A Terra dos Bons Gennins
1 Arte Secreta – Jutsu Teletransportador de Pessoas Mal Comportadas
Notas iniciais

O velho, de olhos fechados sendo encarado pelos senseis que estavam notavelmente cansados de tanto apartarem brigas, pensava o que faria com as crianças, sim crianças porque aquele comportamento só podia ser de crianças e nada mais, amarradas e obrigadas a ficarem sentadas em pontos diferentes de sua sala.
Observou cada um ali e começou suas costumeiras anotações.
O Hokage mirou o ambiente. Sakura estava nos pés de Kakashi, também amarrada e muito irritada, num canto de parede Sasuke estava algemado e com os olhos tampados por uma fita isolante, sentado de costas e notavelmente furioso. Sarutobi olhou para trás, depois de sua cadeira. Naruto estava preso dentro de uma jaula de madeira com o semblante triste, suas mãos e pés estavam algemados e sua boca estava selada por semelhante fita isolante.
Suspirou e tentou sorrir para o garoto, mas o olhar assassino que este lhe deu o fez retroceder no ato. Voltou-se para Kakashi.
–Então Kakashi? O que eles fizeram dessa vez?
O albino coçou os cabelos e suspirou, cansado daquela história.
–Houve a reunião para definir como seria feita a segurança do festival da primavera, até tudo tranquilo... De repente Sakura começou a discutir com Ino sobre quem faria dupla com o Sasuke, enquanto Kiba iniciava suas costumeiras perturbações com o Naruto, que dormia silenciosamente num canto da sala, sem mexer com ninguém. Teve a hora do almoço e foi quando o problema realmente começou, porque Naruto entrou correndo atrás de Akamaru, que carregava o almoço dele na boca. Eu imaginei que não poderia ficar pior, mas as duas garotas voltaram trocando socos e tapas, ao mesmo tempo em que Naruto discutia com Kiba sobre o almoço roubado.
–E quando foi que eles quase destruíram a Academia?
Kakashi fitou o Uchiha furioso.
–Sakura e Ino começaram a puxar Sasuke pelos braços, obrigando-o a decidir com quem queria ficar, quando Iruka informou que a dupla dele seria o Naruto. – ele meneou negativamente a cabeça – Elas o atacaram e Kiba se aproveitou do momento para atacar também. Como todo mundo tem um limite, Naruto explodiu de raiva e começou a espancar os três, Sasuke tentou impedir que ele acabasse matando todo mundo, já que nenhum de nós conseguiu pará-lo... Quando dei por mim, a Academia estava sendo destruída pelos golpes dos dois, foi quando o senhor Hokage-sama chegou e conseguiu parar tudo.
O velho assentiu. Só havia uma coisa a se fazer com aqueles jovens rebeldes. Puxou um pergaminho de debaixo de seu chapéu e estirou sobre a mesa. Fitou cada um dos seis ali e sorriu sadicamente. Daria um castigo à altura do comportamento reprovável. Apenas Naruto e Sasuke mantiveram-se calmos, observando o velho de seus pontos, enquanto os outros quatro quase se assombravam com os olhos severos do Hokage.
–Vou enviá-los para um lugar de eterno castigo e sofrimento, onde terão que aprender a conviver uns com os outros para escapar.
–Muito clichê. – rebateu Naruto. O velho sentiu uma pontada de raiva. Encarou friamente o loiro, que somente lhe mostrou educadamente o dedo médio.
–Mas não esperem que estarem ilesos quando lá chegarem e saírem normais quando voltarem... – Sarutobi olhou-os mais uma vez sadicamente e tocou o pergaminho, fazendo as letras brilharem – Arte Secreta! Jutsu Teletransportador de Pessoas Mal Comportadas!
Um vórtice surgiu no meio da sala e começou a sugar cada um dos gennins amarrados. Sarutobi sorriu, vendo as carinhas assustadas ao entrarem no túnel para o tal castigo, mas rapidamente se desfez ao ouvir a risada escrachada de Naruto sendo levado.
–Que nome mais idiota de jutsu! – continuou rindo, preenchendo a sala com suas gargalhadas altas, mesmo depois do vórtice ter fechado.
O silêncio pareceu aterrador. Os senseis se aproximaram. Pareciam nervosos.
