ENERGIZAÇÃO

(Protagonista Secundário: Gil)

Dizem que o amor tem seus prós e seus contras, assim como quase tudo em nossas vidas. Mas será mesmo? Esse sentimento, mais velho do que o próprio homem, surgiu da necessidade entre duas partes de se completarem e formarem um só bloco. Um sentimento puro, singelo, que com a chegada da contemporaneidade foi se desfazendo (Ou se desfiando formando partes imaginárias) até se tornar algo banal. Se você espirra e vira para o lado para não atingir a pessoa a seu lado, você a ama do fundo do coração.

Estariam então os anciãos errados quando falavam desse sentimento com tanta emoção e compaixão? Estariam os filmes de Hollywood enganados? Aquele tipo de romance não era romance de verdade? Para Gil, era sim. E era justamente isso que o fazia renegar a realidade de sua geração. Queria ter uma bela história de amor para contar, ver filhos e netos correndo pela casa ao lado daquele que tanto amava: Ian... O menino dos olhos azuis mais belos que já vira na vida. Era dele seu coração, era dele seu destino. Porém, o mesmo não o queria, pelo menos não mais. Como viver diante dessa triste realidade?

Acordar na manhã de sábado sem Ian ao seu lado foi decepcionante, contudo já esperava essa reação dele. Era ridículo seu coração ainda cismar que o rapaz voltaria atrás em sua decisão. Por que voltaria agora que encontrou alguém tão especial? Alguém que, muito possivelmente, tinha mais qualidades do que si? Não fazia sentido abandonar a chance de construir uma nova história para privilegiar uma antiga , já tão sucateada devido a acontecimentos tão tristes. Odiava-se por ser a razão deles; se odiava por não poder voltar atrás e mudar tudo; se odiava.

Os olhos negros abriram já com um pouco de lágrima acumulada escorrendo por seu rosto. Tratou de secá-lo antes de se levantar. Não queria começar o dia com a já habitual sensação de derrota que lhe abatia. Sentia-se terrível. A passos sonolentos e vestindo somente um short de dormir (A qual provavelmente Ian lhe colocou, já que recordava-se de vestir roupas sociais antes de adormecer) foi até o banheiro. Encarou-se no espelho e o que viu foram as olheiras um pouco profundas que começavam a ficar visíveis, no cabelo desleixado que clamava por um corte, pela barba rasa que se formava a contra gosto... Consequências de seu aparente descaso pela vida.

Tomou um longo banho antes de ir para sala, onde seu pai e sua mãe se encontravam. Tomavam seu café sérios, como se estivessem discutindo algo importante. De fato era o que ocorria.

— Bom dia filho – Disse o pai, João.

— E aí – Respondeu sem gosto.

— Precisamos conversar, não acha Gil? – Pressionou Gilda, a mãe.

— Gilda, por favor. No café da manhã? – João contestou.

— Sim, no café da manhã. Hoje. Agora – Retrucou – O Ian nos contou o estado deprimente em que a namorada do primo dele te encontrou. O que tá acontecendo filho?

Gil suspirou. Não queria falar com os pais o que sentia, aliás, não queria falar com ninguém. Só queria permanecer imóvel em seu quarto pensando sobre sua existência e tentando arranjar uma finalidade a ela.

— Eu exagerei na dose de álcool. Nada demais – Respondeu dando de ombros.

— Nada demais?!

— É. Nada demais.

— Era só isso que me faltava mesmo – A mulher parecia visivelmente decepcionada – Eu não vou nem me dar o trabalho de te explicar quais razões eu tenho pra afirmar que isso tem tudo demais, porque tu bem sabe.

— Só por que o meu pai bebe demais e dá PT eu vou ser igual?

João ficou calado, cabisbaixo.

— Tu já está igual, Gil – Falou a mãe, fitando o olhar do menino – E eu já to decidida a acabar com essa situação.

— Gilda... – O marido ia suplicar. Em vão.

— Não, João! Eu não vou ver o meu filho se perder e achar que tá tudo ótimo! – Exclamou – Tu vai frequentar psicólogo e tratamento de alcoólatras?

