A Sociedade Rubi

21 A batalha vermelha


Notas iniciais
Olá!!! Gente se vocês soubessem o quanto eu estou feliz com essa história. Nunca pensei que conseguiria cativar tantos leitores. Estou tipo soltando fogos! Sério. Muito contente, todos vocês são os melhores leitores do mundo. Adoro vocês! Até os fantasminhas! Kkk Hoje temos um capítulo grande. Sim eu exagerei no número de palavras e pode ser que fique confuso, mas hoje temos um capítulo especial e o mais importante. DarkMandaloriaN (escrevi certo?) não vai demorar até os dragões aparecerem! Os capítulos dessa parte já estão prontinhos. The Little Bear, logo você aparecerá!!! Ainda estou criando a personagem!! Enfim, adoro cada um de vocês. Todos. Espero que gostem do capítulo e não esqueçam o comentário!

Comemorar um primeiro vampiro era idiotice, mas Rivera fazia isso com gosto, deixando claro que ela havia conseguido primeiro e que nem era uma invocadora de vampiros. Corea tentava a fazer calar a boca, mas isso gerava mais confusão. Uma confusão que só acabaria se mais uma aparecesse.

Disparei o sinalizador que também carregava. As duas olharam para o céu. O brilho vermelho parecia sangue ao sol. O som havia sido três vezes mais alto do que o primeiro. O som das asas batendo também.

– Ótimo invocador. – disse Rivera. – Mais alguns pro meu show.

Os vampiros pousaram em cima dos galhos de algumas árvores em volta. Estávamos cercados.

– Um. – Gaspar começou a contar. – Dois. Três. Quatro. E cinco.

Mais bater de asas. Caminhei para perto de Gaspar lentamente.

– Correção. – falei. – Seis. E nós vamos morrer.

– Não hoje. – Corea gritou e disparou contra os vampiros.

O líquido vermelho escorreu dos galhos. Formando uma crosta pegajosa que prendera apenas dois vampiros, espantando os outros e prendendo sem querer Rivera.

– Vão na frente. – disse Gaspar. – Eu alcanço vocês. Usem o Rubi, vai ser mais rápido e eu posso ficar aqui pra soltar a Rivera. Lembrem-se de usar as pedras para o teletransporte.

Saímos correndo pelas ruas. Para nosso azar já havíamos perdido os quatro vampiros de vista. Corea decidiu seguir o conselho de Gaspar.

– É a primeira vez que vou fazer isso depois da invocação. – falei.

– Então faça logo. – disse a invocadora. – Peça apenas a velocidade Hooper.

Olhei para Gillis. Ele estava invocando as borboletas de fogo. Parecia que ele estava pegando fogo, como se tudo estivesse o consumindo em chamas. Até que ele voltou a ser ele mesmo, sem o fogo.

Segurei firme o medalhão. O rubi começou a esquentar quando o toquei. Até que ficou tão quente quanto o fogo. As faíscam saíram suavemente, mais alaranjadas do que vermelhas. Não queimavam como chamas comuns, mas transmitiam uma sensação quente. Olhei a minha volta e do rubi as borboletas de fogo começaram a sair. Meu pensamento fixo em uma característica, velocidade. As borboletas giraram em torno de minhas pernas até que se recolheram novamente no rubi.

Ao ver minhas pernas pareciam normais, nenhuma alteração visível. Mas quando dei os primeiros passos, as senti mais firmes e resistentes, o impacto era menor e firme ao mesmo tempo.

– Pronto invocadores? – Corea perguntou.

– Sim. – respondemos.

Olhando para Corea, reparei numa espécie de couro que ela possuía embaixo do olho direito, parecia uma cicatriz. Depois da pequena transformação, aquela pequena marca ficou esverdeada.

– O que está olhando? – ela perguntou.

– A marca. – respondi.

– É uma marca de uma transformação completa que tentei de dragão. – Corea respondeu. – Agora só consigo ganhar as asas de dragão. Mas quanto a vampírica, sou conhecida como a invocadora híbrida. Com velocidade de vampiro e salto de dragão.

A invocadora sorriu e começou a correr. Olhei para Gillis e ele assentiu para corrermos também.