–Acha que vai dar certo, Hokage-sama? – indagou Kurenai.
–Se isso não der certo, podem dizer adeus para sempre aos seus alunos... Eles só sairão de lá se resolverem seus problemas, essa é a regra.
–Parece com o jutsu proibido do clã Uchiha – comentou Kakashi – Não acha que Sasuke vai notar logo e tentar driblar o jutsu?
–Não... Ele orgulhoso demais para se submeter a tamanho trabalho – o velho riu – Isso vai ser interessante... – sentou-se e observou sua bola de cristal. Os seis já haviam chegado.
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–Se não saírem de cima de mim agora, eu mandar todo mundo para a puta que pariu!!! – gritou um loiro enfezado embaixo de uma pilha de corpos humanos.
Rapidamente todos se levantaram, inclusive Sasuke, que não costuma aceitar ordens do menor. Olharam em volta. Estavam em um longo, quase infinito, campo de capins elefantes que louvavam ao vento. Um lugar calmo, com nuvens se espreguiçando no céu, pássaros cantando e o sol brilhando no alto. Lindo demais, estranho demais.
A admiração foi interrompida pela risada característica de Naruto. Os quatro o fitaram. Ele estava quase roxo de tanto rir e rolar no chão, apontando para os gennins que o encaravam sem entender muita coisa. Eles arregalaram os olhos simultaneamente ao fitarem o loiro: ele tinha cauda e orelhas de pelo amarelo, de aparência macia e unhas um pouco compridas.
–Eu queria uma câmera para tirar foto disso!!! Esse é o castigo mais épico que eu já tive na vida!!! Vocês estão muito idiotas com orelhas e cauda!!! – informou colocando-se de pé.
Eles se entreolharam e constataram a veracidade da informação.
Sasuke tinha uma longa cauda negra, fina e orelhas pontudas de mesma cor, suas unhas estavam um pouco compridas e suas roupas mudaram: ele estava completamente vestido de preto, de calça e camisa de mangas longas. Sakura e Ino adquiriram longas orelhas brancas de coelho, rabinhos fofos, sapatos em forma de pés de coelhos e luvas brancas, cada uma usava, respectivamente, um macacão rosa e um roxo. As duas se encararam com admiração. Kiba agora tinha uma aparência canina mais que o normal, pois as orelhas e o rabo característico o aproximavam de Akamaru, usava um short e uma camisa ambos marrons, bem como suas luvas e sandálias.
Naruto, além da longa cauda de cor laranja próxima do amarelo, com a ponta negra, e das orelhas pontudas e longas de raposa, vestia um short laranja e uma camisa preta de mangas longas, estava descalço e parecia muito a vontade com a situação.
–Viramos animais! – gritou Kiba – Como assim?! Esse é o castigo?
–Não viramos animais, oh besta. – iniciou Naruto, balançando lentamente a cauda – Estamos meio animais, não vê? Você devia ter se transformado numa mula. Cachorros são inteligentes demais para você ser!
–O quê?! Ora seu... – não pode terminar a fala, pois começara a latir forte para Naruto, colocando-se de quatro. Akamaru começou a latir também e o loiro voltou a rir.
Saiu andando e rindo, sem um rumo certo, apenas se afastando.
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–O que vamos fazer? – indagou Sakura, seguindo de perto Sasuke e Ino.
–Eu não sei, mas que o Sasuke está ainda mais lindo de gato, ele está e não há nada de ruim nisso! – ela falou com os olhos brilhantes.
Sasuke encarou as duas e sibilou com ares ameaçadores, fazendo as duas coelhas tremerem. Naruto desmanchou-se em risos novamente, tentando continuar caminhando. Sem perceber, Kiba se aproximou do moreno e o cheiro, causando um arrepio intenso no gato, os dois se encararam seriamente. O cão colocou-se de quatro e começou a latir para um gato prestes a atacá-lo com suas garras afiadas. Naruto colocou-se entre os dois, ainda rindo.
–Parem com isso... – ele ofegava – Por mais que eu adore ver uma boa briga, vocês não deveriam fazer isso! – ele enxugou uma lágrima e se recompôs.
–E por que você é único que está se divertindo com tudo isso? – falou Kiba, emburrado.
