A Story
4 História, quando o passado decide bater na porta de sua cabeça.
Notas iniciais
"Nada como uma boa leitura..." *Penso abrindo um sorriso e usando a magia de espaço para guardar o livro que se intitulava: "Os demônios vermelho e preto."*
— Curiosa? *Digo sorrindo olhando para Remilia que estava encarando o livro até segundos antes de desaparecer, então ela afirmou com a cabeça, corando um pouco.* — A história é sobre dois irmãos demônios... o vermelho e o preto, o demônio vermelho queria ser amigo dos humanos, enquanto o preto era totalmente indiferente a eles, se importando somente com o irmão vermelho.
*Tiro meu óculos antes de continuar, tendo a atenção de Remilia.* — O irmão vermelho, ia todos os dias na vila dos humanos, estes porém tinham medo e se escondiam nas casas, mas nenhuma vez tais humanos foram conversar ou ouvir o que esse demônio dizia, então ele voltava para casa triste, mas determinado que no dia seguinte ele iria finalmente mostrar a eles, que não faria mal nenhum, mas... me diga Remilia... Se um demônio assustador, todo vermelho, com chifres chegasse perto de você, você iria fugir dele? *Pergunto com uma risada para a garota.*
*Sua resposta, previsível, era que sim, que claramente iria temer e se esconder do demônio.* — O irmão, o demônio preto, viu que isso continuou por bastante tempo, vendo-o chegar deprimido todos os dias, mas ele não sentia raiva dos humanos, eles não entendiam, não compreendiam, o demônio preto então, em um certo momento resolveu combinar com o irmão, ia fingir atacar o vilarejo para que então, o demônio vermelho pudesse salvar e mostrar que não oferecia perigo. *Dou uma risada malvada, mas com olhos de nostalgia.* — Aceitando a proposta, o irmão vermelho sorriu e disse que havia o melhor irmão do mundo, e juntos foram por a prova o plano que ocorreu perfeitamente, no dia seguinte, o preto pode observar satisfeito que seu irmão estava se divertindo com as crianças dos humanos e que elas não pareciam mais temê-lo, então todos ficaram felizes. *Termino com uma risadinha, e espero um tempo para poder ver a reação de Remilia a minha frente que praticamente me perguntava "E ai?" com a expressão de seu rosto.*
— Então, o irmão demônio preto, percebeu que o demônio vermelho estava passando cada vez mais tempo com os humanos e menos tempo com ele, até que o demônio vermelho não voltou mais. O demônio preto não sabia o que era ódio, não sabia o que era ciúmes, não sabia sobre os sentimentos, apesar de senti-los, então deixou uma carta que dizia: "Por favor, se divirta com seus amigos humanos, se eu continuar aqui, e eles nos virem juntos, eles acabaram achando que você os enganou para conseguir algo, afinal, eles são assim." E sumiu, o irmão vermelho lia a carta com lágrimas nos olhos, mas sem ter o que fazer ou pista para seguir, voltou para os humanos, os quais o consolaram mesmo sem saber sua história ou a do irmão demônio preto. *Então abro um sorriso pronto para pergunta-la o mesmo que foi perguntada a ela, a anos atrás.* — Então Remilia? Você gostaria de ser amiga do demônio vermelho ou do demônio preto? *Pergunto a ela com um sorriso, apesar de já supor a resposta.*
— Do demônio vermelho. Mas... eu não sei o motivo... e você onee-chan? De quem você queria ser amiga?
— Eu? *Pergunto retoricamente, apenas para dar um ar de dramatização.* — Na época que me fizeram essa pergunta, eu respondi de nenhum deles, porém entendia o demônio preto e faria o mesmo que ele. *Dou uma risada para a garota, que havia ficado confusa com a resposta.* — Hoje, porém, acredito que minha resposta difere, iria me tornar amiga do demônio preto. *Respondo a ela com um sorriso, e depois da história, conversamos mais um pouco e ela foi dormir, me deixando com a recordação viva em minha memória.*
—__________________________________________________________
*A última coisa que sentiu, foi um pequeno choque no pescoço onde a marca da lua vermelha já não mais estava presente, e então desmaiou feliz, porque sabia que finalmente sua vida infeliz havia cessado.*
— Kijin?
