A Sétima Vela

1 A Sétima Vela


Notas iniciais
É a minha primeira vez escrevendo uma fic dos Heróis do Olimpo.
É um conto entre Leo e Calipso.
É algo bem simples, apenas um momento entre eles. Fiz os dois exatamente como os vejo. Espero que vocês gostem.
Boa leitura!

Estava pronto. Depois de sete dias sem comer direito e seis noites mal dormidas finalmente estava pronto. A minha versão de uma metralhadora giratória de bronze celestial finalmente seria testada.

- Está pronto, Festus?

O dragão de bronze estava parado ao lado do alvo para arco e flecha, me olhando com seus imensos olhos de rubi, enquanto eu dava as ultimas checada no meu novo bebê. Estávamos no bunker 9 e depois de mais de um ano sem vir aqui, e ver todas aquelas peças e engrenagens, não pude resistir ao impulso de criar alguma coisa. E a melhor parte tinha chegado. Era hora de testar o novo brinquedinho.

- Ok. Vamos lá, Festus. Caso o pior aconteça você já sabe o que fazer. – Em resposta o dragão empurrou um extintor de incêndio com o focinho para sua frente deixando o pronto para o “pior” – É isso ai garoto. Vamos lá!

Posicionei-me atrás do tripé com as minhas mãos suando de ansiedade. Sentia como se borboletas mecânicas dançassem no meu estomago quando encachei o meu dedo no gatilho. Era a hora. E sem esperar por mais nada disparei.

O que aconteceu em seguida foi tão rápido, barulhento e doloroso que mal consegui registrar como tudo aconteceu. Em um segundo uma chuva de balas era disparada em um jogo de luz e som e no outro eu já estava jogado contra o chão com uma metralhadora de quinze quilos caída sobre mim enquanto Festus acionava o extintor de incêndio. O pior tinha acontecido.

- Ai! Acho que quebrei umas três costelas, mas estou bem, obrigado por perguntar.

Ao levantar pude ver o que realmente tinha acontecido, e era pior do que eu havia imaginado. A metralhadora não só mostrou funcionar, como provou ser de uma eficiência bem acima do previsto. As balas não só acertaram o centro do alvo como o atravessou fazendo um buraco imenso na parede ao fundo. Era tão grande que um rinoceronte seria capaz de passar com folga por ele.

- Bom. Tirando o fato de que teremos que fazer uma reforma, acho que o nosso primeiro teste foi um sucesso. – Em resposta Festus soltou estalos e guinchos em código Morse acionando o extintor mais uma vez. – Sim. Da próxima vez irei me lembrar de testar lá fora. E lembrete, só usa-la em caso de camarãozilla.

- Mas o que aconteceu aqui? – Não era preciso muito pra saber de quem era aquela voz melodiosa.

Já fazia mais de um ano que namorava Calipso. Desde que a tirei daquela ilha opressora, viajamos sem destino pelo mundo como havíamos combinado, mas mesmo assim eu ainda tinha dificuldade de acreditar que era realmente verdade. Mas lá estava ela, parada na porta me olhando com aquele olhar repreendedor pelo qual me apaixonei. É, talvez, eu realmente tenha tido sorte nessa vida.

- Flor do dia, como é bom ver você, já estava morrendo de saudade.

- É mesmo? – Calipso ergueu uma sobrancelha colocando a cesta, com frutas e água, que carregava embaixo do braço. – Nem parece, já faz uma semana que você não sai desse lugar nem pra comer.

- Oh minha flor. – Fui até ela que não mudou a sua expressão em nenhum momento. Ela ficava tão linda irritada, sempre com os dedos inquietos buscando algo pra fazer com eles. – sabe que você é o que tenho de mais importante na minha vida.

- Não, na verdade eu não sei não. Estava pensando seriamente na possibilidade de você esta mais afim do seu dragão do que de mim. – Festus soltou rangidos e estalos de desaprovação, que prefiro não traduzir, em resposta.

- Sabe. Festus realmente tem lá seu charme, mas ele não faz muito o meu tipo. – Disse me aproximando um pouco mais dela. O cheiro de canela exalava de cada milímetro do seu corpo. Como eu adorava aquilo.

- Não? Mas ele é cheio daquelas engrenagens que você tanto gosta. – Disse Calipso sem sair da posse, apesar de sentir o seu tom suavizar.

