A Sombra Da Lâmina
18 Justiça em olhos de águia
Notas iniciais
Vejo um vulto parado em cima de uma árvore ao lado de minha localização antes da queda, onde eu era um alvo fácil. A pessoa pula da árvore, caindo á minha frente, de cabeça baixa.
Era a Quinn, a garota do treinamento, mas que ela estava diferente do normal: seus olhos possuíam uma mistura tenebrosa de ódio e desejo por vingança. Com o olhar fixado em mim, estende a mão para o lado, e “Val”, seu falcão, pousa sobre o mesmo logo em seguida.
- Então achou mesmo que eu era tão ingênua para acreditar em toda aquela história? Achou que eu iria acreditar que um “simples andarilho” decidiu virar soldado do nada?
-...
- Pois bem! Vayne me mandou aqui pra “cuidar” de você e mandar você de volta pra onde veio... mas seus restos serviriam perfeitamente como comida de pássaro.
- Certo...
Sentado no chão, abaixo a cabeça. Ouço-a ranger os dentes e atirar uma flecha em minha direção. Bloqueio-a com a lâmina, e jogo uma pedra afiada que havia ao meu lado em sua direção. Ela desvia, e aproveito seu momento de distração para pular e atacar. Atrás dela, seguro seus braços com força. Estava prestes a lança-la para trás em um golpe que a deixaria incapacitada, quando, como se tivesse lido minha mente, a garota se inclina rapidamente para a frente, me jogando no chão. O seu falcão me prende ao chão pela capa com suas garras afiadas, e tenta me distrair com bicadas leves no meu rosto. Uma flecha acerta meu olho direito em cheio, me fazendo me contorcer e soltar um grito de dor.
- Sabe, Talon, tudo isso é uma pena. Você seria muito útil como soldado demaciano.- Ela diz, se ajoelhando em minha frente, fazendo sinal para o falcão me soltar e me pegando pela bochecha, me obrigando a me sentar.- Você é bem forte, tem bastante vitalidade... adoraria sair com você em várias missões por aí... mas testemunhas devem ser silenciadas.
O falcão voa em direção á indústria e pousa em seu topo, provavelmente esperando os restos de minha carne. A garota aponta a arma em minha direção, é tudo que consigo ver com a pouca visão que tenho devido á neblina e meu olho possivelmente cego. Estava pronto para aceitar a morte, quando um pequeno feixe de luz em minha mente me faz arregalar os olhos. Curtas frases são as únicas coisas em que consigo pensar:
“-...Promete que vai voltar...Por favor...”
“-...P-Prometo... Por você!”
Prometo... Prometo... Eu prometi a ela... Eu a prometi! Prometi que voltaria! Não me lembro do meu passado, mas de todas as peças que consegui encaixar, pude claramente ver que sou um homem de palavra! Ouço o barulho do gatilho de sua arma sendo apertado, lançando a flecha que, supostamente, traçaria meu destino. Seguindo o baixo som do vento que a flecha traz consigo, seguro-a com as pontas dos dedos antes que pudesse chegar ao meu peito. Sorrio ironicamente, um sorriso maléfico e assustador, enquanto lanço-a um olhar baixo.
- Está errada, pequena! – Digo, com uma voz baixa, que fazia parecer que eu estava fora de mim.- Quando eu disse que ia voltar... eu não menti!
Me levanto rapidamente e pulo em sua direção, cortando-a rapidamente na garganta. Enquanto estava distraída com a dor intensa que o corte deve ter causado e com o sangue que jorrava, seguro sua cabeça e arrasto-a na parede da industria, jogando-a no chão logo em seguida e completando com chutes. Ajoelho-me ao seu lado, passando de leve a mão sobre a lâmina, causando um ruído agudo, como forma de deboche.
- Alguma última palavra, princesa? – Pergunto, puxando-a pelo cabelo, fazendo-a levantar um pouco a cabeça. Lágrimas escorriam sobre seu rosto, se misturando com o sangue e a sujeira que haviam no mesmo.
- E-Eu... Eu falhei... Eu desapontei minha nação! Como pude perder assim? E-Eu prometi que iria dar conta!
Suas palavras me acertam fundo. A dor de descumprir uma promessa também é forte nela. Sinto meu corpo voltar a si e minha mente se reestabilizar. Solto seus cabelos e me levanto. Ela me olha com expressão de dúvida, ainda deitada de bruços.
- Sai daqui! — Digo, olhando-a nos olhos.
- O-O que? – Ela pergunta
- SAI DAQUI AGORA ANTES QUE EU MUDE DE IDEIA!!- Grito, espantando todos os pássaros, quase como o grito da Katarina quando me achou na clareira. Quinn se levanta e corre rapidamente em direção á floresta, tropeçando em alguns pontos devido á fraqueza pela perda de sangue.
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