"Hã? Realmente existe vida após a morte? Se for assim, não era tão ruim." *A sensação era quente e macia, tudo ao meu redor, eu pude sentir que havia uma luz iluminando o local mesmo de olhos fechados, pude perceber também um toque na minha testa, gentil e carregado de emoções que eu não entendia, mas que talvez há muito tempo eu achava ter sentido, então abri os olhos e vi aquele rosto mais uma vez.*
*Olhos verde-água, tão verdes que fazia você imaginar se você estava no meio do oceano, se ficasse encarando por muito tempo, que foi o que fiz quando abri os olhos, aquela imagem era tão impressionante que demorou para notar que eu estava em uma cama, coberta, seca e livre, então quando ele se virou pela primeira vez, olhando agora diretamente para mim, o reflexo de seus olhos se tornaram azuis vivos, ele deu um suspiro e tirou a mão de minha testa.*
— O que ce vai fazer comigo? *Pergunto sem medo, e com uma grande repulsa no olhar, aquilo era bom demais para ser verdade, tinha alguma coisa extremamente errada ali e então sorriu, maldosamente.* "Ele vai me usar para fazer experimentos? Alguma coisa sobre roubar minha magia? Me torturar ou abusar de mim?" *Com meus pensamentos a mil por hora, ele colocou a mão na cabeça com se sentisse dor e sorriu, e quando o fez seus longos cabelos grisalhos balançaram saindo de trás da orelha e indo em direção ao rosto, que mesmo com a cabeça doendo, mostrava um sorriso.*
— Não farei nada disso que você pensou. *Ele me diz, com outra risada e tentando aproximar novamente a mão de mim, que o afasto rapidamente com a gravidade e ainda o olhando com grande aversão.*
— Como que ce sabe o que eu pensei? Você tem alguma magia de ler mentes? *Pergunto astutamente, com um tom irritado, soltando uma risada de deboche, e deixando um sorriso de quem não se sentia nenhum pouco amedrontada, apesar de que por dentro temia por sua vida.*
— Ler mentes é uma frase para aqueles que não entendem o poder que as palavras exercem sobre nossas mentes e almas. Eu, não possuo tal força, no entanto, lhe garanto que suas emoções são como um livro aberto. *Ele suspirou a fastando a mão, levantando e encostando em seu próprio braço, fazendo alguns simbolos rosas aparecerem em volta de seu ante-braço, um pouco depois o mesmo aconteceu comigo, e novamente aqueles sentimentos passaram com força para mim, mesmo eu não sabendo o que eram, eu percebi que já os senti antes.*
— O que ce tá fazendo? Tá loco é velho? *Dessa vez assustada e me afastando um pouco, eu comecei a suar, mas meu sorriso continuou no rosto, dessa vez apresentando apreensão.* — Para com isso! Se for me bater me bata logo, me jogue em algum lugar, se for para me obrigar a fazer alguma coisa me diga logo o que eu tenho que fazer. O que quer que eu faça? *Digo abrindo um sorriso sádico.* — Sei fazer muitas coisas, eu posso ser útil! "Eu tenho que garantir minha sobrevivência..." — O que você quer que eu faça? Mate alguém? Torture alguém para ele falar? Eu... eu... sei cozinhar também... sei limpar, posso fazer tudo que você quiser. *Digo com um sorriso confiante, porém com o desespero a bater em mim.*
— Surpreendente, eu leio algo como uma mistura de desespero e determinação para viver. Pequena Kijin, você teme a morte? *Ignorando minhas perguntas ele voltou a se sentar na cadeira, pegando o longo rabo de cavalo preso em um elástico e colocando para frente que iam até o quadril, seu olhar porém parecia ver direto tudo o que eu estava sentindo.*
*Dou uma risada.* — Medo da morte? *Então, sem me conter eu acabo gargalhando com aquela piada.* — Não, eu apenas quero viver o suficiente para ver o sofrimento das pessoas, tipo aqueles garotos de rua que me maltrataram. *Dou uma risada.* — Aposto que a cabeça deles foi um belo presente para as familias, as familias inclusive foram um ótimo presente para mim, os livros e as informações... Pena que eu não podia ficar nas casas depois de liquida-los, eu iria acabar sendo pega. *Eu não sabia o que estava acontecendo, mas eu não tinha medo da morte, não tinha medo de dizer a esse homem exatamente o tipo de pessoa que eu era.*
