Notas iniciais
Bem, desculpem a enorme demora... Enfim, voltei dos EUA... Saudades do calor do Brasil! Voltei do Iglu da Perdição para o Calor do Inferno!
Bem, sem mais delongas, ao Capítulo. Enfim, um pouco de ação nessa bagaça...
Hoje eu vou editar os títulos dos Capítulos... Essa formatação do Nyah! está me dando nos nervos hehehehe

- A Ameaça -

Camus deitou em sua cama com os olhos marejados. Ele chorava de tristeza e raiva, sem sequer entender aqueles sentimentos. Ele simplesmente afundou a cara no travesseiro e pôs-se a chorar, embalado por uma música que ainda estava em sua mente...

***

Na mente dele, o rapaz viajava para longe do Santuário, para sua terra natal, a França; em sua mente, ele via o país de cima, enxergando todo o relevo desde a Gália, ao norte, até o Mediterrâneo, ao sul, onde havia, quilômetros adiante, a Argélia. De repente, como se estivesse caindo, a França se aproxima cada vez mais, e os contornos de uma Marselha da infância do Cavaleiro começou a se desenhar no mapa.

O antigo porto, com a arquitetura neoclássica, aparecia na mente do aquariano como se fosse grandes respingos de tinta a se unir e formar uma linda imagem. As árvores próximas a ele, o cheiro do peixe fresco recém-retirado das águas, embarcações ao longe, pessoas falando, cantando, rindo...

Ele tinha apenas quatro anos de idade, tinha cabelos lisos na altura dos ombros, a franja menor que nos dias de hoje e um sorriso lindo. Sua mãozinha gorducha e perfeita tentava tocar as nuvens que se desenhavam acima dele. Ele ria um riso solto e infantil, o riso lindo de uma criança pequena, tão sincero e espontâneo.

Suas roupas eram largas; sua camisa era de um azul bem clarinho, com pequeninos babados no colarinhos e no punho e uma calça longa e ligeiramente bufante. Havia uma música leve e dançante no ar.

[Camus]: Mère*!Mère! Olha! (Aponta para as nuvens) Um gatinho...

A mãe de Camus era uma mulher de cabelos ruivos, longos e em grossos cachos, que pendiam da grinalda de rosas e azaleias que adornava-lhe o casco. Ela trajava um vestido rosa que chegava aos joelhos, com delicadas sandálias salmão com detalhes dourados. Ela tinha lábios grossos com formato de coração, com um batom rosa claro. Seus olhos eram azuis como os de seu filhinho, ostentava uma pele clara como a neve e nunca na vida Camus sentira mãos tão macias lhe afagarem as faces e cabelos. Seu nome era Claire; Claire d’Aramis.

[Claire]: (Pega Camus no colo) Oui... É lindo, non? Lindo como meu filhinho... (Esfrega seu nariz contra o de seu filho,como beijo de esquimó, fazendo Camus rir)

[Camus]: Quando eu voltar... Você me compra um? Um gatinho branquinho, bem branquinho, como um floquinho de neve?

[Claire]: (Riso) Claro que sim, meu amor... (Segura-o em frente a seu corpo e rodopia com ele) Tudo para a joia da minha vida...

Ela o levou até uma embarcação militar de pequeno porte, ao som de gaitas e violões. Um homem recebeu o pequeno Camus nos braços, que olhou para mãe fazendo beicinho.

[Camus]: Mère...Não quero ir. Quero ficar com você...

[Claire]: (Contendo as lágrimas) Eu sei, mon amour, eu sei... Mas você precisa ir... Precisa tornar-se um guerreiro, ficar forte, independente... Se ficar com a mamãe, que só te protege... (Ela beija a testa do filhinho) Adieu... Merci, mon amour...

O militar pôs o garoto no convés e deu a ordem para o navio sair. O som de violões e gaitas seguia acompanhando Camus que, com sua vozinha fina e doce de uma criança, começou a cantar:

“M'en suis allé aux noces

Dans un pays lointain

Dans un pays lointain

Tous les gens de la noce

Ne m'y connaissaient point

Lé ri don ma don dène

Lé ri don ma don dé...

