Notas iniciais
Título retirado da música: Long, Long, Long - The Beatles.

Deixei a sala do Dr. Jones me negando a encarar os pensamentos que perturbavam minha mente, nos últimos oito anos da minha vida eu evitara aquilo, evitara as lembranças daquela tarde, ou qualquer outra lembrança de minha mãe.

Por tanto, naquele dia procurei qualquer coisa que pudesse me distrair, almocei no refeitório, sem me sujeitar a falar com ninguém, mas usando o comportamento bizarro de meus companheiros como instrumento de distração, por exemplo. E mais tarde aceitando até participar uma atividade de pintura, onde, com alguns rabiscos, desenhei o sol no topo da folha e o que pretendia ser um desenho alegre acabou com um túmulo central na pagina, rasguei a folha e abandonei a sala, em busca de alguma atividade nova, sem grandes esperanças, sendo assim foi com um sorriso aliviado no rosto que ouvi a enfermeira informar que Julian e Sean estavam ali para me ver, caminhei até o jardim enquanto repassava em minha mente a véspera do meu aniversário. O dia em que me despedi de minha sanidade.

– Connor!

Pude ouvir a buzina de Julian e seu grito, mesmo estando no quinto andar do edifício.

– Já vou. – Gritei da sacada e tive como resposta mais uma buzinada escandalosa, revirei os olhos, apanhei sem pressa a loção pós-barba e a passei pelo meu rosto, arrumei meus cabelos na frente do espelho cuidadosamente, nem curtos nem longos, similares à palha do trigo, os olhos verdes tinha um brilho de animação belíssimo. Vesti minhas calças jeans claras e uma camiseta preta, apanhei minha carteira e corri pelas escadas, sem paciência para esperar o elevador, cheguei ao térreo e em poucos segundos eu estava me jogando no banco de trás da novíssima e amada, diga-se de passagem, camionete de Julian.

– Porra, cara, pensei que você iria passar seu aniversário com o seu papai, discutindo seu brilhante futuro como advogado, estávamos indo embora já. – Sean, no banco do passageiro da frente não desperdiçou a oportunidade de provocar.

– Cala a boca, viado. – Soquei seu ombro e logo iniciamos uma pequena guerrinha enquanto Julian, o mais maduro de nós três, revirava os olhos com um sorriso contido no rosto e ligava a camionete.

– Eu agradeceria se vocês parassem de agir como crianças de cinco anos de idade. – Julian suspirou, empurrando-me para que eu encostasse minhas costas no banco traseiro, sem tirar os olhos do transito por um segundo.

– Eu tenho dezoito anos. – Resaltei soberbamente.

– Ainda faltam algumas horas pra isso. – Ele contrapôs e pelo retrovisor pode ver minha resposta, o dedo do meio erguido e um sorriso debochado no rosto.

– Cara, você viu a saia que a Sarah Robins estava usando hoje na escola? – Sean fechou os olhos e mordeu o lábio inferior, soltando um gemino grotesco que fez Julian e eu rirmos, a bronca já esquecida.

– Vai ter coisa bem melhor no bar. – Julian comentou mexendo as sobrancelhas com a cara mais safada do mundo.

Éramos um belo trio afinal, agradávamos qualquer freguesa, para as que preferiam os negros, havia o Julian; para as que gostavam mais de um ruivo, lá estava Sean; e ainda para aquelas que gostavam de um bom loiro eu estava presente.

Julian estacionou sua camionete à beira da estrada e nós descemos, caminhamos até a entrada e com a maior cara de pau entregamos nossas identidades falsas, nossos músculos e estatura alta contribuindo na farsa.

Muita cerveja depois estávamos largados numa mesa ouvindo a cantora, a menina era magrela e loira dos cabelos curtos, portanto não fazia muito o meu tipo, mas que cantava bem isso era notável.

