A Torre
3 O escolhido
Notas iniciais
Assim que Naruto entrou na torre, ele se viu completamente envolto em trevas. Elas não via nada, não ouvia nada, e não sentia nada. Nem uma brisa passava por ele. Não havia chão nem céu, começo ou fim, era apenas o vazio. Apesar da situação, Naruto não ficou assustado ou apreensivo. Ele apenas fechou os olhos e esperou. Dias pareciam ter se passado, mas Naruto tinha o tempo todo a impressão de que apenas um segundo havia se passado, ele chegou à conclusão de que nem mesmo o tempo existia ali. De repente, uma luz surgiu, e Naruto sentiu o chão úmido abaixo de si, e embora não pudesse ver o teto, ele sabia que tinha um ali. Ele podia não podia ver nada à sua frente além de uma grande porta. Sem outra opção, ele abriu a porta, e se surpreendeu ao ver uma raposa gigantesca deitada no chão. A criatura era simplesmente majestosa, mesmo sem um único movimento, era impossível não ficar admirado com a raposa, suas nove caldas balançando as suas costas só a deixava ainda mais incrível. O simples ato de respirar a dava uma aura de poder e imponência incrível. Naruto se sentiu instantaneamente atraído pela raposa, ele andou até ficar a menos de 5 metros da raposa. Ele esperou que alguma coisa acontecesse, mas quando nada aconteceu o garoto se sentiu seriamente desapontado.
— Ei! Senhora Raposa, vai ficar dormindo mesmo? – Perguntou Naruto desapontado.
— Silencio – A Raposa não gritou, e nem mesmo falou alto. Mesmo assim, Naruto sentiu suas pernas fraquejarem, seus olhos se arregalaram diante do medo que o abateu. A Raposa parecia dez vezes maior agora, e a gravidade parecia vinte vezes mais forte. A aura da raposa, que antes era impressionante, agora era sufocante. Um único olho da raposa se abriu e Naruto sentiu o peso sobre ele aumentar. Nesse momento ele sentia que estava segurando todo o mundo todo em suas costas. Seus joelhos não aguentaram e ele caiu com os joelhos no chão. Por um segundo Naruto olhou para o único olho da raposa que estava aberto, os olhos vermelhas abrigavam pupilas em fenda que continham um poder e sabedoria imensuráveis. Um segundo foi todo o tempo que Naruto conseguiu manter o olhar antes de abaixar a cabeça.
“Impossível”. Pensou o garoto. “Ela apenas olhou pra mim... Por que estou com tanto medo? Por que meus joelhos não me respondem? Por que não consigo levantar a cabeça? Eu prometi que ia subir a torre não foi? Que ia chegar ao topo e encontrar meus pais, então por que não posso passar daqui? Será que meu sonho vai acabar aqui? Antes mesmo de começar?”
— Covarde – Os olhos de Naruto se arregalaram ao ouvir a voz grave e baixa da raposa – Desista. A torre não é lugar para covardes.
Por alguns segundos Naruto pensou nas palavras da raposa. Sua promessa para seu avô passou pela sua cabeça, e depois todos os anos em que esperou a oportunidade para subir a torre, por último, um homem de cabelos loiros e uma mulher de cabelos vermelhos de costas para ele. Foi o dia em que seus pais partiram, ele não se lembrava muito bem desse dia, então era estranho para ele pensar nisso agora, mas uma frase dita por seu pai o surpreendeu, e encheu seu espirito. A Raposa estava prestes a voltar a dormir quando algo a chamou atenção.
— Não! – O grito de Naruto ecoou por todo o infindável espaço onde estava – Eu não sou um covarde!
A raposa abriu os dois olhos e olhou para o garoto que agora se esforçava para levantar enquanto falava.
— Eu tenho muitos defeitos, tenho medo de muitas coisas, sou viciado em ramen, sou tarado, sou péssimo na escola, não gosto de estudar, sou barulhento, incomodo muita gente, tenho sonhos de grandeza impossíveis, e até mesmo fui abandonado pelos meus pais – Nesse momento Naruto já estava de pé – Mas, eu não sou um covarde!
A voz de Naruto saiu firme e sem um mínimo de indecisão. Ele percebeu que o peso em seus ombros havia sumido, e que agora ele mesmo exibia uma aura de poder. Infinitamente mais fraca que a da raposa, mas ainda sim estava lá. Olhando nos olhos da raposa, Naruto continuou.
— Então desista de me fazer desistir. Mesmo que eu venha a ficar com medo, mesmo que o maior dos obstáculos esteja a minha frente, eu não vou desistir, nem recuar, vou passar por tudo que estiver em meu caminho, aqui e agora eu juro isso, e Uzumaki Naruto nunca volta com sua palavra.
A raposa olhou para Naruto, e este sustentou seu olhar. Nos olhos de Naruto era possível para a raposa ver o medo que ele sentia, um grande medo, e mesmo assim, toda a coragem e a determinação do garoto eram mais do que o suficiente para abafar e esconder completamente o medo.
