A Sociedade dos Planetas
2 Capítulo 2: Sobreviver
Notas iniciais
Abro os olhos, porém uma pontada de dor atinge minha nuca e sou obrigado a fechá-los novamente. A dor é quase insuportável, tento abrir os olhos novamente. Estou no meu apartamento, no quarto. Por um momento, tento lembrar o que aconteceu ontem à noite, mas nada vem à minha cabeça. Sinto algo se mexer atrás de mim e viro para ver o outro lado da cama. Só não grito de susto porque seria constrangedor, mas ver Bran deitado do meu lado sorrindo me assustou mais do que deveria.
–Bom dia. –ele fala prestes a gargalhar. –Ontem foi ótimo, não foi?
–O quê? O que teve ontem?-pergunto um pouco sério, sem pegar o senso de humor dele inicialmente.
–Você não lembra? Foi a melhor noite da minha vida. –ele fala sorrindo e dessa vez sou eu quem estou preste a cair em risadas. Empurro-o da cama e sento-me.
–Que horas são? –pergunto. Bran levanta do chão e fica ajoelhado ao lado da cama.
–Acho que onze horas. –ele responde se jogando na cama e apoia sua cabeça na minha perna. –Onde você foi ontem?
–Eu realmente não lembro. Eu não saí com você?-pergunto e tento recordar, mas isso só faz a dor voltar ainda mais forte.
–Não. Cheguei aqui no horário que disse que chegaria para lhe desejar feliz natal, porém você dormia como uma princesa e não quis acordar você. –ele fala olhando fixamente para mim, acho que não estava acreditando na parte de que eu não lembrava.
–Eu me lembro de passar o dia em casa até anoitecer. Estava sentado no sofá, acho que lendo alguma coisa. Depois disso vem uma escuridão na minha mente. –digo e tento iluminar aquela memória obscura que, por alguma razão, eu sabia que estava lá, mas a dor volta forte demais e sou obrigado a parar. Era como se alguém estivesse controlando o que queria que eu lembrasse e o que não queria.
–Vamos comer alguma coisa. Tenho uma surpresa para você. –ele fala levantando.
–Tudo bem.
Quando saímos do quarto vejo uma infinidade de caixas em cima da mesa. Estavam organizadas de forma a montar uma pirâmide e pelo que contei havia no mínimo vinte. Sento-me à mesa e realmente não sei o que falar sobre todos aqueles presentes que estão ali, a única coisa que sai estremecida pela minha garganta é um:
–Obrigado. –digo e o sorriso de Bran não é algo que eu possa retribuir com presentes, então me levanto e dou um abraço apertado nele. –Eu não sei o que seria de mim sem você.
–Ok. Ok. –ele fala. –Não queremos que isso se torne um rio de lágrimas, afinal, hoje é Natal!
Passamos o resto do dia revezando entre comer e conversar. Em alguns momentos específicos das conversas, eu tenho alguns lapsos de memória e minha cabeça dói tanto que não sei como consegui não gritar, eu não queria assustar Bran com aquilo. Já havia conseguido resgatar a memória de alguém chamado Viktor e algo sobre planetas e o universo, eram como se fossem pedaços de um quebra-cabeça, só que eu só tinha peças que não se encaixavam.
Quando já passavam das duas horas da tarde, e eu e Bran estávamos jogados no sofá tentando quebrar nosso recordes no novo vídeo game que ele comprara para mim, algo realmente estranho acontece. Eu ouço o barulho da porta do quarto fechando. Tento me convencer de que foi o vento, mas ouço passos também.
–Você ouviu isso?-pergunto para Bran e ele parece entretido demais no jogo.
–O quê?-ele pergunta sem desviar o olhar da tevê.
–Espera um pouco. –falo e me levanto para dirigir-me ao quarto.
Eu abro a porta e vejo que a janela está fechada e a luz desligada. Ando até a janela para abri-la.
–Gritar. –eu ouço antes de poder tocar na janela. Uma voz grossa, porém suave. Não sei o que acontece na minha mente, ou como aquela voz provaca esse efeito, mas a única coisa que consigo pensar após ouvi-la é em vibrar minhas cordas vocais ao máximo, gritar como nunca antes, e é isso que eu realmente faço.
Ponho as mãos na boca para tentar parar, mas a voz é mais forte e passa a controlar também o movimento das minhas mãos, afastando-as da minha boca. Bran entra no quarto correndo e eu, pela primeira vez, vejo o ser que se encontra no meu quarto, nesse momento, bem atrás de Bran. Certamente não era humano, mas se assemelhava a um, pois possuía pernas, braços, cabeça e tronco. Porém seus olhos eram estranhamente vermelhos e sua pele era de um tom cinza escurecido, quase preto. Ele vestia um sobretudo da cor vinho e calça social preta. Além disso, usava um chapéu estilo faroeste preto também, que escondia parte do seu rosto, tornando-o ainda mais sinistro.