– Tenho certeza que a cerveja foi invenção dos extraterrestres, é tudo um grande plano para nos escravizar. – Sean balbuciou, muito certo de si, olhando para Julian que lhe devolveu com o mais sincero olhar de você-bebeu-demais-e-não-merece-a-minha-atenção e depois veio com mais ideias bizarras para perto de mim com seu bafo de gambá.

– Espero que te abduzam pra eu não ter mais que cuidar mais de idiota que não sabe beber. – O empurrei e de tão bêbado que estava ele caiu no chão, rindo.

Fui em direção ao bar, sorrindo meu perfeito sorriso cafajeste.

– O que eu posso fazer por você, Connor? – A garçonete que me conhecia de tempos sorriu, seus cabelos possuíam um tom verde-esmeralda peculiar e eram curtíssimos, as pontas iam para todas as direções, era claramente uns sete anos mais velha que eu e possuía maldosos olhos amarelados como os de um gato, ela era tão exótica quanto inacessível, ou assim sempre fora, mas não naquela noite, eu tinha o sentimento que as coisas estavam prestes a mudar.

– Uma dose de tequila, por favor, Sally. – Pedi, no meu tom havia muito mais implícito.

Habilidosamente ela serviu um pequeno copo com a bebida e ofereceu-me sal e limão.

– Você sabe que não é assim que eu quero. – Fiz bico e balancei a cabeça, abusando de meus olhos pidões, ela suspirou como sempre fazia, mas pela primeira vez não me deu uma resposta negativa.

– Ah, foda-se. – Sorriu como criança que apronta e retirou sua camiseta, os múltiplos colares pendendo entre seus seios fartos, cobertos por um sutiã estampado numa imitação de onça. Sally limpou um espaço do balcão e se deitou sobre ele, alguns espectadores se aproximavam para ver o que acontecia, mas naquele momento nós não ligávamos pra nenhum deles. Ela apanhou um pouco de sal e fez com o mesmo uma linha que ia do seu umbigo até o fecho de seu sutiã, colocou o limão na boca e me entregou a dose de tequila.

Sem nada ser dito me inclinei sobre o corpo da garçonete e lambi o sal sobre sua barriga lisa, apanhei o copo e o virei, bebendo toda a dose de uma vez e seguindo em direção à boca, onde seus lábios róseos e o limão me aguardavam, chupei o limão, mas assim que pude o apanhei e joguei para trás do balcão, Sally sentou-se e envolveu minha cintura com suas pernas, colando nossos corpos, sua boca procurando a minha, chamado ao qual eu respondi avidamente, seus dedos cheios de anéis bagunçavam o meu cabelo, puxando-o com certa força em alguns momentos. Notando os olhares de algumas pessoas e aonde aquilo ia dar levei-a até o banheiro de onde só saímos quando estávamos ambos muito satisfeitos.

Mais tarde, a caminho de casa, Sean e Julian perguntaram-me quem era aquela.

– A transa de ontem. – Respondi com um sorriso presunçoso e essa foi minha última lembrança ao acordar no dia seguinte com uma terrível ressaca que eu tratei de curar com muito café e uma receita caseira do tio Finn até a hora do almoço quando eu iria com meu pai comprar meu novo carro e depois buscar nossa mais nova hóspede no aeroporto.

Era como assistir a um filme, embora as lembranças fossem minhas pareciam ser de outra pessoa, pertenciam a uma vida que não era mais a minha. Como se eu fosse um ator fazendo dois papéis difusos, primeiro aquele, o personagem jovial, comum e de espírito livre e o de agora, o louco.

– Ei. – Saudei, Julian e Sean aguardavam-me sentados numa daquelas mesinhas de metal pintadas de esmalte branco descascado já, típicas de jardim, cheias de ornamentos, a terceira cadeira estava vaga, esperando por mim, portanto sentei-me.

– Oi, cara. – Julian sorriu, tentando agir normalmente. – Como tem passado?