- Realmente. Mas tenho que confessar que ultimamente estou tendo certa atração por uma criatura orgânica.

- Hm... Posso saber por quê?

- Bem, primeiro porque é bem mais bonita. – Disse brincando com uma mecha do seu longo cabelo caramelo. – Segundo porque sempre que eu me esqueço das minhas funções básicas humanas, como comer, — Peguei um morango da cesta ainda presa embaixo do seu braço. – ela sempre me lembra trazendo essas deliciosas frutas. – Disse comendo o morango. – Terceiro. Esse perfume, — Me aproximei do seu rosto resistindo ao impulso de beija-la. Ela prendeu a respiração. – Por Hefesto, como cheira bem. Quarto...

Mas antes que tivesse a chance de dizer o quarto motivo, sentir suas mãos cercarem o meu rosto junto ao som ensurdecedor da cesta acertando o chão. Mais uma vez Calipso havia me calado em seus lábios. Aquela não era a primeira e também – assim espero – não será a ultima em que nos beijaremos, mas assim como o primeiro, e em todos os outros, mal tive capacidade de me manter são, posso não ser feito de engrenagens, mas sinto como se meu corpo inteiro entrasse em curto circuito. Sentia cada uma das células do meu corpo lutarem entre si em uma tentativa desesperada de não entrarem em combustão. Mal podia conter o impulso de enroupe em chamas, mas antes que isso acontecesse Calipso nos separou.

- Você adora fazer isso.

- Você fala demais às vezes. – Em apenas um tom mais alto que um sussurro, Calipso disse sem tirar seus olhos amendoados dos meus. Eles brilhavam.

Suas bochechas estavam rosadas e os lábios vermelhos e inchados, mas o que chamava mesmo atenção era a fina linha de vapor que saia de sua boca toda vez que respirava. Talvez eu devesse tomar mais cuidado da próxima vez, seria péssimo se eu fritasse a única garota que por algum tipo de milagre, ou distúrbio mental, acabou gostando de mim. Mas ela estava tão perto. Era tão bonita. Tão cheirosa. Os lábios tão aveludados que...

Mas antes que pudesse beija-la novamente um jato gelado de água e fumaça nos atingiu esfriando até as nossas almas. Festus evitando que o pior acontecesse. De novo. Mas apesar do susto e de estarmos completamente molhados, a única coisa que conseguimos fazer foi rir.

- Valeu Festus. É ótimo saber que posso contar com você sempre. – O Dragão soltou uma lufada de fumaça e virou-se com tudo derrubando o extintor com a calda no movimento. E sem se importa, seguiu em direção à saída sumindo por ela.

- Acho que ele ficou com ciúmes.

- Ele supera. Ele sabe que eu nunca o trocaria por você; Ai! Ei! Calma to brincando. – Disse me encolhendo enquanto Calipso me estapeava.

- É só pra você saber o que aconteceria se um dia for verdade. – Disse Calipso cruzando os braços sorrindo.

Mas antes que eu pudesse responder, uma voz na entrada me interrompeu.

- Leo o que você queria mostrar pra mim; Opa! To interrompendo? – Perguntou Percy parando em meio caminho ao ver Calipso.

Geralmente eu chamo Jason ou Piper para ver as minhas novas criações, mas como nenhum dos dois esta no acampamento – Jason estava no acampamento Júpiter ajudando na construção de alguns templos, e como Piper não o larga – resolvi chamar Percy. Mas agora com Calipso ali começo achar que não foi uma boa ideia.

- Não.

-Sim. – Disse Calipso me olhando torto. Dei de ombros na defensiva.

- Ok. Eu volto outra hora. – Disse Percy já recuando.

- Não. Pensando melhor, fica. A gente não teve oportunidade de conversa desde que voltamos.

Ok. Por essa eu não esperava. De todas as pessoas do acampamento a ultima que eu esperaria que Calipso quisesse por o papo em dia era Percy Jackson. Principalmente depois de alguns anos atrás o mesmo ter a deixado em Ogigía sozinha.

- Ah, não sei se é uma boa hora, — Percy meio desconjuntado começou a recuar olhando para os lados em busca de ajuda. — Annabeth ta me esperando no Anfiteatro e...

