A Sociedade Rubi

42 Seis criaturas do caos


Notas iniciais
Olá pessoal! Tudo bem? Demorei um pouco, mas cá estou. Esse é um capítulo spoiler do futuro. Kkk espero que gostem!

Meu corpo estava formigando. Estava deitado e não fazia ideia de onde estava. Balancei a cabeça, mas parecia que algo impedia. Abri os olhos, tudo embaçado. Levei a mão no rosto, meu braço doeu. Pisquei os olhos e tentei enxergar melhor.

Estava em um leito hospitalar. Deitado em uma cama desconfortável e com um protetor no pescoço. Meu braço estava com alguns furos, provavelmente de soro. O que houve comigo?

Aos poucos fui me lembrando. Magia negra. Provavelmente eu perdi muito sangue com o vômito. Tudo tem seu preço e eu estava pagando.

– Mas que droga. – disse para mim mesmo.

Na frente da janela estava alguém. A pessoa observava o que passava lá fora, como se fosse uma forma de se livrar do que via ali dentro. Pelo menos não acordei sozinho.

– Acordou Peter Pan? – era Jasper.

– O personagem que dorme é a Bela Adormecida. – não conseguia nem falar direito.

– Eu escolho o personagem que eu quiser. – o invocador se virou e sorriu. – Melhor?

– Pareço melhor? – perguntei com toda ironia.

– Sim. – disse Corea enquanto entrava no quarto. – Você dormiu bastante. Foi o penúltimo a acordar. Doc ainda está dormindo, mas vai acordar em breve. Ele não participou do ritual diretamente, mas magia negra desse nível tem um preço bem grande. Quase mataram Doc. Ele tem muita sorte mesmo, vive e morre todos os dias. Se todos fossem assim as damas da noite já estariam mortas.

Tentei me sentar na cama. Tinha dificuldade. Tirei o protetor do pescoço e finalmente me sentei direito. Era bom mexer como uma pessoa normal.

– Por que estou num hospital? – perguntei ainda confuso.

– Não sabíamos direito o que fazer com você. – Jasper respondeu. – Magia branca não te curaria e negra poderia piorar ainda mais. Então sobrou apenas uma opção, os humanos cuidariam melhor de você.

– Quanto tempo eu dormi?

– Duas semanas. – Corea respondeu. – Não perdeu muita coisa. Nas outras sociedades que a coisa ficou feia. Tivemos algumas baixas na Sociedade Diamante, mas graças a Ordem do Obscuro tudo ficou bem, evitando mais mortes. Os grifos deram muito trabalho para eles.

Sentia que tinha algo mais. Os dois invocadores estavam escondendo algo. Eu tinha que saber o que era. Podia sentir o medo deles, mesmo Corea escondendo muito bem isso.

– O que mais aconteceu? – perguntei.

Os dois invocadores se olharam. Eles temiam o que iriam dizer. Olhei fixamente para eles, precisava de uma resposta. E eles tinham que me contar.

– Não é o que aconteceu. – Jasper começou a explicar. – É o que está prestes a acontecer. Sinto em te avisar Hooper, mas a lua estará cheia amanhã ao que tudo indica.

– Tenho que sair daqui! – disse desesperado.

O médico entrou logo em seguida e explicou meu estado. Corea e Jasper haviam falado para o médico que sofri um acidente de carro e ele acreditou. Então o resultado era que me machuquei por dentro, ferindo alguns órgãos. Mas agora estava bem e poderia voltar a viver normalmente. Eu estava liberado. Acidente de carro era igual ao poder de persuasão de um invocador de vampiro, fazia parte de nós também.

Troquei de roupa. Era bom poder vestir roupas de invocador. Já não me sentia um humano comum, eu já conhecia a verdade e não queria voltar a ser um ser comum.

Saímos do hospital e entramos no carro negro que Jasper dirigia. Fomos direto para o casarão, que ficava na mesma cidade. Chegamos no casarão e Rhodes estava na janela, ansioso pela nossa chegada. Entramos e o senhor do casarão me abraçou, mostrando um certo desespero.

– Está bem? – ele arregalou meus olhos com os dedos. – Parece bem. Acha que está?

– Sim. – respondi um pouco confuso.

– Ótimo. – ele suspirou. – Já não aguentava Yves reclamando de você não acordar.

A invocadora desceu as escadas correndo, mas logo em seguida parou na minha frente e deu um sorriso enorme. Era muito bom vê-la daquela forma. Em seguida Yves me abraçou.

– Você tá bem. – até seu tom de voz estava diferente. – Pensei que não fosse acordar.

– Quanto tempo você ficou dormindo? – perguntei. – E o que houve com Doc?

