A Sua Maneira
1 O Cabeludo
– Fran! Vamos logo, garota. – Marcela gritou na porta. – Faz quanto tempo que está se arrumando? E, o que, diabos, tem pra arrumar ai? Nem cabelo você tem!
– Ah meu Deus... Me desculpe – sai, equilibrando no salto alto e arrumando a saia. – Já estou saindo. – fechei a porta do quarto. Por mais que eu não tenha a beleza nos padrões da sociedade, tenho minha dignidade. Gordinha? Sim. Cabelo mega curto? Também. Mal arrumada? Nunca! Estava vestindo uma fantasia super improvisada. Uma meia calça rasgada propositalmente, salto alto, saia pra cima do joelho, e por baixo dela saía um rabinho felpudo e comprido costurado na calcinha. Uma camiseta preta rasgada, e orelhas de gato. Pra terminar, uma pequena coleira com um sininho envolvia meu pescoço; sem contar a maquiagem com os olhos bem marcados.Com uma mão na cintura e a outra para cima, empolguei. – O que achou? – fechei a porta atrás de mim e apertei o botão do elevador. – Miau, miau. – Brincou ela, entrando no elevador, me fazendo rir. – Se eu fosse lesbica, eu te pegava... – deu os ombros, arrumando os cílios postiços, quase grudada no espelho.– Não seja idiota, guria. – continuei rindo. – Mas então... Onde é essa festa? Marcela nunca foi quietinha, e agora que estou solteira, ela está praticamente me arrastando pra todas as festas que ela arruma. Dessa vez, estamos indo para uma festa à fantasia onde vou conhecer meus futuros colegas de escola. Decidi que terminaria o segundo ano com ela, e fui transferida... Provavelmente esse é o último Fim de Semana de férias que temos; e ela decidiu me apresentar para todos que conhece, e assim, eu não me sinto tão deslocada.– Lá perto da Faculdade... – respondeu arrumando a roupa.– Mas que porra você está vestindo?! – indaquei, a medindo.– Benjamin Franklin... – ela respondeu tímida. – Bom, se ele usasse saia, fosse mulher e gorda.No caminho, ela me falou tudo o que podia falar sobre seus amigos. Contou do grupo de Teatro, do Basquete, as Nerds... Tudo o que você possa imaginar. Marcela conhecia todo mundo daquele lugar, e me fez aprender tudo; por exemplo: “A Larissa é a ruiva, ela faz teatro e é doida... Mas a Carol é ruiva de verdade, e faz ginástica”.Assim que chegamos, um grupo de colegas dela vieram nos cumprimentar no portão, alguns elogiaram minha fantasia e meu cabelo; outros nem se importaram com a minha presença. Quando entramos, me deparei com uma rodinha de garotos sentados no chão, vestidos de Beatles; e um deles, que vestia a fantasia do Slash, estava segurando o violão, e tocando “À Sua Maneira” enquanto outro cantava. – Hey, Ma... – a puxei pela manga da camisa. – Quem é aquele vestido de Slash?! – Ah! – ela se apoiou em mim, já com um copo de cerveja na mão. – Aquele é o Roberto. Ele faz teatro. – riu. – O Pessoal do Teatro é estranho, né? – É... – concordei, mesmo tendo parado de ouvir depois de “é o Roberto”. – Ah, vai dar uma volta... Tem doce lá dentro, e eles estão jogando baralho. – voltei a mim, e quando virei para falar com ela, Marcela já tinha desaparecido.Suspirei, entrando na casa. Na copa, eu me servia de Vodca quando uma garota que usava uma peruca azul enorme se aproximou. – Cara, você está muito fofa de gatinho... – sorriu, meio bêbada, e saiu andando. – E é por isso que eu fico em casa jogando videogame. – disse à mim, me jogando no sofá e vendo o pessoal jogar canastra na mesa de centro, todos sentados no chão.Depois de alguns copos, eu estava conversando com um garoto tão bêbado quanto eu; e então, uma barulheira tomou conta da sala, quando os garotos dos Beatlhes e o Slash avulso entraram gargalhando alto. – Hey... Você é a Francinny, né?! – perguntou Roberto, sorrindo, com os olhos escondidos atrás de óculos escuros enormes. – Sim... – disse meio tonta. – Mas me chama de Frans. – sorri, um tanto corada.– Okay... Frans... – Ele deu os ombros, arrumando o violão no colo. – Uma pena, gostei do seu nome. – arrumou algumas cordas do instrumento e passou os dedos por todas as cordas. – Então, me pediram pra vir tocar uma música. – Ah... Não. – gargalhei. – Eu dispenso. – Dispensa nada, teimosa. Fica quieta ai. – brincou, ainda com um sorriso bobo no rosto. – É só um verso, não vai te matar de vergonha; e nem precisa ficar vermelha.Escondi meu rosto entre as mãos, rindo. E então ele começou a cantar...– Are you locked up in a world,that's been planned out for you,are you feeling like a social tool without a use,scream at me until my ears bleed,I'm taking heed just for you (She- Green Day)– Oh Meu deus... – tirei as mãos do rosto, batendo-as na coxa. – Essa música. É minha música favorita. – dei um pequeno chilique. – Quem foi que mandou você tocar essa música?! – Calma... – ele me segurou pelos ombros. – Eu não posso falar. – riu – E tenho que ir embora agora... A gente se esbarra.– A gente se... – não consegui terminar de falar, simplesmente o vi indo fazer bagunça no outro cômodo.XxXxX– Francinny, você demora tanto pra se arrumar que me dá vontade de socar sua cara. – Marcela disse enquanto corríamos para a sala. Subimos quatro andares de escadas e ela me deixou na porta da minha sala. – Boa sorte...
Quando entrei, todos pararam de falar por alguns segundos, e depois se distraíram. A garota da peruca azul estava sentada na primeira cadeira. – Oi! – me segurou – Você é a menina da festa, né? Pode sentar aqui... – ela puxou a cadeira ao seu lado. Ninguém gosta muito de ficar na frente.Dei os ombros, apertando os olhos. Ressaca era uma merda. A primeira coisa que eu fiz depois de sentar, foi olhar pela porta. Na sala da frente, no primeiro lugar, estava Roberto. E cara, o cabelo da fantasia de Slash era REALMENTE o cabelo dele.– Cara, olha que cabelo legal. – cutuquei a menina da peruca. Quando trocamos olhares, ele sorriu, mas o professor de sua sala fechou a porta. Droga...
Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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