— Assim que eu tiver uma chance, eu também irei te matar, assim como fiz com as centenas de moradores de magnólia, você já ouviu alguma vez? *Pergunto a ele, enquanto ele continuava me olhando, dessa vez sem o sorriso idiota em sua boca, e feliz de o estar afetando, continuei.* — O grito de uma mãe, ao ver seu bebê de apenas dois meses ser desemembrado? Não é preciso muita força na gravidade... basta pressionar alguns pontos... *A medida que ia dizendo minha boca ia formando um sorriso mais sádico de saborear as lembranças que a cena me proporcionava.* — E... (Crack) *Estalo meus dedos tentando mostrar o quão fácil era.* — Era uma bela visão, outra que me recordo bem, era ter convencido o irmão mais novo de um dos garotos que me batiam, para perto de um rio, e quando o garoto em questão chegava, eu apenas... *Dou uma pausa dramatica, piscando para o rapaz, lambendo os lábios e sorrindo.* — O pendurava deixando a cabeça submerssa, enquanto ria. *E então ri.* — E ria. *Então ri mais uma vez.* — E ria, da tentativa do garoto de tentar se aproximar, enquanto eu o afastava com a gravidade. E é claro... *Abri minhas pupilas, porque conseguia ver a cena passando diante de seus olhos, porque não foi há muitos dias atrás.* — Convence-lo a se matar da forma mais dolorida possível, era algo extremamente fácil, uma vez que crianças são fácilmente manipuláveis, não é mesmo? "E como eram... eram também meus brinquedos favoritos, como aquelas bonecas de pano, mas na vida real, não tinha como costurar de volta e a espuma era apenas mais uma aula prática de anatomia."
* O velho então se levantou e colocou novamente a mão em minha testa, eu não temi o que ia acontecer, mas mesmo assim aquilo me causou uma estranha sensação de revolta.* — Tira a mão de mim! Seu velho nojento. *Digo com uma risada debochada.* — Iai? Quando que vai finalmente perder a paciência? Eu matei crianças, eu matei bebês, eu matei grávidas perfurando sua barriga e amassando o feto, e eu gosto disso. *Digo para ele com uma risada de quem realmente gostava do que fazia.* — Eu gosto de ouvir as vozes, eu gosto de pisar nos corpos, o vermelho que tinge a parede, e o preto da escuridão por estar sozinha sem ninguém, completamente livre! *Dou outra gargalhada.* — Você, alguém de bem, tem o dever de me odiar não é? Tem o dever de me prender para que eu pare de fazer essas coisas. Pois se deu mal vovô, um dia, eu vou fugir daqui, como fugi daquela maldita cidade, e quando eu o fizer irei para outra cidade matar mais pessoas, torturar mais crianças e me deliciar ouvindo o som de seus gritos. Que foi? *Digo em tom provocativo, me levantando cama, e o olhando com repulsa.* — É Hipocrita ao ponto de me tratar como criança após tudo isso? Vai me dizer que eu tenho conserto? Vai... *Então, agora que estava de pé, podia ver ao redor, estava em um quarto pequeno, não havia nada além da cama, um banco onde o velho estava sentado, um guarda roupa, um espelho e um tapete azul estampado no chão, havia também uma escrivaninha cheio de livros empilhados, porém o que havia me chamado atenção naquilo era o tigre de pelúcia que estava escorado do lado do banco de Vangar.*
— Isso ai é um tigre de pelúcia? *Pergunto com meus olhos brilhando, apontando para o tigre e fechando e abrindo as mãos.* — Mas... mas será que algo tão fofo assim, merece ser tocado por alguém como eu? *O que era para ser meu pensamento, escapou, mas eu nem liguei.* — Ei! Ei! Eu posso pegar? Eu posso pegar? *Digo chamando a atenção do velho.* — As lojas que eu assaltei, tinham alarme, e eu sempre acabava sujando os bixinhos de sangue dos policiais ou dos donos do estabelecimento. *Digo com uma vozinha fraca,* — E o sangue não deixava eles mais fofinhos, quando eu tentava tirar ou lavar, acabava piorando, isso é até eu aprender como realmente lava, ao ler aquele negocinho que fica atrás deles explicando. *Digo novamente em uma vozinha fraca e pedinte.* — Eu acabava jogando fora ou usando de travesseiro e coberta para dormir, mas como eles eram estranho, eu acabava em algum momento os jogando fora. *Digo para ele porque eu precisava de explicar o motivo de não ter nenhum.* — Então! Então! Você pode me emprestar, eim? Eim? *Pergunto novamente.* — Eu normalmente te mataria e ficaria para mim, mas eu já percebi que você é bem mais forte que eu, quando estavamos na rua ontem. Então eu posso?
