A Thousand Years
32 Capitulo 31: A Fênix
Notas iniciais
Capitulo 31: Fênix
Caroline narrando:
Como eu odeio essas bruxas...
Foi meu primeiro pensamento quando cruzei meu olhar com o de minha adorada avó Charlotte,que eu desejava ardentemente poder matar.
Ela surgiu alguns segundos depois que eu conclui que Hayley, Rebekah, Bonnie, Elena e eu estávamos ali para fazer parte de algum ritual macabro.
Vestida elegantemente com suas roupas de grife,não sei ao certo por que-brancas.Os familiares cabelos loiros soltos e mais brilhantes do que nunca,como se tivessem sido arrumados para uma ocasião muito importante.
Rosnei em sua direção ouvindo seus saltos finos sendo chocados contra o piso de pedra,enquanto um sorriso iluminava sua face desenhado pelo batom vermelho sangue em sua boca.
Seus passos cessaram ao fim do caminho de pedra,quando seus saltos se enfincaram a meio metro de distancia de meu rosto.Ainda estava deitada naquele chão frio,amarrada.
Assistindo aquela criatura vil entre os corpos inconscientes de minhas melhores amigas.
Charlotte permaneceu me fitando inexpressiva,entrelaçando os finos dedos das mãos,unindo as unhas pintadas de vermelho.
De trás dela surgiu três mulheres ao mesmo tempo,também vestidas com roupas brancas e sandálias de salto alto com lábios pintados de vermelho.Parecia que aquelas cores nas roupas e no rosto de cada uma delas era algum tipo de regra do feitiço que fariam aquela noite.
Grandes porcaria, pensei...
As duas mulheres negras de olhos verdes fingiram não me ver,enquanto analisavam o rosto desacordado de Bonnie próximo a elas.
Abby e Emily Bennett.
Já a seguinte era a mesma ruiva que eu tinha visto em meu sonho a tal Genevieve,que me encarava com desprezo e ódio.
Que bom queridinha, pois eu também não sou sua fã.
Estava prestes a liberar todos os palavrões de baixo calão que eu conhecia quando uma outra figura mais imponente surgiu.
Diferente das outras quatro, esta vestia roupas pretas feitas de um tecido leve que esvoaçava conforme caminhava. Os cabelos soltos pegavam um pouco abaixo dos ombros,beirando o loiro escuro. Não tinha nenhum batom vermelho em sua boca,apenas uma maquiagem leve quase imperceptível.
E foi ai que minha ficha caiu.
Aquela era Esther Mikaelson, mãe de Klaus. Vulgo minha sogra!
Trinquei os dentes com raiva ao vê-la parar ao lado de Charlotte e me olhar com carinho,como se lamentasse muito tudo aquilo.
—Esta quase na hora.
Ela falou de forma tranquila,sem desviar seus olhos dos meus.
Travávamos uma guerra silenciosa.Meu olhar queimando de revolta e o seu flutuando em uma calmaria infernal.
Eu não havia reparado,mas quando minha sogra anunciou isso Charlotte puxou uma adaga de prata da lateral de seu corpo.Com peripécia ela começou a limpar a lamina com um lenço e desviando o olhar do artefato ela o entregou para Abby Bennett.
Me contorci amedrontada não gostando de ver os dedos daquela bruxa se enrolarem no cabo da adaga que eu conhecia muito bem.
Era a adaga do meu pesadelo e a mesma que estava enfiada no coração de Klaus quando eu o libertei da cripta.
Minha ‘’avó’’ levantou seu olhar para o céu juntamente com todas as outras,enquanto Abby Bennett erguia a adaga.
—Nesta noite depois de cem anos nós nos reunimos outra vez._ a voz de Charlotte rasgou o ar altiva e firme._para vingar aquele que nos destruiu. Libertamos a Fênix muito antes criada e que finalmente encontrou a habitação perfeita._ela se virou novamente em minha direção.
Pelo canto do olho vi Abby puxar a adaga e caminhar na direção de Rebekah em passos calmos.Ao chegar ela segurou firme a adaga mirando a lamina afiada acima da cabeça de Rebekah.
—Um vampiro original sacrificado no altar!
Demandou Abby perfurando a pele da testa de Rebekah com a adaga, desenhando aos poucos um pentagrama.