Era difícil raciocinar enquanto gritava até a morte, mas tento fazer com que meus braços apontassem para a criatura atrás de Bran, sem êxito. Bran expressa terror a me ver naquele estado, no entanto, antes que pudesse fazer qualquer coisa, o estranho fala novamente, com uma voz mais poderosa que da última vez:
–Parar. –tudo parece congelar. Não o tempo, mas meu corpo. Paro de gritar o que por algum momento é um alívio tremendo, contudo, também paro de respirar e percebo que daqui a poucos segundos posso desmaiar, ou pior, morrer. A palavra cria o mesmo efeito em Bran, que não se move em nenhum momento.
Sinto um pequeno vento passando ao meu lado, mas não vejo nada. Quando percebo há uma claridade mais forte do que a da lâmpada e sei que a janela atrás de mim está aberta agora. A criatura sori. Não era um sorriso natural, era quase diabólico. Os olhos deles brilham com um ar sanguinário, como se ele estivesse prestes a matar alguém, o que provavelmente não era mentira. Minha cabeça começa a doer e meus pulmões imploram por oxigênio, tento desesperadamente fazer meu organismo voltar ao normal, mas não consigo novamente. Até que o estranho fala algo no ouvido de Bran, algo que não consigo ouvir.
Bran volta a se mexer, e assim, a respirar. Seus passos são rápidos, porém calculados. Ao chegar bem na minha frente, eu já estou a um instante de desmaiar, porém ouço uma última palavra horripilante na minha cabeça: “Respirar”. Tudo acontece muito rápido. Eu inspiro rapidamente uma enorme quantidade de ar, mas ao mesmo tempo, Bran levanta as duas mãos e me empurra com toda a sua força. Antes de poder sentir que estava caindo, vejo a expressão vazia de Bran e sei que ele está sendo controlado.
Meu apartamento ficava no quarto andar, em alguns pouquíssimos segundos eu estaria esmagado no chão. Aquela história de que quando você sente que vai morrer sua vida passa pela sua mente em um segundo era totalmente mentira, pelo menos eu achei que fosse, mas mal sabia eu que era porque eu ainda não morreria. Ouço novamente uma última palavra persuasiva, porém diferente daquela que ouvira, antes de perder a consciência: “Sobreviva”.
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Acordo deitado em um lugar não muito confortável. Minhas costas parecem ter passado a noite em cima de pedras irregulares, o que, ao sentar-me, vi que era verdade. Encontrava-me em um tipo de caverna, só que bem cuidada, já que possuía somente a parede de pedras, com o teto forrado e o piso feito de azulejos brancos. Eu estava deitado em cima do que deveria ser uma cama, porém não passava de um monte pedras justapostas e alinhadas. Fico em pé e dou uma checada no local.
Além da cama de pedras, a única coisa que eu podia ver eram as luzes fortemente brancas acima de mim. Começo a ficar apreensivo quando não localizo nenhuma porta. Inicio uma rápida checagem nas paredes, ando passando as mãos sobre elas para ver se acho alguma coisa, uma saída de preferência. Após dar duas voltas completas na sala, me conformo e volto a sentar na cama.
Faço uma recapitulação do que me lembrava de ter acontecido. Logo me lembro do episódio da criatura no meu quarto e a cena de Bran me empurrando pela janela. Consigo pegar alguns novos pedaços do quebra-cabeça do dia que deveria ser anterior ao de hoje, que deveria ser um dia após a véspera do natal. As peças simplesmente aparecem, como se não houvesse hora para chegar e que em algum momento iriam acabar eclodindo todas de uma vez. Sentado ali, naquele assento mais desconfortável do que ficar sem respiarar, decido finalmente me concentrar e tentar lembrar o que realmente aconteceu naquela véspera de natal.
Fecho os olhos e tento vasculhar minha mente. Consigo me lembrar de Viktor, um homem de uns vinte e poucos anos que queria me contar uma história. A história dizia algo que eu não queria acreditar, algo que eu não queria aceitar, então Viktor vai embora e eu já acordo em casa. Além de Viktor, havia mais três pessoas e todos estávamos no subsolo. Sim! Eu havia caído por um bueiro. Conseguia juntar a maioria das partes, porém a parte mais importante faltava: o que Viktor me contara.
Após se passar um longo período de tempo, que eu pelo menos declarava longo, já que não conseguia medir a passagem do tempo naquele lugar, eu canso de tentar lembrar a história e abro os olhos. Eu quase caio de cima da cama, ou pior, em cima dela. O próprio Viktor se encontrava em pé, na minha frente e bem na porta que dava em um corredor no meio da parede, porém sem nenhuma tranca ou maçaneta, por isso não tinha como eu ter percebido que ela existia.
