A Supernatural Destiny
2 My Sweet Chevy
Notas iniciais
Encarei o teto... Bem diferente do da última noite. Durante uma fração de segundos eu fiquei confusa e me perguntei onde exatamente eu estava. Meus pêlos do braço e da nuca se arrepiaram. Eu não estava em casa e isso já havia um bom tempo. Não tive vontade de levantar, mas a natureza me chamava.
Depois de alguns longos minutos no banheiro ouvi batidas na porta do quarto. Eles estavam sendo pacientes e isso me deixava encanada, de algum modo.
– Já vou – eu berrei enquanto me enrolava numa toalha felpuda do hotel.
Saí do banheiro, pingando e molhando todo o carpete do quarto. Abri a porta e lá estavam os dois. Dean parecia que havia sido arrastado by Text-Enhance\">para fora da cama e Sam tinha no rosto um sorriso discreto. Eles entraram.
– É por isso que eu não queria que ela viesse conosco – Dean reclamou enquanto jogava-se na minha cama. Ele fazia muito isso.
– Dean! – Sam o repreendeu.
– Nada do que você disser vai mudar minha cabeça, Winchester – eu respondi, de braços cruzados. – E além do mais, é só dessa vez. Depois que solucionarmos esse caso, simplesmente sumo da by Text-Enhance\">vida de vocês.
– Não estamos pedindo que suma da nossa vida, May – Sam tentou, eu arqueei as sobrancelhas. – É só que não estamos acostumados com ajuda, principalmente...
– Ajuda de garotas – Dean completou na sua maneira ofensiva.
– Ah tá! Garotas são inferiores, esqueci – Bati a porta do banheiro.
Até tinha me esquecido que estava só de toalha. Ouvi Sam tentando convencer Dean de me pedir desculpas e de dentro do banheiro gritei que não queria desculpas de um ogro feito Dean Winchester. Então Sam pediu desculpas pra mim, no lugar do irmão.
Saí de lá com uma carranca feita e já vestida na minha jaqueta jeans. Calcei minhas botas pretas de cano curto e depois de colocar meu relógio saí do quarto, fazendo questão de mais uma vez, bater a porta do quarto.
Meu querido Chevy 500 esperava por mim. Sentei-me em frente ao volante e encostei a testa no mesmo. Onde raios eu havia me metido. Dean e Sam não são normais, assim como eu, e definitivamente gostam do que fazem, como eu. Porém, contudo, todavia, eles provavelmente não prometeram durante a infância nunca mais caçar coisas sobrenaturais.
Uma lágrima fina escorregou pelas minhas bochechas. Pai, mãe, Nick, perdão por quebrar a minha promessa, mas eu tenho meus motivos.
– A gente se encontra na Rota 12? – Sam perguntou enquanto se debruçava na janela do Chevy Impala, estacionado logo ao lado do meu.
– Pode ser... – Eu respondi, dando a partida.
Uma hora foi o suficiente para estarmos juntos de novo, numa lanchonete no meio da Rota 12. Eu estava incrivelmente impaciente e Sam percebia isso facilmente. Dean parecia distraído com as panquecas.
– Qual o problema? – Sam perguntou tão by Text-Enhance\">baixo que eu me questionei se teria sido possível para Dean ter escutado.
– Nada demais.
Não era nada demais. Era algo digno de preocupação, pelo menos pra mim. Teria eu, uma jovem Grewgh, esquecido os ensinamentos do pai? Até que ponto o talento natural/genético me ajudaria?
– Não parece nada demais – Sam completou, largando suas costas largas no encosto da cadeira.
– Não é nada tão importante – repeti a idéia.
– Sabe, não sei exatamente o que pode ter causado a morte dos Peterson – Dean comentou de repente.
– Eu sei – Disse Sam. – Na verdade é mais uma suposição.
Eu e Dean levantamos as sobrancelhas pra Sam. Ele suspirou, na hora pensei que ele diria algo como vampiros, já que as vítimas estavam todas esvaídas de sangue e, na verdade, eu meio que achava que era isso mesmo.
– Bom, definitivamente não são vampiros – Esse foi o primeiro alerta de Sam.
Eu estremeci. Raios! Eu estava enferrujada.
– Dãh! Óbvio. – Dean concordou.
Óbvio? Por Deus, estou mais enferrujada do que pensava. Ok, desconto, vampiros nunca foram a especialidade de minha família. E foi aí que eu comecei a me perder em meus pensamentos. O que eu havia deixado escapar? Se era tão óbvio assim que não eram vampiros que causavam aquilo, o que era então?
– Chupa-cabra! – Sam disse de repente.
