A Story

6 As ordens e regras impostas são idiotas, não acha?


Notas iniciais
Bem, faz um tempo desde a última vez que escrevi com a personagem. Ela é uma personagem que a mínima menção dela, me faz ter saudades, é estranho, pode parecer dramático, mas a minha sensação desde de o dia que fui forçado a não mais usa-la, é como se tivesse perdido algo muito precioso, algo que eu queria ter de volta. Antes de começar a escrever eu sempre pensei que essa coisa de se ligar a personagens era algo infantil e besta, agora vejo que são como um grande trabalho, modelado aos poucos, criando vida dentro de você, criando um mundo, um universo centralizado neles. Algo que todos nós sabemos não é possível na vida real, apesar de que sim somos os protagonistas de nossas próprias vidas, porém ao ver um contexto global, somos apenas o cenário.

— Heh... Então eu realmente morri da maneira mais tosca possível naquele mundo Patchy? *Pergunto a ela, com um sorrisinho um pouco envergonhado, mas achando graça de mim mesma, porque foi ridículo, sempre vai ser e sempre será.*

— É. Mas não é como se aquelas regras e leis a parassem não é. Não. Nós duas sabemos muito bem que não.

— Buracos Negros... *Rio.* Quem iria imaginar que minha magia iria se manifestar dessa forma e você ao tentar me fazer voltar, viria para o mesmo lugar que eu. *Pegando um livro qualquer e jogando para ela.* — Eu espero que a gênia toda poderosa, consiga desvendar esse mistério.

É... eu e Patchy estávamos vivas. Bem, não no outro mundo, nosso corpo foi realmente destruído, a minha morte injusta, e os experimentos mal sucedidos de Patchy, já ouviram falar em uma teoria onde um buraco negro aparece em dois lugares ao mesmo tempo, conectado pelo espaço e tempo? Então? Nem eu. Patchy que me disse sobre ela assim que chegou, o que não faz nem minutos, e ela... pareceu extremamente aliviada por estar em minha presença, por pelo menos alguns segundos, depois pegou um livro e começou a ler, mas pelo que parece, tanto eu, quanto Patchy tomamos o lugar da "Kijin" e da "Patchouli" desse novo mundo.

— Bem, meus poderes continuam inteiros e... *Sentindo uma força elétrica e sombria, assim como todos os pedaços da lança que possuía em meu espaço alternativo.* — Sabe, eu acho que essa coisa de magia espacial e gravitacional devem ter algo com isso, toda essa coisa de alma, a gente só vê em filme, aquela coisa de não querer morrer de jeito nenhum e por um milagre acabamos vivas? Mas... *Olhando novamente ao redor e me vendo rodeada de livros.* — Nós matamos as nossas personificações de outro universo?

— É. *Patchy diz sem realmente olhar para mim e virando a página.* — Como você mesmo diz, antes elas do que a gente. Apesar de ser uma contradição por elas serem a gente, no fundo, no fundo, são pessoas diferentes, viveram coisas diferentes, então podemos afirmar que nós não somos elas. *Ela então fechou o livro, sorriu e me abraçou, começando a chorar.*

— Ei... isso é maldade Patchy... *Começando a abraçar forte também.* — Você sabe que eu... *Escondendo meu rosto no ombro da garota.* — Você sabe que eu não posso chorar, eu... eu... sou a Kijin... eu não sou de chorar. *Forçando meu rosto e me forçando a não deixar uma lágrima cair.*

— Boba. Chorar não te deixa mais fraca. Te deixa cada vez mais forte, para que quando alguém chorar na sua frente, você saber exatamente o que fazer.

*Eu sorri, a garota era bem mais nova, mas era também bem mais sábia, afinal em todos esses anos que convivi com as pessoas, eu aprendi a sentir emoções que nunca pensei que sentiria, eu aprendi a amar, e a perdoar, eu fiz amigos, amigas, namorei...* — Eu... eu... eu não queria morrer Patchy.

*Eu tinha certeza que ela estava sorrindo.* — Isso. Você pode ser você mesma comigo Kijin. Eu também não queria que você tivesse morrido, minha única amiga, minha única obsessão me fez ir pelo mesmo caminho que você e cá estou, mais importante que tudo para mim é estar ao seu lado. Por isso, diga Kijin, pode não ser tão importante para mim, posso nunca chegar a entender essas relações, esses sentimentos que tanto fala, mas como viu, eu estarei sempre ao seu lado.

