A Torre dos Magos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
??” Milady, receio que seja hora de empurrar.
??” Para com essa merda, Eliza. "Receio que seja hora de empurrar"? Você só pode estar brincando.
A parteira esboçou um leve sorriso.
??” Tem razão, Milady.
Lady Fowl olhou para os lados em busca de algum conforto.
Viu o brasão de sua família pendurado na parede, uma águia cercada de azul. Agora morava sozinha na mansão.
"EMPURRE!"
Na sua esquerda, um busto entalhado no mármore a encarava.
"EMPURRE!"
Nunca havia se dado ao trabalho de perguntar quem era, apesar de ter sido colocado ali há anos.
"EMPURRE!"
Cometeu o erro de olhar para frente. Viu o rosto de Eliza, tentando puxar o bebê de dentro dela. Aquilo era uma lágrima? Antes que pudesse descobrir, uma dor intensa se espalhou por seu corpo. Ela arqueou as costas e gritou como nunca havia gritado antes, emitindo desespero puro. Ouviu um soluço. A parteira estava mesmo chorando.
Empurrou mais uma vez, contraindo os músculos e franzindo o cenho. Sentia suas pernas molhadas de sangue e suor. De repente, a dor diminuiu e ela ouviu um choro. E não era de Eliza. Riu histericamente, olhando para o teto por um momento. Ela era uma mulher linda, com longos cabelos negros e olhos gentis.
??” Me dá meu bebê.
Uma parteira baixinha e grisalha se abaixou para pegar a criança. Assim que o segurou, arregalou os olhos e deixou escapar um gemido de surpresa.
- O que houve?! Deixa eu segurar.
Hesitante, a parteira entregou o recém nascido com cuidado, revelando os grandes olhos violeta que ele possuía.
Lady Fowl encarou o vazio e respirou fundo.
??” É uma feitiçeira.
Sete anos depois...
Anya acordou no meio da noite. Sentou na cama e tocou a ponta dos dedinhos no chão gelado. Se levantou devagar, ainda sonolenta, e pegou uma lamparina do criado-mudo. Seu cabelo ruivo estava emaranhado, seus olhos estavam abertos pela metade. Saiu do quarto e andou pelos corredores, iluminando as paredes de pedra com a luz fraca da lamparina. Parou diante de uma pesada porta de madeira, e a empurrou com força. Dentro do cômodo sua mãe dormia profundamente. A menina sentou na cama ao lado dela e a abraçou.
— Anya? Tudo bem? — disse Morgana Fowl, com a voz levemente rouca.
— Eu sonhei com o papai. Ele tá em Nice, né?
— Sim...
— Por que não moramos lá com ele?
— Já conversamos sobre isso. Esse é um assunto complicado... Mas agora não é a hora certa de conhecê-lo. Vamos dormir...
Anya sentiu a garganta se fechar e seus olhos se encheram de lágrimas.
— Isso não é justo! Ele é meu pai!
Morgana se sentou, acordando completamente.
— Você não entende, essa escolha eu fiz pro seu bem. Não me olha assim. Vem cá, deita aqui do meu lado... — disse Morgana, batendo duas vezes no travesseiro.
— Não!!! Eu não quero ficar com você, eu quero meu pai!
A íris da menina adquiriu um tom arroxeado.
— Calma Anya! Respira fundo, vai ficar tudo bem...
Morgana esticou o braço para afagar a filha, que a empurrou com força.
— Não encosta em mim!
Uma onda de energia mágica atingiu Morgana, que bateu a cabeça na cama. Ela tocou na testa, cambaleante, e sentiu um líquido escorrendo pela têmpora.
— Mamãe! — disse Anya, correndo para abraçá-la. — Desculpa, desculpa, desculpa!
— Tudo bem. — Morgana perdeu a voz por um segundo. — Eu...
Ela olhou para a filha com medo, mas logo disfarçou sua expressão com um leve sorriso. Abraçou Anya com força, enterrando-a em seu colo. A garota soluçava. A mulher olhou pro quarto, exausta, incrédula. Correu os dedos pelos cabelos da menina.
— Vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem.
Ao redor delas, uma luz violeta pintava o quarto completamente de roxo.
Fale com o autor