A Sobrevivente

5 Castelo Haruno


Notas iniciais
Olá leitores lindos me desculpem o atraso, não consegui mesmo postar ontem.... Mas aqui esta mais um capitulo para vocês.... Esperamos que gostem** Boa Leitura!

Não tenho sombra de dúvidas que serei eternamente grata por ter sido criada pela realeza e pelo os mesmos fazerem o possível e impossível para que me sinta como se fosse da família e sou imensamente feliz por tê-los como uma.

Tanto o rei como a rainha e os príncipes, são pessoas maravilhosas, assim como toda a população do reino Uchiha, que me receberam e aceitaram como sua princesa, mesmo eu não sendo uma de verdade, pois não possuo o sangue azul da família real em minhas veias.

Mas devo admitir que não me sinto à vontade com esse mundo de contos de fadas, em que tenho tudo na mão e recebo tratamento ao qual não desejo, pois não sou de porcelana, frágil.

Agora me encontrava definitivamente fugindo da confusão a qual o reino Uchiha se encontrava a quilômetros de distância, a qual me submetia no momento estar, pois tinha que me preparar mentalmente para o baile de máscaras que iria ocorrer em poucas horas.

Sendo o baile em comemoração aos meus dezesseis anos. Quero deixar bem claro que não desejo nada disso, mas não consigo negar a um pedido da Dona Mikoto que é tão carinhosa com minha pessoa, mas fui muito relutante a aceitar, para mim era muita extravagância, não gosto de me expor e não mereço tal celebração, por ser uma plebeia como diria Sasuke.

Ao lembra-me de Sasuke, obriguei-me a respirar profundamente, já tinha se passado uma semana, depois do estranho dia em que estive cavalgando com o mesmo e uma semana a qual mal o vi.

Não sei se seria exagero de minha parte falar que o moreno parecia me evitar, pois era algo estranho o ver tão distante, sempre fomos tão próximos, era raro ter um dia a qual não nos víamos, mas nesse pouco tempo, que mais me parece ser uma eternidade, mal trocamos mais do que duas palavras nas poucas vezes que nos encontramos e muito menos nossos olhares se encontraram, na verdade em nenhum momento dessa conturbada semana minhas esmeraldas se depararam com os ônix.

Tais pensamentos corroíam minha mente enquanto inconscientemente corria contra o vento furioso e gélido em alta velocidade com meu querido e amado companheiro relâmpago.

Somente agora percebi que me encontrava na direção leste do reino Uchiha, dessa vez eu tinha pegado um caminho diferente da última vez, pois a alguns metros de onde eu me encontrava estavam as Ruínas do antigo castelo que pertenceu aos Harunos.

Senti uma necessidade urgente de voltar e outra de ficar, mas a segunda prevaleceu, pois era notório que relâmpago estava cansado da longa distancias que havíamos percorrido, ele respirava ofegante e seus galopes iam diminuídos a partir do momento que chegávamos mais perto das ruínas.

Desmontei e vi o poderoso cavalo negro se distanciar para se alimentar do pasto verde e bem cuidado pela natureza. O vento uivava entre as árvores ao meu redor, os galhos açoitando em todas as direções. O céu agitava-se acima de mim, com espessas nuvens escuras. Todos os dias caiam fostes tempestades que sempre vinham depois de uma nevasca. Afastei o cabelo que o vento jogava contra meu rosto, devido aos meus longos cabelos rosado estarem soltos.

Observei o local atentamente e cheguei à conclusão que era um ambiente imponente, mesmo estando destruído fora construído para impressionar quem o visse. O nevoeiro cinza-azulado do início da manhã envolvia o mundo que era alcançado pela minha visão, era uma área selvagem, assustadora.

Em passos lentos iniciei um percurso em direção as ruínas, provavelmente assim como o reino Uchiha sua construção tinha iniciado no século XV e agora no século XVII se encontrava em destroço daquilo que um dia foi algo memorável.

A cada passo que me levava por entre as pedras que um dia foi uma grande construção o frio estranho me tomava novamente com mais intensidade, agarrei a capa cinza que possuía o brasão Uchiha no alto onde ficavam minhas costas no formato de um leque.

As paredes que um dia foram de pedras de mármore branco, agora se encontravam quase completamente destruídas e tomadas por trepadeiras e neve. O lugar todo era coberto por vegetação, todas as paredes que ainda permaneciam em pé estavam cobertas pelo escuro verde das plantas que ainda não haviam morrido com o frio.

Um vento um pouco mais forte jogou em um chicotear as madeixas róseas contra meu rosto e desejei não ter saído sem antes prendê-lo, era irritante ter que tira-lo do rosto toda vez que uma simples brisa batesse.

Voltei a caminhar por entre as ruínas, podia ver o que um dia foi uma lareira, estava praticamente inteira, se não contar que a parede onde ela supostamente devia estar, já não existia mais e que agora era apenas parte da lareira no meio de um campo quase completamente branco de neve.

