A Thousand Faces
1 Capítulo Único
Título: A Thousand Faces
Fandom: the GazettE
Casal: Reita x Ruki
Gênero: Romance/Yaoi
Sinopse: “E dessa forma – tão distorcida, tão longa, tão completa – que era perfeito.”
Informação 1: Escrito numa tacada só, junto com ‘Rain’.
Informação 2: Título também tirado da música do Creed, com o mesmo nome. Que também super hiper ultra recomendo!
Informação 3: Continuação de ‘Rain’. Ambas presentes pro Dani :3
Direitos Autorais: Dia desses aí comprei eles aqui na Uruguaiana... tudo bem que de vez em quando eles começam a falar espanhol, mas a moça da loja me garantiu que eram os verdadeiros!
A Thousand Faces
Reita POV
Eu nunca havia gostado de meias palavras, meios caminhos, coisas meio ditas.
Embora minha personalidade seja de uma calma excessiva – quase irritante para algumas pessoas – nunca fui o maior fã de não dizer o que pode magoar. Apenas dizia da forma mais suave.
Mas com ele... com ele eu não conseguia.
E quando tive que dizer, quando me vi obrigado a pronunciar algo que sabia que iria magoá-lo, foi como ouvir um ‘click’ e alguma engrenagem foi posta em funcionamento, mesmo sem eu saber exatamente do que se tratava.
Foi quando tudo começou a me sufocar.
E levou um ano inteiro pra esse fenômeno cataclísmico finalmente me fazer abrir os olhos e ver.
Realmente vê-lo.
I stand surrounded by the walls that once confined me
Knowing I\'ll be underneath them when they crumble
When they fall
Claro que quando ele surgiu com a idéia de nós dois juntos – como havia achado absurdo na hora! – mesmo negando, me permiti pensar um pouco sobre.
Ele era agradável aos meus olhos e, mesmo sendo tão claramente diferentes, combinávamos de uma forma assustadora, qualquer um podia notar.
Se todo aquele absurdo de almas gêmeas fosse verdade, Ruki e eu seríamos definitivamente parte de um só.
Mas eu não conseguia vê-lo daquele jeito.
Não daquele jeito de sentir o que ele sentia.
Não sobre o desejo, porque seria absurdo negar que eu desejava-o sim, como qualquer homem com a opção sexual como a minha e que tivesse a oportunidade de vê-lo.
Ele era lindo, sexy, adorável e mais um absurdo de qualidades que me faziam já ter tido alguns sonhos nada castos com ele.
Mas ainda sim, eu não via como eu poderia me apaixonar por ele.
Takanori era meu amigo.
E sempre seria.
With clarity my scars remind me
Asker simmers just under my skin
Mas como sempre acontecia, quando uma idéia era martelada insistentemente na sua cabeça, a tendência é começar a enxergar as coisas um jeito diferente, mais inclinada àquela mesma forma que tentam nos mostrar.
Ele e eu... juntos.
Mas não estava disposto a arriscar.
Éramos amigos demais e cheguei a sentir raiva com a forma displicente que ele simplesmente dizia que valia a pena arriscar o que para mim era precioso demais.
Parte da minha negação foi para me vingar da forma que ele parecia não se importar com a nossa amizade.
E era mesquinho... demais, mas eu não conseguia evitar e, as vezes, eu o olhava e lamentava não poder corresponder seus sentimentos e em outras sentia raiva por ele colocar tudo em risco.
Não importava o quanto ele insistisse, o quanto me mostrasse seus pontos, eu não iria ceder.
Eu não gostava dele daquela forma.
Different smiles again
So much I hide
How is stepping back a move forward?
Eram tantas coisas em riscos, tantos anos, tanta confiança que inconcebível que ele pudesse sequer pensar em arriscar só porque achava que seríamos... bons juntos.
Ele havia citado Aoi e Uruha, ele havia citado uma infinidade de situações que deram certo e eu rebati com outra infinidade de coisas que deram errado.
Tentei lhe mostrar que não importava o quão perfeito pudéssemos ser juntos – caso eu gostasse dele daquele jeito – a nossa amizade era maior, nada valeria a pena se colocasse isso em risco.
E, pelo menos, concordávamos com o fato de que se desse errado... não poderíamos jamais voltar a ser como éramos.
Ele não parecia se importar com isso... e eu ficava louco com a possibilidade.
Mas então... algo mudou.
Now I\'m forced to look behind
I\'m forced to look at you
You wear a thousand faces
Tell me, tell me which is you
Porque era impossível não mudar.