– Uma semana e meia. – Yves respondeu. – Doc sofreu a magia negra mais que nós, digamos que em algumas magias negras é necessário um sacrifício, nessa, foi necessário sangue, muito mais sangue do que para falar com Drácula. – ela mostrou o braço. – Todos nós fomos internados e tivemos que receber sangue. Ia ser de humano já que estávamos no hospital, mas Rhodes convenceu todos de doarem, eles alteraram algumas coisinhas no hospital.

– Não ia deixar vocês receberem sangue de gente comum. – disse Rhodes com uma expressão de nojo. – Poderia deixa-los fracos. Drácula não iria gostar. Agora vá descansar Hooper, imagino o quanto sua cama era desconfortável.

Rhodes estava certo, eu estava implorando pela minha cama, o meu quarto e os meus amigos. Quando se acorda de um sono profundo, a primeira coisa que você vai querer é sua casa e o casarão era a minha.

Subi as escadas e fui direto para o meu quarto. Queria descansar de verdade. Abri a porta e me joguei na cama sem pensar duas vezes. Ainda não entendi a quantidade de sono que havia adquirido tão rapidamente. Fechei os olhos. O que poderia acontecer? Eu estava cansado, era só um cochilo. Nada de mais.


Estava tudo preto.

Até que um número aparece em minha frente, escrito com fogo.

6.

Minha respiração era ofegante.

Não era uma visão comum onde eu via meu futuro.

Era uma visão do futuro que estava chegando, não só para mim.

Mas para todos nós.

“Preste atenção” – alguém sussurrou para mim. “Não vou te ajudar para sempre”.

Estava num campo. Vegetação rasteira. Um lugar quente onde o sol iluminava tudo.

Respirei fundo.

Algo se aproximava.

O animal tinha dois a três metros de comprimento. Suas escamas eram de um verde escuro, visivelmente sujo. Tinha chifres distribuídos pela cabeça, todos projetados para trás. Era uma cobra gigante com olhos amarelos e enormes.

“Basilisco”.

A outra criatura era um esqueleto. Era um morto-vivo em último estado. Um amontoado de ossos que segurava uma espada também de ossos.

“Esqueleto”

O outro ser era gigantesco. Seis metros de altura e com dentes visivelmente podres. Não continha uma arma, seu tamanho grotesco deixava claro.

“Gigante”.

O próximo animal era o animal que Malleus já havia derrotado. Serpentes gigantes com várias cabeças. Eu sabia muito bem o que aconteceria se cortasse uma, outra nasceria no lugar.

“Hidra”.

Do seu lado estava um morto-vivo. A pele estava corroída pelo tempo e o sangue já estava seco. Não possuía um dos olhos e os cabelos já estavam excessivamente ralos. Estava cheio de ferimento, mas mesmo assim estava vivo.

“Zumbi”.

Um pouco atrás estava um ser alto, aparentemente feito de vegetação e cascos de pedra.

“Troll”.

“Você viu tudo Hooper” – eu conhecia aquela voz, mas não conseguia identifica-la. “Estou do lado de vocês”.


Acordei com o corpo dormente. Balancei a cabeça, minha respiração estava horrível. Fechei os olhos, respirei fundo. Estava confuso. Quem estava tentando me ajudar?

Alguém bateu na porta e eu levantei zonzo. Minha visão ainda era embaçada e meu corpo estava quente. Abri e a pessoa me ajudou a sentar, logo em seguida mais uma entrou e esta fechou a porta.

– O que houve com você? – não conseguia dizer quem era a pessoa dona da voz.

Aos poucos minha visão foi voltando ao normal. Cocei os olhos e foquei em quem estava ali. Yves e Jasper. Ambos pareciam preocupados, mas sem dúvida minha notícia pioraria tudo.

– O que houve com você Hooper? – Jasper perguntou.

– Visão. – Yves sorriu. – Aposto que é isso. Dá pra saber só de olhar pra você Hooper. Pode contar.

– Eu vi criaturas. – respondi com temor. – Seis criaturas e tinha uma voz, eu conhecia aquela voz, não era a que me ameaçava, esta estava me ajudando, ajudando a todos nós.

– Que criatura? – Jasper estava preocupado. – Eu já volto. – em seguida ele saiu.

Yves se sentou do meu lado, segurou minha mão. Ela queria me dar força. Era isso que todos deveriam fazer em tempos escuros. Se unir. E todos os invocadores faziam isso. Faz parte da nossa natureza.

– Estou com você. – Yves beijou os meus lábios e eu retribuí. – Todos os dias.

– Eu sei disso. – sorri para ela e segurei ainda mais firme a sua mão. – E eu também estou.

Jasper entrou no quarto no exato momento que íamos nos beijar novamente. Ele fechou a porta e bateu novamente.

– Posso entrar? – ele perguntou do lado de fora.

– Pode. – nós respondemos.

