A Supernatural Destiny
10 The Stokesy (Parte II)
Dean andava de um lado pro outro. Sam apenas me encarava sem expressão alguma. Eu estava tentando pensar, lembrar e rever cada dia em que passei nessa escola. Não foi by Text-Enhance\">fácil simplesmente porque foi um pedaço da minha vida que eu estava disposta a esquecer completamente.
– Tá, deixa eu ver se entendi?! Você teve um caso com Rebecca Wood? – Dean parou diante de mim e perguntou.
– Dean! – Eu tentei explicar.
– Não, sério! Saber que você deu uns amassos com uma garota é excitante, mas por outro lado é assustador sabendo que essa garota é a Loira do Banheiro.
– Dean... Rebecca Wood foi a única pessoa com quem compartilhei segredos até eu by Text-Enhance\">conhecer vocês dois. Rebecca Wood não foi só uma amiga e uma amante, foi a minha outra metade... E eu fui forçada a deixá-la sozinha para protegê-la... E isso tudo quando eu só tinha 16 anos.
– Então você deu mesmo uns amassos com a Loira do Banheiro? – Dean insistiu.
– Dean! – Sam o chamou. – Não está ajudando. May... Acha que pode nos contar sobre Rebecca?
Rebecca era uma garota linda. Toda vez que eu a via no corredor eu imaginava um anjo caído do céu. Quando ela sentava ao meu lado para almoçar eu podia ver aquele sorriso e então eu sorria também. Ela iluminava meus dias porque até então eles eram sombrios e carregados pela culpa e desespero. Ao lado de Becky eu não era sozinha... Eu tinha encontrado minha cara metade.
Eu costumava ficar calada quando estava ao seu lado. Normalmente trocava poucas palavras e conversava o mínimo, só para ficar atenta quando ela sorria ou olhava para mim.
– Você vem, May? – Ela me chamava para acompanhá-la até a aula.
Eu sempre ia.
– Te vejo mais tarde, May? – Ela me convidava para sair depois da aula.
E ela sempre me via.
Um dia, depois que o sinal tocou, Rebecca ficou parada em minha frente, como se esperasse eu seguir para a aula. Mas eu não segui, eu a esperei. Ela sorriu pra mim e pegou minha mão me guiando até o banheiro feminino.
– May... – Ela chamou.
– Becky, nós temos aula! – Eu avisei.
– Toda vez que eu te vejo no corredor eu imagino um anjo caído do céu porque seus olhos castanho-mel indicam o meu caminho. Quando você senta ao meu lado para almoçar eu posso passar minutos vendo seu sorriso sem me importar com nada ao redor e então eu sorrio também. Você ilumina meus dias porque até então eles eram solitários. Você me espera todo dia e por isso eu não sou sozinha... May, você é minha cara metade.
E sem perceber eu comecei a sorrir.
– Oh! Amor lésbico adolescente – Dean sacudiu a cabeça – eu preciso parar de imaginar.
Eu o fuzilei com o olhar. Não era hora de piadinhas ou coisas do tipo.
Se era o fantasma de Becky que estava assombrando o colégio, porque o estava fazendo só agora? Porque não há seis anos atrás, quando morreu?
Não tínhamos muito que fazer naquele resto de tarde sem ter certeza de que o fantasma era mesmo de Rebecca. Seu corpo estava enterrado em sua cidade natal, muito longe daqui para irmos queimar seus ossos, só podíamos esperar o fantasma se manifestar e então agir, já que não sabíamos exatamente onde ele ia aparecer. Não dá pra fechar uma escola inteira com sal em pleno dia de aula.
Dean saiu para buscar refrigerantes na cidade já que era proibido vender isso na escola. Sam e eu procuramos por pistas na escola inteira. Checamos o banheiro a procura de alguma coisa que nem ao menos sabíamos. Fomos ao antigo armário de Becky e nada lá também. Enfim decidimos voltar a biblioteca pra pesquisar um pouco mais.
– Então... Você realmente teve um caso com a Rebecca? – Sam perguntou, tímido.
– Até você, Sam?
– Desculpe.
O silêncio foi invadindo a biblioteca.
– Na verdade você se parece muito com ela... Não fisicamente – eu disse – mas você é tímido, assim como ela, e teimoso às vezes... Mas não importa o que aconteça, você sempre tem esperança. Igualzinho à Rebecca.
– Talvez foram essas as coisas que te atraíram em mim – ele disse um pouco convencido e por segundos pensei que estava falando com Dean.
Eu me levantei da cadeira estofada e me aproximei de um Sam, curvando-me sobre ele para ficar na altura de seu rosto. Sua mão procurou a minha e quando as duas se encontraram eu o senti tocando mais uma vez seus lábios nos meus.
Dessa vez eu me envolvi de maneira diferente. Minhas mãos tomavam o controle dessa vez e ele apenas esperava para ver... Ou sentir, no caso.
