A Solitary Man
9 Nove
Love is blind, love sucks.
[Yuu POV]
Soltei um longo suspiro, parecia que eu estava segurando o ar a muito tempo, talvez eu não devesse continuar pensando na empresa, ou que eu veria meu contador hoje.
Meu contador desastrado, com um senso de humor cruel e duvidoso. Eu não queria levantar hoje, era um dia daqueles em que você sente que tudo vair dar errado, como um sexto sentido feminino, só que nesse caso, eu não era uma mulher.
Mesmo eu querendo não ir trabalhar, hoje eu não poderia deixar de ir, reunião importante, com fornecedores importantes. E também, Kouyou queria que eu o ajudasse a resolver a situação com Akira, veja bem, o que eu não faço por ele.
Mesmo eu estando com a conciência pesada eu sabia que Akira não era nada além de mais um capricho para o meu melhor amigo, rico e mimado. Ainda deitado na minha cama, ouvi leves batidas na porta do meu quarto, é claro que não era Kouyou, ele achava o ato de se anunciar antes de entrar totalmente desnecessário.
- Entre.
- Querido, porque ainda não se levantou? Vai se atrasar. — Perguntou minha mãe, agora realmente senti como se meu ar tivesse sumido.
- Sou o presidente mamãe, ninguém conta os minutos do meu atraso. — Respondi sem encará-la.
- Mas hoje é um dia especial. — Minha mãe cantarolou as últimas palavras, me fazendo notar sua felicidade desnecessária; sem nem mesmo olhá-la. — Se anime, levante, tome um banho e coloque o Armani que eu te dei.
- Está falando sério sobre hoje ser um dia especial? — Perguntei, finalmente a encarando.
- Claro que estou, não venha me dizer que esqueceu que a empresa Nakatani vão fazer uma reunião com o pessoal da empresa?
- Claro que não, mas porque, exatamente, isso faz de hoje um dia especial?
- Isso faz de hoje um dia especial, porque a senhorita Aiko pode ser sua futura esposa! — Disse minha mãe, notavelmente indignada.
Se antes eu tinha a sensação de que meu ar tinha sumido, agora eu realmente não respirava. E eu imaginando que o maior dos meus problemas era o caso não tão amoroso do meu melhor amigo com meu contador.
- Não alimente esperanças de uma coisa que não vai acontecer, mamãe. — Respondi, respirando lentamente.
- Não fique tão certo disso, você sabe que ela é uma bela mulher, e que não seria nenhum sacrificio ter um relacionamento amoroso com ela. E me dar alguns herdeiros também não seria tão mal! — Dizia minha mãe, respirando entrecortado, sibilando entre as palavras.
Me levantei, calmo o suficiente para lembrar que ela ainda era minha mãe, e que eu devia respeito a ela. Diferente de mim, minha mãe nunca soube controlar a raiva, e mentia como um jogador profissional de pôker.
- Vou me trocar mamãe, já estou atrasado.
Minha mãe respirou fundo, e sorriu como se nada tivesse acontecido, cantarolou com humor renovado, saindo do quarto:
- Coloque o Armani.
Minha mãe não era uma mulher ruim, só era uma mulher da empresa, uma completa mulher da empresa. Podia não ter ninguém contando os minutos até eu chegar a empresa, mas minha mãe, com certeza, estava contando os segundos até eu me casar.
[Akira POV]
O tique-taque do relógio parecia casa vez mais interessante, até mais interessante que a pilha de papéis na minha mesa. Yuu estava atrasado, não era como se ele fizesse disso um hábito.
Eu suava frio, tinha medo de que as suposições de Kai estivessem certas, medo de terminar essa coisa que eu havia começado com Koyou, e ferrar tudo que eu já tinha conseguido. Meu medo não exatamente ficar sem o ótimo salário, que eu realmente precisava, mas e se eu nunca mais visse meu patrão? A atração que eu sinto, eu sei, é ridicula, eu nem o conhecia!
Ainda assim, me levantei, e fui dar uma volta pelos corredores, só pra tomar um ar, é claro que eu não queria checar se meu patrão estava zanzando por aí, claro que não.
Saí com passas medidos, checando cada lado, de cada corredor, mas eu não estava procurando meu patrão, não mesmo.
- Suzuki-san? — Fiquei paralisado, de costas para a pessoa que me chamava, que só pela voz, eu já podia dizer quem era. — Suzuki-san, está me ouvindo?
Me virei, controlando ao máximo meus músculos faciais, pra não sorrir demais, e disse, com a voz trêmula:
- Shiroyama-san. Desculpe a minha falta de ética, mas o senhor não está atrasado? — Me arrependi no exato momento que perguntei, já que Yuu começou a me encarar de um jeito estranho. — Me desculpe, não quis me intrometer.
- Não, tudo bem, não tem problema, estou mesmo atrasado. Aliás, está ocupado agora? — Perguntou, como se alguma coisa tivesse acabado de lhe passar pela cabeça.
- Não, agora não. — Menti descaradamente, que se fodam os papéis, depois faço hora extra.
- Suzuki-san, preciso que me faça um grande favor hoje, não pode sair do meu lado, em NENHUM momento, sob NENHUMA hipótese.
- Claro senhor, sem problemas. — Respondi, meu coração falhando uma batida, não seria nada difícil.