Nas mãos de Jasper estava um livro de capa azul e com bordados em dourado. Era grosso e as palavras na frente se mexiam, sendo difícil ler o título.

– O livro das criaturas místicas. – disse Jasper. – Todas as raças estão aqui. Tudo o que sabemos sobre elas. Então comece a falar Hooper, porque você recebeu um presságio.

– Basilisco, esqueleto, gigante, hidra, zumbi e troll. – respondi.

Jasper balançou a cabeça. Ele não havia gostado do que eu havia falado. Yves também demonstrou negação. O invocador abriu o livro e as palavras sugiram.

– São as seis criaturas do caos. – disse Doc enquanto entrava em meu quarto, ele estava recuperado. – As seis criaturas de batalha. Elas são os seres que lutam em batalhas sempre do lado do mal. São criaturas feitas de caos. – ele olhou para Jasper e sorriu. – Pode guardar o livrinho que eu sei tudo.

– Idiota. – Jasper riu. – Você decorou todas essas coisas.

– É um dom. – Doc retribuiu o riso, mas em seguida ficou sério. – Basilisco: ele pode te petrificar, te transformar em pedra caso olhe para ele. É um ótimo nadador e ele meio que corre sobre a água, é sinistro. Mas ele tem uma desvantagem, o fogo e o calor.

– Esqueleto. – falei a próxima criatura.

– Ele é fraco. – Doc sorriu, para ele isso era bom, mas eu sabia que quanto mais fraco, maior era o número. – São imunes ao frio e o gelo, armas cortantes não fazem estragos. Mas ele não pode se recuperar dos danos que sofrem. Magia que afeta a mente também não tem efeito. É só desmontar a criatura. Simples.

– Gigante.

Doc fez uma cara feia. Até eu sabia que não era coisa boa. O invocador cruzou os braços e voltou a falar:

– Imensos, monstruosos, cruéis e burros. Muito burros. Não sei muito se temos vantagens sobre eles, como sabem são gigantes! – ele disse empolgado. – Tem os ciclopes também, são parentes e mais maus.

– Hidra.

– Temos algumas elementais, mas a maioria é de fogo. Não gosto delas, ninguém gosta, mas o Malleus conseguiu derrotar uma, então estamos em vantagem. Elas só cospem o elemento em uma cabeça, então não a corte, vai crescer duas no lugar.

– Troll.

– São feitos de plantas e pedras, o que resulta em virar pedra quando a luz do sol entra em contato, ou seja, são criaturas da noite. Para mata-los, somente fogo ou ácido, já que eles se regeneram. São fracos, mas alguns são bem altos.

– Zumbi.

Outra careta. Ele descruzou os braços e se sentou, tinha algo ruim para explicar e eu já imaginava o motivo.

– São parecidos com os esqueletos. – cada palavra foi dita devagar. – São lentos. Recebem ordens para atacar o inimigo e o transformar em outro zumbi. Para detê-lo basta uma pancada na cabeça.

– Ou decapitar. – falei e Doc me encarou surpreso. – Eu via The Walking Dead.

– Tá. – Doc continuou me olhando de forma estranha, ele achava que só ele sabia sobre criaturas. – Não recuperam os danos, perdeu uma perna, perdeu, mas continua vivo.

Saímos do quarto e corremos para avisar Rhodes. Ele não estava bem. Estava com olheiras e parecia com medo, olhava para todos os lados, esperando que algo emergisse das sombras. Contamos a ele e sua expressão continuou igual, nada o surpreendia mais. Aquilo não era bom, Rhodes tinha que continuar lúcido.

Continuamos treinando no resto do dia. Suando e dando duro. Sem pausas, melhorando cada vez mais. A espada de fato não era meu forte, até que me entregaram um bastão com duas lâminas na ponta, esse era o meu forte. E estava feliz por isso, me sentia parte do grupo armado.

Quando o dia terminou e a noite caiu, todos apagaram as luzes e se reuniram no subsolo do casarão. Não era medo, mas sim tensão pelo dia seguinte. Dormimos tarde, contando as horas e esperando pelo pior. E tudo continuou igual. Yves me disse duas ou mais palavras doces, seguida por um soco no estômago quanto ao que nos esperava. Rivera deu em cima de Jasper e Ramone ao mesmo tempo. Malleus e Corea discutiram sobre métodos de batalha. Enquanto Doc ficava sozinho, pensando em toda sua vida até então. Havia um sentimento naquela noite, algo coletivo e torturador.


– Estamos ansiosos pelo sangue. – disse Corea num canto antes de dormir. – Mas qual será o primeiro a derramar amanhã, o das damas da noite ou o nosso?

Notas finais
Oii, então pessoal, quem acham que está ajudando o Hooper? Façam as apostas! Até!!