— O QUÊ?! – Gil exclamou, surpreso – Que p*rra é essa?!

— Não tô pedindo a tua permissão. Estou ORDENANDO que tu faça isso se quiser continuar morando aqui.

— A senhora tá me expulsando de casa, mãe? É sério mesmo?! – O garoto parecia transtornado.

— Não. Eu só quero que tu perceba que eu não estou pra brincadeiras. Ou tu faz o tratamento ou arranja outro lugar pra ficar. Não vou aceitar um filho bêbado dentro de casa e agir como se tudo fosse normal.

— Mas um marido assim a senhora aceita né?

— O meu problema com o teu pai é assunto MEU!

— E eu beber é assunto MEU!

— Aí seu-

— Gilda! – João segurou a mão da mulher, que preparava-se para dar um tapa no filho, motivada pela raiva.

As lágrimas que outrora Gil segurou já corriam sem que o mesmo fizesse questão em segurá-las. A que nível tinha chegado: A própria mãe decepcionada com seu comportamento. Era demais para seu coração tão machucado.

— E-eu vou mudar – Disse tentando se manter firme – Eu prometo que vou mudar.

— Então faz o tratamento filho, por favor – Suplicou João.

O garoto encarou a mãe, ainda visivelmente abalada com o que quase ocorrera segundos antes. Não queria vê-la naquele estado. Era sua mãe! Sempre quis ser motivo de orgulho a ela, e não mais um fardo em sua vida. Se o preço a pagar era o tratamento, o faria.

— Tá... – Respondeu rouco – Eu faço.

— Ótimo! – O pai falou, tentando demonstrar animação – Viu querida? Tudo vai ficar bem.

— Assim eu espero né? – Gilda disse – Eu não quero mais saber de porres e muito menos de vexames. Estamos combinados, Gil?

O garoto consentiu com a cabeça, mantendo-a baixa após fazê-lo. A família então (tentou) seguir normalmente seu café. O pai tomava sua tradicional xícara de café preto sem açúcar enquanto comia torradas (Misto quente) de queijo com presunto, a mãe com seu chá de ervas e barra de cereal light sabor morango, e por fim o filho com seu achocolatado e pão de sanduíche com queijo e ovos fritos. Aquele silêncio não era tão surreal, todavia não era tão ensurdecedor e tão apavorante. Ensurdecedor por conta dos gritos que suas cabeças davam diante da situação há pouco contida. Apavorante pois o medo que a família se desfizesse por conta de um erro seu, faria com que Gil perdesse de vez a esperança de tornar-se alguém melhor.

Gil sempre prometera que não cairia na tentação do álcool para não dar mais desgosto a mãe do que o pai dava. João era um bom marido, porém a bebida o deixava num estado de espírito deplorável – A única coisa de bom é que nunca levantou a mão para a esposa e muito menos para o filho. Ficava inquieto, irritava-se com facilidade e dizia o que lhe vinha a cabeça. Quando o rapaz se assumiu, anos antes, fora a época em que o pai mais chegava em casa alcoolizado, deixando Gilda desesperada e ao garoto desamparado. Chamava-o de bicha, de doente, de p*ta do bairro... Ao passo que a mãe só complementava as acusações.

“Tu é o nosso desgosto, Gil! Tu tá jogando a tua educação no lixo!”

Lembrava-se bem das palavras severas da mulher que lhe deu a vida, em uma de suas brigas mais violentas. Por noites chorou atordoado e com medo de que aquilo jamais passasse. Agora, mesmo após tanto tempo, sentia aquela frase lhe atormentar.

— Espero que tenha falado sério quando aceitou o tratamento – Depois de alguns minutos, Gilda tornou a falar, séria.

— Estava – Garantiu o menino.

— Sou tua mãe, Gil. Quero o teu bem.

— Eu sei disso.

— Mas não é o que parece.

Suspirou.

— E-eu sei que ando difícil ok? Sei o quanto vocês querem que eu melhore. Só que tá difícil segurar essa barra.

