A Thousand Kismets (1000 Kismets)
1 Kismet 01 - Prólogo de um Erro
Notas iniciais
Espero que gostem /o/
Fiquei desacordado por alguns minutos, mas rapidamente acordei. Por alguns segundos, minha memória estava apagada, não entendia nada. Estava em choque. Um efeito colateral? Talvez. Mas, aos poucos.. Fui lembrando...
13 de Julho do ano de 2010, em um fórum sobre ciência na internet, um tópico interessante, mas aparentemente ordinário.. Foi criado...
“Tenho projetos para uma máquina de distorção de raios de luz utilizando radiação, permitindo a criação de um túnel que permite deslocamento forçado na 4ª dimensão. Já tenho teorias e uma planta da máquina. A máquina cria buracos-de-minhoca artificiais, permitindo a viagem entre conexões nas possíveis possibilidades de futuro, passado ou do próprio presente. Basicamente, é uma máquina do tempo. Mas, preciso de ajuda, não conseguirei sozinho. Se alguém se disponibilizar, poste aqui.”
Posted by The_Brain, 13/07/2010.
O resultado não podia ser outro, ignoraram a mensagem, riram dele, muitos responderam com ironia, outros só riram, os mais sérios responderam que aquele fórum não era lugar para brincadeiras, e que era para verdadeira ciência, não ficção científica. Porém, uma pessoa acreditou. Sim, eu fui esta pessoa.
Eu, Tawara Shirou, um aficionado pela ciência e por artes marciais, trabalhava como Engenheiro Mecatrônico em uma grande empresa, e, aos fins de semana, trabalhava como professor de Kendo. Trabalhar com essas duas coisas pode parecer estranho, mas, todos que me conhecem sabem que eu nunca fui normal. Odeio o que é ordinário. E por isso cometi meu primeiro erro: Aceitar ajudar o misterioso usuário.
Não queria ser o motivo de piadas no fórum, então mandei uma PM (Personal Message) para o The_Brain.
“Olá, sou engenheiro mecatrônico. Acredito em você. Quero ajudar.”
Sent by Shirou, 13/07/2010
Não precisei esperar muito, um minuto depois chegou uma resposta dele. A resposta era estranha, citava apenas seu endereço, nenhuma saudação ou despedida, nenhum comentário adicional. Achei estranho, talvez alguém normal não fosse. Mas, como citei antes, eu nunca fui normal.
Eu fui, e, para minha surpresa, ele não aparentava nada de misterioso, era alguém normal, simpático e amigável. Um ótimo sócio para o projeto, e aparentava saber muito, ele tinha toda a teoria do projeto. Como engenheiro mecatrônico, minha função era fazer funcionar. Começamos o projeto. 5 anos de trabalho intensivo. Para a surpresa de todos, parecia funcionar.
Fizemos testes em animais, pondo câmeras neles e mandando-os pelo portal. Incrivelmente, funcionou! Filmamos o futuro! Mas logo percebemos um erro, os futuros sempre tinham aspectos diferentes. Eram desvios de linha do tempo. Explicando resumidamente, se alguém dobra em uma esquina de uma avenida, são criadas linhas do tempo em que ele continuou na avenida, linhas em que ele dobrou para o outro lado, até linhas em que o carro, ou a pessoa, nem existia! Infinitas possibilidades! Mas, essas linhas se desviavam como túneis de luz, então... Se você se transportasse completamente para frente, você iria para o futuro mais provável para acontecer na linha do tempo em que vivemos, um futuro que poderíamos chamar de “verdadeiro” para nós.
A solução parecia fácil: Ir sempre pra frente, sem sair do caminho. Mas, notamos também que o corpo dos animais ficava completamente paralisado na linha do tempo, imobilizada pelo túnel de luz, e como a luz era irregular, o animal acabaria parando em outra linha do tempo. O mesmo provavelmente aconteceria com os humanos. Então, o que fazer? Só havia uma chance: Uma máquina.
Passamos mais 1 ano construindo a máquina. O conceito era simples: Uma pessoa entra nela. E, como tal pessoa não vai poder se mover, a máquina é controlada pelas ondas cerebrais da pessoa. Basicamente, concentre-se em uma direção, e a máquina irá para lá. A máquina usa turbinas muito fortes, conseguindo se mover até mesmo no túnel de luz. Assim, finalmente, após testarmos a máquina em animais, fizemos uma versão humana.
Para comemorar o “aniversário” da postagem em que ninguém acreditou nele, Youkou Ryuuichi, o misterioso The_Brain, (Claro que, a essa altura já éramos grandes amigos. Afinal, havíamos passado 6 anos trabalhando em um projeto que todos riam ao ouvir.) decidimos testar a máquina no dia 13/07/2016. O portal foi aberto, após testarmos com animais e bonecos, era finalmente a hora. Ele disse que, como ele entendia a teoria bem mais do que eu, ele ficaria lá para monitorar os resultados. Sim, ele estava me dando a chance de ser o primeiro homem à viajar ao futuro. “Esse é o agradecimento por ter acreditado em mim e me ajudado tanto”, disse ele.
Relutante e com medo, porém curioso, eu fui. Entrei na máquina de transporte, conectei ao meu cérebro, me concentrei em ir sempre à frente. E, finalmente, entrei no portal.
Estava dentro do túnel de luz, era um jogo de cores impressionante, nunca havia sentido algo mais intenso do que aquela emoção. Mas não podia me distrair, tinha que pensar em ir sempre à frente. Mas.. Algo aconteceu...
Minha cabeça começou a doer, percebi que algumas faíscas saíam da máquina de transporte. Não podia me mover, mas eu percebi por um som, que... algumas peças da máquina de transporte estavam saindo!
Me desesperei, e isso piorou ainda mais a situação, pois tinha perdido a concentração. Mas, mesmo se estivesse concentrado, não sei se adiantaria. A máquina começou a tomar outro curso, eu comecei a girar, a máquina havia perdido o equilíbrio e estava me mandando para outra linha do tempo. Senti muito desespero e adrenalina, mas não o tipo de adrenalina que eu queria. Vi as luzes ficarem mais fortes, até que uma grande luz branca invadiu o local e eu consegui fechar os olhos. Senti meu corpo e a máquina colidindo contra o chão.
Fiquei desacordado por alguns minutos, mas rapidamente acordei. Por alguns segundos, minha memória estava apagada, não entendia nada. Estava em choque. Um efeito colateral? Talvez. Mas, aos poucos.. Fui lembrando...
---Fim do capítulo 1---
Os olhos enganam. O paraíso que vejo é um disfarce. Mudanças. Os olhos ajudam. O presente que vejo é um futuro. Resistência. Kismet 02: Réquiem para um mundo destruído.
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