[Takanori POV]
Talvez eu esteja fazendo agora, a coisa mais imbecil de toda a minha vida, mesmo ainda não tendo feito nada. Eu, Matsumoto Takanori, estou parado a mais ou menos, uns vinte minutos, olhando para a bela fachada do prédio principal da empresa Shiroyama.
Ouvi rumores, rumores de que o melhor amigo do presidente de uma famosa empresa de propaganda, a empresa Shiroyama, havia saído com o novo contador da empresa.
Até esse ponto, tudo bem, que diferença isso me faz? Mas eu acabei descobrindo sem querer, que o novo contador da empresa Shiroyama, era um tal de Akira Suzuki. Pesquisei que era o meu Akira, o meu Reita. Precisava tirar a prova real, boatos, muitas vezes, são só boatos, e além de tudo, Akira é meu.
[Yuu POV]
Akira estava respirando lentamente, supus que era o nervosismo, por estar em uma sala lotada de homens e mulheres que poderiam destruir toda sua carreira com apenas um telfonema, se apenas não gostassem da sua cara. Mas toda vez que eu me aproximava dele, pra me distanciar um pouco mais de Aiko, ele prendia a respiração.
Do mesmo modo que eu fazia quando Nakatani Aiko se dirigia a mim, e automaticamente eu me aproximava mais do contador, nossas cadeiras já não podiam estar mais juntas.
A reunião acabou, e eu pude sentir Aiko sorrindo pra mim, agarrei o braço de Akira, o senti pular com o toque inesperado, o puxei, não me importando muito com bons modos, só queria me trancar na minha sala, e precisava do meu contador pra sumir sorrateiramente.
- Venha Akira, precisamos analisar alguns papéis.
- Precisamos? — Disse ele, meio atordoado.
- Sim, precisamos, urgentemente.
O puxei dali o mais rápido possível, e o levei em silêncio até a minha sala. Entramos, fechei a porta, e quando finalmente o soltei, parecia que ele tinha voltado a vida.
- Porque saiu com tanta pressa? Não temos papéis para analisar.
- Vamos apenas dizer que é uma estratégia de fuga.
- Fuga de que?
- Pergunta errada, o certo seria de...
Fui interrompido, leves batidas na porta da minha sala me fizeram dar um pulo de susto, era ela, só podia ser ela.
- Shiroyama-san, posso entrar? É a Aiko.
Eu sabia que era ela, minha mãe deve ter enfiado milhares de suposições na cabeça dela. Olhei para Akira, que me encarava confuso, mas eu também não tinha idéia do que fazer.
[Akira's POV]
Respira, inspira, respira, inspira... Desde o momento que me sentei ao lado de Yuu naquela sala, eu esquecia a todo momento como se faz pra respirar.
Agora eu o encarava, com aquele olhar assustado, com medo da Aiko Naka-alguma-coisa, uma moça magrela e sem graça na minha opinião.
- Pode entrar, Aiko-san. - Disse Yuu, frisando o san.
Yuu rapidamente se postou ao meu lado, ficando um pouco atrás de mim, como se tentasse se esconder, um homem daquele tamanho se escondendo.
- Yuu, não sabia que estava com seu contador. — A magrela, ou Aiko, tanto faz, disse sorrindo.
- Eu disse que estaria na minha sala, inclusive disse que estaria com meu contador
- É verdade, confesso que é meio dificil pensar com você por perto.
Bufei, e acho que foi um pouco alto demais, já que a magrela me olhou surpresa, e eu podia sentir que Yuu me encarava discretamente. Agora, fala sério, tinha coisa mais brega pra se dizer?
Do nada, Aiko cobriu a boca com ambas as mãos, e nos encarou como se algo tivesse acertado a cabeça dela, já que ela fazia uma cara de sonsa.
- Entendi! — Disse ela, com um pequeno sorriso. — Entendi porque sua mãe quer tanto que eu me aproxime de você, ela sabe do seu caso com o contador?
Como é que se respira mesmo?
[Takanori POV]
Acabei me decidindo por entrar logo na empresa, já estava começando a chamar a atenção, ficando ali parado, com cara de panaca.
Entrei, tentando me misturar com os funcionários, mas eu não me encaixava com o ambiente.
- Ruki?
Me virei, e me deparei com Uruha, entrando na empresa também, definitivamente não era minha intenção encontrá-lo ali, mas de certo modo, eu sabia que aconteceria.
- Uruha, como vai? — Ele não me respondeu, presumi que seria assim.
- O que está fazendo aqui? — Uruha me perguntou, ainda atônito.
- Eu meio que peciso falar com uma pessoa.
- Quem você conhece aqui, além de mim?
Fiquei quieto, ele obviamente ainda não sabia de mim e do Reita, Uruha foi só uma peça do jogo, mas mesmo sem perceber, se tornou mais importante do que deveria.
- Takanori? Não vai me responder?
- Eu não acho que seja uma boa hora, Koyou. — Respondi, contendo um suspiro.
Me virei, refazendo meus passos até a porta, não era um bom momento para conversar, nem Reita, quanto menos com Uruha.
- Ruki, espera, eu... Só queria te dizer que... — Me virei, o encarando, e ele parou de falar.
- Queria dizer o que? — Disse eu, me aproximando dele novamente.
- Eu ainda te amo.
- O amor é cego, o amor é uma droga.¹
Me virei e saí, torcendo realmente para que Koyou só esquecesse o que aconteceu, como se fosse só um sonho ruim.
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