Mas a biblioteca começou a ficar fria e meus pêlos se arrepiaram. Afastei-me de Sam e olhei ao redor, ele fez o mesmo. O Winchester se levantou num pulo e segurou minhas mãos, me puxando para a saída.
– May, vamos sair daqui – ele disse preocupado, parecia que sabia o que estava acontecendo.
Ele fechou a porta da biblioteca e continuou a me puxar para longe dela, mas então toda a escola pareceu mais gelada que o normal. Estávamos tendo calafrios. Era Rebecca.
Eu me virei, soltando-me das mãos de Sam, e encarei o fantasma. Ela estava exatamente como há seis anos atrás. Mesma altura, mesmos olhos, mesma cor de cabelo.
– Becky! – Eu murmurei.
O fantasma parecia chorar e me cortou o coração ver que as lágrimas escorriam pelo rosto delicado de minha amiga. Mas então de lágrima ela passou para um sorriso amedrontador e sacana e no mesmo instante senti como se o ar não consegue sair dos meus pulmões.
– May! – Sam gritou e correu até mim quando me viu contorcer e ceder até cair.
Eu estava vendo tudo embaçado, Sam já não era mais nítido e a minha garganta continuava a ser pressionada por... nada. Entrei em desespero mas eu não tinha forças para se quer levantar um braço.
– May! – Sam gritava sem saber o que fazer.
E quando eu senti que não passaria daquele momento ouvi um tiro. Um tiro que veio além de Rebecca. Era Dean que afugentara o fantasma com balas de Sal. O ar circulava livre agora.
– Vem, ela vai voltar – Dean aproximou-se passando um dos meus braços por seus ombros. Sam fez o mesmo do outro lado.
Os dois me guiaram até eu estar completamente recuperada. Estudantes começaram a sair de todas as salas para ver a fonte do barulho que a pouco tinham escutado.
– Voltem para as suas salas... Não foi nada demais – O Diretor logo apareceu e os alunos voltaram para seus lugares.
Sam ainda segurava meu braço e me guiava para onde Dean estava nos levando. Em poucos segundos estávamos no depósito, um lugar que na minha época poucos conheciam. No lugar ficavam cadernos e livros velhos, fantasias das peças da escola e algumas ferramentas de jardinagem.
Um calafrio.
Dean virou-se numa rapidez incrível com a arma em mãos pronto para atirar em Becky de novo, mas parece que o fantasma tinha sido mais rápido.
Dean contorceu-se com a mão apertando o estômago. Sai sangue pela sua boca e quando me virei para Sam o mesmo estava acontecendo com ele.
– Dean! – Eu gritei com os olhos em lágrimas. – Rebecca, pare! Pare, por favor.
E então minha antiga amiga se manifestou. Estava bem a minha frente.
– Por favor, Becky! – Eu pedi em desespero. – Me perdoe, por favor.
Eu estendi a mão em direção a garota. O fantasma se quer se mexeu. Ao contrário do que eu imaginava, Dean e Sam começaram a gritar mais ainda de dor.
– Rebecca, pare! Eu sei que fui embora, mas não me arrependo. Eu te protegi quando o fiz e te protegi de coisas muito piores do que você pode imaginar. Mas eu nunca deixei de te amar, nunca – eu chorei implorando perdão. – Só que eu os amo também...
Finalmente Rebecca estendeu uma mão em minha direção.
– Você cresceu! – Ela disse numa voz rouca.
– E você continua a mesma. – Eu completei. – Eu te amo... Mas por favor, deixe eles irem comigo. A Rebecca que eu conheço nunca machucaria ninguém.
O fantasma virou-se para encarar os Winchester que tremiam de dor e depois deu uma última olhada em meu rosto. Seu corpo foi tomado por uma luz e eu tive que fechar os olhos. Quando os abri novamente ela não estava mais lá e Sam e Dean já não se contorciam mais.
Ainda era dia quando resolvermos sair o mais rápido o possível daquela cidade. Dessa vez obriguei Sam a ir no banco de trás do Impala enquanto eu desfrutava do poder de mudar as músicas, mesmo que para isso tivesse que brigar com Dean.
– Então... Tenho duas perguntas. – Dean comunicou. – Primeira: como é se esfregar com a Loira do Banheiro?
Ele olhou para mim curioso. Quando percebeu que eu não ia responder passou para a segunda pergunta.
– Ok. Então... Vocês dois andam muito esquisitos. O que vocês fizeram quando eu estive fora ontem à noite?
Dean encarou o irmão através do retrovisor. Sam abaixou a cabeça vagarosamente. Então Dean olhou para mim e me viu fazer a mesma coisa. Ele olhou de novo para Sam com os olhos arregalados.
– Oh Gosh! Vocês transaram? – Ele freou o Impala bruscamente me fazendo ir para frente.
Nenhuma resposta de minha parte e da de Sam também. Dean apenas sacudiu a cabeça tentando assimilar a idéia e então voltou a conduzir o Impala estrada a fora.
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