no futuro se não se controlasse.
– Minha filha, eu lhe dou minha benção como minha herdeira e futura administradora de todo esse principado. Deverás seguir seu coração e fazer o que é melhor para o povo antes de pensar no que é melhor para sí, pois este é o segredo de ser um bom líder. Aceitas tomar o seu lugar por direito no trono, ou declinarás dele em favor de seu irmão?
–Eu o aceito. – disse com firmeza.
–Você, Ariel Clown, Segunda deste nome, aceita sobre si o peso de ser a segunda no trono, se comprometendo a cuidar e respeitar este povo abdicando de seus desejos pessoais a fim de promover a felicidade, estabilidade e proteção dos seus aqui hoje reunidos até o dia de sua morte ou Ascensão do seu primeiro filho, tendo todos nós como testemunhas do seu juramento? – disse minha mãe tomando a frente com um leve sorriso. Mas eu sabia o que ela estava fazendo. Já havia lido o juramento no livro da família e ela o avia alterado sutilmente.
– Eu Ariel Clown, Segunda deste nome, aceito sobre mim o peso de ser a segunda do trono, sucedendo o rei Júlio, me comprometendo a cuidar e respeitar este povo abdicando de minhas vaidades se preciso for, a fim de promover a estabilidade e proteção de meus súditos em troca de sua lealdade. – Recitei, observando seu sorriso se desfazer ao perceber que não iria cair em sua armadilha para que ela logo depois me casasse.
–Entrem com as honrarias reais! – Disse meu pai em alta voz.
Uma dama, muito bem vestida adentrou o salão com duas caixas de madeira, uma retangular larga sobre sua mão e uma caixa cúbica menor acima da outra. Ela entregou ambas ao soldado que se pôs ao lado de meu pai. Logo outro soldado veio auxiliar o companheiro segurando a caixa cúbica.
Júlio se direcionou primeiro á caixa retangular. A abriu e pude ver que dentro dela estavam o Cetro do Soberano, feito de uma liga metálica rica em ouro em que havia um dos maiores se não o maior corte perfeito feito em um diamante de todo o mundo com 530 quilates e uma cruz no topo, além de esmeraldas, rubis e safiras adornarem seu topo. Ao lado, havia a Ampulheta, onde o óleo para a unção do monarca ficava guardado, a Faixa do Imperador, azul com vários brilhantes bordados nas beiradas e uma grande pedra na ponta, juntando as duas pontas da mesma.
–Ponha-se de joelhos em sinal de humildade minha filha.
Assim o fiz. Logo depois, sinto três gotas caírem sob minha cabeça.
–Que Deus lhe cubra de graça, sabedoria e benção. Que a mão dEle esteja sobre ti, e sobre esta nação. – disse ele.
–Amem! – Gritaram todos em uníssono.
–Levante Ariel. – me pus de pé. – Que esta faixa lembre a todos quem tu és. – Falou enquanto a colocava em mim. Entregou-me o cetro e a órbita logo em seguida. – Que este cetro e esta órbita lhe ajudem a guiar este povo. E que esta coroa... – disse se virando para retira-la da caixa. Olhou-me nos fundos dos meus olhos. – Que esta coroa seja pesada. Árdua de sustentar. Para lembra-la que este trabalho não é fácil. Você não terá folgas e por vezes virará noites e abdicará do que realmente quer fazer em prol do que precisa ser feito. Estas vidas estão agora em suas mãos. –Disse por fim colocando-a em minha cabeça.
A Coroa Do Primeiro Império, foi esta que havia escolhido, a coroa para cerimonias oficiais da Rainha Victória. Era pomposa admito, com forro azul, grandes pedras e arabescos cobertos por diamantes, e a cruz em cima onde os quatro arcos se encontravam em forma de X era extremamente rica em detalhes. O acolchoado da base era branco com pintas pretas. No entanto, embora todo o luxo que ela possui, foi usada pela avó de meu pai, a rainha mais ilustre que já avia reinado nestas terras e eu pretendia superá-la, ou ao menos ser tão boa quanto Victória Martins IV havia sido.
Houve então uma explosão de aplausos. Era hora da Volta da Proclamação, onde eu daria a volta na cidade, parando na Basílica para receber a benção, e então voltaria sendo, oficialmente, a Rainha Regente, posto que ocuparei até o meu casamento, onde o meu marido se tornaria rei e juntos governaremos sendo porém, sempre minha a ultima palavra.
–Salve Ariel, Sua rainha! – Gritou meu pai.
–Salve a rainha! –Gritaram todos juntos. — Salve a rainha! Salve a rainha!
E então silencio. Desci degrau por degrau indo em direção à saída. Por onde passava todos se curvavam em fazendo reverencia. Se não soubesse que havia sido assim desde que minha tataravó conquistou estas terras e as passou de decadentes á prósperas, estranharia a sincronia com que o faziam.
Saí do salão onde a carruagem já me esperava. Faria todo o percurso em pé. Foi colocada em meus ombros a grande capa real vermelha escarlate e só então, pude subir. Toda a cidade estava nas ruas, e sorrir e assentir com a cabeça a cada metro sem que nada caísse foi um grande feito. Ao chegar á basílica, minhas mãos estavam doendo e quase não as aguentava mais. A preção da coroa sobre minha cabeça era agoniante e o que eu mais queria era chegar em minha casa, arrancar tudo isso de cima de mim, entrar na banheira quente e cheia de espumas e ir me deitar.
Quando a carruagem parou, desci e adentrei a robusta igreja. Ela já estava lotada, e todos se levantaram á minha presença. Lentamente percorri o caminho até o altar, onde me depositei o cetro e a órbita no lugar indicado pelo padre e esperei que todo o ritual fosse feito. Aproximadamente uma hora depois, eu retornava ao castelo com os objetos novamente em mãos ao som do brado “Salve á Rainha” cantado pelo povo.
Antes de entrar novamente no salão, as joias Imperiais das cerimonias oficiais foram devolvidas ao cofre, restando em mim apenas a faixa. A capa foi tocada por uma bem mais leve e curta, também vermelha escarlate, a pesada coroa foi substituída cor uma mais delicada, constituída por uma com vários aros que se entrelaçavam, gerando formas ovais vasadas, cujo centro era ocupada por uma safira em forma de gota e por fim, foram acrescentadas luvas brancas delicadas cujo tecido era uma renda fina, a fim de esconder delicadamente a vermelhidão que havia se instalado ali pelas quase duas horas em que havia segurado o cetro e a órbita.
Fale com o autor