– Muito bem, os entorpecentes daqui são de alta qualidade e de graça. – Brinquei, sorrindo largamente. Embora Julian notasse a clara ironia em minha voz ele se juntou a risada descontraída de Sean.

– A estadia tem sido proveitosa então? Muitas enfermeiras gostosas? – Sean perguntou-me com um sorriso brincalhão, essa era a coisa que eu gostava em Sean, sua genuína alienação.

– Quem me dera, um bando de coroas acabadas. – Suspirei teatralmente, agindo como se o mundo ainda fosse o mesmo, mas não fazendo mais do que isso, apenas atuando que eu ainda era o mesmo, porque vontade de ficar ali eu não tinha, mas a alternativa de ir embora e pensar em minha mãe me desagradava ainda mais.

– Quando vai sair daqui? Você deveria totalmente vir ao nosso jogo hoje, vai ser contra os gorilas da Davie High, será um massacre lindo. – O ruivo entoou, animado.

– Não sei, acho que ficarei preso aqui por mais algum tempo. – Dei de ombros.

– Podemos armar sua fuga – Sean cochichou, realmente considerando a ideia em sua mente juvenil, de repente notei, dois meses atrás eu estaria planejando com ele. – O que acha Julian? – O rapaz se virou para o negro que estava quieto há algum tempo.

– Pare de ser idiota, Sean. – Julian bateu com certa força na nuca do ruivo e virou-se para mim, com o olhar que não permitia mais brincadeiras. – Sério, cara, te cuida. Sentimos sua falta. – Ele sorriu de uma forma triste, não ficávamos de sentimentalismo ou coisas assim, éramos os três como irmãos e disso a gente sabia e não precisávamos ficar dizendo.

– Darei o meu melhor. – Correspondi o sorriso de forma similar, sentindo-me levemente culpado por quere fugir.

E com tapinhas reconfortantes em minhas costas e desculpas de que tinham que chegar cedo ao jogo eles se foram me deixando apenas com a companhia do sol do fim do dia, fitei o céu, encarando a estrela central do Sistema Solar por quanto tempo consegui, como se brincássemos, eu e o sol, de quem pisca primeiro. Rendi-me, já que meu oponente poderia continuar com isso eternamente.

Com o olhar embaçado encarei a cadeira onde Sean anteriormente estava sentado, afim de que meus olhos se acostumassem, qual não foi minha surpresa quando, mesmo após piscar repetidamente, ali ainda estava minha mãe, me sorrindo como se fosse a coisa mais natural do mundo, vestia o mesmo sobretudo que usara em meu funeral, mas dessa vez ele não estava coberto de sangue.

– Como vai, bebê? – Ela me perguntou, mexeu a boca, mas sua voz ecoou de dentro de minha mente.

– Confuso, mamãe, confuso. – Lhe respondi, em alto e bom som, pouco me lixando para quem me veria conversar com a cadeira vazia, no fim das contas, eu não era o único ali falando com meus próprios fantasmas.

– Sinto muito. – Sua voz doce provocou um sorriso compreensivo em meus lábios.

Levantei-me a fim de deixá-la para trás, mas ela me seguiu pelos corredores do manicômio.

– O que você quer, mãe? – Perguntei, seco, supus que alucinações não tivessem sentimentos, mas mesmo assim seu rosto se retraiu ofendido com minha forma rude de falar.

– Queria dizer que te perdoo. – Ela falou após algum tempo, sorrindo abertamente. Eu ri.

– Você é apenas a minha mente me dizendo o que eu quero ouvir. – Apontei.

– Talvez, ou quem sabe realmente eu tenha lhe perdoado e você apenas possa ver isso agora. – Ela fez um silêncio reflexivo e então acrescentou. – Uma coisa eu te digo, meu filho, a loucura nos deixa mais sábios.

– Você não foi exatamente a pessoa mais inteligente do mundo, no fim. – Acusei, meu tom saindo mais amargo com forme as palavras se sucediam.

