A Sombra de Deus

2 Capítulo 1 - O Resultado


Notas iniciais
Não se confundam, esse capítulo se passa cinquenta anos após o prólogo.

Capítulo 1 — O Resultado

César fitava o retrovisor de seu carro, um Impala 97, seus cabelos castanhos cobriam sua testa por sob sua touca cinza, seus olhos cor de chocolate fitavam à si mesmos no reflexo com uma expressão de tédio, com as leves olheiras de quem não dormia à um dia. Ele trajava uma blusa cinza clara de lã, com mangas compridas dobradas na altura de seus cotovelos, um colete de couro preto cobra a blusa. Seus jeans pretos estavam surrados e empoeirados assim como seus tênis All Star cinza-chumbo.

Sua irmã, Alice, desceu do banco do passageiro. Diferentemente de César, que tinha vinte e um anos, Alice tinha apenas dezessete. Ela era ruiva, com algumas sardas e olhos azuis, ela vestia uma blusa preta de manga curta, coberta com um colete jeans azul. Usava jeans cinza claros surrados e coturnos, ela fitou César com uma expressão de tédio absurda.

– E aí, sem gasolina? — Perguntou ela, com um bocejo que transmitia seu cansaço.

– Pois é — Disse César, com todo o ar de irmão responsável que sua exaustão permitia. — É bom irmos lá procurar.

Ao dizer isso, César apontou para as ruínas de uma antiga cidade por perto, parecia ser uma cidade pequena, pois não tinha prédios altos ou nada do tipo, apenas casas abandonadas e empoeiradas.

– Ótimo, nada melhor que uma caminhada ao sol do meio-dia pra melhorar o humor de qualquer garota — Disse Alice, sarcástica, pegando um revólver do banco de passageiro e o jogando à César, que o pegou e guardou em um coldre em sua cintura.

Alice pegou um rifle grande, uma Hecate II, e o colocou nas costas, preso por uma faixa de couro, e uma pistola em um coldre idêntico ao de César na cintura. Ambos caminharam pelas estradas empoeiradas da cidade, parando em uma casa com dois carros abandonados na garagem, esperançosos de encontrarem algo.

Ao entrarem, havia uma escada que levava ao andar de cima, e dois cômodos no andar de baixo, uma cozinha e a sala de estar.

– Dá uma olhada lá em cima, eu checo aqui em baixo. — Disse César à Alice, voltando-se à cozinha.

A cozinha possuía uma parede de azulejos brancos rachados e com a maioria faltando, um piso de madeira empoeirada que rangia à cada passo de César, que, após verificar cada gaveta, começou à contar os poucos enlatados que havia encontrado.

– Dois de salsichas, um de feijões, três de... — Começou ele, em voz baixa, porém, não pôde continuar, pois um estridente grito de Alice no andar de cima o interrompeu.

César largou as latas e correu até o andar de cima, passando pela escadaria de madeira que quase cedeu ao seu peso, até entrar em um dos três quartos do andar de cima, composto por uma cama, uma cômoda e uma mesa de cabeceira com uma cadeira velha.

Alice estava encurralada na parede, cercada por três crianças trajadas de preto. Uma garota loira de pele clara, um garoto de pele morena e cabelos loiros e um garoto de cabelos pretos e pele pálida.

Ao ouvir César à porta, o garoto de cabelos pretos virou-se à ele, com olhos completamente negros e um sorriso cruel. Demônios.

César tirou seu revólver da cintura, já carregado, e tentou atirar no garoto, mas o mesmo usou telecinese para atirar a cômoda em César, jogando ele e a arma no chão. Alice se aproveitou da distração da demônio loira com a queda de César e tirou uma adaga de Astral de sua bota, cravando-a no peito da demônio.

Ela caiu no chão, uma fumaça negra saía da ferida, com um terrível cheiro de enxofre, saiu voando pela janela, virando cinzas ao contato com o sol. O demônio de cabelos loiros e pele morena, furioso pela morte de sua parceira, agarrou Alice pela garganta, e a atirou pela janela, que estilhaçou com o impacto, à ferindo ainda mais, Alice não tinha como não cair. Então. Caiu.

Mas ela não tocou o chão, estava flutuando, sentiu uma luz às suas costas, sentiu-se leve, protegida. Ao voltar pra realidade, percebeu que realmente havia uma luz que à impedia de cair no chão, mas essa luz não era dela, ela emanava da mão de um estranho garoto ao seu lado.

O garoto tinha cabelos que foram pintados de roxo, mas com algumas mechas brancas que chegavam à parecer naturais, tinha olhos de azul bem forte e pele pálida. Trajava uma blusa preta meio amassada com um "A" de anarquia azul estampado, coberta com uma jaqueta de couro preta. Sua calça preta assim como seus coturnos estavam bem menos sujos e velhos que os de Alice e César, ele também possuía uma tatuagem de coração no dedo médio esquerdo.

Alice ficou aterrorizada, aquela luz, aquelo era...Magia angelical, mas havia algo errado, anjos não possuíam corpos próprios na Terra, tinham de possuir um cadáver, e sempre havia um forte brilho no lugar dos olhos, mas ele não, seus olhos eram lindos, não faróis de carro. O que ele era?

Notas finais
Desculpem a demora, prometo postar mais rápido na próxima, motivos pessoais.