A Sociedade Rubi

24 O monstro alcoólatra


Notas iniciais
Olá pessoal! Kkk Desculpe por todooo aquele climão. Até eu fiquei tensa pensando. E hoje dois capítulos siiiiiim! Grandes revelações! Kkk E pessoal que ama Yves e Hooper, eles ainda passarão por muitas coisas, mas lembrando, o amor é a base de tudo.

Voltamos para o casarão e Rhodes parecia preocupado. A testa franzida e o olhar trêmulo denunciavam o nervosismo. Calado, ele nos levou até o subsolo, onde todos já estavam reunidos.

O estado de tensão era coletivo. Olhos pesados de olhar intenso, como se procurassem uma saída. A cor pálida estava até mesmo em Murphy e Rivera.

– O que aconteceu? – perguntei.

– O que não deveria. – Rhodes respondeu e seu olhar estava fixo em Valentina.

– Já disse que não tenho nada haver com isso! – ela tentava se defender.

Rhodes ignorou o que ela disse. Nada mudaria sua mente que parecia encaixar todas as peças. Ele estava nervoso e ao mesmo tempo querendo fugir. Era o jeito dele, sempre confuso.

– Não sei como dizer isso e aceitar. – ele socou a mão sobre a mesa e em seguida olhou para Collins. – Fomos buscar algumas coisas do garoto, mas aconteceu o que não deveria acontecer.

– O que aconteceu? – Yves perguntou nervosa. – Algum humano viu vocês?

– Pior. – Jasper respondeu. – Os humanos ainda se lembram de Collins e de sua mãe. Sabem que ela desapareceu e alguns até viram a movimentação ontem a noite. O que não é nada normal. Estamos correndo um perigo.

– São humanos! – Rivera riu. – Eles são insetos perto de nós. Não vão fazer nada.

– Esses humanos não. – Doc respondeu. – Mas a Ordem do Obscuro sim.

– O que é isso? – perguntei.

– É melhor o Gaspar explicar. – disse Corea.

Gaspar estava tenso, assim como Rhodes e todos os outros. Mas ele em especial parecia pior. Era como se ele conhecesse essa tal de Ordem do Obscuro. E não estava nada feliz por isso.

– São humanos que não se tornam lacaios cinza se verem uma criatura. São humanos normais que conhecem a verdade e vivem nela. São descendentes do primeiro caçador de criaturas. Helsing, como era chamado. Esse homem teve muitos descendentes. Sua família inteira é como ele, mantem a tradição, a caça. Matam a primeira criatura que ver. Assim como nós, eles são guardiões, com algumas diferenças. Nós protegemos mais as criaturas e eles protegem apenas os humanos. – Gaspar parecia cada vez mais branco. – Nós antes vivíamos em conflito com eles. São os únicos humanos com capacidade para nos enfrentar. São arrogantes, bravios e perspicazes, assim como nós. Mas um dia conseguimos entrar em acordo, só que nenhum poderia interferir no caminho do outro e eles obedeceriam também as leis como a da reprodução. Desde então cada um vive na sua, na sua área e cuidando de suas coisas. Eles costumam aparecer quando algo como aconteceu acontece. E eu conheço bem eles. – Gaspar abaixou a cabeça e ficou em silêncio em um instante, até que a ergueu novamente. – Já fui um deles até que fui iniciado. Já fui Gaspar Helsing, um caçador do obscuro como se chamam. Mas agora sou Gaspar Rubi e estou bem melhor assim.

Até mesmo Valentina parecia preocupada naquele momento. Ela olhou para o chão e em seguida para mim. O olhar frio e vazio. Mas parecia clamar por uma fuga. Ela parecia com medo e isso era mais uma evidência que havia algo a envolvendo.

– Eu odeio aqueles idiotas. – Rhodes cuspiu no chão e em seguida pisou em cima. – Mas parece que vamos ter que recebê-los. E vai ser difícil manter a ordem. Yves e Collins vão logo para a invocação, temo que será pior se verem que um vampiro manipulado gerou uma iniciação. Podem ir.