Mesmo em ritmo lento, mesmo que aparentemente nada estivesse mudando, da mesmas forma que os meus argumentos pouco a pouco o fizeram recuar, os dele... começaram a fazer sentido demais pra mim.
E eu o odiei por um instante por isso.
Porque enquanto ele recuava, assentia e confirmava que tudo aquilo era uma loucura, que tudo não passou de uma confusão de sua parte, graças aquela noite no meu apartamento – onde alcançamos uma intimidade física que nunca havíamos compartilhado – eu trilhava o caminho oposto, minha mente se expandido, aceitando alguns pontos que antes eram inaceitáveis.
Porque mesmo que desse muito certo... o risco de dar muito errado não valia a pena.
E se o intento dele havia sido plantar a dúvida na minha cabeça... ao longo dos meses, ele havia conseguido muito mais do que isso.
Mas ele era inconstante demais, mutável demais... era impossível dizer se tudo não passara de uma paixão boba, ou se existia algo mais profundo nele.
Porque eu o vi desistir, eu o vi assentir, mas às vezes – apenas algumas vezes – eu o assistia com aquele olhar na minha direção.
E eu pensava que ele havia mentido, que não havia se enganado, que o sentimento por mim havia existido e talvez – apenas talvez – ainda existisse.
E eram nesses momentos que eu dava mais um passo pra frente.
Na sua direção.
Porque a mera idéia de algo relacionado a mim pudesse machucá-lo me incomodava no começo, mas com o passar dos meses, passou a simplesmente a ser inconcebível pra mim.
E assim, mesmo sem querer... ele havia conseguido com que aquilo despertasse em mim.
Broken mirrors paint the floor
Why can\'t you see the truth?
You wear a thousand faces
Tell me, tell me which is you
Se Ruki conseguia esconder o que sentia por mim – caso realmente sentisse algo – eu não conseguia alcançá-lo nessa questão.
Porque a partir do momento que meus sentimentos começaram a se desenvolver fora das minhas muralhas, crescendo sem controle, tudo ficou exposto no meu rosto, nos meus olhos, na minha preocupação, nos meus toques.
E ele notou.
Não sei se por não acreditar ou por simplesmente ter resolvido que aquilo era um absurdo – o fato de eu querer algo quando ele tinha desistido – os mesmos sentimentos que iriam ter nos aproximado no passados, fizeram ele se afastar, fugindo de mim.
E eu me permiti um momento de revolta, pensando que ele havia despertado aquilo em mim.
Eu não o amava desde sempre, eu não havia notado de repente que o queria nos braços. Ele despertou isso em mim, ele me fez ver as coisas com outros olhos, ele me fez imaginar um relacionamento onde dividiríamos mais do que uma confortável amizade.
E de repente eu queira socá-lo e fazê-lo enxergar tudo aquilo que ele já sabia, mas eu só começara a enxergar tão pouco tempo antes.
Mas ele só se mostrava cada vez mais distante, mais estranho. Algumas vezes com uma proximidade que me aquecia o coração, outras vezes mantinha uma distância que me fazia suspirar e desejar ardentemente voltar, mais de um ano antes e de alguma forma impedir aquele começo, aquela noite onde tudo teve um início.
E eu havia mudado.
Mas mudei tarde demais.
Unreality I made no change
Pointing fingers, laying blame
Lying over and over and over and over
Deceiving all
E quando ele me perguntou, honesto como sempre era, os olhos diretos no meu, o que eu sentia, o que estava acontecendo… eu menti.
Simples assim.
Lhe respondi que nada estava acontecendo, que ainda éramos amigos, que sempre seríamos e que a melhor decisão que tomamos fora a de não nos envolvermos no passado.
E que se não aconteceu no passado, não deveria acontecer no presente.
Não fazia sentido.
Ele me olhou, confuso e decepcionado – porque daquela vez ele não conseguiu esconder – e deu de ombros, numa perfeita cópia do que acontecera, meses antes, só que dessa vez desistindo de algo que nem havia começado, que ele sequer havia tentado.
Porque de repente eu vi que a situação era a mesma, só os papéis invertidos.
E estava fadado ao mesmo fim.
I dug my grave
Trashed my name
Yet here I stand
So you won\'t fade away
Eu não era tão estúpido quanto parecia ser, mas não era tão corajoso quanto ele. Eu jamais conseguiria jogar sem todas as cartas na mão.
E enquanto eu não fosse capaz de ter a coragem que ele teve, pulando as barreiras, derrubando meus muros e me propondo algo inconcebível na época, eu não iria me arriscar.