*Jogo a lança no chão irritada, e fecho os punhos socando o chão ainda chorando no ombro da garota.* — Eu queria passar mais tempo com a Roxy, e eu não tive tempo nem de fazer as pazes com a Kayles, e o mestre? Depois de eu ter descoberto aquilo? E Danny? E minha irmãzinha? Valshe? O pessoal da Sabertooth, da BP, da FT? MINHA SUKUNA?! Droga...! DROGA! DROGA! EU QUERO ESTAR COM TODO MUNDO DE NOVO! *Gritei, e a voz ecoou pela biblioteca vazia, com apenas a garota presa no castelo de livros me consolando.*

— Eu sinto saudades. Quantas vezes eu já chorei nessa biblioteca sozinha com medo de ir lá fora. EU NÃO SOU DE SENTIR MEDO, DE NÃO ENFRENTA-LO! *Grito exasperada novamente.* — E mesmo assim fiquei aqui, presa, presa comigo mesma tendo esses pensamentos, do que fazer, do que tentar, de mim mesmo... DE MIM MESMO! Sabe... medo de mim mesma? Eu nunca tive... sério... eu nunca tive medo de mim mesma... sempre confiante, sorridente, cadê meu sorriso? CADÊ? Minha marca? Não existe mais, não fui capaz de dar um sorriso verdadeiro desde que cheguei aqui, preocupada com o que aconteceu com os outros, querendo fazer alguma coisa, mas com medo de me machucar, de procurar, de achar um meio de voltar e descobrir... e descobrir que não precisam de mim, que eu não fui nada além de mais uma... *Comento socando o chão de novo.* — DESDE QUANDO EU ME TORNEI ALGUÉM TÃO FRACA PRA ME PREOCUPAR COM ESSE TIPO DE BESTEIRA?! *Grito novamente do fundo da minha garganta, querendo tirar aquilo tudo de mim.* — Eu pensei em me vingar, em destruir tudo pois estavam sem mim e provavelmente continuaram a vidinha deles, eu pensei em acabar com eles, e ah, eu tinha como, se eu vim pra cá por causa da minha magia com certeza, nem que levasse anos eu descobriria uma forma de voltar e acabar com todos eles. *E então um sorriso sádico apareceu no meu rosto.* — E eu iria acabar com a paz deles, iris destruir um a um, jogar toda aquela merda em um caos interminável. Mas ai... Sukuna... ela me aparece na mente toda vez que algum pensamento ruim me contamina... Ela... *Colocando a mão na minha cabeça e sentindo falta da boneca no lugar que ela sempre ficava.* — Ela sempre me guiava pelo caminho certo quando eu desandava. Participava de cada peça que eu fazia, mesmo não concordando, ou deixando ser enganada para agir como uma parceira. *Comento me sentando porque não havia percebido que havia levantado.* — Desde quando... Patchy... desde quando eu sou uma pessoa tão fraca que eu dependo de uma memória de uma boneca para conseguir me vencer, para conseguir me controlar? Eu não sou mais aquela garota que era antes. Eu não me reconheço mais Patchy. Já fazia um bom tempo que eu sabia que era fraca, mas esse tempo que eu estou aqui, é a primeira vez que eu me sinto tão... vulnerável, tão impotente, de forma que só de imaginar o sol lá de fora, se tudo for igual, se estivermos em algo como o futuro de um universo alternativo... como eu posso... como que... eu... eu... eu não sei o que fazer Patchy. Eu estou perdida, estou com medo, fraca, sem nada.

*Uma das coisas que eu não esperava aconteceu, um tapa, e meu senhor, que tapa...* — Kijin, eu aceitei tudo o que você disse, não concordo com a maioria, mas a última realmente me irritou. *Apesar dela não parecer nada irritada.*

*Dou um sorrisinho.* — Foi mal. Sério, você é, minha melhor amiga Patchy.

