A Sombra do Colosso

4 Capítulo III - Sono Perturbado


Lá estava eu, novamente, afundado na escuridão. Mesmo desmaiado, pude sentir duas pessoas em pé, me observando. De repente, senti tudo ao meu redor começar a tremer. Escutei um estrondo bem forte, e então, as duas presenças que antes sentia, desapareceram.

Consegui me levantar. Estava, novamente, de volta ao Santuário. Olhei para meus braços e perna, em busca das feridas que tive na luta, e não os encontrei. Eles... se curaram?

Diferente da última vez, o ídolo do segundo Colosso se destruiu antes de me despertar. Olhei para o teto, de onde Dormin se preparou para falar.

– Teu Próximo adversário é... A Copa gigante sobe aos céus. A ira do gigante adormecido abala a terra.

Ele então, se calou. Pude observar, desta vez, Dois Pombos sobrevoando pelo templo. Assoviei para Agro, até que a mesma subiu as escadas do templo, e veio até mim. Subi sobre ela, e então, cavalguei para o solo. Ao levantar minha espada, os feixes de Luz apontaram para o Sul, na mesma direção do Colosso anterior.

Dei a volta pelo Castelo, e campeei até a Ponte Terrestre, onde o mesmo falcão pareceu me seguir até os dois estranhos pilares. Cavalgando sobre a Ponte Terrestre, pude ver a Praia onde derrotei o Colosso anterior.

Havia algo de muito estranho. A Criatura estava caída, e, ao meu ver, petrificada. Na hora, acelerei Agro, e virei à rampa que descia até o local. O Colosso estava um tanto que afundado na areia, e pequenos brotos germinavam de si.

– O que é isso...?

De repente, me lembrei de que instantes antes de quando caí do Colosso, pude ver seu corpo se escurecendo, à medida que suas essências iam saindo de seu corpo. Sem suas essências... eles viram meros pedregulhos...

Deixei isso de lado, e monte em Agro. Subi toda a rampa novamente, e desta vez, escolhi o caminho que me levava mais ao Sul das Terras. Levantei minha espada novamente, e os feixes de Luz indicaram uma Fenda em uma montanha. O chão começara a ficar arenoso.

Cavalguei até ela. Quanto mais adentro, a neblina ficava mais densa. Passei por baixo de uma espécie de tronco, e segundos depois, cheguei até a beira de um Lago, com uma construção em forma de Pandeiro no alto, com uma Subida em Rampa. Haviam algumas árvores secas, e o solo era rochoso.

Me aproximei da água, porém, Agro não sabia nadar.

– Fique aqui, Agro... – disse, enquanto acariciava seu focinho.

Coloquei meu pé na água. Não muito, mas estava gelada. Logo, entrei totalmente, deixando apenas minha cabeça para fora. Respirei fundo, e mergulhei, nadando em direção à Rampa. No caminho, ia pensando.

Agro não era capaz de escalar aqueles obstáculos, no primeiro dos Colossos. Não pôde ter sido ela que me levou de volta ao Santuário, então... como eu voltei?

Cheguei até a rampa. Ela parecia descer até abaixo da água. Me mexi um pouco, para tirar o excesso de água do corpo, e comecei a subir. Alguns metros acima, a rampa terminou. Um pouco a frente, havia uma plataforma, onde poderia me segurar, para saltar até a o “pandeiro”.

Pulei e tentei me pendurar. Porém, ainda estava molhado, e minhas mãos escorregaram, fazendo-me sentir a angústia de uma Queda-Livre de 40 metros na água. Porém, estendi meu corpo para baixo, e com as mãos para frente, não me machuquei ao cair na água.

Merda...!

Nadei de volta à rampa, e subi até o topo. Desta vez, chacoalhei ao máximo minhas mãos, e me preparei. Respirei fundo, e então, pulei. O salto foi um sucesso, consegui me pendurar. Logo, dei um salto para trás, e me agarrei nas plataformas laterais da Arena.

Havia um lance de escadas mais à frente, e tive que pular um obstáculo. Ao subir os degraus, me deparei com uma Arena arredondada, com um pequeno círculo de pedra no chão, e um tipo de estátua de pedra caída. De repente, a tal estátua começou a se mexer.

“Gigante Adormecido”, não é, Dormin? – me lembrei de suas palavras.

Era um Colosso, de forma humana. Seu corpo era cheio de pedaços de pedras, que formavam armaduras. Sua mão direita era presa a um tipo de espada retangular de pedra, e sua mão esquerda, era cheia de pedaços pequenos de pedra.

Aquele era um pouquinho menor que o anterior, tinha uns 29 metros. Enquanto o observava, ele impulsionou sua espada para trás, preparando um ataque. Corri para o lado, fazendo acertar o chão. O impacto me fez perder o equilíbrio, e tropeçar para o lado.

Enquanto estava caído, percebi que o Colosso demorou cerca de seis segundos para desprender a espada da terra. Tive uma ideia... – pensei. Peguei meu arco, e disparei algumas flechas, chamando sua atenção à minha direção. Se eu escalar a espada dele, talvez consiga subir pelo seu braço... – era a minha ideia.