Respirei fundo. Eu não sabia como era e estava curioso para saber. Sorri e comecei a correr. As luzes dos postes eram rabiscos luminosos a cima de nós, como se estivesse acelerando e vendo apenas o rastro. Era lindo. O vento fazia barulho com a correria acelerada. Éramos invocadores com almas diferentes, correndo por ruas silenciosas e vazias.

Corea subiu em cima de um telhado com seus saltos incríveis, muito mais alto do que poderíamos dar, considerando que já era muito superior ao de humano comum. Ela olhava para todos os lados. Estava atenta e parecia esperar que algo acontecesse.

Até que reconheci aquela rua. Era onde eu morava. A minha frente estava minha casa. Caindo aos pedaços como antes. Fechei os punhos. Por que minha vida tinha que ser dessa forma?

O barulho de galhos se quebrando era intenso. Olhei para o bosque e em seguida para Gillis. Recuamos até o outro lado da calçada, esperando que algo acontecesse já que havíamos perdido os vampiros de vista. O som se intensificou e uma rajada forte de vento veio junto com um corpo que caiu contra os paralelepípedos da rua.

– Droga! – o corpo era Delaware.

– Está tudo bem? – Gillis perguntou.

– Nada que importe. – ela se levantou rapidamente. – Só sei que é muito mais fácil lidar com lobisomens do que com vampiros. Esses bichos são incríveis e endiabrados! – Delaware soltou uma gargalhada.

A invocadora de lobisomens correu para dentro do bosque escuro. Apoiando-se de galho em galho com uma facilidade incrível. Nós tínhamos a velocidade, os invocadores de lobisomem, tinham a agilidade.

Corea desceu do telhado e assobiou para nós, como advertência por nos distrair.

– Vamos seguir essa rua. – disse a invocadora. – Podemos dar sorte.

Continuamos o caminho, dessa vez andando, mas ainda com uma velocidade incrível. Descemos uma ladeira e o vento uivou. Foi naquele momento que soubemos que algo muito mais poderoso estava acontecendo.

Gillis foi arremessado contra o muro de uma casa, sem chance de se proteger. Apontei a arma para o vampiro e ele já estava em cima de uma árvore no quintal de uma casa. Corea ajudou Gillis a se por de pé e logo ajeitou a arma, apontando-a para a criatura.

Naquele instante o frio fez meus pés congelarem. Senti cada fio do meu corpo se arrepiar. Mas a pior coisa foi o sorriso maníaco que se formou nos meus lábios, sem motivo. E aquilo era a adrenalina tomando conta de mim. Era o que significava ser invocador.

– Isso não é um vampiro comum. – disse Corea. – Acho que estou começando a entender.

– Então explique. – pediu Gillis com uma pequena manca no pé.

A criatura vampírica nos observava. Olhos negros como a noite. Vazios e opacos. Idênticos ao de Valentina.

– Eles estão sendo controlados. – Corea respondeu. – Como fantoches possuídos. Isso costuma acontecer com humanos se é que me entendem. Esse vampiro não é ágil como o que estamos acostumados a lidar, ele é bruto e tem contato direto com o vento e a noite. Não como um dragão, mas como uma dama da noite. Ele está agindo como quem o controla.

– Acha que pode ser ela? – perguntei sem querer mencionar o nome de Valentina.

– Pode ser muito mais do que a garota misteriosa. – Corea respondeu.

O vampiro possuído gritou. Era estridente e ao mesmo tempo rouco. Parecia ferir a garganta de quem proferia.

– Ele está lutando contra o controlador. – disse Corea com olhar de fascinação. – Tá vendo? É por conta disso que meu pai queria que eu fosse uma invocadora de vampiros e não de dragões. Vampiros são as criaturas mais capazes que existem. Eles possuem poder, cérebro e determinação.

Mais uma vez o vampiro gritou. Parecia sentir muita dor. Agonizado, seu corpo se contorceu como o corpo de um humano possuído. Os gritos eram mais roucos e com menos intervalos. Fechei os olhos, sentia dor por vê-lo daquele jeito.