— Assim é melhor. Bem. Se você sente dessa forma... fique aqui para sempre. Com a minha magia posso criar criaturas para nos trazerem comida e faze-los trabalhar na livraria, para alguém que havia deixado uma casa e tudo que possuía para mim, acho que te bancar não é algo tão complicado se fizermos um pouquinho de esforço a mais.

*A ideia parecia intensamente tentadora. E é claro que eu ia aceitar, mas antes que eu pudesse aceitar a proposta, eu levei outro tapa.*

— Ei! Eu sei que a reunião entre a gente depois de tanto tempo é algo para se comemorar mas... *inflando a têmpora brava.* — Eu ainda posso te dar uns belos cascudos. *Mais um tapa.* — AHHHHHHHHHHH!!! POR QUE? VOCÊ TÁ ME ESTAPEANDO?!

Patchy então levantou o dedo indicador. Antes de começar a falar.

— Primeiro. Você não é, e nunca vai ser alguém a se contentar num lugar fechado como esse, você pode achar que mudou o quanto quiser, que você ainda vai querer sair daqui por te lembrar em algum momento aquela prisão que você ficou na sua infância. Segundo. *E ela levantou outro dedo.* — Eu disse como uma isca imaginando que você ia perceber meu intento, a Kijin que eu conheço não ia cair numa armadilha tão idiota quanto essa, ainda mais por você conseguir me ler, o que me leva ao três. *Levantando o anelar.* — Você me leu e mesmo assim resolveu ir com a minha ideia, você nunca foi de se deixar levar pela ideia dos outros a não ser que achasse ela a melhor forma de se resolver o problema. Quatro. É bom para variar seus apertos de bochechas e as vezes que você indecentemente usava sua magia de espaço para pegar minha calcinha e jogar nos visitantes!

— Ah sim... Bons tempos... *Digo saudosa, e dando uma risada, percebendo um pouco depois que dessa vez meu sorriso foi natural.* — É. Você tem razão nisso tudo. *Então levo outro tapa do nada, revidando um soco no meio da fuça da garota.*

— Pronto. Isso é mais a Kijin que eu conheço. *Patchy sorri, se curando com a magia de Archive que tinha.* — Eu ia te dizer que novamente você está se deixando levar, mas parece que não, então você realmente concorda comigo?

— Hunf! Hunf! Não é como se eu tivesse concordando inteiramente com você! Eu acho que sim você tem razão em tudo o que disse, mas ainda falta coisas. Coisas de extrema importância.

— Que são?

— Você não conhece mais tudo sobre mim. Pelo menos o tempo que fui para Extalia, e o tempo que fiquei nessa biblioteca, mudaram muita coisa em mim.

— Você continua a mesma tsundere, revoltada e carente que se esconde atrás de uma máscara forte e machona que zomba dos outros mas no final tem um coração de donzela e se derrete num beijinho.

— É... quem te ensinou a falar desse jeito? *Pergunto surpresa, porque nunca havia visto a garota falar desse jeito antes.*

— Lunevoir. Ela me mostrou alguns livros que eu nunca havia visto. Bem informativos. A maioria era da sua própria autoria, então, não é como se eu tivesse como ler, os demais são livros um pouco difíceis para uma garota como eu colocar as mãos.

*Facepalm.* — Droga Lune. *Lembrando da entrevista que deu a muito tempo atrás.*

— Ué? Não vai negar? *Ela perguntou vendo que eu estava parada por um tempo perdida nos meus pensamentos.* — Segundo a Lune. *Pegando o livro novamente e lendo.* — "Ao dizer isso para ela, ela irá gritar dizendo que tsundere é a mãe da Roxanna aquela raposa de nove caudas flamejantes, que revoltado é o Akisha porque não pode bater uma(Mentira, isso é algo que eu diria.), e carente é a Kayles que ainda não achou um macho Alpha malvado pra ela e depois ia me perguntar com quem eu aprendi essa linguagem.

*Pegando o livro e jogando na perdição do espaço dimensional que eu possuo.* — E isso ela previu?

— Segundo as palavras dela: "Se ela ver você lendo meu livro, ela irá pega-lo e dependendo do nível de raiva que a informação a proporcionou, ela pode estraçalhar com a lança, somente tomar da sua mão, ou esconder no espaço dimensional dela, em ordem da mais nervosa para a mais calma."