Yves se distanciou de mim e Collins saiu junto com ela. A invocadora não disse nada. Não parecia satisfeita. Mas havia conseguido o que todos ali queriam, estar bem longe quando os caçadores do obscuro chegassem.

– O que podemos fazer para nos livrar deles? – Rivera perguntou.

– Nada. – Delaware respondeu. – Somos da mesma região que eles. Somos sempre obrigados a conviver. E sinceramente eles ficam mais orgulhosos e bravios a cada dia. Estavam no dia que eu quase morri. Podem ter seus defeitos, mas resolvem alguns problemas. Sem falar que evitam a morte sempre que possível. Diferente de nós. Acho que não vão trazer mais problemas, mas sim nos ajudar no que já temos.

– Tem certeza garotinha? – Rhodes perguntou. – Não parece o tipo de menina que enfrenta seus medos.

– Só porque sou pequena e frágil? – pela primeira vez vi Delaware encarar alguém. – Desculpe senhor, mas invocadores de lobisomens nunca fogem da batalha e lidamos sempre frente a frente com o que nos atormenta. Posso parecer frágil sim, mas me dê uma pistola e mostrarei que não tenho medo. Perdi minha família, meu irmão. Tenho pesadelos todas as noites e todos retratam a mesma coisa. O meu maior medo e que já enfrentei. Mas então senhor Rhodes, eu lhe pergunto o senhor já enfrentou seu medo?

Ele ficou em silêncio. Havia sido humilhado por uma garota pequena e que não tinha nada de frágil. Pela primeira vez Delaware havia deixado claro a todos, que era mais forte do que pensavam.

– Eu gostei dela. – Corea riu. – Mas invocadora, acho ninguém aqui ainda enfrentou seu maior medo. Pelo menos não todos.

– Então deve estar chegando a hora. – disse Doc. – As damas da noite se tornaram nosso maior medo. Eu acho, assim como Delaware que a Ordem do Obscuro irá nos ajudar. Afinal, pelo o que vimos, as damas da noite são ameaça para os humanos também.

– Vamos esperar para ver. – Rhodes saiu da sala.

Dado por vencido duas vezes. Doc, Corea e Delaware. Quem seria o próximo. Olhei para todas pessoas ali, eu também esperava uma fuga. Mas onde? Meu olhar colidiu com o de Valentina. E eu senti frio e medo, o que não lembrava como era.


Nem tudo é como você quer...

A noite vai cair.

O que vai fazer?

Correr?

Não há mais saída.

Estamos de olho em você.

Em todos.

Em cada um.

Sem exceção.


A voz havia sussurrado novamente. Dessa vez não diria nada a Rhodes, ele não estava no melhor dia. Mas alguém precisava saber e tinha que ser alguém influente, alguém que fosse sincero.

Saí correndo atrás de Corea que já havia saído da sala. Sim, eu era dado por esquisito pelos outros invocadores. Estava começando a acostumar com eles me encarando de forma descarada e cheia de estranheza.

Corea estava no jardim, junto de Mc Duu. Havia um frasco pequeno em sua mão e ela estava balançando em frente ao gnomo. Estava com a outra mão na cintura e a criatura tentando pegar o frasco.

– Atrapalho? – perguntei enquanto me aproximava.

A invocadora imediatamente escondeu o frasco no bolso na jaqueta que usava.

– Nenhum pouco. – ela respondeu enquanto desviava das mãos de Mc Duu que caçavam o frasco.

– O que ia dar pra ele? – perguntei.

– Nada. – Mc Duu sossegou, não havia conseguido e estava frustrado.

– Vodca. – Corea respondeu. – Acredito que isso ajuda a ele a ficar mais criativo. Tudo bem que tem aquele efeito colateral, mas pelo menos ele não fica como está agora. Incrivelmente obediente e falso. As pessoas quando bebem entornam toda verdade e fúria. E eu acredito que Mc Duu sabe de alguma coisa e que aquela garota está por trás.

– Valentina? – perguntei.

