A Sinhazinha

1 Prólogo: Eventos Tristes


Notas iniciais
Este capítulo será um prólogo à 1887.

Brasil — Araruna, 1882

Era noite, o rico senhor de terras Rodolfo Romanne e sua esposa preparavam-se para dormir. A filha, Nicolayevna, ou \'Nicole\' como conhecida entre amigos e parentes, não conseguira \"pegar no sono\".

Enquanto isso, na perto da senzala; no tronco, um escravo conhecido como Justo sofria com dores causadas por 20 chicotadas que torturavam seu velho corpo de 64 anos e lhe tinham sido dadas por colocar ideias de liberdade nos outros negros e ajudar outros a fugir. Minutos mais tarde, ele perde as forças e morre para a tristeza dos que o viam.

Nesta mesma noite, um desconhecido \'cavaleiro\' fez sua primeira ação contra a escravidão. Tendo escolhido ao acaso a Fazenda Luz das Estrelas e a estudado bem, foi até a senzala e aproveitando-se da distração do feitor e dos capatazes, abriu desta a porta. Falou baixinho:

_Amigos! Vocês são livres agora! Fujam rápido e peguem estas armas para se defender, mas não causem confusão ou ajam injustamente!

O herói mascarado saiu. Os cativos também, rendendo os inúteis capangas de Rodolfo. Todos foram em direção à saída tristes por Seu João, menos um. Este que ficou dirigiu-se a casa grande, surpreendendo o fazendeiro e Aurora, sua esposa.

_O que quer aqui escravo miserável?! — Falou Rodolfo irritado.

O escravo saca uma pistola e aponta para ele, dizendo:

_O \"sinhô\" sempre foi muito \"marvado\"! Matou hoje meu pai! E \"martrata nóis\" como se fosse animal!

_Ora mais, eu não quis dar cabo da vida dele! Eu fui até muito compadecente! Ele e suas idéias malucas! Eu dei várias chances até!

_Se \"num martratasse nóis\" do jeito que faz, ia ser diferente!

_Por favor, Justino não! — Disse a Sinhá implorando.

Na mesma hora que atira, Nicole entra no quarto de seus pais e vê seu pai sendo morto em sua frente, sua mãe chocada e paralisada. Logo depois o escravo foge. O pranto se sucedeu por toda a madrugada.

Parte Dois

Na outra manhã, a polícia já estava na casa grande, enquanto os guardas e o capitão-do-mato conversavam com Sinhá Aurora, Nicole desenhou um possível planejamento de onde teriam ido os \"fujões\". Após terminar, foi à sala e disse aos policiais, sua mãe e ao capitão

Mario:

_Eu vou me vingar desses malditos! Vou ser a maior dona de escravos de Araruna! E mais severa ! Se meu pai dava 50 chicotadas, eu darei 70!

_Gosto de suas palavras, sinhaninha. — Disse Mario.

_Olha sr. Mario, leve este papel, é onde eu acho que possa estar escondido pelo menos uma escrava!

Pegou o desenho que sem valor parecia e guardou. Logo depois disso, Aurora a levou para descansar e a milícia se foi. Mario procurou por léguas ao menos 1 dos fugitivos, mas nada encontrou; então foi quando lembrou-se do que recebera de Nicole, um papel que mostrava uma casa abandonada a uma pequena distância da fazenda.

Chegando lá, o capitão encontrou uma escrava e sua filha de 11 anos doente. Ela havia parado lá para cuidar da menina pensando que ninguém sabia da pequena habitação.

Sem poder reagir, se deixou levar até a casa grande, onde passou por um interrogatório e mesmo sendo ameaçada de perder a filha, não dizia nada, pois realmente não sabia.

Mario elogiou a pequena sinhazinha, e esta pediu para ajudar-lhe. Ele relutou, porém D. Aurora, traumatizada, pediu que a deixasse ajudar. O capitão concordou e os dois viraram bons amigos.

Parte 3

É aqui que a história de Nádia começa, ela era a filha de nove anos da escrava capturada, tratada como uma coisa por Nicole até que seria vendida em 1887. Aurora e a filha venderam a fazenda e mudaram-se para a cidade, para uma casa bem menor pois tinham perdido todos os escravos e a safra de café; levando apenas Maria e sua filha e pertences.

Nádia sempre sofreu com as maldades de Nicole, que descontava nela seu trauma e raivas. Como por exemplo o dia em que não se conformou de não ter um cavalo e a usou como um, ou quando a humilhava por não ser branca, dentre outras maldades. Nadia nem sua mãe tinham condições de fugir, pois Mario ajudava Aurora e era amigo de Nicole, então guardava a casa quando não estava ocupado.

Porém, a pior maldade contra Nádia seria separá-la da mãe em 1887.

Fim do Prólogo

Notas finais
Com finalidade de entender melhor a história, seria interessante ler sobre o ciclo de café no Brasil no século 19.