— Você tem certeza de que pode cumprir com as suas palavras, garoto?
— Sim!
Naruto não pensou nem por um momento antes de responder, e ele podia jurar de que a raposa tinha dado um pequeno sorriso. Se é que as raposas riem... Depois de alguns segundos, a raposa gigante voltou a falar.
— Muito bem. Neste caso, eu o aceito como meu escolhido, você será a partir de hoje o meu Jinchuriki. Você será minha porta para a torre, através de você falarei a agirei. Você é o escolhido do Grande Espirito de Raposa, Kyuubi no Yoko, Nono Guardião da Torre do Sábio. Grande responsabilidade cai sobre seus ombros, e grandes dificuldades virão, mas como meu escolhido, você tem o dever de passar por essas dificuldades, e chegar ao topo da torre.
Naruto parecia extremamente confuso peças recentes palavras da Raposa, que aparentemente se chamava Kyuubi.
— Ei, como assim jinchuriki? O que isso significa? E eu também não essa parte de guardião, e escolhido, muito menos sobre eu ser uma porta. Será que você poderia me explicar melhor?
A raposa pareceu pensar por um momento antes de responder.
— Não, se preocupe, as resposta virão naturalmente quando você começar a subir a torre. – Naruto se preparou para revida, mas foi impedido pela Kyuubi, que voltou a falar – Como prova de minha benção, te darei dois presentes.
Nesse momento uma das caudas tocou o braço esquerdo de Naruto. Uma dor agonizante se espalhou por todo o seu corpo começando de onde a cauda tocou. A dor era tanto que Naruto caiu no chão gritando.
— Essa é a minha marca, e aprova de que eu te escolhi, outros dirão ter sido escolhidos por mim, mas você é o único com essa marca, e o único escolhido por mim. – A raposa disse enquanto Naruto agonizava.
Depois de um tempo, a dor passou, mas Naruto continuou caído, completamente sem forças.
— Raposa maldita...
O comentário impertinente de Naruto pareceu divertir a Kyuubi.
— Esse é o meu segundo presente. – A Kyuubi cuidadosamente levou outra cauda até Naruto, que se preparou para outra seção de dor, mas a raposa gigante apenas deixou uma pequena criatura no peito de Naruto, que rapidamente ele percebeu ser uma raposa – Esse é a minha cria mais nova. Seu nome é Yukie. Espíritos de Raposa são conhecidos por serem um dos mais fortes tipos de Espíritos da torre, e são extremamente difíceis de se conseguir conquistar, e um da minha própria energia é praticamente impossível, então tome conta dela.
Naruto olhou para a pequena raposa que dormia em seu peito. Imediatamente, sentiu um enorme carinho pela pequena criatura. Ela era exatamente igual seu pai, ou mãe, ou o que quer que a Kyuubi fosse, com exceção de que tinha apenas uma calda, e que seu pelo era de um branco extremamente puro, diferente do da Kyuubi que era laranja.
— Yukie... Por causa de seu pelo branco eu acredito. – disse Naruto se sentindo extremamente cansado.
— Agora, está na hora de você ir – disse a Kyuubi – Eu te recomendo não falar nada sobre sua origem e sobre o que aconteceu aqui antes de entender melhor como funciona a torre. Não diga seu nome também.
Naruto tentou protestar e dizer que ainda tinha perguntas, mas ele simplesmente não tinha mais forças para falar. Então ele apenas fechou os olhos e deixou a escuridão o levar.
A Kyuubi observou enquanto Naruto desaparecia em fragmentos de luz.
— Uzumaki Naruto... – pensou a raposa em voz alta – Finalmente um Jinchuriki interessante.
Logo depois a raposa gigante voltou a dormir.
Naruto acordou com a luz do sol queimando seu rosto. Ainda um pouco atordoado, ele percebeu que já não estava no local onde se encontra com a Kyuubi. Pensando na raposa, se lembrou do filhote que lhe fora confiado, e quase morrera ao perceber que o filhote não se encontrava por ali. Por um momento a imagem de uma raposa gigante e extremamente nervosa passou por sua cabeça.
“Estou morto!”
Ele estava pensando em quais seriam suas últimas palavras quando sentiu um formigamento no braço direito. Olhando para o braço, ele percebeu que a manga de sua camisa havia sido arrancada, e que em todo o braço tatuada uma raposa havia sido tatuada uma raposa. A tatuagem tinha somente traços pretos, e a única parte que realmente tinha uma cor era onde seria o pelo da raposa, que era um branco gelo, que parecia irradiar frio.
“Yukie!”