— Por isso o psicólogo vai ser bom, filhote – A mulher tornou a sorrir, pegando de leve nas mãos do filho – Pra te ajudar, pra te orientar.

— Eu vou ir. Prometo.

— Que bom filho. Que ótimo.

— Talvez eu vá também – Comentou João.

— Seria ótimo querido. Mas, já tentamos outras vezes e-

— Agora eu tenho um motivo forte – Encarou o filho – Não quero ver meu filho se inspirando em mim como exemplo de vida. Não sou parâmetro pra ninguém.

— O senhor é um bom pai – Gil não resistiu. Levantou da cadeira e deu um abraço no homem – Só a bebida que atrapalha. Mas o senhor é um bom pai.

— É muito bom ouvir isso, Gil – Sorriu deixando algumas lágrimas caírem – É muito bom.

A mãe logo se juntou a eles no abraço. Talvez fosse aquilo que precisavam para dar o pontapé inicial na mudança. Desfeito o abraço, cada um lavou sua louça na pia e foi para seu canto. O garoto vestiu seu uniforme (Quando lhe dava na telha levava para casa), deu um abraço nos pais e seguiu para o trabalho. Chegaria atrasado, mas pouco importava. Com faltas não justificadas, já nem se preocupava tanto com isso.

Entrou no local eram exatamente 09h58min. Horário de movimento intenso devido ao café da manhã. Avistou Al servindo ás mesas, com uma aparência um tanto esquisita em seu julgamento. Aparentava estar perdido e avoado... Talvez fosse impressão. Passando pelo balcão avistou Gina, com uma cara nada agradável, muito diferente da habitual.

— Seu Antero está te aguardando na sala dele – Foi a única coisa que a moça disse.

— Bom Dia pra ti também – Falou o garoto.

— Agora Gil.

— Tá bom! Tô indo!

Seguiu reto pelo corredor até o final, batendo na porta a sua esquerda. Uma confirmação para entrar foi dita pelo lado de dentro, fazendo com que ele entrasse. Lá estava seu Antero, com seu blusão fino em gola “v” vermelho, sua barba branco acinzentada por fazer, sua calça jeans surrada e seu tênis que aparentava ser de meio século. Era um homem simples, não se podia negar.

— Sente-se, meu guri – Ordenou o senhor.

— Eu nem vou me dar ao trabalho de perguntar por que o senhor me chamou aqui. Já tenho uma noção – Disparou.

— Ouça Gil – Começou o homem – Problemas pessoais todos nós temos. Eu mesmo estou com um terrível na família e isso acaba refletindo aqui também. Não posso me duplicar e estar em dois lugares ao mesmo tempo. Gosto de estar presente no meu estabelecimento enquanto ele está de portas abertas, meu pai era assim também. Mas isso não quer dizer que eu não vá dar explicações a vocês do que eu faço e do porque tomo certas atitudes, como fechar o “Wunder Bar” no meio da semana. Compreende o que eu digo?

— Sim, senhor – Consentiu.

— E então? O que tem a me dizer?

O rapaz suspirou.

— Eu... Não ando bem da cabeça, seu Antero – Comentou – Tenho tido algumas crises e tal... Eu vou começar a frequentar o psicólogo pra ver se me encontro de novo. Mas não tá fácil sabe?

— Pra um dos meus melhores funcionários estar me dizendo isso, certamente não deve estar – Colocou a mão direita no ombro do outro – Não vou descontar do seu salário porque trabalha pra mim há algum tempo e ás vezes até mais do que o solicitado. Só te peço que nas próximas vezes, tu me telefones antes e avise. Pode ser?

— Claro! Pode ser sim! – Sorriu – Muito obrigado, seu Antero!

— Mais uma coisa.

— Diga.

— Tu e o Alisson... Vocês dois... Se acertaram?

— Pode-se dizer que sim – Sorriu de leve.

— Ah! Que ótimo! Já tava criando um zum-zum-zum horroroso por conta desse clima entre vocês dois.

— Então o senhor pode se acalmar. Estamos de boas.

— Uma última coisa antes de ir... Vocês dois estão namorando?