O símbolo do clã estava espalhado por todos os lados, um círculo, entalhado no mármore, no que restou do piso do castelo, nas colunas que ainda estavam de pé, ou caídas pelo que possivelmente foi um jardim.

Sentei-me em um banco de pedra, de onde podia ver um velho balanço, caindo aos pedaços, à corda havia estourado de um lado e agora o balanço pendia desajeitadamente, balançando com o vento constante. Ver aquilo me dava uma estranha sensação de angustia, como se eu já estivesse estado ali, como se algum dia eu houvesse caminhado por aquele lugar, brincado naquele balanço. Sentia-me mal por ver tudo destruído.

Levantei-me depressa, estava me sentindo sufocada vendo aquilo, a angustia me tomando de forma desenfreada, por que me sentia assim tão mal? Eu não tinha nada a ver com os Harunos, pelo contrário, eles mataram meus pais, tiraram minha verdadeira família de mim.

Voltei a caminhar, agora estava no que provavelmente foi o salão de festas, o lustre gigante ainda pendia no enorme espaço do salão, olhando para cima podia ver que o teto outrora era de vidro, já que agora não havia nada mais impedindo que a neve entrasse e congelasse tudo em seu caminho.

Desci meus olhos pela parede e parei ao ver um quadro, estava desgastado pelo tempo e parcialmente destruído, graças à chuva, vento e neve que entravam no castelo há dez anos, se eu não estivesse tão atenta nos detalhes provavelmente nem o notaria, aproximei mais um pouco para identificar. Ali na pintura estavam representados os prováveis reis, um homem forte com olhar confiante que continha olhos e cabelos de um castanho claro incomum.

Ao seu lado se encontrava uma mulher que possuía longos cabelos ruivos e olhos de um vibrante verde. Não sei se era pelo fato do quadro estar desgastado, mas o tom do verde era levemente similar ao dos meus olhos, ela parecia olhar diretamente para mim, com uma expressão tão calma e amorosa que me fez me perguntar se ela era realmente assim como aparentava.

No meio de ambos havia o que parecia ser uma criança, mas não era possível enxerga-la, estava muito deteriorado pelos anos e também havia um rasgo na tela exatamente naquele lugar, mas provavelmente seria a herdeira Haruno, que assim como eu era apenas uma criança durante a guerra, mas ela nunca foi encontrada, alguns dizem que a rainha a escondeu, outros que ela provavelmente era mais um dos corpos no campo de batalha, eu apenas acho que ela, assim como eu, foi uma vítima do massacre que foi a guerra entre os clãs.

Um pouco abaixo da pintura eu podia ver uma pedra hexagonal sendo bem grande que estava solta, como se ela não pertencesse a aquele lugar, diferente das demais que havia resistido em seus lugares.

Por impulso fui até a parede, levantei minha mão e a parei no ar, o que eu estava fazendo? Era somente uma pedra solta, certo? Mas algo dentro de mim foi mais forte do que meu racional, então puxei a pedra, que constatei ser pesada assim como aparentava, dando alguns passos para trás ao vê-la cair e evitando me machucar, olhei para o local que a pedra, que agora se encontrava no chão, estava e assustei-me ao ver que ao retirar a pedra revelou que ela na verdade protegia um esconderijo, ao olhar mais atentamente percebi que havia uma caixinha de madeira ali.

Mesmo tendo algumas teias de aranha não me abalei e retirei a delicada caixa que estava com uma grossa camada de poeira e foi inevitável que não espirrasse, olhei em volta da caixinha e percebi que não havia nenhum tipo de tranca, mas de uma forma surpreendente ela abriu praticamente sozinha.

Dentro dela possuía uma belíssima joia, especificamente uma pedra branca, quartzo possivelmente, no formato de um lobo, os detalhes eram tantos que simplesmente parecia ser um verdadeiro lobo que estava em minhas mãos agora, seus olhos eram representados por duas pequenas pedras preciosas a qual eu reconhecia muito bem, esmeraldas.

Ouvir ao distante o som de uma trombeta, o que significava que o baile ocorreria em menos de cinco horas, me apressei em voltar, mas parei no lugar ao ver que ainda estava com a caixa e joia em mãos. No momento em que ia girar o meu corpo para colocar o objeto em seu devido lugar, ouvi novamente o som da trombeta, todos no castelo deveriam estar como loucos atrás de minha pessoa e eu queria desvendar um pouco mais aquele local.

Mas eu sabia que voltar ali seria impossível, só estava ali agora por causa das coisas aconteceram aquele dia e pelo fato de que estava proibida de ver a decoração para o baile, mas se eu voltasse para entregar algo que peguei, seria inevitável não estar ali novamente, sorri com meu pensamento e corri na direção de relâmpago colocando a delicada joia na caixa.

Antes de sair dali olhei uma última vez para as ruinas, sentindo um aperto no peito por um lugar tão belo estar tão destruído e deteriorado, com toda a certeza se fosse realmente da realeza ordenaria restaurar o castelo, mas eu não possuía o sangue azul dos nobres, então isso nunca aconteceria.