A Sociedade Rubi
14 Profecia dos elementos
Notas iniciais
Guardamos as coisas e descemos para falar com Rhodes. A visão de Yves era confusa, na verdade ela não sabia como explicar. Havia anotado tudo no caderno e segundo ela, apenas ela própria poderia ler, era alguma espécie de magia que ela havia colocado.
Outro detalhe da Sociedade Rubi é que é a nossa sociedade a que mais usa magia, sendo branca ou negra. Então portas são trancadas com magia de selamento, feitiços usados para encontrar as coisas, entre outras.
Rhodes parecia já saber o que nós tínhamos feito. Ansioso se aproximou de nós. E naquele momento qualquer um podia ver o quanto ele era curioso.
– O que os primeiros disseram? – ele perguntou.
– Estamos lidando com o início da magia. – disse Jasper. – As damas da noite.
– Por Drácula! Não pode ser! – Rhodes estava muito surpreso. – Não tem como evitar. Estamos perdidos. Sorte que é apenas por uma noite.
– Dessa vez não. – disse Doc. – Há uma profecia que diz que dessa vez a noite durará muito tempo. Então estamos mesmo perdidos.
– Errado. – disse Yves. – Tenho uma nova visão. E eu sinto que as coisas ficarão divertidas.
Descemos as escadas para a toca dos invocadores. Yves segurava o caderno como se fosse uma relíquia e para ela era. Os outros invocadores estavam lá, nas suas funções, mas quando nos viram juntos de Rhodes pararam o que estavam fazendo e vieram até nós.
– Invocadores de vampiros. – disse Rhodes. – Estes jovens invocadores fizeram contato com os primeiros invocadores. E segundo Jasper, nossos inimigos são de uma lenda antiga. Todos vocês já devem ter ouvido falar das damas da noite, pois bem, sabemos que elas se alimentam raramente, mas dessa vez há uma profecia. E será diferente.
– Mas tenho esperança que será diferente. – disse Yves. – Tive uma nova visão.
– Ótimo, mais uma das suas visões. – disse Rostock. – Elas nunca são importantes, Yves.
– Errado. – disse Doc. – Dessa vez é muito diferente. Conte a eles Yves.
O local ficou silencioso e todos olhavam apreensivos para Yves. Ela segurou o caderno e olhou para mim. Apenas assenti como apoio. A invocadora abriu o caderno e começou a contar:
– Dos céus gotas de chuva caem e molham todos os invocadores ali. Vestidos com capas negras e rubis no pescoço. Olham apreensivos para o portal a frente. E este, diferente de todos os outros, é muito mais vermelho e borboletas de fogo saem a todo instante. Nós estamos frente a frente para o portal. Até que damos um passo para trás quando vampiro o atravessa. E aquele vampiro possuía guardas vampiros. Vestido como uma armadura negra enquanto os outros com armaduras vermelhas. Ele se apresenta como Drácula e olha fixamente para nós, os mais jovens e abre um sorriso mostrando os dentes, mas não era perigoso. E de sua boca sai uma frase: Do fogo vocês protegerão, pois do fogo nasceram, e com o fogo se armarão.
Todos olhavam ainda para Yves, como se estivessem esperando mais. Até mesmo eu queria saber o que acontecia depois. Mas ela continuou calada. Rhodes cruzou os braços e sorriu.
– Parece que vamos conhecer Drácula aqui na Terra. – disse Rhodes. – Nunca pensei que poderia vê-lo novamente! – ele parecia muito animado. – Temos que nos preparar.
– Não sei se vai acontecer tão rápido assim. – disse Yves. – Sabe que minhas visões demoram um pouco.
– Mas é nosso senhor! – Rhodes estava muito feliz. — Temos que manter tudo em ordem.
– Ele não parecia feliz. – disse Yves. – Estavam armados para uma guerra, não para uma cerimônia de encontro. Usavam armaduras e os olhos estavam cerrados, como se buscassem o inimigo. E o que ele quis dizer com as palavras “e com fogo se armarão”, era que estava nos dando armas e armas antigas. Tenha noção Rhodes, ele estava nos dando o dom do fogo.
