A Sociedade Secreta

3 Fumaças podem ser más.


Notas iniciais
Esse cap não ficou muito grande, mas compenso com o quarto. Sei que demorei um pouco, mas aqui está. Aproveitem!

Nicolas tinha sido o primeiro a chegar, não estava nem um pouco animado, mas tentou dar um leve sorriso para inspirar confiança, o que só me fez me sentir mais culpado ainda. Convidei-o para entrar e ele se sentou no sofá. Não dissemos nenhuma palavra até Rose chegar, ela estava linda como sempre, seus cabelos presos em um rabo de cavalo e um vestido branco com detalhes azuis. Ela me cumprimentou com um leve beijo no canto da boca e se sentou ao lado de Nicolas.

"Então essa é Rose? A garota da qual você me contou João?" Perguntou Nicolas, e depois moveu os lábios dizendo "que gata", mas sem fazer som algum.

"É essa sim. Rose, este é Nicolas, e Nicolas, esta é Rose." Os dois se cumprimentaram com um aperto de mão. " Então, já podemos começar a falar de seu plano?"

"Bem, acho que devíamos esperar seu amigo chegar, mas já adianto que será muito perigoso e sombrio. Mas agora que já estão envolvidos, não tem como voltar atrás."

Finalmente a campainha toca novamente, e Baltazar chega, mas dessa vez mais animado que na lanchonete, ou seria só nervoso?

"Bem, agora podemos começar a discutir o assunto realmente importante, o do qual nossas vidas dependem. Rose? "Eu fiz um gesto para que ela falasse.

"Espera um pouco." Disse Baltazar. "Quem é ele? Esse cara que vai sugar nossas almas e arrancar nossa pele?"

"Ele é um demônio, que Julio libertou ou invocou no sótão acidentalmente. Nós nunca o vimos, mas dizem que ele tem várias formas. Sendo assim, ele pode parecer um ser humano, um cão raivoso com garras gigantes e a boca coberta de sangue, o seu pior medo ou então ele aparece em forma de uma fumaça negra que te consome até seu corpo secar, seu cheiro é terrível, parece uma mistura de pessoas mortas com enxofre." Eu e Nicolas estávamos em choque, mas Baltazar não parecia tão assustado.

"Quer dizer que nós estamos sendo ameaçados por uma fumaçinha fedorenta do mal?" Perguntou Baltazar aborrecido. A situação teria sido até engraçada se não estivéssemos à beira da morte. "E como o impedimos? Jogamos aromatizante no ar em volta dele?"

"Quem dera fosse tão simples assim." Disse Rose desapontada. "O único jeito é vocês três irem ao casarão e participarem de um ritual conosco chamando esse demônio e, quando ele aparecer, teremos de recitar um feitiço que o prenda na caixa de onde ele saiu e depois destruiremos a caixa. "

"Mas, se é tão fácil assim, por que vocês não fizeram esse feitiço ainda? "Perguntou Nicolas curioso.

"Não fizemos, pois precisamos de pessoas de fora para realizá-lo, pessoas que não estavam no casarão na morte de Julio. Talvez a alma de vocês ainda não seja totalmente dele, então vocês podem realizar o feitiço para prendê-lo lá." Rose explicou.

"Bem... agora não podemos mais voltar atrás. "Nicolas se manifestou, mas mostrando claramente que não estava confortável com aquilo. Aliás, nenhum de nós estava. "Então, que horas nos encontraremos no casarão, e como saberemos fazer o ritual?"

"O ritual é mais simples do que parece, mas vocês só poderão lê-lo na hora certa, pois se for lido sem os materiais necessários, pode queimar seus olhos." Rose nos olhou preocupada. "Deixem que eu levo os materiais e cuido de tudo, só preciso da presença de vocês lá para que tudo dê certo. Sinto muito, mas tenho que ir avisar os outros jovens do casarão, se cuidem. E me encontrem amanhã de manhã em frente ao casarão para conversarmos mais, e combinarmos a data do dia mais importante de nossas vidas." Com essa frase, Rose se retirou e passou pela porta rapidamente, antes que eu pudesse pedir que esperasse para tirar algumas dúvidas que deviam martelar na cabeça de todos.

"Bem... acho que também vou indo." Baltazar se levantou e caminhou vagarosamente em direção a porta. Ele, pela primeira vez, não estava feliz e brincalhão, mas triste e sem vida. "Vejo vocês amanhã às nove no casarão." Disse, dando um ultimo aceno e fechando a porta.

Agora estava eu e Nicolas, meu amigo mais próximo, mais ainda que Baltazar. Sabia que não devia falar desse assunto com ele, mas sentia que ele poderia me ajudar.

"Nicolas, preciso te mostrar uma coisa. É um site que achei sobre um menino, e sobre essa maldição. Preciso da sua ajuda para descobrir tudo o que ele sabe."

"João, isso é perigoso, pode ser que o demônio nos ache se soubermos demais. Talvez seja mais seguro não pensarmos nesse assunto até o dia."

"Você não quer sabe contra o que estamos lidando?" Perguntei segurando os ombros dele. "Você não quer descobrir se existe outro meio de impedir ele?"

Nicolas me fitou por alguns segundos, depois suspirou e sentou-se no sofá parecendo cansado. "Ok, me mostra, mas não gosto disso."

Fui pegar meu computador em cima da bancada. Liguei-o e coloquei no site, mas o vídeo não carregava, sempre aparecia uma mensagem de erro quando eu tentava abri-lo. Outros vídeos carregavam normalmente, então chamei Nicolas e o mostrei o que tinha acontecido. Ele me disse que poderia ser um problema no vídeo e que era uma pena, mas não conseguiríamos vê-lo. Eu não me dei por vencido.

"Vamos até a casa desse tal de Paulo para descobrirmos o que ele sabe. Precisamos de mais ajuda." Olhei para Nicolas esperançoso. Ele hesitou, mas acenou com a cabeça positivamente. "Ótimo, ele mora a cinco quadras daqui, vamos até a casa dele." Depois de dizer isso, caminhei em direção à porta com Nicolas atrás de mim e saímos para achar Paulo.


Notas finais
Sei que não ficou grandes coisas, mas garanto que capricharei no capítulo 4. Nele terão várias descobertas e... bem, vocês irão descobrir.