–Não é óbvio? – ele fez uma pose sensual, exibindo sua cauda felpuda para os presentes, fazendo um filete de sangue escorrer lentamente do nariz de Sasuke – Eu estou ótimo assim, estou adorando ser uma raposa! – falou com a voz provocante.
Ele voltou a caminhar pelo campo, sendo seguido de perto por um Sasuke hipnotizado pelo corpo do loiro. Naruto suspirou.
–Não estão vendo que é esse o castigo? – falou tranquilamente, colocando suas mãos atrás da nuca. Isso despertou a todos de um estranho transe, fazendo-os fitarem o menor – O velho nos mandou para cá, exteriorizando nossas personalidades e nos dando características de animais que se parecem com a gente, exagerando e nos fazendo perder o controle.
–Isso explica o meu comportamento. – murmurou Sasuke, mergulhando suas mãos nos bolsos – Geralmente eu não dou trela para as provocações de Kiba ou para a encheção de saco das duas ali porque controlo o meu mau humor, mas com essas características felinas ressaltadas, realmente fica difícil não me irritar e atacar.
–Falei? – Naruto sorriu – O jeito é aceitar e achar um meio de sair daqui logo.
Eles tinham que concordar com o pensamento de Sasuke: o dobe está certo.
o/ o/ o/ o/
Já era tarde da noite quando encontraram uma caverna para se abrigar dos animais que estavam caçando-os desde o entardecer. Graças a capacidade de Sasuke ver melhor no escuro, viram o lugar e se esconderam. Naruto não entrara, dizendo que iria procurar por comida. Apenas Sasuke protestou sua partida, mas como a maioria não discordou o loiro foi rapidamente, mesmo ouvindo os rugidos que anunciavam o início da caçada noturna.
Kiba aninhava Akamaru em seu colo, enquanto Sasuke tentava improvisar uma fogueira, pois naquele estranho lugar eles não podiam usar jutsus, Sakura reunia madeira para manter o ínfimo fogo que o outro criara, Ino observava o lado de fora, vendo se algum animal se aproximava. Tudo ficara quieto depois da partida de Naruto.
A lua enorme iluminava a copa das árvores e empurravam as sombras para as raízes, mudando completamente a ideia de lindo lugar que eles criaram. O vento frio arrepiava os pelos e as folhas, causando sons assustadores na mata.
–Naruto está demorando... – sussurrou Ino, se aproximando do fogo.
–Eu avisei que não era para ele ir, mas vocês querem se ver livre dele de todo jeito mesmo – rebateu Sasuke – Naruto tem um senso péssimo de direção. Ele se perde fácil.
Os três o encararam com preocupação.
–Vamos morrer de fome? — indagou Kiba.
–Não, idiota – Sasuke aos poucos se irritava. Não queria ter ficado sozinho com aquele trio – Pela manhã nós podemos procurar algo para comer... E caso de dia fique pior do que a noite, podemos nos alimentar da carne do Akamaru – sorriu malignamente, Kiba estremeceu – Afinal, é mais importante que nós vivamos do que seu cão, certo?
Silêncio novamente, apenas os estalos do fogo conversavam com o vento que assobiava do lado de fora. Havia uma pergunta que queriam fazer, porém faltava um pouco mais de ousadia para isso. Entreolhavam-se, se perguntando quem a faria.
Um suspiro atraiu a atenção de todos para a entrada da caverna. Era Naruto que chegava carregando uma boa quantidade de peixes, dos mais variados tipos e tamanhos. Kiba sorriu, aliviado por saber que seu cãozinho não serviria de alimento para ninguém. Naruto colocou todos os peixes no chão e os limpou rapidamente, com as próprias garras, buscando alguns gravetos para enfiar na carne e assá-la ao fogo.
Cravou exatos sete gravetos no chão com peixes enfiados neles, bem perto do fogo.
Esperaram pacientemente pelo alimento, mas o desejo de perguntar, a curiosidade de saber algo formigava em suas mentes. Quem faria a tão esperada pergunta?
–Qual é o problema de vocês? – falou Naruto, limpando as garras – Defuntos falam mais que vocês... – ninguém se pronunciou, nem mesmo Kiba, que não perdia a chance de corresponder as provocações de Naruto – Não me digam que ainda não entenderam o que aconteceu?