— Eu gostaria de lhe informar que meu nome é Vangar, e não velho como está me chamando. *Disse ele em tom sério, porém abrindo novamente um sorriso, apesar de ter os olhos marejados e uma expressão trêmula, pude perceber que suas mãos pareciam estar tremendo violentamente contra sua própria perna.* — E sim, claramente, se for de seu gosto, poderá ficar com o tigre, todavia, há é claro uma condição que deve ser respeitada para tal acontecimento. Você irá morar aqui, comigo, obedecendo toda e qualquer ordem que eu lhe dar, até você por desejo próprio querer ir embora.
*Como eu não ligava para o que ele falava, apenas aceitei já usando a gravidade para apanhar o tigre, abraça-lo e começar a rolar com ele na cama.* — Você vai se chamar Taigar! E... e... eu sou a Kijin! Kijin Tenjigo, sua nova melhor amiga!
— Prazer Kijin! Que nome legal que você me deu!
*Taigar parecia ter respondido em uma voz de criança feminina, o que certamente era impossível, então olhei para Vangar ou quem quer que seja.* — Deixa de ser imbecil. Olha a minha idade para eu acreditar que um bixo de pelúcia fala. *Respondo a ele diretamente, e volto a brincar com Taigar sem esperar resposta ou ver sua expressão.*
*Vangar se levantou, e quando o fez eu pude perceber que algo branco parecido com uma nuvem com um grande rabinho o rodeava.* — Oh ho! *Diz ele com uma leve surpresa na voz.* — Parece, então que você é do tipo intelectual. Gostaria de ouvir uma história?
— Não. *Respondo a ele, enquanto continuava a brincar com o tigre de pelúcia.*
— Então me perdõe, eu irei contar mesmo assim, caso se interessar o livro estará na biblioteca da casa, poderá ir visita-la quando quiser. No entanto, as portas e janelas estarão trancadas e com selos anti-mágicos, bem assim como as paredes, não há como você fugir.
— E por que eu fugiria? *Pergunto com uma voz irritada.* — Você fala bonito vovô, mas não é tão esperto. Eu disse que te obedeceria, bastava dizer apenas para eu não fugir. *Digo brincando com o tigre e soltando uma risadinha.* — Ele é idiota assim mesmo Taigar? É? É?
*O velho então suspirou.* — Muito bem, eu gostaria que você me chamasse de Vangar e seria um grande favor a mim se você não tentasse fugir dessa casa, e enquanto estiver sobre minha tutela, não matasse ninguém.
— Se for um favor, eu não tenho obrigação nenhuma de obedecer, ou você me dá uma ordem, ou eu apenas irei ignorar essa sua imbecilidade, e a primeira pessoa que pisar nessa casa e você não perceber, será morta e essa parede amarela, será tingida de vermelha, e você vai acabar tendo que limpar o corpo depois também. *Digo mexendo nas patinhas do tigre e apertando os dentinhos que saia para fora, corando e sorrindo.*
— Isso com certeza seria ruim. *Ele diz novamente sério.* — Caso isso aconteça, não poderei lhe acobertar novamente, e você ficará longe de Taigar, os membros do conselho irão adentrar o local e acabarão por lhe encontrar, e então irão te levar para a prisão. Você não quer isso... quer?
— Se eu ligasse para isso eu não teria matado o tanto de gente que eu matei só por diversão, se é esse o argumento que você tem para se manter bonzinho sem querer mandar em mim, e tentar ganhar minha confiança, pode desistir, se meus próprios pai e mãe me traíram porque eu confiaria em você? E Que droga é essa? *Digo mostrando o pulso com os simbolos rosas.* — Que merda é essa que tá me fazendo sentir estranha? *Pergunto abraçando Taigar, e o olhando curiosa.*
— Antes, permita-me e mesmo se não me permitir, irei lhe contar a história. Se chama: "Os irmãos demônio."
—__________________________________________________________
— Onee-chan! Onee-chan! *Dizia uma voz, barulhenta e fina, porém agradável de se ouvir.* — Chegamos. *Então abri meus olhos, a olhando curiosa, e dando um peteleco na garota.* — Não precisa gritar assim Remi, eu já acordei. *Digo com uma risada me levantando, vendo o local, onde eu havia decidido começar a minha carreira de cantora.* — Vamos então Remi... uma nova jornada nos aguarda. *Sorrio para garota, a puxando para fora do trem, com um grande sorriso no rosto.*
Fale com o autor