Estava tudo escuro, exatamente como num filme de terror. Árvores à frente e árvores atrás. Eu estava acostumada com aquilo... Jamais me assustaria com tão pouco.

Os barulhos também não eram suficientes. Uivos, gritos, choro de criança. Minha única reação foi olhar em volta a procura de alguma alma viva. Juntei meus cabelos castanhos num coque mal feito, arregacei as mangas da minha blusa preta e entrei naquela floresta escura.

– Espere por nós – Ouvi alguém chamando atrás de mim.

Me virei com uma rapidez incrível e dei graças quando vi Sam e Dean se aproximando de mim. Sorri sem perceber.

– Onde pensava que estava indo sem a gente? – Sam perguntou.

Continuamos andando em frente sem realmente ter um rumo, um destino. Mas não foi preciso... Parece que o destino veio até nós em forma de uma criança inocente e pura.

A pele pálida dava um ar solitário ao garotinho em minha frente. As roupas brancas me faziam lembrar alguns filmes futurísticos que eu já havia assistido. Os olhos grandes não saiam de mim.

Na mesma hora em que pensei me aproximar algo salta de um galho qualquer para cima do garoto e, tão by Text-Enhance\">rápido como mais cedo me virei, a criatura mordeu o pequeno e saiu em direção ao centro da floresta.

Eu corri para ajudar a criança que sangrava. Apertei a mordida em seu ombro com toda a força que eu tinha. Abracei o garoto em meu peito e quando o afastei novamente vi um rosto que jurava que não veria nunca mais. Era Nick.

Meus olhos arregalados derramavam lágrimas involuntariamente. Era meu irmão ali deitado, sangrando... Morrendo.

– Nick! – Gritei. Eu não podia perdê-lo de novo.

Devagar os olhos de meu irmão foram se fechando. Eu gritava por ajuda à Sam e Dean mais os dois nem saiam do lugar.

– Você o matou, May – Uma voz conhecida minha disse e então olhei para Dean e Sam. Onde antes estava o mais novo dos Winchester, agora estava uma mulher de cabelos castanhos claros, também trajada em roupas brancas.

– Mãe?! – Eu larguei Nick no chão e me levantei.

– Você nos deixou morrer! – E então ao lado dela não era mais Dean Winchester a falar, e sim meu pai: Greg Grewgh

– Não, não! Eu não quis, eu tentei... Eu juro – Eu tentava explicar, mas a voz de minha família ecoava em minha cabeça.

Aos poucos as roupas brancas de meus pais começavam a encharcar-se de sangue.

– Você é fraca! – Um Nick revivido disse bem perto de meu ouvido.

– Covarde! – Minha mãe gritou.

– Inútil! – E meu pai completou.

Embora tentasse não escutá-los, tampando meus ouvidos, suas vozes ecoavam dentro de minha cabeça e eu ia me encolhendo, rezando para aquilo tudo acabar.

– E sabe o que vai acontecer agora? – Minha mãe começou, enquanto se aproximava de mim.

– Você vai deixar morrer mais duas pessoas importantes da sua by Text-Enhance\">vida! – Meu pai respondeu.

E então tudo sumiu. Nick não estava mais atrás de mim... Meu pai já não me perturbava mais e minha mãe havia sumido junto dos outros. E quem me dera ter acabado naquilo.

Bem diante de meus olhos vi novamente Dean e Sam sorrindo como sempre fazem quando partimos para outra cidade dentro do Impala. Suspirei aliviada e me levantei.

Dois passos foram os únicos que consegui dar até eles começarem a se contorcer e sangrar por machucado algum. Eles apenas sangravam e iam caindo vagarosamente.

Eu gritei. Pensei que ouvir as vozes de meus familiares fosse ruim, mas assisti-los morrer sem fazer um só barulho foi muito pior. Corri na direção dos dois mas não importava o que eu fizesse... Eles continuavam sangrando e morrendo.

– Por favor! Pare... – Eu pedia para qualquer coisa que estivesse me fazendo assistir aquilo, talvez para mim mesma.

Envolvi meu braço direto no pescoço de um Dean caído e com a mão direita pressionava o peito de Sam ao seu lado. Eu não sabia mais o que fazer.

– Pare! Pare! Pare! – Eu repetia de novo e de novo.

Eu fechei os olhos e mais lágrimas começaram a cair. Sem perceber fui me deitando ao lado dos dois. Entrelacei minhas mãos nas deles e ainda de olhos fechados comecei a dizer para eles... Ou talvez para mim mesma.

– Me perdoem! Eu não posso fazer nada... Eu não consigo! – Exclamei ainda de olhos fechados.

E então eu abri os olhos. Havia um teto dessa vez. Eu não estava deitada no chão e sim numa cama de casal ao lado de Dean Winchester, que acabara de acordar.

– O que foi? – Ele perguntou enquanto levantava, expulsando o sono.

– May? – Sam também acordou.

Comecei a chorar... Eu balançava a cabeça, negando tudo o que tinha visto mas por outro lado feliz por ter sido só um sonho.

– May! – Sam me chamava.

Eu abracei meus joelhos e não conseguia parar de chorar. Dean me estendeu um copo d’água o qual bebi em um gole. Sam havia se sentado ao meu lado e mantinha mão grande e quente em minhas costas.

– Vocês estão bem! – Eu afirmei enquanto tocava o peito de Sam. Nenhum sinal de sangue.

– Eu vou buscar alguma coisa para bebermos – Dean comentou enquanto checava a geladeira do quarto. – Volto logo com uma enorme garrafa de vodka.

Sam não disse uma só palavra desde que Dean saíra, mas também não saiu do meu lado. Aos poucos o cansaço tomou meu corpo e eu fui encostando levemente no corpo de Sam. Ele estava quente.

– Parecia tão real! – Eu disse.

– Foi só um pesadelo. – Sam tentou me confortar.

– Você morria nele. – Eu contei.

– Eu estou aqui agora. Sempre estarei.

– Promete?

Ele não respondeu. Pelo menos não com palavras.

Os lábios dele tocaram os meus gentilmente. Eu me senti leve... Estava nos braços dele e não ele nos meus. Ele estava vivo e saudável. Acariciei a nuca dele em meio ao beijo enquanto seus braços envolviam minha cintura.

Ele me deitou vagarosamente na cama e deslizou o beijo para meu pescoço enquanto eu brincava com seu cabelo. Cada parte do meu corpo tremia e o corpo dele parecia o meu apoio. Cada movimento dele era um comando para o meu.

A mão dele agora apertava minha coxa e seus lábios tinham voltado para os meus.

– Eu prometo! – Ele interrompeu o beijo.

Sorri e dessa vez eu procurei por seus lábios.

Pijama da May — Polyvore