Sakura e Ino assentiram.
–Por que eu virei uma coelha? Quero dizer, por que tenho características de coelha que nem a testuda aí? – Ino falou, mostrando um bico de irritação.
Sakura apertou o punho e desferiu um cascudo na cabeça de Ino. A outra revidou com um soco no rosto da rosada. A briga estava armada. Sasuke se levantou e foi sentar-se longe, pois não queria se envolver mais uma vez em um briga boba como aquela. Naruto suspirou cansadamente e foi até as duas, afastando-as como podia: com as mãos manteve Sakura de um lado e com a cauda manteve Ino em outro.
–É por causa disso que vocês são coelhas... – murmurou, depois que ambas se acalmaram.
–Vivem brigando por razões tolas, querem ser gentis e bem femininas, vivem dando em cima do Sasuke, sem pensar em outra coisa – falou Kiba, vigiando os peixes – Não poderia haver animal melhor para representar o que vocês são de verdade! Tipo eu: sou um cachorro! O que se pode dizer? Fiel, inteligente, alegre...
Parou de falar ao ver a cara emburrada de Naruto.
–Sério que você acha que virou um cachorro por causa disso? – debochou o loiro.
–Se não foi isso, o que é então? – falou se aproximando do grupo que se formava perto da raposa. Até Sasuke surgira sorrateiramente atrás de Naruto.
–Cães são ótimos companheiros, porém às vezes desconhecem o limite das coisas e acabam fazendo coisas horríveis. – iniciou Sasuke com sua voz de desinteresse – Não são poucos os exemplos de crianças atacadas por cães. Sem o devido treinamento e um tratamento apropriado, os cães podem se tornar inimigos inescrupulosos.
Kiba se encolheu, murchando as orelhas e a cauda. Ele era um domador de cães e sabia bem do que Sasuke falava.
–E você? – indagou – Por que você é um gato, Sasuke?
–Essa é fácil! – brincou Sakura, empurrando a cauda de Naruto para o lado – Como ele é sempre solitário, gosta de dar longas caminhadas sem rumo, treinar durante a noite, viver envolto de mistério e ser muito independente, além de lindo – ela corou – Claro que tinha que ser um gato! – Ino concordou veementemente com as palavras da outra.
–Errado. – sentenciou o loiro, indo até os peixes e os retirando de perto do fogo. Retirou rapidamente sua camisa e a estirou na terra, aos poucos foi tirando os peixes do “espeto” e colocando sobre a camisa, falava enquanto isso – É porque ele é um mal-amado. – uma veia de irritação saltou na testa de Sasuke – Um moleque que quer ser mimado e perseguido pelas pessoas, se fingindo de independente com sua postura de “Não ligo para nada, sou um badboy”. Gatos são assim: no fundo querem todas as atenções para si.
As duas garotas fitaram o moreno e este estava levemente corado, pois havia algo de verdade nas palavras de Naruto. Kiba lambeu os beiços ao ver Naruto se aproximar com a camisa e em cima dela os peixes fumegavam exibindo uma aparência saborosa.
Deixou ali e foi para um canto mais ao fundo da caverna, deitando-se no chão frio e adormecendo em silêncio.
–E por que Naruto é uma raposa? – sussurrou Kiba, sem querer chamar atenção do que dormia. – Nada haver com ele... Raposas são espertas.
–É verdade! – murmurou Ino – Além de serem graciosas e símbolos da boa sorte! Naruto não tem nada disso nele.
Sasuke sorriu de canto.
–Acham mesmo? Quem foi que conseguiu o jantar de hoje? Bastante peixe para todos nós. – envergonhados demais para responder – E se ele não fosse esperto, como teria percebido o que aconteceu conosco e o significado de cada animal antes de todos nós? Se não fosse esperto, teria saído para caçar em um ligar desconhecido? – culpados demais para responder – Se não tivesse sorte, não estaríamos vivos, porque ele que distraiu e nos salvou da maioria dos animais que nos atacaram, já que não conseguimos nos defender sem jutsus. – arrependidos demais para fazer qualquer coisa.
Sakura suspirou.