– O que? – Eu e Dean praticamente gritamos.
– Chupa-cabra. Diz a lenda que é um monstro que atacava animais na região rural do México, Porto Rico, Chile, Brasil e...
– Me deixa adivinhar – Dean interrompeu-o – Sul do Arizona?
– Exatamente – Sam esclareceu.
– Qual é, rapazes... Chupa-cabra não existe!
– Bom, aparentemente... – Sam ergueu as mãos.
– Tá, mesmo que exista, ele não deveria chupar cabras?
– May, em que mundo você vive? – Dean perguntou nervoso.
Os seguintes trinta minutos serviram para me explicarem suas teorias: de como o chupa-cabra deve ter se cansado de, bom, chupar cabras e partiu para a tentação de sugar o sangue de humanos. A casa dos Peterson fica dentro da floresta, o que facilita e muito a locomoção e ação de um monstro de aparentemente dois metros e meio de altura atacar sem ser visto.
Depois de dirigirmos mais quinze minutos até o final da trilha dentro da floresta, fomos a pé até a casa dos falecidos, onde vasculhamos em busca de sangue ou qualquer coisa útil.
Um ruído. Meus joelhos quase cederam. Me virei para Sam e Dean, que estavam ocupados terminando de vasculhar a casa.
– Sam... – Eu chamei, tentando esconder meu medo – como se mata um Chupa-cabra?
Sam olhou pra mim, surpreso. Provavelmente ele tinha se esquecido desse pequeno detalhe. Dean, quando percebeu, olhou nervoso para o irmão. Eu engoli em seco e quase pude ter certeza de que os dois também o fizeram.
– Ótimo, definitivamente. – Eu exclamei nervosa o bastante para os dois perceberem.
– Em todo caso... – Dean tirou uma faca do bolso – Prata quase sempre é a solução pra tudo.
E se dessa vez não fosse? Minhas mãos começaram a tremer. Ouvimos barulhos do lado de fora da cabana. Dean saiu. Tive vontade de pedir pra ficar, mas não o fiz. Sam o seguiu e bem, eu não ficaria sozinha lá.
Estávamos andando silenciosamente, sorrateiros e quase sem respirar. Cada vez mais dentro da floresta de árvores altas. Dean já havia sacado uma pistola, Sam estava com a espingarda e eu, quase sem ligar, segurava outra pistola.
Porque raios eu tinha escolhido pra usar essa bota justo hoje? Dean virou-se para mim e Sam pronto para dizer alguma coisa, Mas o que quer que fosse ele não terminou, calou-se quando o ombro de Sam foi atingido por um gosma.
Sam segurou minha mão desocupada e começou a correr, logo atrás de Dean. O animal rugia e corria atrás de nós incansável. Minha bota de nada ajudava. Dean arriscou uns tiros, que de nada adiantaram, mas então o chupa-cabra fez um som diferente, ainda era um rugido intimidador, mas as notas eram diferentes das de antes.
– Como essa coisa morre? – Eu gritei, sem parar de correr momento algum.
– Não sei!- Dean respondeu.
Quando minhas pernas pareciam ceder, Sam estacou no lugar. Dean quase que trombou conosco. Atrás de nós, a fera que nos perseguia e logo a frente... Todo um bando de monstros igualmente gigantescos. Todos tinham olhos azuis e vermelhos, menos um.
Este era o maior e o mais assustador. Os pêlos não eram escuros, mas sim brancos. Seus dentes eram mais longos e suas garras mais escuras, e com certeza mais afiadas. Seus olhos encararam os meus. O direito: azul. E o esquerdo: preto como breu. Mas então ele picou, e o breu sumiu, tornando-se azul como o outro.
– Deve ser o macho-alfa – Sam disse, arfando.
Macho-alfa. Isso provocou em mim um surto de lembranças.
Eu estava sentada na grama seca. Ao meu lado Nick se quer tirava os olhos de meu pai. Minha mãe sentou-se logo atrás de mim e enrolou os braços envolta dos meus ombros, me cobrindo com um abraço quente.
– Chupa-cabras não existem, pai – Nick reclamou.
– São só lendas – Mamãe concordou.
– São mesmo. – Pai argumentou – Mas todo dia vemos lendas tornando-se realidade por aqui.
“Chupa-cabras são feras que se alimentam de sangue. Sempre estão em bando porque sozinhos não são fortes. Sua melhor arma é a aparência que tanto assusta que mal precisam lutar. O macho-alfa do bando é como qualquer outro líder. Se um líder morre, os soldados ficam confusos e desorientados”.
– Temos que matar o macho-alfa – eu disse e tornei a puxar Sam para longe dali. Dean nos seguiu.