.Y'avait qu'ma mie Jeannette...

Qui dormais dans un coin

Qui dormais dans un coin

J'me suis approché d'elle...

J'lui ai serré la main

Lé ri don ma don dène

Lé ri don ma don dé...

Ah! Qui m'réveille dit elle

Moi qui dormait si bien

Moi qui dormait si bien

C'est votre amant la belle

Qui vous réveille si bien

Lé ri don ma don dène

Lé ri don ma don dé...

Oh! mon amant dit elle...

Il est bien loin d'ici

Il est bien loin d'ici

Il est à faire la guerre...

Là bas en Silésie

Lé ri don ma don dène

Lé ri don ma don dé..

.Et s'il gagne la victoire...

Il aura mes amours

Il aura mes amours

Qu'il gagne ou qu'il perde...

Il les aura quand même...” **

O som das gaitas e violões foi diminuindo na medida em que a embarcação entrava em uma densa neblina à frente do porto; a voz de Camus se tornava cada vez mais chorosa e doída... De volta ao mundo real, Camus, ainda preso em seus sonhos, chorava.

[Camus]: Mère...Où êtes-vous?***

De repente, um estrondo; Ainda com os olhos cheios de água, ele levanta o rosto do travesseiro e fita a janela; o mar estava extremamente revoltado, e ele ouvia agudos gritos noite afora; ele sentiu o Cosmo de Atena envolver o Santuário em um escudo protetor, que se tornava visível a cada chicotava que o mar dava ao assumir a altura do Burj Khalifa**** e cair sobre o Santuário.

Sem muita demora, o aquariano saiu às pressas de sua Casa; quando chegou ao pátio interno, dera de cara com Saga, Máscara da Morte, Shaka, Milo, Aldebaran e Shura, que também foram rudemente despertados.

[Milo]: É hoje, Senhor! (Ergue as mãos para o céu, desesperado) É hoje que o céu cai...

[Shura]: Deixe de drama! (Para Camus) Então? Permissão?

[Camus]: Não precisava nem perguntar, dadas as circunstâncias. Afrodite já deve estar junto a Atena; se tivermos sorte, ele pode nos dar uma informação ou outra.

Todos assentiram e correram para o Salão do Grande Mestre, onde estavam Atena, Shion e Afrodite que, naquele momento, estavam tentando manter o Santuário de pé; os dois últimos elevaram seus Cosmos com a finalidade de manter o escudo de pé enquanto Atena tentava descobrir quem era o inimigo.

[Camus]: O que está acontecendo?!

[Afrodite, assustado]: É um Titã, Camus! (Para Máscara da Morte) Não fique aí parado, Máscara! Eleve seu Cosmo e peça aos outros para fazer o mesmo! Precisamos de toda a força de que dispusermos para manter esse escudo até o cessar-fogo!

[MdM]: Certo! (Para todos) Ouviram, né, seus molengas?! Vamos todos mostrar a esse sujeito que com Atena não se brinca!

[Camus,elevando o Cosmo]: (Para Afrodite) Titã? Que Titã?

[Afrodite]: Simplesmente o mais antigo deles... (Sente dor quando a coluna de água atinge o escudo; um corte surge em seu braço esquerdo) O único que não pode ser selado e que não obedece a ninguém, nem mesmo a Poseidon, a quem oferece abrigo... Oceano!

[Milo]: Oceano, o antigo Senhor dos Mares?!

Enquanto os Cavaleiros mantinham o escudo, Atena tentava intervir diplomaticamente.

[Atena]: O que quer, Oceano?! (Eleva o Cosmo)

[Oceano]: Quero o que é meu por direito! Você me roubou uma das minhas, Atena!

[Atena, desconfiada]: Que conversa é essa? Não há nenhuma nereida,náiade,ondine, sirene ou sereia¹ por aqui! Você sabe disso, e a sua intransigência terá consequências!