–Boa tarde. –ele fala sorrindo e acho que está mais sorrindo de mim do que para ser simpático. Seus olhos vermelhos demonstravam um afeto que eu não entendia, seu cabelo estava bagunçado com algumas de suas mechas vermelhas caindo na testa. Eu não sei se podia qualificá-lo bonito, afinal, seria estranho de minha parte, mas que ele estava muito bem apresentável, ele estava.
–Boa tarde. –falo finalmente. Ele se aproxima e senta ao meu lado. Uma memória chega à minha mente, rápida como um flash. Era uma imagem de um holograma, onde se encontrava a Terra, só que ela era rodeada por quatro outros planetas. A imagem não fazia sentido, mas eu sabia que uma hora faria.
–No fim, não adiantou eu lhe dar uma escolha não é verdade?-ele pergunta e eu não sei o que responder. -Seu destino já foi escrito.
–Eu não acredito em destino. Acredito apenas que tudo acontece de acordo com as nossas escolhas. –digo, não sei ao certo o porquê.
–Então, você acredita que é você quem escreve seu destino. –ele fala quase sarcasticamente. –Eu realmente quero acreditar nisso também.
–Por quê?-pergunto. Penso um segundo depois que nem o conhecia direito. Ele morde os lábios antes de falar.
–Há uma “profecia” sobre mim e ela foi escrita pelo Destino. Se ela se concretizar, eu estarei morto daqui a duas semanas, no meu aniversário de vinte e cinco anos.
–Se você não acredita que pode reescrever seu destino, eu digo que eu posso. –falo. Mesmo não o conhecendo, mesmo sem saber nada sobre ele, a ideia de tê-lo como morto em tão pouco tempo me deu um aperto no peito e pela primeira vez após um ano, sinto vontade de chorar. As lágrimas já se seguram por impulso e é fácil disfarçar a tristeza, fiz isso constantemente com Bran quando ele ficava comigo após o acidente dos meus pais.
–Obrigado, mas não acho que você possa fazer isso. –ele diz e se levanta. Eu não sei que tipo de conexão era aquela que eu sentia com Viktor, mas não era algo natural, era como se mesmo sem saber quem ele era, eu já o conhecia desde o princípio. –Vamos. Tenho que liberar sua mente para poder lhe contar a nossa missão.
Acompanho-o e passamos pela porta. Caminhamos por um corredor, onde ficava mais claro que estávamos numa caverna, pois aqui não havia nenhum tipo de revestimento. Andamos por pouco tempo até encontrarmos o fim do túnel que levava para o ar livre. Ao sairmos, é necessário que eu impeça passagem da luz solar com os braços, pois já havia me acostumado a pouca claridade da caverna. Estávamos agora em um tipo de floresta, com árvores altas e próximas umas das outras.
–Enquanto não chegamos à base, posso lhe contar qual o primeiro passo da nossa missão. –ele diz e não falo nada, espero que ele perceba que eu não tenho a mínima ideia do que ele está falando. –Ah! Tinha me esquecido; eu bloqueei sua mente.
Ele toca dois dedos no meio da minha testa e sinto uma pontada de calor preencher toda aquela área. Quando ele retira seus dedos, toda a minha cabeça passa a esquentar, eu coloco minhas duas mãos ao redor da cabeça e fecho os olhos, estava aquecendo cada vez mais, era como uma bomba prestes a explodir e em um instante eu me lembro de tudo. Planetas, famílias, universo, mal, reis, missão, fardo, escolha. Tudo vem a minha cabeça e me seguro para não cair no chão de tanta dor. Minhas mãos continuam na cabeça e meus olhos fechados, à medida que eu vou absorvendo as informações a dor começa a se esvaziar, até que a minha memória é completamente restaurada.
–Dói menos na segunda vez. –ele fala. –É melhor lhe contar depois sobre a missão. Vamos andando.
–Isso é um poder dos habitantes de Lionest? –pergunto após alguns minutos de caminhada.
–Mais ou menos. –ele responde. –Nós, os habitantes de Lionest, além de termos a sociedade que lhe contei, temos como também um poder, a sensibilidade. Somos os seres com emoções mais desenvolvidas da galáxia. Assim, nossas ações, toques ou até mesmo palavras podem ser usadas como armas por serem mais poderosas que o normal.
–Então, o ser que me atacou... –ia falar pela manhã, mas não sabia quanto tempo havia ficado na sala da caverna. –Por quanto tempo fiquei desacordado?
–Dois dias. –ele diz e olho para ele assustado. Assim que vejo novamente seus olhos vermelhos, lembro-me dos olhos da criatura que me atacara.
–A criatura que me tentou me matar há dois dias, ela era de Lionest, não era? –pergunto e percebo que o sol já começava a descer no horizonte.