—NÃO!_gritei desesperada, sem conseguir me conter.
Em seguida ela percorreu com a lamina ambos os braços de Rebekah.Afundado a adaga na pele desde o contorno dos ombros ate o pulso,formando um imenso corte em linha reta que começou a derramar sangue.
Mas de alguma forma o fato de minha amiga ser uma vampira que se curava rapidamente,não fez com que os cortes de fechassem.
Depois Emily seguiu ate Abby pegando a adaga em suas mãos e passando a caminhar no rumo de Elena.
—O que vocês estão fazendo?! O que fizeram com elas?_continuei a gritar em pleno pavor,sentindo meus olhos marejados.
Abaixando-se ela desenhou um pentagrama na testa de Elena,rasgando em seguida a pele oliva de seus dois braços.O sangue começou a descer dos cortes inundando o chão assim como o próprio sangue de Rebekah.
—Uma duplicata Petrova vampira sacrificada no altar!
Impotente, vi Genevieve tomar a adaga e cortar de modo bruto a testa de Hayley desenhando o maldito pentagrama,e fazendo os rasgos horrendos nos braços dela.
—Uma lobisomem sacrificada no altar!
Me joguei para frente ao ver o sorriso maldoso em sua face,acabando por me machucar.
Isso só serviu para que seu sorriso crescesse enquanto ela entregava a adaga para Charlotte.
Quando vi minha ‘’avó’’ caminhar para junto do corpo inconsciente de Bonnie não consegui conter as lagrimas,vendo ela também ferir a testa de minha amiga com aquele desenho,causando os mesmo cortes nos dois braços de Bonnie.
Lentamente o sangue percorreu a pele caramelo, achando seu caminho pelo chão,assim como o sangue de minhas outras amigas.
—Uma bruxa Bennett sacrificada no altar!
Satisfeita Esther teve em suas mãos a adaga de prata que um dia fora enfiada no coração de um de seus filhos.E que agora estava manchada com o sangue de minhas melhores amigas,inclusive de sua própria filha.
Sem receios ela veio ate mim que já sem forças havia virado de barriga para cima,e olhava o céu negro com uma grandiosa lua cheia.
As gotas salgadas escorriam livres pelo meu rosto,eu não me dava mais ao trabalho de tentar conte-las.Aquele era o nosso fim.
Logo mais o eclipse aconteceria,minha escolha novamente havia nos arrastado ate ali.Não somente eu morreria aquela noite mas minhas quatro amigas também.
E depois nada as impediria de chegar ate Klaus e consumar seu tão desejado plano de vingança.
Solucei ao pensar nele.
Relembrando o brilho magnifico de seus olhos.
Seu sorriso divertido e insolente.
Nossos beijos.
Nossas brigas.
Todos os momentos que compartilhamos em tão pouco tempo,e que pareciam ter durado todo um milênio.
Em pensar que antes mesmo de eu imaginar como ele seria,já estava destinada a conhece-lo.Destinada a ama-lo com tudo o que existia dentro de mim e a desejar todas as suas partes sendo bonitas ou não.
Quando eu era criança e dormia na casa de Elena e Bonnie,costumávamos brincar e imaginar como seria os homens de nossos sonhos.Se eles estariam pelo mundo em busca de nós.
Talvez Charlotte e as bruxas tivessem sido hipócritas ao criarem aquele feitiço da Fênix.Me tornar parte da alma de Klaus,parte de seu sangue.
Porem ate mesmo as ações mais egoístas podem se desviar para meios melhores.
A vingança,o ódio e a falta de amor materno tinham iniciado aquela historia.Mas amar Klaus jamais seria um erro.
Poderia ser piegas dizer que tinha sido a melhor coisa que tinha me acontecido,mas eu mentiria se falasse o contrario.Em poucos meses de convivência apreendi tanto sobre a verdadeira vocação do que é amar alguém.
Existem muitos tipos de amor, mas Deus nos ensinou o maior e mais poderoso de todos quando mandou seu filho para se sacrificar por toda a humanidade.
O tipo de amor redentor que não espera que se seja perfeito,que suas ações estejam sempre dentro dos padrões do certo.
Amar alguém consiste em ir muito além do que esta por fora,do que é exibido para o mundo.Tem a ver com as piores partes de um mesmo ser,as mais feias versões de seus pecados.