Porque eu não havia mudado.
A única coisa que havia mudado em mim eram aqueles sentimentos que estava nutrindo por ele, aquelas sensações novas que nasciam e renasciam, em uma velocidade alucinante.
E ele me via tentando conter, ele sorria com isso.
Ruki via a forma que eu me debatia, a forma que o olhava, ávido, buscando algo, mas nunca, em momento algum ele me deu.
Ele me deixou agonizante.
Me deixou afogar na dúvida se ele havia mudado, se ele havia mentido quando disse não sentir mais nada, da mesma forma que eu mentira depois.
And different smiles again
So much I hide
How is stepping back a move forward?
E ele tentava provar sua teoria de que o tempo levava tudo e quando eu parava para pensar nisso, parecia absurdo imaginar que ele ainda pudesse nutrir algo por mim.
“Tudo passa, porque nada na vida é permanente. Só quando permitimos ser.”
Lembrava da frase dele, sentimentos se debatendo dentro de mim, a luta interna me consumindo o juízo, o medo se enraizando cada vez mais, enquanto ele observava, apenas dando de ombros, apenas assentindo quando o assunto vez ou outra surgia.
Havia sido a decisão acertada.
Não deveríamos mesmo ter ficado juntos.
Ele era corajoso demais pra mim, ousado, inconstante, inconseqüente... e eu... eu era covarde demais para ele.
I bleed inside
Just let it out
I bleed inside
Gotta let it out
Let it die
Os meses simplesmente passaram.
A avidez do tempo nos mostrando como tudo é consumido por ele e que o que fica... só o que fica é o que vale a pena, o que permanece é que vale como motivo de luta.
Ele havia permanecido.
E eu também.
Ainda podia lembrar, com detalhes vivos, a nossa última conversa antes que tudo acontecesse, antes que finalmente a engrenagem que havia sido posta em funcionamento tanto tempo antes, conseguisse achar seu ritmo, conseguisse funcionar perfeitamente.
-Eu quis você... eu te quis por tanto tempo, por tantos meses, anos...
-O que eu posso dizer de mim, Ruki? Fui preso, puxado pra esse vórtice... eu não quis estar aqui, mas agora... eu não posso mais sair. Eu não quero mais sair.
-Por quanto tempo?
-Não vamos falar de tempo... não vamos falar de futuro... me ensina a ser como você, Taka... me ensina a ser feliz mesmo quando as chances são contra...
-Só se você me ensinar como permanecer, como me firmar, como tornar essa felicidade permanente...
E a decisão foi mútua, porque nos encontramos no meio do caminho, nossos lábios se tocando depois de tanto tempo desejando isso.
Meus braços envolveram sua cintura e os seus, o meu pescoço.
E nossas línguas se conheceram, batalharam, perderam e conquistaram.
Estávamos um nos braços do outro.
Nem mais para o lado dele, nem menos para o meu.
Perfeito assim.
E aquele ‘click’ aconteceu de novo.
Mas não como se algo tivesse começado, mas... como se uma peça tivesse finalmente – depois de tanto tempo – sido colocada em seu devido lugar.
Now I\'m forced to look behind
I\'m forced to look at you
You wear a thousand faces
Tell me, tell me which is you
No fim descobri que jamais saberia qual era a verdadeira face de quem hoje eu chamo de meu, porque ele tinha tantas que podia me perder só de pensar sobre.
Não por ser falso, não por ser mentiroso, mas só por ser... ele.
Incapaz de ser um só.
Tão perdido dentro de si mesmo, tão perdido nos próprios desejos que era incapaz de se achar sozinho.
E ele precisava de alguém que pudesse ajudá-lo a se encontrar.
E eu?
Eu precisava de alguém onde eu pudesse me perder.
Broken mirrors paint the floor
Why can\'t you tell the truth?
You wear a thousand faces
Tell me which is you
Tell me, tell me
E no fim, ele provou ser o mais certo de nós dois.
Porque sim, os riscos eram enormes como eu havia tentado fazê-lo ver... mas valia a pena, exatamente do jeito que ele havia insistido que eu enxergasse.
Ele havia se encontrado em mim.
E eu havia me perdido nele.
E dessa forma – tão distorcida, tão longa, tão completa – que era perfeito.
Seria perfeito.
Por todo o tempo.
Notas finais
Ta aí a continuação e espero que gostem!
Tava pensando em fazer uma terceira parte, com outra música, contando como eles estão juntos e talz, mas é só idéia mesmo!
Beijocas!
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