- Ainda essa Annabeth. – Calipso revirou os olhos. – Tenho certeza que ela não vai morrer se você demorar mais um pouquinho. Ela não morreu quando você ficou comigo lá na ilha, não vai se agora que vai. – Percy engoliu em seco.

- Mas...

- Nada de “mas”, senta aqui e vamos conversa. – Disse Calipso ríspida puxou Percy pelo braço em direção a uma cadeira próxima ao alvo detonado. Mas antes mesmo de Calipso chegar ao seu destino esta mudou seu tom para algo bem mais suave, algo próximo a um flerte. Ei pera. – Nossa como você esta forte. Andou malhando? Quando você foi à minha ex-ilha você não estava assim.

- Ah, eu... – Calipso empurrou Percy na cadeira fazendo o mesmo quase cair.

- Ah, não seja modesto. Você já era bonito antes, mas agora. Uau! Insuperável.

Não. Não era algo próximo a um flerte. ELA REALMENTE ESTAVA FLERTANDO COM ELE. E pior, NA MINHA FRENTE. Ok. Eu sabia que ela era louca, mas... Um dragão! Qual a probabilidade de eu trocar a MINHA namorada de carne e osso, por um dragão de bronze? Ok, que eu também não pretendo ficar sem ele, mas é tão difícil de entender que não faz sentido uma troca desse tipo?

- Eu... Eu, obrigado, mas acho melhor eu ir.

Percy Jackson. É tudo culpa sua. Mas o pior é que ela estava certa, ele realmente estava melhor do que há um ano, sua camiseta laranja do acampamento tinha voltado a servir a ele, na verdade parecia até um pouco mais justa do que antes. Mas fui eu que a salvei, eu que voltei e a tirei daquela prisão. O que ele fez? Nada. Ele foi embora e deixou-a lá sozinha.

Ele está tão próximo do alvo, talvez se eu girasse a metralhadora só 25° para direita... Mas olhando pra ele, ele parecia tão desesperado que chegava a dar pena. Não adianta procurar outros culpados nisso, a louca é a Calipso mesmo, louca essa que estava ficando muito perto do Percy. Ok. Já chega.

- Ok, ok! O espetáculo acabou. – Disse entrando na frente de Calipso. – Espero que tenha aproveitado porque não haverá próxima vez. Agora circulando porque se não já sei o que vou comer no jantar. Peixe frito. E farei questão de chamar Annabeth para o banquete.

- Ok. To indo. – Disse Percy já saindo tão rápido quanto um raio poderia ser.

- Nossa. Porque toda essa agressividade, a gente só estava conversando...

Dessa vez fui eu que não deixei que ela terminasse de falar. Puxei-a pela nuca com tal aptidão que não dei tempo a ela nem de pensar, apenas a beijei com tanta força e com tanta fúria que sentia meus lábios arderem. Eu estava com tanta raiva dela, tão irritado, mas a única coisa que eu tinha vontade de fazer era beija-la, beija-la até não aguentar mais. Ela era minha, e não importava o que achassem ou dissessem, nada iria mudar isso. Quando me separei dela, mal tinha folego, mas não ligava. Uma das poucas coisas que não me importava de perder por causa dela era o folego. E tirar o folego dela era no que iria me dedicar de agora em diante.

- Pensei que nunca iria fazer isso. – Disse Calipso meio rouca ainda ofegante.

- Você é minha entendeu. Só minha. – Colei a minha testa na dela, prendendo-a pela cintura.

- Eu sempre fui. – Fechou os olhos.

- Você é louca.

- É só pra deixar você ligado.

-Ainda bem que semideuses já nascem com o déficit de atenção embutido. Já nasci ligado.

E sem mais, nos beijamos de novo. Dessa vez um beijo muito mais suave e doce do que o anterior, mas nada que mudasse no que ardia dentro do meu peito. Por muito tempo achara ser a sétima vela, aquela que não teria um par, que no final, independente de esta cercado pelas outras seis, sempre estaria sozinho. Mas quando foi jogado naquela ilha quase deserta descobrir que até mesmo a sétima vela poderia encontrar o seu par. Não importava como era, nem como seria, o importante era esta com ela.

- E a Oficina Mecânica Leo e Calipso, ainda esta de pé?

Notas finais
E ai, o que acharam? Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!