– Se você acha que ela se chama assim. – Corea deu de ombros.

Encarei Corea. O que aquilo significava? A garota estava mentindo até o próprio nome? Não era possível. Ou era?

– Vamos embebedá-lo. – falei.

Fomos com Mc Duu onde era sua cabana. Era uma espécie de quarto de empregado. Pequena e simples. Corea achou melhor amarrarmos o gnomo e fizemos isso. Fechamos a porta e as janelas.

– O que fazemos agora? – perguntei.

Corea balançou o frasco em frente os olhos de Mc Duu. Ele se agitou, com os olhos fixos no frasco. Em seguida ela abriu o frasco e colocou na boca do gnomo. Ele bebeu tudo de uma vez só.

– Agora é a pior parte. – ela respirou fundo.

Os olhos de Mc Duu ficaram esbugalhados. Negros e brilhantes. Seu corpo inchou, estava duas vezes maior. Estava agitado, olhando para todos os lados.

– O que fazemos afinal? – eu estava ficando nervoso com o estado que Mc Duu estava.

– As perguntas. – Corea se abaixou e encarou Mc Duu. – O que aconteceu ontem?

– Não me lembro direito. – a voz do gnomo agora era fanha e um pouco embaralhada, ele parecia confuso. – Vamos lá vadia, me solte.

– Responda direito! – a invocadora parecia nervosa. – O que aconteceu ontem? Se não responder nunca mais te trago bebida.

Mc Duu balançou a cabeça. Estava confuso, provavelmente pelo efeito da bebida e da memória. Mas Corea havia garantido que ele diria a verdade depois de beber.

– Diga logo sua criatura idiota! – Corea gritou.

– Não vou contar nada a você vadia! – Mc Duu já não era mais o mesmo. – Vocês todos irão morrer! Todos. Andem me soltem!

– Por que vamos morrer? – perguntei.

– Não vou falar! – ele respondeu rangendo os dentes. – Vocês todos vão morrer. Vão ver. Ande me solte vadia e garoto idiota. Me solte daqui.

– Responda! – Corea estava jogando um jogo perigoso. – Responda monstro! Responda que eu te solto.

– Você é uma vadia. – ele cuspiu em Corea e ela lhe entregou um tapa como resposta.

– Vamos Mc Duu, responda. Colabore! – pedi.

– Mc Duu não existe! – ele rangeu novamente. – Não vou dizer o que a garota fez ontem. Não, não, não. Vou rir, rir muito de vocês quando a lua vermelha estiver alta no céu. Será o fim, o fim do mundo. Vou vê-los morrer e junto com a garota vou estar rindo. – ele começou a gargalhar. – Todos vocês vão pro inferno. Vão ver, vão ver. A garota vai mandá-los pra morte. Ela está de olho, sim está. E eu vou rir. Rir muito.

Corea olhou para mim. Então Valentina ou quem quer que fosse estava mesmo envolvida. Restava saber qual era seu papel nisso.

– Vocês estão num círculo. – ele cuspiu novamente. – Estão cercados. O mundo todo está. A lua vai estar alta e elas estarão rindo.

A voz de Mc Duu se engrossou. Já não era ele mesmo. Era grave e assustadora. Olhei para Corea, ela também estava assustada.

– Estão jogando um jogo perigoso. – eu conhecia aquela voz, parecia com a que sussurrava em minha mente. – Mas não vai ser tão fácil. Nós estamos de olho. E não vamos facilitar.

O gnomo começou a dormir subitamente. Fechei os olhos, o que havia acontecido? Estava confuso, nervoso. O que eu havia feito? O que Valentina havia feito?

– Eu sabia! – Corea gargalhou.

– O que? – perguntei.

– Aquela garota está envolvida com as damas da noite. – Corea respondeu. – Se não, elas não fariam uso de Mc Duu para se pronunciar.

– O que isso significa?


– Que vamos encurralar aquela vadia sonsa. – ela disse determinada e com um sorriso maníaco.


Notas finais
O que acharam? Deixe seu comentário e o que acham que acontecerá!!!