[Oceano]: Não... A sua terá. A sua terá, se não me devolver o que é meu por direito... Se não me devolver a herdeira do Mar, a Rainha das Sereias, que sei que está com você!

Atena fazia todo possível para manter o escudo de pé, mas sabia que cedo ou trade Oceano encontraria uma forma de invadir o Santuário a beira-mar.

[Shura]: Ao que parece, ele ainda o é! (Vê uma rachadura no escudo) Ai, mil hijos de putas! Pessoal, vai ceder!

Todos tentam, em vão erguer as mãos aos céus e fazerem os seus Cosmos dourados jorrarem para a falha e consertar a avaria, mas isso logo se provaria inútil, pois outra brutal raja de água fez com que o escudo se estilhaçasse, e o mar entrou com toda sua fúria, lavando o solo com seu ódio e poder. Aquilo pegou os dourados de surpresa, arrastando-os escadarias abaixo em uma onda mortal.

E então, veio a voz.

Upon one summer's morning, I carefully did stray,

Down by the Walls of Wapping, where I met a sailor gay,

Conversing with a bouncing lass, who seem'd to be in pain,

Saying, William, when you go, I fear you will ne'er return again.

His hair hangs in ringlets, his eyes as black as soles,

My happiness attend him wherever he goes,

From Tower Hill, down to Blackwall, I'll wander, weep and moan,

All for my jolly sailor bold, until he does return.

My father is a merchant — the truth I will now tell,

And in great London City in opulence doth dwell,

His fortune doth exceed 300,000 gold,

And he frowns upon his daughter, 'cause she loves a sailor bold.

A fig for his riches, his merchandise, and gold,

True love has grafted my heart; give me my sailor bold:

Should he return in poverty, from o'er the ocean far,

To my tender bosom, I'll fondly press my jolly tar.

My sailor is a smiling as the pleasant month of May,

And oft we have wandered through Ratcliffe Highway,

Where many a pretty blooming girl we did behold,

Reclining on the bosom of her jolly sailor bold.

My name it is Maria, a merchant's daughter fair,

And I have left my parents and three thousand pounds a year,

Come all you pretty fair maids, whoever you may be

Who love a jolly sailor bold that ploughs the raging sea,

While up aloft, in storm, from me his absence mourn,

And firmly pray, arrive the day, he home will safe return.

My heart is pierced by Cupid, I disdain all glittering gold,

There is nothing that can console me but my jolly sailor bold.

A cada estrofe, as águas diminuíram em volume, e a fúria do Titã ancião parecia diminuir; os Cavaleiros haviam sido arrastados até a Casa de Libra, e alguns, como Saga, apresentavam sinais de afogamento. Dohko agiu rapidamente, salvando a vida dos afetados. Do grupo original, contudo, faltava um.

Camus de Aquário. O mago das águas e do gelo fora arrastado para mais longe. Para a Casa de Câncer...

***

Amélia segurava o francês nos braços; ele estava pálido, e seu Cosmo estava diminuindo vertiginosamente. A moça fez uma massagem cardíaca vigorosa, buscando fazer o coração do Cavaleiro bater uma vez mais. Quando obteve pulso, supreendeu-se com a falta de respiração.

Ela então soprou ar na garganta do rapaz, pousando seus lábios carnosos, macios e quentes nos finos e frios lábios de Camus. Quando a moça ainda estava com seus lábios colados aos dele, o aquariano lentamente abriu os olhos, surpreso por estar vivo e beijando a discípula de Máscara da Morte. Ele fechou seus olhos e levou a mão esquerda aos cabelos curtos da moça, que abriu seus olhos, soltando uma lágrima e encerrando o beijo.

[Amélia, emocionada]:

My heart is pierced by Cupid, I disdain all glittering gold,

There is nothing that can console me but my jolly sailor bold.

Conversing with a bouncing lass, who seem'd to be in pain,

Saying, William, when you go, I fear you will ne'er return again.

His hair hangs in ringlets, his eyes as black as soles,

My happiness attend him wherever he goes,

From Tower Hill, down to Blackwall, I'll wander, weep and moan,

All for my jolly sailor bold, until he does return.

