A Sogra

5 E se fosse verdade?


Notas iniciais
Yay, novo capítulo pros povões daqui... Se é que ainda tem alguém que lê essa merda rs

Assim que o sinal tocou, fui pra minha sala predileta, a sala 7. Não, não é por causa do número. Era porque era a sala de teatro, onde eu ia ter mais uma aula perto do Freddie. Não sei o que está acontecendo comigo, só sei que não consigo mais ficar longe dele.

A professora tinha acabado de entrar na sala, e eu rapidamente coloquei minhas coisas em cima da terceira mesa, me sentando. E logo atrás de mim, apareceu Benson já trocado e com seus olhos em mim. Eu fixei o chão, batendo o lápis da mesa, e ele riu. Calmamente, se sentou ao meu lado.

Aqueles momentos no vestiário foram os melhores momentos da minha vida inteira. Cara, eu passei a mão no corpo de Freddie Benson, o garoto mais gostoso do colégio! Talvez do país! Do mundo!

Só de lembrar, me sinto totalmente arrepiada.

–Classe, hoje vamos começar a ensaiar nossa primeira peça de teatro, que será exibida na escola. Aqui vai o roteiro. – a professora começou, passando algumas folhas de mesa em mesa, até chegar em mim. Eu dei uma olhada.

Como sempre, um casal meloso e uma história de amor toda romântica. Quase dormi lendo o roteiro.

–Muito bem. Quer quer fazer o papel de Caroline?

–A Puckett quer! – ouvi, do outro lado da sala.

Olhei para Anna, aterrorizada. Que filha da mãe!

–Não, não, não! Não quero, professora! Eu acho melhor...

–Nada disso, no teatro não existe vergonha. Puckett para o papel de Caroline, — ela anotou em uma agenda, me olhando por cima do óculos. – Anna para o papel de Vicky. Quem vai querer fazer o papel de Victor, o par de Caroline?

–Eu quero, srta. Finn.

A voz veio de trás de mim. Virei, muito rapidamente, e Freddie sorria que nem idiota.

–Muito bem. Sr. Benson para o papel de Victor. Só espero que atue melhor do que joga futebol, sr. Benson.

A onda de risadas invadiu a sala, mas eu só conseguia ficar virada para trás.

–Você ficou louco?

–Nem um pouco. Agora, que somos amigos, não será problema algum fazer dupla com você. Por que, você não quer?

Engoli em seco. Lógico que eu quero! Quero te agarrar, te beijar, te ter só pra mim, Freddie. Mas não disse isso.

–Bem, não é nenhum problema, mas...

–Shhhh... – Freddie disse, colocando o polegar fechando meus lábios, como fez no primeiro dia de aula. – Vamos atuar. Não é como se fosse de verdade. Fica tranquila.

Revirei os olhos, e me virei novamente para frente.

–Bem, agora que já estamos todos combinados, decorem seus roteiros para a semana que vem. Não temos tempo de ficar ensaiando na escola. Ensaiem em casa. Dispensados!

O sinal soou, e eu arrumei rapidamente meus cadernos para não ter que aguentar Freddie me enchendo o saco na hora da saída, mas ele foi mais rápido que eu.

–Hoje você não vai escapar de mim. Me deixe te levar em casa.

–Quê? Nem pensar! – disse, indo em direção ao ponto de táxi. – Se você aparecer em casa, é capaz de minha mãe... – arregalei os olhos. Não era para Freddie saber que minha mãe estava com um ódio mortal dele.

–É capaz de sua mãe o que?

–Nada, esquece. Por favor, me deixe pegar um táxi e ir para casa. – disse, olhando em seus olhos. Ele segurou em meu rosto, passando a mão em meus cabelos.

–Ok, você pode dispensar minha carona se a gente ensaiar juntos para a peça.

–Juntos? – cocei a cabeça.

–Sim, você vai em casa, a gente ensaia e eu te levo depois.

Minha mãe não tinha me deixado vê-lo, ainda mais ir na casa dele! Ela ia me matar, com certeza.