E eu o amava muito além de seus piores erros e acertos.
Eu o queria por completo com o seus dias de chuva e seus dias ensolarados.Não pediria menos,não me contentaria se não fosse plenamente.
A dimensão de meus sentimentos inflamavam meu peito rasgando a cada batida.Gritando em algum canto obscuro de minha alma o quanto ele era importante.
Os passos de Esther pareciam estarem sendo feitos em câmera lenta,diferente do lapso de pensamentos que arrebentavam minha cabeça.
Eu vi o rosto de cada um que um dia foi especial para mim.
Revivi cada segundo feliz da minha vida me lembrando do quanto eu adorava meus amigos e minha mãe.
Em uma prece silenciosa eu pedi a Deus por cada um deles,e me despedi.
Quando Esther Mikaelson se postou acima de mim, segurando firmemente a adaga de prata eu fechei meus olhos.Entregando mais algumas lagrimas ao chão,enquanto respirava fundo.
Olhos verdes me fitavam por dentro de minhas pálpebras.
E todo o medo simplesmente se foi.
Estava tudo bem, enfim...
Senti minha testa ser dilacerada pela lamina afiada muito porem não deixei a dor aguda me sobressair.
Meus braços foram esticados dentro do triangulo, sendo cortados em seguida da mesma forma que fora feito com os de minhas amigas.
Eu lutava para não deixar a dor entrar em meu mundo particular perfeito.
Onde Klaus e eu estávamos juntos e não existia nenhum mal.
Porem minha carne sendo perfurada fora o suficiente para queimar meus sentidos.
Meu coração sacolejava minha caixa torácica diante do medo da morte.Minha pele se tornava escorregadia devido ao suor acumulado,enquanto eu batalhava para sufocar o grito doloroso em minha boca.
Não aguentei...
Urrei de agonia ante o inicio do segundo corte,inflando meus pulmões de ar e queimando cada ligamento meu.
Choraminguei abrindo os olhos quando os dedos frios de Esther se afastaram da pele do meu braço,levando para longe a maldita adaga.Levantei a cabeça com dificuldade contemplando o estrago feito em meus dois braços que derramavam sangue.
Em cada canto do meu corpo eu sentia tremores elétricos me balançando.Eu me sentia como se estivesse prestes a dar a luz,que coisa mais sinistra.
Respirei com dificuldades tentando ignorar o latejar em minhas feridas semi-abertas.De repente os triângulos de sal em que estávamos dentro, começaram a pegar fogo.
De olhos arregalados eu virei meu rosto para o lado,olhando diretamente para o rosto das cinco bruxas que se dividiam entre mim e os corpos de minhas amigas,ficando fora dos triângulos de fogo.
As chamas não encostavam em nenhuma parte do meu corpo apesar de estarem bem perto.Eu conseguia sentir o calor alucinante que saltava delas.A cada nova onda abrasadora, meu corpo estremecia um pouco mais e minha respiração ficava mais pesada.
Tossi tentando encontrar em algum canto uma maneira de sair daquele triangulo de fogo sobrenatural.Foi quando eu vi os primeiros sinais do eclipse lunar que aconteceria aquela noite.
—Merda!
Ignorando a dor eu passei a me contorcer como louca.
Aquele feitiço não podia acontecer,eu não iria permitir...
Um canto sombrio estava sendo iniciado,reverberando por cada poro meu,me arrepiando.Eram os primeiros indícios do grande ritual que mataria Klaus.
Aflita eu comecei a gritar mesmo sabendo que não daria em nada.Enquanto as vozes delas se incendiavam ao redor,ultrapassando o som de qualquer outro barulho.Parecia que o tempo tinha sido parado somente para aquele feitiço.
As vozes das cinco bruxas começaram a penetrar meus ouvidos como sons agudos.Eu sentia cada silaba dita em latim perfurar meu sistema auditivo e entrar rasgando meu cérebro.
Comecei a me debater como se estivesse dentro de uma camisa de força,buscando me livrar do som das vozes delas que parecia estar em cada canto da minha mente.
E então uma moleza esquisita me tomou,tornando meu corpo totalmente débil.
