Notas iniciais
Já faz um tempinho que venho meio desanimado mas resolvi criar uma história baseada em alguns documentários que eu vi, que por algum motivo acabaram me cativando, e por um roleplay no discord que infelizmente acabou morrendo. Não espere muitos diálogos nessa história, eu quis trazer um aspecto mais semi-realista pra ela. Receio que os capítulos não serão muito longos, mas posso mudar isso conforme eu prosseguir com a história. Eu ainda estou um pouco inseguro com a minha escrita e forma de direção da história, críticas são muito bem vindas. De qualquer forma, eu espero que gostem e tenham uma boa leitura!

Uivos do vento dançante faziam seu caminho pela região desolada da neve, demarcando a região que outrora já foi cheia de vida exuberante, agora calada pelos meios em que se encontravam, como se a terra sentisse que o solo manchado de sangue era um sinal temido pelos habitantes daquele vale. Aquele paraíso recebia o nome de Efraria, um grande parque nacional renomado localizado ao norte que continha mais de quinhentas espécies únicas em seu território.

Efraria possui uma extensão geográfica tão grande que abrange em si três biomas completamente diferentes, sendo os principais e mais notórias as imponentes e exuberantes florestas temperadas, abundantes de presas que passavam o dia próximos aos seus afluentes, se refrescando. É importante também levar em consideração os altos alpes nevados, afogados em suas próprias geadas. Porém, essa história será contada pelos injustiçados e sobreviventes, bestas das sombras que vivem na escuridão da Floresta dos Corvos, uma região onde a copa das árvores é tão espessa que não se pode enxergar a luz do sol, os privando de verem nada além do frio e emocional cinza de cada dia.

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20 de Janeiro – Sussurros da Noite – Inverno

Anteriormente amaldiçoada pelo canto dos corvos, a floresta se permanecia quieta, com somente as maldições pregadas pela geada podiam ser ouvidas, ecoando como fantasmas de um passado distante, que vieram prestar suas contas com os pecadores que ali moravam. Era uma região quase ausente de vegetação rasteira, onde as grandes árvores de caules negros com um emaranhado de galhos, junto com folhas da mesma tonalidade, os impediam de ver o céu. Qualquer ser vivo proveniente daquele ecossistema hostil teria que aprender a jogar sujo com a mãe natureza, se quisesse uma chance.

Conhecidos como bárbaros saqueadores agora a honra da Sussurros já havia se esvaído após o sangue de muito de seus companheiros ter sido derramado nas batalhas por território contra a Neve Escarlate, a alcateia que redigia os alpes conforme sua vontade. A falta de presas, doenças e posteriormente a ação de um vírus resultou em que uma imponente alcateia de vinte e dois lobos fosse resumida a apenas seis membros.

Dentre a floresta da perdição, passos pesados em meio a neve podiam ser ouvidos até pelo lobo mais descuidado. Eram feitos por um lobo de olhos âmbares, cintilantes e imponentes, dotado de um pelo majoritariamente castanho, mas com pelos desenhos e contrastes de tonalidades cinzas que iam da sua face até tomar uma tonalidade prata em suas costas. Um dos olhos do canídeo era branco, com um corte no meio, deixando o mesmo cego. Seu porte era médio, e pela manhã ele permanecia com uma face mal humorada, passando a impressão de odiar qualquer um em seu caminho, quando na verdade só estava exausto.

O lobo em questão era conhecido pelos pesquisadores como “Olho de Lua” ou 432M para os mais formais, um dos alfas daquela alcateia. Diferente das outras que geralmente possuíam um líder solitário ou um casal de gêneros diferentes, aquela era guiada por um casal de machos, o que não era um problema visto que na cultura de Efraria os alfas não necessariamente são um meio de procriação, e sim líderes, posteriormente dando origem a um rodízio que as fêmeas mais renomadas da alcateia faziam para procriarem com seus parceiros, acompanhadas de seus respectivos pares. Dessa vez, Olho de Lua estava sozinho indo em direção ao coração da floresta para patrulhar o local, mas o que viu conseguiu mudar sua expressão rapidamente, se consolidando com a cena.

Em meio a flocos que caiam sobre sua pelagem fofa, o canídeo se deparou com uma cena inesperada. Uma das lobas da alcateia, Silver, estava choramingando aos pés do que parecia ser o cadáver de um dos membros da alcateia, cuja a pata estava presa a um mecanismo desconhecido para o alfa. Era feito de metal com uma mandíbula presa ao pé do seu recém falecido companheiro, o prendendo ali onde provavelmente havia morrido de fome.

Entre a tempestade resmungava a loba de pelagem prateada, com grandes orelhas e olhos cinzentos, marejados mas que mantinha sua força em ficar ao lado de seu companheiro mesmo que ele já não estivesse entre o mundo dos vivos. Soava desesperada, tentando chamar a atenção do seu alfa, mas o uivo da geada, assim como a neve que descendia dos céus, não parecia querer cooperar com as suas preces. Abaixo de sua cabeça estava o peito do cadáver, grande, de pelo longo e crespo, onde se podia ver milhares de cicatrizes ao longo do seu corpo, como a ausência de um olho, cortes e metade da sua orelha ter sido devorada por lobos de outra alcateia, provavelmente enquanto ainda estava preso. A expressão facial daquele lobo, um dos representantes mais fieis da alcateia com os seus quatro anos de idade, era vazia. O único olho azul cintilante daquele canino já tinha sua chama de vida extraída, deixando para trás um corpo frio que servia de travesseiro para a fêmea que choramingava.

O vento rigoroso impedia que os focinhos sensíveis de ambos os lobos vivos ali presente checasse se o lobo ainda estava vivo, mas a resposta era clara. Assim, o renomado alfa ergueu sua cabeça aos céus escuros e uivou com toda sua força, fazendo com que o ar quente saindo de sua boca se destacasse em meio ao ambiente gélido. Por de trás das árvores, um esbelto lobo de pelagem grossa, linear e negra trotou para fora dos arbustos com dois pares de olhos cinzas e profundos, carregados de uma longa vida implacável. Como o outro alfa, Ardósia tinha inúmeras cicatrizes ao longo de seu corpo e parte de sua orelha esquerda estava faltando, mas não afetava sua aguçada audição. Junto com mais dois outros canídeos prateados de olhos ambares, notavelmente similares, eles uivaram para os céus, como um ritual de passagem.

Agora o cronometro da mãe natureza corria logo atrás da alcateia com a sua foice perversa. Caçadores haviam ultrapassado o território de Efraria pelo inverno e agora a alcateia só contava com cinco membros esqueléticos, dentre alguns notavelmente feridos e já na meia idade. Porém, os alfas não iriam perder sua alcateia de mãos beijadas, tinham um plano em mente.

Notas finais
Não sei se os updates serão tão frequentes e pode ter alguns erros de português aqui e ali, mas irei fazer o meu melhor pra corrigir eles com o tempo. Para aqueles mais curiosos irei deixar o link com a aparência dos personagens abaixo. Loba Prateada (Posteriormente nomeada Silver): https://render.fineartamerica.com/images/rendered/default/print/5.5/8/break/images-medium-5/tkitchin-19574c-gray-wolf-canis-first-light.jpg Ardósia: https://i.pinimg.com/564x/9e/0f/6e/9e0f6ee9061ced171172000be588d17c.jpg Olho de Lua (Sem as cicatrizes e com ambos os olhos): https://images.pexels.com/photos/682361/pexels-photo-682361.jpeg?auto=compress&cs=tinysrgb&dpr=3&h=750&w=1260 Lobo morto: https://images.alphacoders.com/788/thumb-1920-788119.png