–Olha, eu tenho uma ideia. Vá na minha casa hoje à tarde, Long Way Street nº 94, às três horas em ponto. – era a hora que começava o curso de minha mãe no Brooklin, que ela nunca se atrasava. – Apareça um minuto mais cedo ou mais tarde e não vou te deixar entrar.

–Tudo bem. Vá para casa com cuidado. Eu estarei na sua porta às três. – ele sorriu, e me deu um beijo estalado na bochecha. Foi como se um anjo tivesse encostado seus lábios quentes nos meus.

Depois de um sorriso, eu entrei no primeiro táxi que vi. Ainda intoxicada pelo veneno Benson.

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–Coma seu mousse, filha. – minha mãe disse, empurrando aquele copinho cheio de mousse de chocolate.

–Tô sem fome, mãe.

–O que foi? Está estranha hoje.

Não tem jeito, minha mãe sempre sabe quando está acontecendo aluma coisa. Olhei no relógio digital: 14h53min. Apenas sete minutos para Freddie chegar aqui,e minha mãe não saiu ainda.

O jeito é parecer normal. Vai, Joy. Pareça normal.

–Nada não, mãe. – bocejei. – Estou com sono. Mas, espera: você não vai para o curso hoje? Pelo jeito, vai se atrasar.

–Não, já estou saindo. Durma um pouco. Faça seus deveres e durma. – ela se levantou da mesa, pegando a bolsa.

–Claro, mãe. Tchau.

Respirei fundo, e sorri. Ainda bem que vai ficar tudo certo.

–Mas, espera filha. Quero te fazer uma pergunta.

Ah, droga.

Me virei para trás, ainda fingindo.

–O que foi?

–Você tem falado com aquele garoto? Sabe, o Fredward Benson. – ela levantou as sobrancelhas, esperando minha resposta. Torci o lábio, com medo de que descobrisse a verdade.

–Não, não o vi mais no intervalo. Acho que é jogador de futebol, deve estar treinando intensivamente, um campeonato está vindo por aí. – disse naturalmente, voltando a subir as escadas.

–Ah, tá. Bem, vou indo. Tchauzinho, filha. Não me espere acordada.

–Claro, mãe. Tchau.

Quando cheguei no meu quarto, espiei pela janela. O carro estava saindo, saindo, saindo. E, finalmente, virou a esquina. Suspirei, e comecei a dançar que nem uma retardada.

Tinha acabado de mentir descaradamente para minha mãe. A mulher que me deu a luz.

Mas tudo bem. Um dia ela vai me perdoar. E foi por uma boa causa.

Olhei no relógio da cozinha, 15h01min. E, logo depois, ouvi a campainha. Meu coração quis sair pela boca, mas não deixei. Prendi o cabelo, dei uma olhada no espelho, respirei O², soltei CO², e só depois abri a porta.

Lá estava ele. Parado em minha porta. Fiz uma careta estranha.

–Está atrasado.

–Sei disso. Vai me convidar pra entrar? – ele mordeu o lábio, e eu me segurei para não mordeu o meu.

Deu um passo para trás, o deixando entrar. Ele fez questão de repetir o que adora: sussurrar no meu ouvido me fazendo arrepiar até o pelo do pé. “Obrigado”

Revirei os olhos, fechando a porta.

–Casa legal. – Freddie disse, já mexendo nas minhas estátuas de argila que fiz quando tinha sete anos. – Você quem fez?

Balancei a cabeça, tirando o gato de barro de suas mãos.

–Me ensinaram que crianças não podem tocar no que quebra.

–E me ensinaram a cumprimentar com um beijo na bochecha toda vez que recebemos visita em casa. Cadê meu beijo?

–Vai ficar esperando. – menti. Tudo que eu queria era beijá-lo, mas não o fiz. – Então, vamos acabar logo com isso. Cadê seu texto?

–Bem aqui. – Freddie me mostrou o script igual ao meu, que estava em cima da pia. – A propósito, shorts legal.

