“O modo como o mundo é feito. A verdade está à sua volta, basta olhar para ela. A noite é escura e cheia de terrores, o dia, luminoso, belo e cheio de esperança. Uma é negra, o outro, branco. Há gelo e há fogo. Ódio e amor. Amargor e doçura. Macho e fêmea. Dor e prazer. Inverno e verão. Mal e bem. Vida e morte. Em toda parte há opostos. Em toda parte há guerra."


Ódio era o que eu sentia nesse momento, na verdade nenhuma palavra era forte o suficiente para descrever o que sentia. Não conseguia medir minhas atitudes, pois quando dei por mim estava colocando a porta do quarto, que penitência a Itachi, no chão, a qual fez um estrondo ao cair para dentro.


Baguncei meus cabelos, revoltado, como ele pode fazer isso? Como Itachi pode fugir junto daquela traidora? Ela nos manipulou, nos usou por todos esses anos e ele além de arriscar sua vida para salva-la ainda vai com ela? O pior de tudo foi que me deixei enganar mais uma vez, por aqueles malditos olhos verdes, agora sentia vontade de matá-la com minhas próprias mãos, por ter hipnotizado Itachi e o levado para o precipício, como se eu mesmo não tivesse sido, mas isso não iria acontecer novamente.


Lancei a escrivaninha que estava a minha frente contra a parede, transformando-a em estilhaços do que um dia já foi, podia sentir o calor se espalhar por meus músculos e uma leve ardência em meus olhos, a raiva estava ativando a transformação, respirei fundo, mesmo achando esse simples ato algo quase impossível naquele momento, me concentrando em manter a forma humana, tudo o que eu não precisava agora era perder o controle e matar alguém que não possuía inocente, tinha que me controlar para o momento certo.


Olhei ao meu redor, o quarto do Itachi estava completamente normal, a não ser pela sua escrivaninha, a qual eu havia acabado de destruir e a porta que estava no chão, mas no restante estava tudo ali, no mesmo lugar de sempre, a não ser por algumas mudas de roupas, a prova concreta de que o maldito havia mesmo fugido com a Haruno.


Sai do quarto deixando-o daquele jeito, sem me importar com a porta que não se encontrava em seu devido lugar, não é como se o dono dele fosse voltar ali para reclamar, a partir do momento em que Itachi ajudou a Haruno a fugir já havia decretado a própria sentença de morte, quer dizer, tudo bem que podíamos ter dado um jeito de encobrir o que ele havia feito, mas fugir? Apenas deixava ainda mais óbvio seu envolvimento na fuga da Haruno. Agora teríamos que manter a calma e planejar o que faremos daqui para frente.

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Olhando para o céu da madrugada percebia como o tempo havia passado devagar, havia menos de três dias que toda essa confusão começou. Três dias que pareciam mais como semanas, longas e torturantes semanas.


Os raios de sol começavam a invadir o escuro da noite, manchando de cinza o céu nublado da manhã, logo já podia ver pequenas sombras começando a dançar conforme a grande estrela ia subindo, lentamente, como se estivesse com preguiça de acordar neste dia que provavelmente iria trazer mais uma chuva, ou talvez uma nevasca.


Encarei mais uma vez o diário em minhas mãos, estava assim há horas, tentando juntar coragem para continuar a ler o que estava escrito ali, mas simplesmente não conseguia, assim como não consegui descansar desde que Itachi nos fez parar, poucos metros depois da divisa do reino Uchiha com o Senju, diferentes daqueles dois que estavam dormindo desde que se deitaram, já os cavalos estavam presos em árvores próximas e os mesmo aproveitaram para se alimentarem da grande quantidade de capim que havia naquele local.


Finalmente resolvi abri-lo, do que eu estava com medo? Mas assim que o fiz uma folha, amarelada pelo tempo, escorregou por entre as páginas também amareladas, pousando na grama ao meu lado. Encarei o papel, me lembrando de que havia pegado de cima da mesa, juntamente com o diário.


Olhei para cima, podendo ver o tronco da árvore em que estava encostada se estender por metros, se abrindo em longos galhos repletos de pequenas folhas verdes, que brilhavam com os poucos raios de sol que os atingiam.


Um casal de pássaros pousou em um dos galhos, eram formosos em seu pequeno tamanho e nas cores variadas e vivas de suas penas, uma doce melodia foi iniciada por eles. Fechei os olhos apreciando aquela maravilha da natureza, suspirei tomando a coragem necessária ao abri-los.


Peguei o papel em mãos, primeiro analisando a letra forte e bem desenhada, uma combinação não muito comum, diferente da do diário, o que queria dizer que não era escrita pela minha mãe, em um choque percebi de quem podia ser, logo me pus a ler.


Uma pequena e fina lágrima escorreu pelo meu rosto caindo no canto da folha, meus pais se preocupavam com minha vida e destino, como se o fato de que se eu sobrevivesse, as suas mortes seriam justificadas e valeriam a pena. Se antes possuía alguma dúvida de para onde iria, agora ela era inexistente, graças ao meu pai.

Caro Sabaku No Itoku,

Por meio desta carta pretendo lhe pedir o que pode ser a maior prova de sua amizade, se houvesse algum modo de não lhe fazer esse pedido, com toda a certeza não o faria, mas como sabes, não há muito o que posso fazer quanto a tudo o que se ocorre.


Fugaku está determinado em erradicar meu clã, espero eu que isso não venha a acontecer, mas se por ventura do destino vier a ocorrer uma guerra, preciso de sua ajuda meu amigo, como já havia dito antes não quero que se envolva nesta guerra, não precisamos de mais perdas do que o necessário, mas realmente preciso que cuide de minha pequena Sakura.


Como sabes ela é e sempre será meu bem mais precioso, e de maneira nenhuma posso deixar que algo de ruim venha a lhe acontecer, se por acaso eu e minha esposa viermos a falecer durante a guerra, preciso que cuide de minha filha, que a crie como se fosse sua.


E por meio desta carta também declaro que ando considerando muito o que viemos a discutir nestas últimas semanas, Mebuki e eu concordamos que é o melhor para o futuro de nossa pequena, sendo assim damos nossa permissão para promete-l....


Meu pai ao saber que a guerra estava para acontecer, decidiu escrever aquela carta destinada a Itoku Sabaku No, o antigo e falecido rei dos Sabaku Nos. Era um pedido de ajuda, se algo acontecesse com os reis e eu viesse a sobreviver, os Sabakus eram os mais confiáveis para que cuidassem de mim, meu pai me queria com eles, pois os considerava mais do que aliados, os considerava como verdadeiros amigos.


No final ele falava algo sobre permissão de ser prometida, mas estava pela metade, ele nem ao menos havia terminado a palavra, o que impossibilitava o entendimento do que aquela frase queria realmente dizer, mas o que continha ali já era o suficiente para mim.


Sabia muito pouco sobre os Sabaku Nos, uma das coisas era que o líder deles era o jovem Gaara filho de Itoku, um excelente guerreiro pelo que diziam, mas o pouco que sabia era o suficiente, algo me dizia que poderia confiar no jovem Sabaku.


Meus devaneios forram interrompidos quando Itachi e Konan acordaram, sorri para o casal e me levantei indo até relâmpago, passei a mão na crina macia de meu fiel companheiro, a pelagem negra me lembrava olhos negros, mordi o lábio inferior, sentia um vazio estranho dentro de mim toda vez que pensava nele, teria que lutar com todas as forças para esquece-lo, seria difícil, mas esperava não ser impossível.

Notas finais
"...sendo assim damos nossa permissão para promete-l...." O que o sr. Haruno quis dizer com isso?