A Substituta
1 Prólogo
Notas iniciais
A Substituta
Prólogo.
Algum tempo atrás...
Chovia...
Chovia como em todos os dias de que recordava em sua vida, o sol nunca havia sorrido ao seu coração.
Estava de mau humor, sua cabeça latejava e tudo que queria era chegar a casa, seus passos ressoavam pelo piso do corredor, o tempo passava e continuava se prestando a isso.
Entenda-se “isso” o fato de sua irmã gêmea ser a pessoa mas detestável no mundo e viver metendo-se em confusões, confusões que era obrigada a resolver.
- Não crie problemas menina, ajude sua irmã, somos as três sozinhas neste mundo, eu já estou velha demais e vocês devem permanecer juntas, devem se ajudar uma a outra em tudo nesta vida.
As palavras faziam parte do discurso diário de sua avó Rita e martelavam persistentes em sua cabeça.
Eram gêmeas, tão idênticas como seria possível duas pessoas nascidas no mesmo planeta e na mesma vida, vantagem essa que sua irmã Renata usufruía constantemente.
Apertou os passos em direção a porta principal, acabava de fazer uma prova de seleção para um cargo de recepcionista em um edifício comercial luxuoso, claro que se obtivesse sucesso a que se daria bem seria sua irmã, a proposito a muito imbecil estava em casa de ressaca e enganara sua avó dizendo que havia comido algo estragado.Como se a única coisa estragada não fossem as noites de farra em que se metia com suas amigas tão irresponsáveis quanto ela própria.
Tinha vinte e cinco anos, trabalhava em um internato para crianças como monitora desde que tinha seus dezoito e nunca pensara em algo mais que poder chegar em casa em paz todos os dias e descansar a cabeça no travesseiro, uma cabeça com uma consciência tão limpa quanto poderia ser, mas sinceramente era dificil!
Seus pais morreram há muito tempo em um acidente de carro, o pouco que haviam deixado, fruto de trabalho árduo tinha evaporado em pouco tempo, sua avó materna embora fosse uma pessoa de coração bom tinha uma forte inclinação a desorganização financeira, ou seja viviam passando sufoco e necessidade.
O que ganhava quase sempre era o que supria a casa, os remédios de sua avó eram caros e mal eram pagos com sua aposentadoria.
Sua irmã que aparentemente havia nascido com a “bunda pra lua”, era um termo nada educado mas a verdade era que tinha muita sorte e sempre apareciam oportunidades, mas não sabia o que Renata planejava para sua vida se as coisas passavam diante de si e lhe escapavam pela mão.
Alias sabia sim o que ela queria, já escutara varias vezes como um mantra...“ Arrumarei um marido rico, viverei uma vida luxuosa, a vida que mereço “
Como se maridos ricos crescessem em arvores e nossas mãos fossem capazes de arrancá-los como frutos maduros!
Ai meu Deus! estava novamente divagando sobre sua vida e reduzira o passo, pensou irritada e apressou-se a alcançar a saída, estava quase alcançando a grande porta envidraçada quando atingiu algo duro e sólido e se estabanou no chão como uma fruta podre!
Mas o quê?...
-Machucou? — uma voz masculina com timbre forte e uma nota de preocupação perguntou.
Por Deus estava no chão! Que tipo de pergunta era essa? Mas nem foi necessário responder, o homem a levantou apoiando suas costas e no momento seguinte estava juntando suas coisas e as dele (bolsa, papeis que levava) espalhadas pelo chão.
-Nao se preocupe...a culpa foi minha... — respondeu vascilante.
-Mentira tinha certeza que o imbecil não tinha olhado por onde anda! nisso acreditava...
-Tentou calçar o sapato e se recompor mas uma dor em seu tornozelo impediu que prosseguisse.
- Puta Madre! Ti hizo dãno? . Resmungou o homem em uma língua “estranha” enquanto se agachava novamente e lhe tocava o pé com sua mão grande.
-Certo era um homem grande! não que ela fosse capaz de avaliar sua altura com exatidão em seus 1,60 m, mas dificilmente esse homem passaria despercebido. Era alto mais de 1.80m, seu cabelo negro parecia rebelde e macio, seu rosto também era belo, tinha um nariz anguloso e seus olhos da cor café eram bem emoldurados por sobrancelhas marcantes...era...
- Desculpe! Quando fico nervoso costumo falar em minha lingua natal- sorriu e os dentes luziram brancos! Nossa como era bonito sorrindo!
- Hãm.. ( certo ficara...tonta) é um estrangeiro?
- Em realidade nasci em Colômbia, mas há muito tempo não vivo lá é apenas ...bom costume falar assim quando fico nervoso. Mas por favor me desculpe te machuquei estava com pressa de chegar ao elevador e te derrubei. Perdonáme sí?
— Não se preocupe também não olhava..., tentou se recompor mais uma vez e o homem lhe segurou o braço apoiando-a... seu toque era... bom não sabia...
- Me deixe ajudá- la por favor... posso levá-la até sua casa ou onde queira ir — declarou enquanto a olhava fixamente. — Não trabalha aqui verdade? Nunca tinha lhe visto antes...
- Eu... — droga esquecera de sua irmã...
- Não... em verdade fui a uma entrevista para o cargo de recepcionista mas já estou atrasada, devo estar em outro lugar por favor não se preocupe, forçou o pé no sapato e fingiu não sentir incomodo. Tentou dar as costas mas o homem novamente a segurou...
- Olhe e não vai ao menos me dizer seu nome... perguntou e seus olhos mais uma vez eram intensos.
- Não sabia como mas se ouviu dizer:
- Renata, me chamo Renata Santa cruz... e afastou-se o mais rápido que pôde.
Era mentira...
Fale com o autor