Devo ter ficado preta de vergonha.

–Droga, esqueci de tirar. Sabia que você ia fazer essas piadinhas.

–Ah, não se preocupe. – ele continuou a mexer nas coisas em cima da mesinha de canto da cozinha. Eu ia subindo as escadas de duas em duas para colocar uma calça jeans. – Posso te ajudar a tirar, se quiser. – ouvi lá de baixo.

Assim que cheguei lá em cima, sorri. Freddie finalmente estava em minha casa, fazendo piadas com tudo. Ai, meu deus.

Ri baixinho, depois abri o guarda-roupa para pegar uma calça jeans. Revirei a primeira prateleira: nada. A segunda: nadinha. Terceira: nothing. Revirei o guarda-roupa inteirinho, mas tudo que achei foi mais shorts, vestidos e saias e um livro velho.

–Merda. – disse. – E agora?

Precisa de ajuda? – ouvi Freddie lá embaixo. Engraçadinho.

Depois de pegar um ar fresco da janela, voltei para a cozinha. Ele agora estava olhando para a geladeira. Quando viu que eu já tinha descido, só olhou para meu shorts.

–Mudou de ideia ou vai querer minha ajuda pra tirar? Aposto que é a segunda opção.

–Não achei nenhuma calça jeans. – disse, fechando a geladeira e cruzando os braços. Ele ergueu as mãos, voltando pra sala de estar.

–Se você quiser ficar sem, eu fico sem. Afinal, a casa é sua. Deve se sentir à vontade.

Ergui as sobrancelhas.

–Sempre irônico. Veio aqui só pra falar bobeira ou para ensaiar a peça?

Ele apenas riu alto, e se sentou no sofá. Quando parei na porta, deu duas batidinhas na almofada do lado para eu me sentar também. E o fiz.

–Vamos lá. Página 2. Terceiro parágrafo.

–Ok. Caroline, é você.

O olhei, confusa.

–Isso é uma pergunta.

–Ah, tá. Caroline, é você? — ele disse, fazendo cara de bobo.

–Sim, Brad. Cheguei de meus doces sonhos. Por que não me acordaras? – ergui o olhar para ele, e Freddie me encarava ainda com aquele sorrisinho malicioso. – Lê o script, idiota.

–Minha vez de novo? Tá. Ah, doce Caroline, Estavas dormindo tão serena que não tives coragem. Chama-me de covarde, porém meu amor por você é muito maior.

Fiquei esperando Freddie continuar sua frase, mas ele não continuou.

–Ainda é sua vez.

–Claro. pigarreou. – Chama-me de covarde, porém meu amor por você é muito maior do que pensas. Sabes que te amo, Caroline. E nunca abandonaria-tes. Tu és a razão de meu viver.

–Oh, Brad. Tuas palavras de poeta sempre me emociona. Também te amo, querido amor. Não viveria sem seu abraço, seus beijos, seus toques. Não viveria sem... – antes que pudesse continuar, Freddie riu. – O que foi agora?

–Nada. Não viveria sem minhas gracinhas e meus sussurros, você esqueceu dessa parte. – depois que gargalhou, eu bati nele com as folhas, e ele pediu desculpas. – Foi mal. Só não consigo te imaginar sendo romântica como a Caroline.

Abri a boca, incrédula. Ele riu da minha cara, já preparado para outro tapa, mas não bati nele. Só me levantei e fui em direção à cozinha.

–Ah, qual é, Joyy! Volta aqui!

–Não, vá chamar outra pessoa mais sensível e amorosa que eu, é muito melhor! – gritei, pegando um pouco de água e colocando no fogo para fazer um chá.

–Não me faça ir te buscar.

–Não ligo mais. Ensaie sozinho. – provoquei, mas no fundo, sabia que ele ia vir até a cozinha para me pedir desculpas. Hm, Freddie Benson me chamando de pedra. Sem sentimentos.