— Eu odeio ela. Mas enfim... não. Eu percebi que sou sim alguém carente e que escondo meu verdadeiro eu dos outros, e vou continuar assim. *Sorrio, novamente de maneira natural, coisa que me assustou.*

— Você não está entendendo né Kijin, o porquê de você está conseguindo sorrir assim? Tá meio estampado na sua cara a confusão. Quer que eu te explique o motivo? É bem simples.

*Olho para ela confusa, procurando por respostas.*

— É porque você sempre foi sozinha. Veio para esse local após perder tudo que havia conquistado de uma maneira que como você mesmo disse injusta, e ficou sozinha aqui, e agora, você não está mais sozinha, você tem a mim novamente. Posso não ser uma Sukuna, mas ainda assim...

*Eu a abracei, porque a luz realmente veio a minha cabeça, desde que ela havia chegado, eu estava mais leve, mais alegre, e tudo que deixei sair foi o que estava preso dentro de mim desde que cheguei aqui. É tão simples, tão fácil de entender.*

— Ei Patchy, eu quero, mudar minha aparência para mais jovem. Quero que você bole uma excelente backstory para mim, para que eu infiltre nesse mundo. Porque nós iremos voltar para o outro! *Digo confiante novamente com um grande sorriso malvado no rosto.*

— Eu vou descobrir as regras e a leis desse mundo. Eu irei destruí-las e irei mostrar que o lamento da minha alma vai ser algo que ninguém jamais deverá esquecer, porque ele é a minha fraqueza e a minha força. Minha alma de tigre, vai mostrar as presas novamente e...

— Tá... tá... chega do discurso motivacional. *Ela disse no meio da minha fala.* — Você vai ser uma loira, criança, com a mesma personalidade que tem agora, porque apesar de saber fingir bem, não quero que tenha mais trabalho, terá basicamente a mesma backstory, mas ao invés de ser salva por Vangar, será salvo por Ernest Kunieda o mestre da ST desse mundo, e é apaixonadinha pelo garoto da mesma guilda que possui umas 4 garotas que também são apaixonadas por ele. Que tal?

— Que tal eu não estar apaixonada? *Pergunto dando uma risada para a garota, porque não ia ser forçada a agir apaixonada, depois do que aconteceu com Danny.*

— Nah, eu acho você fofa quando está apaixonada. *Ela comentou virando a página de outro livro.* — Bem, vai demorar um pouco para eu entrar na cabeça de todo mundo do continente e modificar as memórias deles, então por enquanto você vai ficar aqui, me fazendo cafuné, e organizando os livros que eu deixo pelo chão e tomando chá comigo.

*Abro um sorrisinho brincalhão.* — E porquê você acha que eu te obedeceria?

— Porque você me deve uma. E a Kijin não é de dever alguém e não pagar.

— Verdade... verdade... mas o preço tá alto, abaixa isso ai pra ficar igualitário, eu pago o que devo, e isso tá me parecendo estar com um preço bem maior.

— Bem, quem decide o tamanho da dívida sou eu. E eu digo que é isso e pronto. *Vendo ela sorrindo novamente e caindo alguma lágrimas do olho dela.* — Você vai me deixar aqui, viver a sua vida e ficar me visitando de vez em quando, para alguém que iria ficar com você o tempo todo e que queria isso, acho que é uma dívida bem grande.

*Corei ao ouvir ela falar e então murmurei.* — Você fica apelando pro meu emocional, sabendo que eu não consigo dizer não nem pra você nem para a Sukuna.

— É. Parafraseando a Lune, garotas são perigosas, você nunca vai saber o que estamos pensando, e no final, vai acabar apenas dançando nas nossas mãos cheias de creminho pra pele.

— Mas eu também sou uma garota.

— É, mas seu lado macho é mais forte que o meu, o que faz seu lado feminino ser mais fraco que o meu.

*Dou um suspiro e dou outra risada.* — Antes de sair daqui, eu vou pegar todos os livros da Lune. Ela é uma má influência enorme para você.

Notas finais
Bem é isso... posso até dizer que me aliviou isso também. Obrigado para quem teve saco pra ler.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.