A tatuagem pareceu brilhar em reconhecimento, e nesse momento Naruto percebeu algo em sua mente. Era como se uma segunda consciência estivesse em sua cabeça, mas estivesse dormindo. Enquanto Naruto tomava conhecimento da consciência em sua cabeça, a tatuagem, ou Yukie, como Naruto havia reconhecido pareceu se acalmar, e logo não parecia nada mais do que uma simples tatuagem. Naruto percebeu a manga em seu braço havia rasgado, e além disso, no ponto onde a Kyuubi havia tocado com a cauda, uma tatuagem complexa se encontrava. Ele tremeu ao se lembrar da dor que sentira, e prometeu aprontar alguma brincadeira com a raposa, mas no momento, era mais importante saber onde ele estava e como começar a subir a torre. Ele queria algumas respostas, e segundo a raposa gigante, todas as respostas viriam até ele naturalmente se ele começasse a subir a torre. Enquanto decidia para que direção seguiria, ele escutou um leve barulho de algo quebrando, logo depois a voz de um homem, que parecia xingar por algum motivo. Percebendo que o barulho venha de traz da colina atrás dele, Naruto rapidamente subiu a colina. Ao chegar ao topo, viu uma estrada larga logo abaixo, e no meio desta, uma carroça puxada por dois cavalos. Um velho senhor estava parado ao lado da carroça, e Naruto rapidamente entendeu por que ele estava bravo. Um dos lados do suporte que prendia os cavalos à carroça havia quebrado.
Vendo que o velho parecia estar com dificuldades, Naruto desceu a colina para ajudá-lo. Ao Ver o garoto aparecendo do nada, o senhor pareceu se assustar, mas relaxou quando percebeu o sorriso amistoso de Naruto.
— O senhor parece com dificuldades – disse Naruto – Talvez eu possa ajudá-lo?
Naruto sorriu amistosamente e estendeu a mão para o senhor, que pareceu se surpreender o velho.
— Desculpe tê-lo assustado, sou... – O conselho que a Kyuubi o dera sobre sua identidade passou por sua cabeça apenas um segundo antes de Naruto falar seu nome — ...Naruto. É um prazer conhece-lo.
— Oh! – um pouco relutante no começo, o senhor apertou a mão de Naruto, e sorriu gentilmente para ele – É raro ver jovens tão educados como você garoto. Meu nome é Yajima Daiichi.
Naruto sorriu para o senhor antes de voltar a olhar para onde a madeira havia se quebrado.
— Parece que o senhor vai precisar de ajuda, Sr. Yajima.
— Bem, eu poderia usar um par de mãos extras. – Sorrindo o senhor começou a orientar Naruto sobre o que fazer para ajudar. Em pouco tempo eles haviam concertado a carroça.
— Ah! Obrigado, garoto – agradeceu o Sr. Yajima – Teria sido bem mais difícil sem você.
— Que isso, Não foi nada... – respondeu Naruto envergonhado.
— Se tiver algo a que eu possa fazer para retribuir, é só dizer garoto.
Vendo ai uma oportunidade de conseguir alguma informação sobre a torre, Naruto não exitou em perguntar.
— Na verdade, eu gostaria de subir a torre. – Disse Naruto – Se o senhor puder me dizer onde eu devo ir para começar, eu agradeceria muito.
O velho pareceu ficar surpreso outra vez e quando ele começou a rir, Naruto ficou realmente confuso.
— O destino realmente é uma coisa estranha... – Disse o velho deixando Naruto ainda mais confuso – Nesse exato momento, eu estou indo para a Cidade do Teste.
Quando Naruto finalmente entendeu o que o senhor falava, um grande sorriso surgiu em sua face.
—Sério? – perguntou ele – E o senhor pode me levar com você?
— Claro! – respondeu o Sr. Yajima – é o mínimo que posso fazer para retribuir ajuda.
Quase pulando de alegria, Naruto subiu na carroça quando o velho o chamou para irem na cidade. Para o loiro, era difícil acreditar que no primeiro dia já havia encontrado o caminho que devia seguir. Mas ele sabia que esse era só o começo, e algo lhe dizia que em breve as coisas mudariam.
20º andar, Base da Akatsuki
Um homem andava rápido pelos corredores da base que mais parecia um Labirinto, ele tinha uma mensagem para entregar ao líder, e esse homem não tolerava atrasos. Ao chegar a uma grande porta de madeira, ele bateu e esperou por uma resposta.
—Entre.
Mesmo através de uma porta, a voz do Lider da Akatsuki era poderosa e amedrontadora. Mesmo os subordinados do homem tremiam quando ouviam sua voz. E não era para menos. Ele era um dos mais poderosos homens dentro da torres, um dos que tinham alcançado o topo da Torre e um dos mais procurados pelo governo. Pain, como era conhecido, era líder da maior organização antigovernamental dentro da torre e isso fazia dele um alvo extremamente valioso para todo tipo de caçador de recompensas e para o governo. Não que eles pudessem pega-lo.
Sem perder tampo pensando, o homem entrou na sala assim que recebeu permissão. Pain estava sentado em uma mesa no meio de sua grande sala, e em pé ao seu lado estava Konan, sua amiga de infância e braço direito, embora alguns tivessem certeza de que era um pouco mais do que isso também.
—Senhor Pain – disse o mensageiro – Os homens estão prontos.
— Muito bem – Disse Pain com a voz baixa e inexpressiva – Diga a ele que saímos ao amanhecer. Este ano não teremos novos escaladores.
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