Ele se virou, e olhou para mim, era a hora de efetuar o golpe novamente. Porém, o movimento que fez com sua espada foi diferente. O Colosso estava prestes a efetuar um golpe Vertical, subindo a espada, e a batendo no chão com sua ponta. O impacto me fez capotar por alguns metros.

– Droga...! Porque não me golpeou igual àquela vez?!

A criatura se virou, e olhou para mim. Me levantei rapidamente, e levantei minha espada. Os feixes de luz indicaram que seus Pontos Vitais ficavam em sua Cabeça e em seu abdômen. Igual ao anterior, esse tem dois pontos para atacar... Mas como?!

O Colosso dava passos pequenos, mas rápidos. Em alguns segundos, ele já estava diante de mim. Se ele me atacar com a espada daquele jeito de novo, eu tento escala-la...! – pensava. E foi isso que ele fez. Ele novamente efetuou o ataque Vertical com sua espada. Ao choca-la contra o chão, desviei e tentei, de alguma maneira, subir nela. Consegui me pendurar na ponta. Porém, ela estava muito íngreme para escalar, e não haviam outros pontos para se agarrar.

O Colosso chacoalhou fortemente a espada, fazendo-me cair de uma altura de pouco menos que 10 metros. Caí em cima de meu braço direito, fazendo a espada cair há alguns metros de distância, e deslocando meu cotovelo.

– Argh...!

A criatura lentamente levantou seu pé direito. Ao joga-lo com toda a força ao chão, o Impacto me jogou longe, chocando-me com o círculo de pedra. Não... A Espada...! – ela tinha ficado lá. O Colosso olhou novamente para mim, com seus olhos azuis. De repente, eles ficaram vermelhos.

A criatura impulsionou sua espada para trás. Era o que queria desde o começo, porém, eu estava caído no chão, e havia machucado a perna esquerda, pois a bati na pedra.

Então esse... é o fim...?

O Colosso movimentava a espada lentamente. De repente, escutei a voz de Dormin, ecoando pelo local.

– A Armadura que ele veste parece frágil...

Em um piscar de olhos, tive uma ideia. E junto da ideia, retomei minhas forças, e desviei para o lado. A criatura socou sua Espada no círculo de pedra, e com o impacto, fez quebrar partes de sua armadura, dentre elas, uma que abria caminho em seu braço direito.

– É agora...!

Meu pé ainda estava machucado, mas conseguia andar. Corri, e peguei a espada, que estava a alguns metros de distância. Tentei manuseá-la com o braço esquerdo, pois havia descolado o direito. Quando olhei para o Colosso, ele estava preparando mais um golpe.

Desviei, e então, a espada se prendeu à Terra. Corri, e me prendi a ela. Ele a chacoalhou bastante, porém, consegui me manter em pé. Corri para seu braço, e passei pelo caminho aberto. O Anel de Pedra em seu braço não se quebrou totalmente, permitindo-me ficar em pé nele.

Contei até três mentalmente, e pulei em sua barriga. Me agarrei com sucesso. Havia uma plataforma em seu abdômen, que também me permitia ficar de pé. O Selo Vital então, apareceu. Me agarrei nele, e dei uma cravada. A criatura se chacoalhava fortemente, mas me equilibrei de um jeito que não poderia cair. Após mais três cravadas, o Selo desapareceu.

O Colosso não demonstrava sentir dor. Está sendo durão, é? – ironizei. Pulei de volta para seu braço direito, e escalei até as costas. De lá, me agarrei na cabeça da criatura. Antes mesmo que pudesse efetuar um golpe, ele jogou a cabeça para frente, chacoalhando intensamente, tentando me fazer soltar. Após alguns segundos, ele se acalmou, e eu encravei a espada uma vez.

Ele começou a se chacoalhar novamente. Merda, pare com isso!! Mesmo com a criatura se debatendo, enfiei novamente a Espada, não tão forte. O jarro de sangue foi muito pequeno. Quando ele parou de se mexer, efetuei mais uma penetrada. Desta vez, bem forte.

O Colosso agora, mal se mexia direito, dando-me oportunidade de executar o Golpe Final. Nessa luta, não tive nenhum remorso pelo que fiz. Ele teve o que mereceu. A criatura deu um passo para trás, e lentamente, caiu de joelhos, e em seguida, de rosto no chão. Caí à alguns metros de distância, por onde pude ver as Essências do Colosso saindo de seu corpo.

Eu estava certo. Sem suas essências, o Colosso escurece. Sabia que, se quando acordasse de volta ao templo e voltasse para cá, ele estaria petrificado. Mas meus pensamentos foram interrompidos, quando fui possuído. Novamente, vi a luz. Porém, além dos sussurros, pude ouvir uma voz feminina, dizendo o que infelizmente, não consegui decifrar.

A luz lentamente se escureceu, me deixando numa imensa penumbra.

Notas finais
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