Pela primeira vez no dia, Gil gargalhou.

— Não senhor – Respondeu se acalmando.

— Esse era outra fofoca que tava circulando – Explicava o homem – Achei estranho, porque uma vez tu apresentou um guri pra equipe e esses dias ele veio aqui de novo só que com uma guria. Era amiga de vocês?

A risada enfim acabou, só manteve o sorriso de leve.

— Era a nova ficante dele.

— Ficante? O que é isso?

— O mesmo que paquera sabe? Uma menina que ele pega, mas que não é namorada.

— Uma amante?

Mais uma risada, porém essa fraca.

— Seria se estivéssemos namorando ainda. Não é o caso.

— Ahh bom – Compreendeu – Não é muito descaramento desse guri vir no local onde o ex trabalha com a nova companheira?

— O senhor preferia que eles fosse ao café novo que abriu?

Seu Antero então engoliu seco.

— Bem que ele fez de ter vindo aqui.

Gil riu de novo.

— Vou indo. Obrigado pela oportunidade.

— De nada guri.

O menino então retornou a recepção, onde Gina o encarou novamente com o olhar de desprezo.

— Posso saber por que tá azeda? – Questionou.

— Tu sumiu e ficou sem dar notícia pra ninguém. Fiquei assustada – Confessou a menina – Não faz mais isso!

— Ok mãe. Fica tranquila – Tirou sarro – Mudando de assunto, tem algo errado com o Al?

— Tem. Ele é o único que tá servindo as mesas hoje. Os guris faltaram.

— Tudo bem. Já entendi – Rendeu as mãos.

O resto do dia então passou normalmente, sem que Gil pudesse se aproximar de Al e perguntar se algo estava errado. Ao fim do expediente, julgou ser a melhor hora para tal, porém o garoto foi mais rápido: Saiu depressa e sem dar satisfação a ninguém. O ato só serviu de constatação de que algo estava deixando o colega inquieto, só queria saber o que era.

Quando pensou em ir até sua casa, notou que sua mãe o esperava de carro na frente do local. Parecia melhor do que sua aparência demonstrava horas antes.

— Oi filho! – Disse animada – Tu não sabe quem veio comigo!

O rapaz não podia nem acreditar no que seus olhos mostravam.

— Kevin? – Perguntou sorrindo.

— Eu ODEIOOO ser a última pessoa nesse c* de planeta a saber que tu tá virado na Samara, bicha desgraçada! – O garoto saiu do carro correndo, abraçando o amigo.

— C*r*lho! Como assim?! Quando tu chegou?!

— Hoje, é óbvio. Quis fazer uma surpresa, apesar da tua mamis poderosa já saber de tudo. Aí chego aqui e descubro que tu anda aprontando.

— Me ajuda aí, Kevin. Acho que tu vai ser o remédio desse moço – Comentou Gilda.

— Pode deixar Gilda! Agora é comigo a coisa! ‘Bora viado que tu tem que me contar TU-DO!

Gil riu e seguiu o rapaz até o carro. Ficaram alguns minutos no veículo até chegarem a sua casa propriamente dita. Entraram na garagem, ajudaram o novo hóspede a descarregar suas coisas e seguiram para dentro. Quando ali chegaram, outra surpresa.

— BONITÃÃÃÃÃÃÃOOOO! – Exclamou o garoto, correndo e dando um abraço de urso no garoto – QUANTO TEMPO! JÁ TAVA COM SAUDADES DESSES FARÓIS QUE TU CHAMA DE OLHOS! OLHA ISSO GENTE, O TITANIC AFUNDOU PORQUE O COMANDANTE FICOU CEGO DIANTE DISSO!

Ian não pôde deixar de rir diante do comentário.

— Kevin! Tava morrendo de saudade de ti também, velho! – Respondeu – Que show que tu tá aqui. Agora vou poder ir pra POA tranquilo.

— Ahhh – Fez cara de cão sem dono – A recém cheguei e tu já tá indo embora?! Chateada fiquei.