A fig for his riches, his merchandise, and gold,

True love has grafted my heart; give me my sailor bold

Ela acariciou o rosto do francês, que havia recuperado a cor; o rapaz abriu os olhos uma vez mais, fitando o rosto de sua salvadora.

[Camus]: (Sussurrando, acariciando o rosto de Amélia com o dedo indicador direito) Já disse que... Você tem... uma.. belíssima voz... Doce Mia?...

[Amélia]: Diós mio, que bom que você está vivo! (Abraça-o)

Naquele momento, chegam Mu e Kanon pela entrada e Shaka pelos fundos; por sorte, não sofreram com o arrastão promovido por Oceano.

[Mu]: O que houve?!

[Camus, sussurrando]: Oceano... O Titã dos Mares... Ele... Ele... Diz que tem algo que lhe pertence... Que é dele por direito... (Grita de dor)

[Amélia]: Jesus, sua perna! Ela está quebrada!

[Camus]: Ajude-me a levantar... (Amélia passa o braço esquerdo de Camus por trás de seus ombros e envolve-lhe a cintura, erguendo-o)

[Mu]: Deixe-me examinar... (Usa o Cosmo para verificar a avaria) É, foi um senhor arrastão, tenho que dizer! Eu posso curar, mas não será totalmente... Você terá que parar com os treinamentos, Camus. Além disso, precisará de alguém para cuidar de você.

[Amélia]: Eu vou. Eu cuido de você.

[Camus]: (Enrubesce) Eu fico lisonjeado, mas... E seu mestre?

[Amélia]: Um dia de cada vez, é o que ele sempre diz. Ele terá que entender. (Para Mu) Mira, sei que não é o habitual, que todos têm que atravessar as Doze Casas uma a uma, mas isso seria muito doloroso para Camus... Poderia nos teletransportar?

[Mu]: Dadas as circunstâncias... Não tenho escolha. Shaka, Kanon, subam até a Casa de Leão e vejam se Aiolia está desperto. Em seguida, procurem pelos outros. Eu os alcançarei em breve.

Os dois outros Cavaleiros assentiram, correndo em direção a Casa de Leão. O lemuriano se aproxima do casal.

[Mu, sorriso]: Quem diria... Alguém para fazer companhia diária ao mago do gelo... (Envolve a ambos em um abraço) Segurem-se!

O Cavaleiro usa o seu dom da telecinese, levando-os da Casa de Câncer a de Aquário em questão de segundos. Chegando lá, o lemuriano ajudou Amélia a levar Camus ao quarto, para que pudessem remover-lhe a armadura e tratar a perna. Pela primeira vez, Camus teria companhia durante a maior parte do dia. E havia um bom lado nisso.

Ele não teria do que se queixar.

Continua...

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Notas finais
Glossário:
*Mère: Mãe em Francês.
**Uma música folclórica francesa; fala sobre um jovem que vai a um casamento, e de suas expectativas quanto a isso.
***Où êtes-vous?: Onde você está? em Francês.
***Burj Khalifa: Um dos prédios mais altos do mundo, é o símbolo do moderno estado dos Emirados Árabes Unidos. O estouro de fogos de artifício do Ano Novo neste edifício é um espetáculo a parte!
¹Nereidas,Náiades,Ondines,Sereias e Sirenes: mulheres de corpos modificados que habitam as águas do mundo; Nereidas e Náiades habitam,respectivamente, mares e rios; são filhas de Oceano. Ondines são elementais de água que assumem forma feminina; Sereias são mulheres metade humanas, metade peixes que enfeitiçam os homens com seu canto; a Sirene é uma contraparente das Sereias, não possuindo o rabo de peixe, mas tendo uma voz igualmente sedutora, enfeitiçadora e mortal.
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Bem, como sou fã de uma desgraça alheia, achei oportuno mostrar o porquê do Camus ser tão amargo... Acho q acabei por criar outra semelhança com o Hyoga SHAUSHAUHSAUHS
Por favor, comentários! São sempre bem-vindos e apreciados! Abraços a todos!