A Sociedade Secreta de Lam Alif

1 O Misterioso Dr. Harold Thomason


Notas iniciais
Espero que gostem do capitulo e da historia.

-Qual o local da morte?- perguntou Dr. Thomason enquanto colocava as luvas brancas de borracha para poder examinar o corpo que o Sr. Wallece havia acabado de trazer.

-No portão da frente da casa de sua filha.- disse Sr. Wallece, ele segurava seu relogio de ouro na mão esquerda, passando o dedo na tampa nervosamente. — Q-quer dizer, da filha dele, doutor, não da sua filha. Ambos sabemos que o senhor nunca foi casado e- ele foi interrompido pelo olhar ameaçador do doutor Thomason, ele tinha uma sobrancelha arqueada e seus olhos estavam arregalados.

Dr. Harold Thompson não era um homem ameaçador, embora muitos achassem o contrario. Era um velho magro e corcunda, com um nariz torto e um queixo fino. Um de seus olhos era de vidro, exibindo uma cor verde escuro, enquanto o outro era azul claro. Ele havia sido o único medico de Villach por quase 10 anos. A maioria dos cidadãos não sabia muito sobre o medico, ou simplesmente não ligavam. Ninguém ligava para ele ate que precisasse de sua ajuda.

Diferente de Sr. Wallece, que era um advogado renomado que quase nunca visitava Villach e quando acontecia, era recebido de braços abertos pelos moradores. Era como se o Sr. Wallece fosse a porta para o mundo a fora, ele sempre estava usando os ternos mais finos e o chapéu mais alto, tinha um bigode enrolado nas pontas e um óculos pequeno de mais para seu rosto excessivamente redondo. Afinal, Villach era uma cidade com poucas casas, todas escuras e com portões altos. O céu vivia nublado e chuvoso, era muito difícil gostar de vivar em Villach. Era o tipo de lugar que só havia um medico, uma escola, uma loja de roupas, um mercadinho, um cemitério e uma igreja.

O doutor abriu o saco em que estava o corpo, ele torceu o nariz, como sempre fazia quando sentia o cheiro de um corpo que ja estava em decomposição por mais de três dias. O homem morto tinha uma barba rala e loira, era quase careca e gordo. A única coisa que o diferenciava de um ser humano normal era que não tinha um dedo e seu crânio estava esmagado completamente. Parte do osso estava saindo pela sua testa e seu maxilar estava torto em um angulo de quase 90 graus para o lado esquerdo.

-Ah,- disse Sr. Wallece, olhando para o lado e gemendo de nojo e desconforto.

-O quefoi, senhor?- perguntou o doutor, sorrindo. -Esta se sentindobem?

-Claro- eledisse, pigarreando e tentandomantersuapostura formal. -Vamos logo com isso.

O medico virou a cabeça do morto, examinando a parte de trás de sua cabeça, como previsto, estava roxa e verde, jorrando pus e sangue coagulado.

-CRUZES!- gritou Sr. Wallece.

-Me passeaquelepote, o ultimo da prateleira de cima. -disse o medico.

-E-esteaqui? Mas estacheio de-

-Eusei. Agora me de o vidro.

Mantendosuadistancia, o senhorentregou o potesujoaodoutor, queagarrou-o rispidamente.

Ele removeu a tampa e enfiou a mão dentro do pote, retirando um punhado de larvas amarelas. Elas se retorciam e encolhiam. Cuidadosamente, o médio colocou os vermes no ferimento do morto, deixando-os entrarem, as larvas sugavam e limpavam o sangue e o pus.

O medico limpou as mãos em um pano branco, sujo e velho, então se virou para o Sr. Wallece e disse:

-Eu era.

-Desculpe?- disse o senhor, parecendoconfuso e enjoado.

-Eu era casado.

-Ah... Puxa, Dr. Thomason. Sinto muito, eu não sabia. Ela faleceu?

-Não.

-Entaoela o deixou?

-Não. Eu a deixei.

-Possolheperguntarporque?

-Bom, agora japerguntou, nao e mesmo?

-Sim, mas-

O medico deu uma risada alta e cruel, como se tivesse contado uma piada muito engraçada.

-Sinto, senhor Wallece, não e uma historia que gosto de compartilhar.

-Entendo.

-Bem, as larvasjadevemterfeitosuatarefa.- disse o doutor, retirando-as do ferimento e colocando-as de volta no pote.

Agora, o ferimentoestavalimpo e era facilverquealguemhaviabatidoemsuacabeça com muitaforça.

-Este homem, eletinhaalguminimigo?- perguntou o medico, enquantoexaminava o ferimento com umalupa.

-Nao que eu saiba. Nao o conhecia direito. Só sei que seu nome e Alfred Jarchen por causa da etiqueta em seu pé Enfim, sabe me dizer qual a causa de morte?

-Claro.- disse o medico, como se o senhor Wallece tivesse feito a pergunta mais obvia do mundo.- Obviamente, ele recebeu uma pancada muito forte, causando um traumatismo craniano serio. Provavelmente morreu sem sequer saber o que o atingiu.- o doutor colocou luvas brancas e limpas e então pôs o dedo na boca do morto, por um momento ele só continuou mexendo o dedo, procurando alguma coisa, então, congelou.

-Estatudobem?

-N-na- quer dizer, sim. Est-ta tudo ótimo.- O medico disse, retirando um objeto pequeno da boca do morto. A distancia, parecia uma pedrinha, mas se observasse de perto, perceberia que na verdade era uma cruz ortodoxa com as letras árabes "Lam" e "Alif" no meio, escrevendo "LA".

-O que-? — perguntou Sr. Wallece.

O medico não respondeu, fechou a mão rapidamente, escondendo o objeto.

-Irrelevante.- elesorriuinseguramente.-Podelevar o corpo, senhor. Jaestamosprontosaqui.

O Sr. Wallece assoou o nariz e carregou o corpo para for a em cima de uma mesa com rodinhas, tomando cuidado para nao bater nas paredes e agradecendo ao medico pela atenção e pela ajuda.

Quando estava finalmente sozinho, Dr. Thomason parou para examinar o amuleto, sua expressão era confusa e surpresa, como se não acreditasse no que via.

-Ah, não...- murmurou.

Notas finais
LA em arabe se escreve assim: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d4/23a-Lam-Alif.png
Espero que tenham gostado,