– Você tem razão – ela concedeu. – Foi um erro de julgamento, um surto, um exagero! – Levantou seus braços levemente transparentes para cima, se rendendo. – Mas muitas coisas eu só pude ver claramente após a loucura ter me tomado, como ao seu pai, por exemplo. – Meus pensamentos voarem até Camille, me perguntei se meu pai outrora tivera o mesmo efeito sobre minha mãe que a francesa tinha sobre mim.

Ela assentiu com um sorriso cálido e compreensivo na face como se tivesse ouvido meus pensamentos, ela estava em minha mente, afinal.

– Fica mais fácil, criança. – Ela prometeu; sorriu, exibindo todos os dentes brancos e perfeitos e então, o vento bateu em seu rosto, movimentando seus cabelos pálidos e a levou com ele.

O tempo havia mudado completamente enquanto caminhávamos sem rumo, eu estava tão distraído pela alucinação absurdamente real em minha frente que não notara que o tempo fechara, anunciando uma tempestade das feias, olhei através da janela, ventava, as folhas faziam uma festa pelos ares e o céu estava tenebroso.

Pude ouvir o barulho estrondoso de um trovão enquanto caminhava para o meu quarto, topando pelo caminho com alguns companheiros que gritavam, anunciando o fim do mundo, não ri deles, não há nada mais indigno do que rir da desgraça dos outros, o máximo que podemos fazer é rir da nossa própria, isso nos é permitido, e só.

Cheguei ao meu quarto, o breu dominava o lugar, incapacitando minha visão, fechei a porta e deixei assim mesmo, sentando-me na cama, com as pernas cruzadas e me recostando na cabeceira sem notar nada de extraordinário no cômodo escuro.

O relâmpago iluminou o quarto por um segundo e meio, assim como uma luz pisca quando está prestes a queimar, e revelou Camille, a real, feita de carne e osso e não de melancolia como eram minhas memórias e alucinações.

Era uma visão tristemente cômica, a morena vestia o uniforme oficial das líderes de torcida da TF High, uma saia de pregas amarelo ovo, uma regata preta com os dizeres do colégio no mesmo amarelo bisonho, usava também um par de meias três quartos e um tênis branquíssimo. Seu cabelo estava preso bem alto, esticado, nem um fio fora do lugar, a garota estava impecável, eu me atrevia dizer. No entanto em sua face havia uma intensa mistura de sentimentos confusos e indecifráveis que só me permitiam dizer que ela estava uma bagunça, não importava quão em ordem aparentasse estar.

– Você não tinha um jogo para animar? – Lhe perguntei, após o som de um trovão me trazer de volta a realidade, sem acusações, sem reprimendas, só porque foram essas as únicas palavras que meu cérebro pode formular.

Parecia nem ter me ouvido, seus olhos arregalados vagavam pelo quarto, não mantendo um ponto fixo por mais de cinco segundos, perdida em pensamentos que eu pagaria qualquer preço para conhecer.

– Você ainda quer me matar? – Inquiriu Camille, fixando-me pela primeira vez, seu tom acanhado, neguei com a cabeça, ainda aturdido pela sua visita. Ela, por sua vez, decidindo por sua fé em meu mero gesto subiu em minha cama, a beirada ainda, de frente pra mim, sentou-se sobre as pernas dobradas e apoiou as mãos nas coxas, essas fechadas, supus que as unhas devessem machucar as palmas, pela força que parecia fazer, fitou a manta branca sobre minha cama por um tempo longo, até ter coragem de corresponder meu olhar e desembestar a falar, um discurso do qual eu lembro todas as palavras:

– Você está certo sobre isso – ela sorriu seu feio sorriso triste. – Eu tinha outro lugar para estar. Eu coloquei essa roupa ridícula, arrumei o cabelo e menti para mim mesma que isso era exatamente o que eu queria estar fazendo, seu pai iria me levar até o jogo, mas algo surgiu na empresa e ele teve de ir correndo pra lá, dizendo simplesmente que eu pegasse seu carro emprestado... – Ela interrompeu sua fala para me fornecer uma pequena explicação, seus olhos me penetrando mais profundamente, se possível. – Eu nem sequer entrei em seu quarto recentemente, eu evitei você, evitei seus amigos e até seu pai, porque pensar em você significava encarar sua doença, suas acusações. E eu simplesmente não podia lidar com isso agora. – Seus olhos me perfuraram, implorando por compreensão que eu concedi assentindo minimamente com a cabeça para que ela continuasse. – Mas quando eu comecei a dirigir o Camaro me lembrei da primeira vez que andamos no carro, eu, você e o silêncio, bem naquele momento, de alguma forma me senti reconfortada e segura, esperançosa e tudo se devia a você; lembrei-me da viagem pra escola, no primeiro dia de aulas, horas antes de eu ter certeza de que você não estava bem, horas antes do nosso beijo; e por fim me lembrei do dia que você tentou me matar e se não fosse pelos atos posteriores aquela teria sido uma viagem perfeita. – Ela pausou, se perdendo um pouco nas memórias. – Quando percebi, estava na entrada do hospício, buscando pelo seu perdão.

– Não é sua culpa, Camille, eu sei disso agora. – Lhe falei, triste que eu a tivesse feito acreditar nos absurdos da minha mente perturbada, ela, no entanto, balançou a cabeça em negação.

– Sei que não sou culpada pela sua doença, mas tenho meus arrependimentos. Eu fui egoísta, Connor, eu disse pra mim mesma que você estava bem, quando eu sabia que essa não era a verdade, tudo porque eu precisava de você, eu não podia abrir mão da única pessoa que tinha me restado, me perdoe.

– Você é só humana. – Respondi minha última resolução sobre a francesa, aquela que me permitira ver a verdade. – Venha cá. – Chamei e ela engatinhou para perto de mim. Ajoelhamos e ficamos um de frente para o outro, enlacei sua cintura automaticamente e seus braços foram para o meu pescoço, seus dedos brincando com meu cabelo num ato familiar e certo, apenas presos nos olhos um do outro como costumávamos ficar.

Acariciei seu rosto de forma branda, e era como voltar para casa após uma cansativa jornada, estarmos juntos era simplesmente correto e necessário, puxei-a para um beijo, lento, coordenado, profundo, etéreo, cada movimento era perfeito e certo, pausamos o beijo, a respiração controlada ainda, o ar que nos envolvia carregado por nossas emoções não ditas, os olhos dela me fitavam ensandecidos, ah, esses olhos, olhos famintos de Camille, como eu jamais acharia novamente em minha vida. Naquela noite, porém, arrisco dizer que meus olhos estavam tão sedentos como os dela, bebendo cada milímetro da francesa, o cabelo, a roupa cafona, o rosto, ah, era engraçado olhar para Camille agora, mamãe estava certa, no fim das contas, a loucura me tornara mais sábio.

Tinha as bochechas muito cheias, os olhos eram de todo um pouco anormais, os lábios tinha uma coloração própria que eu não sabia explicar, havia pequenas imperfeições por todo seu corpo que eu nunca notara, como sinais da adolescência em sua pele, deixando-a de um todo ordinária, de uma forma que me fazia querê-la ainda mais, agora eu podia vê-la e amá-la de verdade, senti uma vontade desesperada de conhecer mais de seu corpo e sem pensar no que fazia retirei sua blusa.

Ela me encarou levemente chocada, seus olhos mostravam claramente que ela interpretara meus atos de forma óbvia, mas mostravam mais, mostravam que ela queria aquilo, sorri e selei nossos lábios por alguns segundos e então abri meus olhos para fitar seu corpo, tinha seios mediados sobre um sutiã de renda bege, a cintura era fina, mas a barriga não era de um todo lisa, me achei adorando que ela não seguisse o padrão Barbie que eu outrora idolatrara.