–Mas provavelmente não é por isso que ele foi transformado em raposa... Deve ser outra razão, não é? Quero dizer, é algo que ele tem que mudar, não é esse o objetivo do castigo?
Assentiram. Sasuke mordiscou um pedaço do peixe e prosseguiu.
–Naruto, apesar de tudo isso, não é de confiança. – eles confirmaram, sorrindo – Ele poderia nos matar sem motivo nenhum. – gelaram – Ele é astuto e muito egoísta, só faz as coisas para si e quando quer... Estou surpreso por ele ter passado o dia nos ajudando. Não é do feitio dele fazer esse tipo de coisa, geralmente ele quer mais que todos se fodam.
Sasuke deu de ombros. O contraste de sua cara tranquila com os rostos preocupados dos outros três era claramente visível. Depois do jantar, Sasuke dormiu, porém Sakura, Ino e Kiba se mantiveram acordados, vigiando o corpo adormecido de Naruto.
O sol raiou. Os pássaros cantaram. As flores se abriram. A fogueira apagara. Naruto bocejou coçando as orelhas, tomou um susto ao ver as caras dos três que o vigiavam. Riu entendo que eles passaram a noite acordados. Saiu da caverna, levando sua camisa consigo. Sasuke, ao sentir o leve toque da cauda de Naruto em suas costas, acordou-se e colocou-se de pé num único movimento ligeiro. Naruto lhe avisou que estava indo ao rio tomar banho. Deixou um gato atiçado lhe fitando com um filete de sangue escorrendo pelo nariz e três caras sonolentas de pessoas incrédulas. O dia sorria feito uma raposa.
Os outros quatro se juntaram a Naruto no banho de cachoeira.
A água fria serviu de relaxante para o trio que dormia encostado numa pedra.
Sakura observava Sasuke sorrir e rir para as brincadeiras que Naruto fazia sozinho. Sentiu-se um pouco triste e sozinha, mas repentinamente o novo sentimento borbulhou em seu interior ao ver o riso natural do moreno. Talvez fosse isso o que o hokage queria que ela percebesse. Não poderia insistir que Sasuke gostasse dela se ele não queria aquele tipo de sentimento. Tinha que ser natural, que ser livre, que ser verdadeiro, como o loiro que saltava na água. Ela esperaria por sua vez de ser amada. Sorriu bobamente pensando no quanto seria feliz.
Ino viu a amiga e por alguma razão sentiu um sentimento de desistência nos olhares esmeraldinos da rosada. Fitou Naruto instintivamente. Por que Sasuke gostava daquele garoto mais do que qualquer outra pessoa? Seria por causa de ele ser o único que não o tratava como um herói e nem o via como um objetivo na vida? Seria por que Naruto era o único que permitia Sasuke agir como um garoto de 13 anos? Ino assentiu, respondendo suas perguntas interiores. Era isso mesmo. Ela era muito jovem para entender a complexidade do amor.
Kiba não podia deixar se assistir as peripécias de Naruto. Não parecia o mesmo garoto sempre fechado e quieto nos cantos de parede que ele vira na Academia ninja. Ele parecia mais “normal”, mais condizente com a idade que tinha. Kiba nunca vira aquela felicidade no rosto do loiro, era sempre raiva e dor. Será que ele era um menino feliz, apesar de tudo? Talvez fosse, se não já teria matado a todos, quando os poupou tantas vezes. Engoliu em seco. Nem conseguia imaginar uma vida solitária e triste, sendo perturbado por todos, na verdade ele conseguia, só não queria pensar nisso. Suspirou, aliviado, ao saber que ali ele era feliz.
Sasuke, sob a sombra de uma árvore, de braços cruzados, admirava Naruto se refrescar. Não pode conter o balançar frenético de sua cauda, dada à felicidade que sentia, mesmo que o loiro não lhe desse atenção. Sentia-se preenchido por aquele sentimento de tal forma que não entendia. Era um dos raros momentos que Naruto lhe fazia rir e se sentir leve, sem o peso das costumeiras preocupações com vida nas sombras. Seu dobe estava feliz e isso o fazia profundamente feliz.