Dentro da minha cabeça eu podia ouvir cada pulsar forte do meu coração.Meus olhos ficaram suspensos no ar,eu não conseguia mexe-los.
Não podia abrir nem fechar minhas pálpebras.
Cada membro meu parou de me obedecer, tudo o que saia de mim era minha respiração acelerada.
Porem por dentro eu sentia o cântico das bruxas transitando por minha pele como se fossem insetos bizarros que estavam caminhando por minhas veias.
Ate mesmo minhas células eu poderia dizer eclodiam feito bombas atômicas.
O único movimento que eu conseguia fazer era pensar.Tentando entender o que diabos estava havendo comigo.
Ao longe eu podia ouvir o barulho de vozes exaltadas entre as palavras do feitiço.Parecia que alguém havia nos encontrado,eu só rezava para não ser tarde demais.
Não estava obtendo muito sucesso em compreender o que falavam.As chamas ao redor do meu corpo pareciam querer dançar em torno de mim.Eu podia jurar que aquelas labaredas de fogo estavam se insinuando em minha direção,como se estivessem vivas.
Mas minha atenção fora roubada quando algo pegajoso molhou meu corpo todo.Fiquei aterrorizada ao sentir como se estivesse sendo mergulhada em uma banheira cheia de água,com a exclusiva diferença de que o que me envolvia era puro sangue.
Tentei gritar ao ver com dificuldade o sangue subir por minha silhueta sozinho,sabendo bem de onde todo aquele liquido carmim vinha.
Minhas quatro amigas estavam ali perto sangrando ate a morte.Não era estranho que todo aquele sangue estivesse me cercando.
E então eu entendi porque cada uma delas estava ali.
De alguma maneira a morte delas fazia parte do ultimo ritual para libertar o poder da Fênix.Era muito poder para que Charlotte segurasse tudo sozinha como uma chave sobrenatural que me impedia de ter acesso a todo o meu poder.
Se para libertar o lado lobisomem do próprio Klaus,havia sido usado o sangue da duplicata Petrova,o coração de um lobisomem e de um vampiro.
Imagine para libertar o poder da Fênix!
Era necessário um vampiro original,uma duplicata Petrova vampira,uma bruxa Bennett e um lobisomem.E o sangue da primeira linhagem da Fênix,que corria no corpo de Charlotte.
E como que para confirmar eu vi de esgoela ela adentrar o meio do meu triangulo.Com a adaga de prata ela rasgou a palma de sua mão derramando seu próprio sangue sobre minha testa,onde provavelmente havia um pentagrama desenhado.
Enquanto murmurava o feitiço.
Em seguida ela saiu de perto de mim ao mesmo tempo que uma tontura me derrubava.Confusa,eu fitei novamente as chamas ao meu redor vendo tudo rodar.
E de algum jeito maluco eu senti meu corpo começar a formigar como se eu estivesse febril.O fogo se transformou em paredes altas de chamas ardentes,que começaram a vir no meu rumo.
Assustada e meio perdida eu assisti as labaredas quentes deslizarem pela pele das minhas pernas.Enroscando-se ao redor de meus membros,percorrendo meu corpo como uma cobra esguia de fogo.
Novamente eu tentei gritar, mas estava presa dentro de mim mesma.Tudo o que pude fazer foi assistir atemorizada as chamas se deslocarem por minha carne,caminhando ate me cobrirem.
A dor das queimaduras me golpeara de modo insuportável.
Eu queria correr,gritar,rolar no chão ate que aquilo parasse.
Porem eu mal conseguia mexer meus próprios olhos.Sentindo por dentro tudo arder de forma terrível.O fogo aos poucos consumindo cada músculo,chegando a incendiar meus ossos.
E então parecia que também queimava minha própria cabeça.
Chorei sem forças para fazer qualquer outra coisa,engolindo a agonia e me permitindo ser dominada por ela enquanto me transformava em cinzas.
Um pouco antes de sucumbir a escuridão solene, podia jurar que havia me tornado parte das chamas que me devoravam,explodindo em uma grande Fênix de fogo.
Tão parte de cada chama quanto o ar faz parte da sobrevivência humana.
Deixando de ser Caroline Forbes para me tornar a ‘’Fênix’’ em um corpo aparentemente igual, com uma essência diferente.
É, a transformação estava completa.
Continua...
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