– Então você acha que ele virá quando a lua estiver no alto? – Jasper perguntou.
– Lua de sangue. – ela respondeu. – E a chuva não era comum. Quando tocava na pele virava vapor.
Rhodes já não parecia feliz. Na verdade parecia que ele queria sumir. Ele caminhou até o computador e ficou observando uma tela que parecia um radar.
– O que vamos fazer? – perguntou Pierre. – Não podemos ficar despreparados, só esperando a hora chegar para fazer algo.
– Vamos proteger, fazer o que sempre fizemos. – disse Rhodes. – Mas não vamos ficar esperando as armas chegarem. Todos vocês irão aprender uns truques novos, até os invocadores das outras sociedades. Jasper selecione algumas pessoas para aprender arco e flecha, eu vou instruir a espada. E temo em ter que falar isso, mas se tudo caminhar como caminha, teremos que mexer com os humanos. Pois o nosso mundo é o mesmo que o deles. Espero que não chegue a tanto.
E todos ficaram em silêncio, esperando algo mais, mas não tinha. Rhodes estava tomando uma decisão séria, o tipo de decisão que não tomaria se não estivesse desesperado. Ele caminhou até o meio dos invocadores e continuou sério.
– Espero que tenhamos sorte. – disse Rhodes. – As coisas ficarão bem ruins. Vou falar com as outras sociedades, pois acho que os senhores deles também voltarão.
Todos voltaram para suas atividades. Nós ficamos ali mesmo, esperando algum vampiro precisar de ajuda. Jasper estava anotando alguns nomes para ensinar arco e flecha. E ele anotava os nomes numa folha de papel e ficava observando, como se esperasse que aquela pessoa fosse boa naquilo. Quando acabou veio até nós.
– Gillis, o que acha de aprender a atirar? – Jasper perguntou. – Você não tem muita disciplina, mas acho que dá.
– Pode me chamar de Katniss. – disse Gillis com a mão na cintura. – Sou o Legolas daqui. O Daryl dos vampiros.
– Não exagera. – disse Jasper. – Hiden, você na sua sociedade praticava também, certo?
– Isso aí. – Hiden respondeu. – A maioria usava arco para alcançar os dragões no céu. Eu estava sendo instruído até que vim pra cá. Pode me colocar na sua listinha.
– Eu poderia colocar mais nomes, mas acho que não paciência para ensinar o que não tem como destino essa área. Pensei em te colocar Hooper, mas tenho certeza que Rhodes vai querer te ensinar espada. E Yves, você é a que lida melhor com magia, Rhodes nunca permitiria que eu a colocasse.
– E o Doc? – Gillis perguntou.
– Não. – disse Doc. – Nem pense. Sou contra violência.
– Viu? – disse Jasper. – Quantos aos outros, não conheço vocês direito, mas acho que usam outras armas. As aulas serão quando eu tiver tempo, se dediquem ok?
Gillis parecia muito animado com a novidade. O idiota iria aprender algo e estava se achando, comparando com todos os arqueiros famosos, de Robin Wood a Arqueiro Verde. Já Hiden estava na dele, era só um treino em outro lugar. Rhodes apareceu novamente e deu a notícia que Jasper já esperava. Eu aprenderia a usar a espada. Confesso que não estava animado, mas fazer o que? Eu nunca gostei do Aragorn ou do He-Man. Queria ficar a minha e aprender magia, já que meu personagem preferido sempre foi o Galdalf e o Dumbledore. Rhodes também ensinaria Delaware, que segundo ele, por ser pequena era ágil.
Foi então que levamos um susto com o radar disparando. A luz ficou azul e corremos para frente da tela. O radar detectava uma criatura que não tinha asas, mas uma cauda. E aquele não era o seu lugar.
– O que é? – Gillis perguntou.
– É uma sereia. – Rivera respondeu.
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