Camille retirou minha camiseta, mas não deu a menor atenção para o porte físico notável que eu possuía, seus olhos foram imediatamente para a cicatriz ao lado direito de minha barriga, uns cinco centímetros a cima do coz de minhas calças, a francesa acariciou a cicatriz, seus olhos encontraram os meus e neles eu pude ler um sincero sinto muito.

– Tirei os pontos há alguns dias, eu tive sorte, pra falar a verdade. O médico disse que minha mira foi impecável. – Sorri, minha voz soando estranha aos meus ouvidos, parecia que eu não havia falado há muito tempo, me perguntei há por quantos minutos ficamos apenas nos observando.

Segurei seu pescoço e a puxei para um beijo necessário, pra calar o desespero que gritava em minha mente, deitei-me no colchão e ela pousou suavemente sobre mim, tão pequena que chegava a ser engraçado, nosso beijos eram entrecortados por risadas, umas delas e outras minhas, algumas horas ela simplesmente olhava pra mim e sorria, outras falava algumas bobagens, uns assuntos comuns e mundanos que nos transmitiam a sensação de que tudo nos era possível, tudo era real.

Ficamos em silêncio em alguns momentos, eu acariciando seus cabelos e ela, minha barba, nossos olhos se encontrávamos e nós sorriamos, nos beijávamos e então parávamos só para poder começar tudo outra vez, senti como se pudesse escrever poesia sobre aquela noite, que fugiu de mim apressada, embora cada minuto tivesse durado uma eternidade, se o amanhã não tivesse vindo eu não teria me incomodado.

Adormecemos, sem termos sequer terminado de tirar as roupas, fizemos amor naquela noite, isto é certo, mas não com nossos corpos, foram nossas almas que se conectaram sublimemente, acabamos a noite com ela em meus braços, sua cabeça repousada pacificamente sobre meu peito e a tempestade lá fora servindo-nos de trilha sonora. Seria necessário misturar diversos sentimentos pra explicar o que eu senti naquela madrugada, tudo fora absurdamente comum e justamente por isso fora mágico, faz bem uma dose de normalidade quando sua vida é o exato e terrível oposto.

Apaixonei-me por Camille naquela noite e a tenho amado desde então.

Notas finais
Não vou comentar meu atraso, ou fazer promessas de que isso não vai se repetir, pra falar a verdade era pra eu ter postado há uma semana, mas a falta de tempo pra revisar o capítulo me impediu de postá-lo, anyway, aparentemente todos os leitores já abandonaram mesmo, então... /revoltei. '-'
Mas pras alucinaçõezinhas que ainda me acompanham, vamos ao capítulo que é o que eu mais amei até agora (e saber se alguém gostou também significaria o mundo pra mim). *-*-*
Escrever essa lembrança do Connor com seus amigos foi a coisa mais bela e nostálgica pra mim, ver como ele era descomplicadamente feliz me deixou numa depressão profunda, uma sensação de que eu sou a escritora mais injusta do mundo por tê-lo feito louco... A presença da Lucy sempre é bem-vinda pra mim e eu realmente espero ter outras oportunidades de usá-la, por fim, sorry para aqueles que aguardavam um lemon, no meu ponto de vista o sexo é algo muito mais carnal do que sentimental, diferente do que a Camille e o Connor fizeram naquela noite, aquilo sim foi amor, puro, que não precisava de toques carnais, maaaaas, eu também sou uma fã enlouquecida de hentai, então, talvez e SÓ talvez, tenha um lemon no próximo capítulo, ou só bem mais pra frente mesmo. É isso, espero que tenha gostado tanto quanto eu.
Por favor, reviews, eu imploro, só um 'oi, to lendo', já me motiva, ok?
Até a próxima (e vamos rezar pra próxima ser logo), beijos, D.M.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.