O vampiro caiu no chão, saltou o muro como se tentasse fugir. Mas quem o controlava era forte e insistente. Estava a alguns metros de mim. Olhei em seus olhos negros, eles escorriam lágrimas cor de fogo, lembrava magma. Naqueles olhos eu vi uma dor intensa. Uma dor que me fazia sentir raiva.

A criatura começou a proferir palavras em Draccur. Corea caminhou até ele ainda com a arma apontada. As palavras no idioma das criaturas eram de apoio. Dos olhos daquela invocadora as lágrimas também escorreram.

– Ele vai morrer. – disse Corea limpando as lágrimas. – Ele está ficando frio por dentro, mais frio do que é por fora. O fogo dos olhos é o primeiro a sumir, depois as outras partes. Ele está lutando. – o vampiro continuou gritando agonizado. – Essa possessão não tem retorno. Eles só têm essa noite de vida se é vida que podemos chamar. Ele pediu para ser morto. Porque é a única forma de escapar dessa dor.

Corea apertou o botão roxo. Era uma espécie de luz forte seguida por raios lilases. Os raios que atingiram o vampiro, o cristalizaram numa pedra cinzenta. A invocadora limpou os olhos e pegou a pedra, em seguida guardou-a no bolso.

O vento soprou triste. A rua deserta remetia tristeza. Sentíamos dor pelo o que estava acontecendo. Os olhos secos agora estavam cheios de lágrimas prontas para escorrer. Olhei para o céu.

– Quando isso vai acabar? – perguntei.

– Não sei. – Corea respondeu. – Eu realmente não sei. Vamos logo. Não sabemos o que de fato pode acontecer essa noite.

Continuamos andando. O vento frio nos inundava com uma sensação parecida com o medo. Limpei os olhos e continuei andando. Passos rápidos, mas ainda assim desanimados. Entramos nas ruas e vemos as casas com as luzes apagadas, pelo menos isso.

A invocadora olhou para os lados. Rapidamente, como se tivesse sentido algo. E ela havia sentido.

– Sigam-me. – Corea pediu e começou a correr.

Corremos com as armas prontas para algo. Perguntava-me o que Corea havia sentido. Principalmente o que estava acontecendo. A única certeza que tinha era que as coisas estão terrivelmente desiquilibradas.

Paramos em frente a uma casa. A luz do quarto direito estava acesa e um grito podia ser ouvido. Era um grito de terror, de medo. Olhei para meus companheiros e parecia que nem eles sabiam o que deveríamos fazer.

Era uma lei. Uma regra que não deveria ser quebrada. Nenhuma criatura poderia se alimentar de um humano ou matar um. Não poderia fazer contato direto com esse mundo, com as coisas daqui. Apenas se alimentar de animais. Mas naquele momento a regra havia sido quebrada. Não era mais a alma vampírica, era uma alma intrusa que possuía o corpo dos vampiros. Quebrando o que mantinha equilíbrio. E com isso só tínhamos uma coisa para fazer. Invadir aquela casa e impedir o pior de acontecer.

Corea arrombou a porta com um chute, partindo-a no meio. Entramos na casa e aos poucos fui me situando sobre onde estava. Eu conhecia aquela casa. Era de Abbey. Com o estrondo o filho de Abbey acordou, veio até nós e se colocou no nosso caminho.

Collins tinha quatorze anos. Seu pai havia morrido com um tornado, junto com toda a família. Por sorte ele e Abbey não puderam ir por causa das aulas. O garoto tinha apenas a mãe.

– Sai da frente Collins. – pedi.

– Como sabe meu nome? – ele perguntou.

Não era mais o garoto que eu havia conhecido. Estava mais alto e voz havia engrossado.

– Collins, vá para o quarto e fique quieto, você não se lembrará de nada quando acordar. – Corea pediu.

Os olhos castanhos de Collins por um momento ficaram verdes. Perguntei-me o que aquilo significava, mas parecia que Corea já sabia.

– Vai ficar tudo bem garoto. – disse Gillis.

Abbey desceu as escadas correndo. Trazia nas mãos uma cruz suja de sangue. O corte no braço sujou as paredes. Desgrenhada ela tentava fugir.

Segurei os ombros de Abbey e olhei em seus olhos. Ela sentia medo. Um medo humano que eu não sabia mais como era.