— Se eu soubesse tinha adiado a passagem do ônibus. É uma m*rda isso. Tu fica até quando?

— Até dia 25, eu acho. Tem que ver ali na minha passagem, só sei que é final de Julho.

— Beleza! – Ficou animado – Vou ver se consigo voltar pra gente por o papo em dia.

— Volta mesmo meu amor porque eu quero tirar foto pra aquelas bichas invejosas da faculdade se morderem de inveja achando que a gente tá junto.

Tornou a rir.

— Ok. Fica tranquilo.

— Fica com a gente pra jantar, Ian? Ia ser tão bom – Perguntou Gilda.

— Não, dona Gilda. Eu só vim mesmo pra saber se o Gil tava bem, mas agora que sei que o Kevin tá aqui fico mais tranquilo.

— Ah, não senhor! Um pratinho pra ti sempre tem! Insisto!

— Mas dona Gilda-

— Fica Ian – Pediu Gil – Por favor... Só hoje.

O garoto então suspirou e aceitou, para a alegria geral. A mulher colocou mais um prato a mesa, ao passo que João (Que estava em seu quarto se arrumando após o banho) juntou-se a eles. Os cinco sentaram a volta da mesa, sorrindo e conversando. Nem parecia que outrora houvera uma discussão. E essa sensação que Gil queria de volta, esse ar mágico que Ian deixava nos ambientes pelos quais passava. Este aliás aproveitou a ocasião para gravar mais um de seus vídeos. Nele, comentava sobre o prazer de estar com as pessoas que mais se gosta e Kevin não perdeu a oportunidade de aparecer no vídeo “lacrando”.

Terminado o jantar, o casal se retirou restando apenas o trio de amigos na sala. Jogavam conversa fora, relembraram momentos, contaram novidades... Era um clima harmonioso.

— Ninguém nunca se convenceu lá em Pelotas que vocês terminaram sabia? – Confessava o convidado – Bicharada ficou deu com o queixo no chão quando souberam.

— São coisas da vida né? Acontece – Ian dizia.

— Ah bonitão, tu há de convir comigo que isso não “acontece” coisíssima nenhuma. Vocês dois são tipo Beyoncé e Jay-Z saca? Ia usar Angelina Jolie e Brad Pitt, mas né...

Os demais riram.

— O Ian tá certo, viado – Concordou Gil – Eu rateei. Paguei o preço por isso.

— Mas estão separados por c* doce. Verdade seja dita.

— Não. É só que o Ian... Não... Me ama mais.

— ATA NÉ QUERIDA?! – Exclamou fingindo revolta – Tu acha que o guri viria aqui, a essa hora da noite pra te ver só por mera formalidade? ELE TE AMA MULHER!

Ambos ficaram quietos, porém Ian acabou quebrando o silêncio.

— Sabe que tu tem razão Kevin? – A resposta surpreendeu o outro – Talvez eu ainda ame o Gil sim.

— Não disse? – Falou, batendo palmas frenéticamente.

— É sério isso Ian? – Questionou o ex – Então... Por que tu disse que não vai voltar comigo?

— Não disse que não vou voltar contigo, disse que POR HORA não tem condições. Vamos relaxar e curtir a vida um pouco. Deixa o depois pra depois.

— Eu só não te beijo porque essa vagabunda da minha amiga te ama – Brincou Kevin, fazendo os demais tornarem a rir.

— Tu não existe, Kekéu – Gil comentou.

— OPA, Kekéu? Não sabia desse apelido hein?

— A BOCUDA NÃO CONSEGUE VIRAR NEYDE PLANTA MEIO SEGUNDO NÉ? – Fingiu revolta novamente – É um apelido que a minha mãe me deu. E SÓ ela tem o direito de usar.

— Mentira! Eu uso ó: KE-KÉU!

— PIRANHA! DOU NESSA TUA CARA!

— PODE VIM!

E assim começaram a atirar almofadas uns nos outros, fazendo Ian até se esquecer do tempo. Como era boa a sensação de estar com quem se gosta. Agora Gil tinha certeza de que os ventos iam mudar...

CONTINUA