–Sim, ele era. –ele responde.
–Mas você disse que Lionest vivia em completa paz. –concluo.
–E vive. Não existem guerras lá, não existe nenhum tipo de batalha, mas não quer dizer que não existem pessoas más. Como disse, somos mais emotivos que o normal, sentimos muito mais, logo amamos quase incondicionalmente nossos próximos. –ele diz, porém não com ar de que aquilo era uma coisa boa. –Porpem, um amor incondicional, se corrompido, pode se tornar em um ódio irrepreensível. E foi isso que aconteceu com Edward, o integrante da família Kill que você encontrou.
–Como o amor dele foi corrompido?-pergunto.
–Ele perdeu alguém. –Viktor fala com a cabeça baixa. –Ele perdeu sua mulher, Katarina.
Eu não sabia se podia, ou até mesmo se queria, saber mais daquela história, porém pergunto do mesmo jeito:
–Ela foi assassinada?
–Sim. –ele responde e dá um longo suspiro, o que me fez perceber que ele ia me contar. –Katarina era uma linda exploradora, alguém que viaja entre os planetas para adquirir conhecimento e descobrir novas substâncias neles; tinha olhos vermelho-sangue e pele branca como a neve, seus cabelos negros eram cacheados e longos, e seu rosto era de uma simetria incrível. Por um tempo, ela ficou na Terra. Um dia, que ela se encontrava aqui, acabou encurralada por um grupo de ladrões na Espanha, que queriam assaltá-la. Porém ao perceberem o quão linda ela era, decidiram que iriam “brincar” um pouco com ela. Ela não pôde se defender, afinal, nós não somos conhecidos por sermos violentos. Depois de estuprarem-na, eles a deixaram praticamente morta na rua. Edward, que estava com ela na exploração, a encontrou já morta no chão. O amor, já indescritível, como falamos, se condensou em um ódio tão grande pelos humanos, que sua pele branca se tornou acinzentada e seus olhos escureceram. Edward ainda está na Terra, matando humanos como uma eterna vingança por sua amada.
–E o que fez ele vir atrás de mim?-eu pergunto.
–O quê? Você só é o humano mais importante do século. É claro que ele viria atrás de você, por sorte eu consegui salvá-lo. –ele fala e entramos em uma clareira que possuía uma cobertura de flores diversa e uma cabana pequena à esquerda.
–Então foi você. –digo e me lembro de uma coisa que me deixa nervoso por um instante. –Bran, meu amigo, ele está bem?
–Ele acha que você está no hospital, mas sim, ele ficou bem. Erin fez uma réplica material-hologramática de você na maca, que nesse momento, se encontra em coma. –ele fala se dirigindo à cabana, eu apenas o sigo.
–Material-hologramática? –pergunto.
–Sim. Como se fosse um clone seu, tocável, porém digital. Não é algo que você possa entender ainda. –ele fala e abre a porta da cabana. –Teremos que passar a noite aqui, não é seguro andarmos no escuro, amanhã chegaremos à base.
–E faremos exatamente o quê?-pergunto. Eu estava indo ao desconhecido com alguém que eu não sabia nada sobre, ótimo. E o pior, era para uma missão que eu simplesmente não podia rejeitar.
–Na hora certa você saberá. Não quero assustá-lo tão cedo. Você acabou de se convencer de que irá, não importa para onde. –ele fala sorrindo e entra na cabana.
–Eu nunca disse isso. –digo e entro. Ele liga a luz e agora posso ver que a cabana só possui um cômodo completamente vazio, com exceção de uma cama de casal que se encontra encostada na parede a nossa frente. Eu não ia dormir com ele, de jeito nenhum.
–Não precisa dizer. Eu sinto que você já aceitou que tem que me seguir. E sabe que tudo isso não é algo que você possa escolher. –ele diz se sentando na cama. –Edward não é seu único inimigo, e nem de perto o pior.
–Eu acho que você disse que não queria me assustar. –falo e continuo em pé na frente dele. Ele parece se divertir com a ideia que eu acabara de perceber que aconteceria.
–É verdade. Vamos dormir. Teremos que dormir nessa cama. Boa noite. –ele fala e se dirige a um dos lados da cama. Ele deita de lado, virado para onde eu ficaria, de propósito eu aposto e não fala mais nada.
Eu vejo que não terei escolha, de jeito nenhum teria mais uma noite de sono desconfortável. Então deito ao lado dele, porém de costas para ele. Penso no que Bran diria se visse aquela cena e me divirto um pouco com a ideia. Após duas noites de cama de pedras, uma cama normal (mesmo que ao lado de um estranho e desconhecido homem) me fez adormecer rapidamente e a última coisa que me recordo antes de dormir era ter a sensação de que Viktor me olhava pelas costas.
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