– Mãe! – Collins gritou. – O que está acontecendo?

A mulher limpou os olhos com as mãos, mas isso fez seu rosto se sujar de sangue.

– Há quatorze anos. Fiz algo que custaria minha vida, tudo para você viver, ser forte, capaz. Me perdoe Collins.

Ela estava fraca, mal conseguia falar. Não poderíamos ficar ali, esperando ela terminar de falar. O vampiro desceu as escadas raspando as asas pela parede.

Corea saiu da casa, protegendo os dois humanos. Gillis e eu apontamos a arma para a criatura. Ela gritou, mas não estava lutando. Aquele grito era de uma criatura predadora que queria acabar com tudo.

A gosma roxa que saiu de nossas armas não acertaram no vampiro possuído. Ele voou sobre nós e foi para fora. Corremos para o jardim esperando que nada de ruim acontecesse.

– Garoto, monstros existem. – disse Corea para Collins. — E essa noite, coisas ruins estão acontecendo. Peço para não sair de perto de mim, por mais que algo muito ruim aconteça.

O vampiro bateu as asas e Gillis e eu fomos arremessados contra alguns plantas plantadas na entrada da casa. Corea gritou para a criatura e em seguida disparou, mas o animal era mais rápido, desviando facilmente. Confuso disparei minha arma, mas nada aconteceu, apenas apodreceu rapidamente a grama que atingi.

Voou até mim e senti tudo ficar frio. Senti minha morte, mas ainda não era hora.

– Não vai encostar no Hooper! – Abbey se pôs na minha frente, como se fosse para me proteger, como se lembrasse.

A criatura segurou seu pescoço e disse algo que poderíamos entender:

– O vento consome.

As asas bateram e todos nós apontamos nossas armas para o vampiro. Que subiu alto, o mais alto possível. E lá de cima soltou o corpo de Abbey.

Naquele instante parecia que o tempo passou a ser lento. Parando. Lembrei-me do sorriso de Abbey e como ela brigava comigo quando comia em cima de um livro, do dia em que entornei refrigerante no seu carro novo. Sua bronca sempre vinha acompanhada de um sorriso e gargalhada. Ela havia sido uma segunda mãe para mim.

Seu corpo caía envolto pelo vento forte que passava pelo local. Cheiro forte de grama. Grilos pareciam cantar junto com o vento. E eles saltaram entre a queda mortal. Fechei os olhos, os punhos. Eu sabia o que era aquilo. Era a iniciação de Collins.

O estrondo da queda nos fez cair no chão também, mas quando olhamos para o corpo, não havia mais nada. Mas algo ruim ainda estava para acontecer. A arma de Corea havia acertado o vampiro, a pedra também caiu no chão, mas o que havia o possuído estava ali entre nós.

Era um espírito negro de uma mulher. Não podíamos ver como era. Apenas os olhos e o sorriso eram visíveis. Ela era uma sombra do que era de verdade.

– Esse é só o começo. – disse a sombra. – Estamos quase acordando. Hoje somos sombras possuidoras, em breve seremos as damas da noite por completo. E se vocês não são páreos para nós como sombras, não serão na forma completa de nós.

A gargalhada que deu em seguida nos deixou confusos. Um clarão cinzento nos fez fechar os olhos. Tampei os olhos com o braço, ainda esperava que fosse apenas um sonho. Mas não era.

A sombra havia sumido e um vampiro surgiu das sombras, nos pegando despreparados. Ele segurou o pescoço de Gillis e voou, assim como fizeram com Abbey, a diferença era que esse não era o destino de Gillis. Suas flechas caíram e se quebraram, assim como ele. Foi arremessado contra a calçada, caindo morto. E durante sua queda o dia amanheceu. A criatura também caiu morta, encolhida e seca.

– O que aconteceu? – Collins não chorava, estava confuso assim como eu fiquei no dia que fui iniciado.

– Você vai saber. – Corea respondeu. – Bem-vindo ao fim do mundo.

Notas finais
Oi de novo pessoal! Kk o que acharam do capítulo?? Alguém gostava do Gillis?? Sinto muito pessoal, mas acho que já estava na hora da primeira morte. Kk Desculpem povo! Kkk Hora dos comentários!