Ia pegar a água, que já estava fervendo no fogo, mas quando toquei na panela, senti dois braços em minha cintura e um lábio quente em minha orelha. Não pude evitar de tremer e soltar um gritinho, quase um gemido.

–Não faz isso, senão não consigo me controlar. – sussurrou.

–Já disse para não me provocar assim. – falei, tirando suas mãos de mim e me virando para gente. Freddie ainda sorria, mas continuava na mesma distância de antes. – E você me deve desculpas. Não sou pedra.

–Ok, desculpa por sussurrar em seu ouvido. Mas sobre não ser sensível e romântica, mantenho minha opinião.

–Ah, eu te expluso dessa casa! – gritei, e ele continuou a rir, dessa vez mais perto de mim.

–Tudo bem. Prove. Me mostre que pode ser romântica. Finja que eu sou o amor da sua vida. O que você falaria para mim?

Respirei fundo e fechei os olhos. Não acredito que ele vai me fazer pagar esse mico. Vai, Joy. Você consegue. É só cuspir pra fora.

–Tá. Como se eu estivesse me declarando?

–Sim. Pode começar. – ele levantou as sobrancelhas. – Seja o personagem.

–Freddie. Sabe que nós não podemos ficar juntos. Se ao menos eu convencesse meu pai a permitir que nosso amor floresça...

–Não! Tem que ser de verdade! Nada de essas coisas de filme. Vai, você consegue fazer mais que isso.

–Tá, tá, tá. – mordi o lábio, involuntariamente. Depois, segurei em seu rosto, fazendo minha melhor atuação. – Desde o momento que a gente se conheceu, não consigo parar de pensar em você. Nos meus sonhos mais sãos, nos meus pesadelos mais escuros, onde você chega e me livra de toda a solidão. Freddie, você é a pessoa mais incrível que eu já conheci. O jeito que seus olhos me encaram me fazem sentir como se eu fosse a jóia mais preciosa do mundo. Algo imensurável, algo valioso. É isso que você é pra mim. Cada vez que me toca, tenho vontade de explodir em fogos de artifício. Imagino suas mãos percorrendo todo o meu corpo, e minhas mãos percorrendo o seu. – olhei para baixo, depois voltei a olhar fundo em seus olhos. – Nunca te disse essas coisas para ninguém, mas... Mas eu amo você. Estou apaixonada por você. Amo do jeito mais impossível que se pode existir. Tenho ficar com você a cada segundo que se passa. Não posso mais permanecer longe de você. Eu te amo, Freddie. Muito mais do que você possa imaginar. E sonho acordada com esse momento dia e noite. Você é a razão da minha insônia. No fundo, sei que vai ser melhor do que nos meus sonhos. Porque essa, Freddie, é a realidade. – fiquei em silêncio uns segundos. Nem tinha percebido que suas mãos estavam paradas em minha cintura, e seu rosto muito próximo do meu rosto. – E agora é a hora que nós nos beijamos apaixonadamente. Fim. Sou romântica ou não?

Ele, como se tivesse levado um choque, se distanciou de mim na hora. Coçou a cabeça, e não estava mais sorrindo.

–Claro. Atuou muito bem.

–Obrigada. Então admite que eu sou romântica?

–S-sim. Muito. Você estava certa. E eu... errado.

Freddie sorriu torto, e voltou para a sala. Não sabia o que estava acontecendo, mas seu humor tinha mudado de uma hora para outra.

–Joy, eu... Tenho que ir pra casa. Meu pai já deve estar surtando, porque hoje nós iremos sair. Te vejo por aí.


Foi exatamente tudo o que ele me disse. Depois disso, nem se preocupou em me cumprimentar. Apenas saiu e bateu a porta. Não muito forte, mas o bastante para me assustar um pouco. Eu levantei as sobrancelhas, confusa.

Notas finais
The end :) A partir desse capítulo, eu não tenho pronto ainda, então o róximo provavelmente só sai terça ou quarta feira.
E VOCÊS FICARIAM TRISTES SE EU TROCASSE O NOME DA "JOY' POR SAM? RESPONDAM