– O que? – Os irmãos perguntaram em uníssono.
– O macho-alfa controla todos os outros. Eles são fracos sozinhos e desorientados sem um líder – eu expliquei, ainda correndo.
– Ótimo, e como matamos o macho-alfa? – Dean perguntou.
“Para matar um chupa-cabra você deve perfurar o olho vermelho dele. O olho vermelho é como um coração, mas ele não pulsa como o nosso. Ele é a fonte de energia do corpo de um chupa-cabra”.
– Temos que perfurar o olho vermelho. – Eu disse.
– Mas o macho-alfa não tem olho vermelho – Sam disse.
– Então a gente fura os dois – Dean disse sorrindo discretamente.
No exato momento em que Dean terminou de falar, um dos monstros pulou sobre mim e Sam. Eu fui cair alguns metros de distância, enquanto Sam sofria debaixo das garras do chupa-cabras.
Ainda deitada na grama, vi Dean saltar em cima da fera para defender o irmão. E depois de ser golpeado e cair próximo a mim ele gritou:
– Sam, corre!
E o mais novo assim o fez. O perdi de vista e quando me dei por mim já estava sendo puxada por um Dean apressado e com duas feras em nosso encalço. E então o tempo começou a fechar, nuvens escuras cobriram a floresta e sabíamos que em breve uma tempestade ia se formar.
“E, ao contrário de muitas criaturas, o chupa-cabra fica totalmente cego de noite, mas ainda caçam durante esse período com ajuda do olfato apurado e da audição desenvolvida por que sua camuflagem ajuda.”
Ficou escuro o suficiente.
– Eles não enxergam no escuro!
– Sério? Pensei que ficavam melhores no escuro – Dean reclamou e logo depois nos puxou para perto das raízes de uma das árvores gigantescas.
– De certa forma... Eles têm olfato e audição totalmente desenvolvidos.
– Como raios você sabe dessas coisas?
Não era hora para explicar. Peguei grama úmida do chão e esfreguei nos braços e na roupa. Fiz o mesmo em Dean. Quem sabe assim eu conseguiria disfarçar nosso cheiro humano. O fiz prender a respiração e assim ficamos por...
Ouvi garras lascando o tronco do outro lado da árvore. Estávamos mortos. Escutamos um grito e logo depois um gemido. Levantamos e lá estava Sam, e ao chão um chupa-cabra morto.
Ouvimos um uivo. Olhamos para trás e lá estavam eles novamente. Em um círculo perfeito em volta de nós. O macho-alfa rugiu e então três ou quatro deles pularam sobre nós. Os afastamos com pedaços de galhos, não foi difícil. E então vieram mais quatro e em seguida mais quatro e na seguinte... O macho-alfa.
Ele pulou sobre Sam, que o acertou em cheio com um pedaço de madeira seca. Ele rolou pela grama úmida e então todos os outros chupa-cabras se agitaram de forma estranha, prontos para atacar-nos... Mas não antes de eu ter pisado firmemente com o salto da bota em cima do olho, outrora preto breu, do macho-alfa deitado no chão.
Seu último rugido suspirante afastou o resto do bando.
Sentei-me na cama recém arrumada. Dean deitou-se na mesma enquanto Sam acomodou-se na poltrona. Sam estava com a testa sangrando e estava muito sujo. Dean não ficava muito atrás: tinha um corte, não muito fundo, que ia do cotovelo até metade do antebraço e com certeza estava muito mais sujo que Sam.
Meu cabelo estava cheio de folhas, tinha um arranhão que começava na têmpora e estendia-se até o final da minha bochecha. Minha bota estava cheirando carniça e então descalcei-a e joguei longe. Estava tão suja quanto qualquer um dos dois.
Estávamos cansados, machucados, sujos... Mas estávamos bem.
– Como você sabia de todas aquelas coisas sobre os chupa-cabras? – Dean perguntou.
– Eu só... Me lembrei de uma história que meu pai me contou certa vez.
– Você parecia hesitante hoje cedo, antes de entrarmos na floresta.
Eu estava hesitante, mas não muito a fim de admitir.
– Era... – eu comecei incrivelmente envergonhada – A primeira vez em anos que eu caçava monstros. Eu passei sete anos inteiros sem me envolver com qualquer coisa sobrenatural que fosse. Passei sete anos vivendo como uma pessoa normal e fingindo não saber da existência de coisas horríveis como essa que vimos hoje. Mas...
– É a sua vida – Sam disse em meio a um sorriso – E não se transforma uma vida tão fácil.
– Principalmente uma como a nossa – Dean completou.
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