Suspirou. Deveria ser isso o que chamavam de “amor” ou não, talvez fosse apenas um desejo de possuir. Quem saberia lhe explicar?
o/ o/ o/ o/
Naruto ouviu um zumbido e depois o vento soprou forte. Estava de costas e nada vira, mas voltou-se para saber de onde viera o barulho. Viu seus companheiros, se é que poderia chamá-los de companheiros, se desfazerem em um pó brilhante. Se fosse outro teria se desesperado, porém viu que todos sorriam e pareciam mais calmos que o de costume, então esperou.
Por fim sumiram completamente. Naruto se viu só. De novo.
–Então eles conseguiram a liberdade? – falou alto, agora que estava só. Foi até a margem e deitou-se ao sol, secando o corpo. A cauda balançava lentamente, acompanhando o vento – Foi mais rápido do que eu imaginava – sorriu – Que bom que eles saíram daqui. Será que eles mudaram mesmo? Talvez sim, talvez não, quem sabe... Nem conheço esse jutsu para saber se dá para enganar, mas eu acho que não... Estão livres e isso é bom.
Respirou fundo e soltou o ar lentamente, sentindo uma paz inexplicável. Era a primeira vez na vida que não se preocupava com vida e que não sentia o ódio de Konoha fluir para sua alma. Ali tudo era bom, tudo emanava paz e felicidade, tudo era perfeito.
–Deus deve ter sentido isso quando terminou de criar o mundo... Assim eu li em um livro. – sorriu para uma borboleta que pousou em seu nariz – Queria viver aqui para sempre, para sentir essa felicidade infinita... Mas não posso... Sasuke enlouqueceria se eu não estivesse ali para lhe ajudar com os treinos e a escapar das garotas irritantes... – riu – E quem Kiba iria perturbar? E as meninas iriam bater em quem por causa de um lugar ao lado do Sasuke... – enxugou as lágrimas – No fim das contas alguém precisa de mim, nem que seja pelas razões mais banais do mundo! – colocou-se de pé e sorriu fitando as próprias mãos – Acho que eu sou alguém necessário naquele lugar...
Esfregou rapidamente os cabelos e sorriu abertamente.
–Estou agindo feito um molequinho. Mas que bobagem! – observou seu sádico reflexo na água – Eu não vou mudar porque não é preciso... Aquela vila de merda precisa de mim do jeito que eu sou, sem tirar nem por. Pelo menos até quando eu achar que é preciso. – juntou as mãos e fez um único selo – Estou voltando velhote! Liberar! – gritou.
Seu corpo se desfez em pó brilhante e todo aquele mundo sumiu diante de seus olhos.
o/ o/ o/ o/
–Se não saírem de cima de mim, eu vou mandar todo mundo para a puta que pariu! – gritou um enfezado loiro que se debatia abaixo de uma risonha pilha de gennins.
Saíram rapidamente e Sasuke ajudou Naruto a se levantar. Estavam na sala do Hokage, vigiados pelos senseis e por Sarutobi. Não fizeram perguntas, não disseram nada. Tudo estava muito explícito nos rostos alegres e satisfeitos, cada um a seu modo. O hokage deu a ordem que todos partissem e somente Naruto ficasse na sala.
Os dois ficaram a sós por fim.
–O que quer? – resmungou o gennin.
O velho franziu o cenho.
–Parece que o jutsu não fez efeito em você... – falou.
–Claro que não. – rebateu – Apesar do nome idiota que você usou para acobertar esse jutsu, eu o reconheci assim que cheguei lá do outro lado... É uma técnica nova, se levarmos em consideração o tempo de existência do meu clã e quando foi destruído. Uma técnica baseada em um jutsu proibido dos Uchihas, com o diferencial dos animais e da possibilidade de fuga se o aprisionado reconhecer a técnica.
–Tsc. – Sarutobi agora via o quão esperto era o garoto. – Como teve acesso a essas informações? Não existe documentos de livre acesso do clã Uzumaki.
Naruto sorriu, seu típico sorriso de astúcia e sadismo.
–E daí como eu consegui as informações? Eu sou um Uzumaki, no fim das contas... Existem coisas que eu sei e somente isso, eu sei.
O loiro desapareceu, deixando o velho remoendo sobre se sua segurança estava dando de conta de proteger os documentos proibidos de Konoha.
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