A Sereia
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Queridos, um comunicado rápido: Talvez eu não acesse o Nya! esses dias, devido ao cancelamento da minha operadora de banda larga. Estou trocando de empresa, então talvez eu fique sem acesso temporariamente. Assim que liberarem meu acesso de novo, eu posto os capítulos retroativos também.
Obs: Queridos, desculpem os problemas com o texto. Só vi agora que os travessões simplesmente sumiram! Já acertado. Beijos!
Quando acordei, meu estômago doía por conta da fome. O sol invadia o quarto, entrando pela varanda e havia pássaros cantando na sacada. Eu estava lenta, com dor de cabeça e quando a ideia de continuar na cama por mais algumas horas me pareceu a melhor coisa naquele momento, senti o cheiro de peixe cozido e batatas. Definitivamente aquela não era uma habilidade de Yen.
“Yen!!”, por um instante havia me esquecido dele.
Desci o mais rápido que pude, tropeçando no lençol no qual havia me enrolado, mas, para minha surpresa, lá estavam eles, civilizadamente conversando. E comendo!
-Acordou, finalmente! – Jade sorriu para mim enquanto colocava mais batatas coradas no prato de Yen, sentado junto à bancada. – É melhor você comer também. Parece fraca.
Eu pisquei várias vezes antes de me convencer de que o que estava vendo não era fruto da minha imaginação cansada. Yen se manteve quieto, muito sério, enquanto garfava as batatas e as comia com cautela. Seus olhos examinavam cada movimento de Jade na cozinha, como se ela fosse uma espécie de bichinho fofo e curioso.
-Você... Ele – Eu apontei para ambos, incapaz de pensar em algo coerente para dizer.
-Não se preocupe – Jade sorriu, colocando mais um prato sobre a bancada e servindo peixe cozido e mais batatas. – Seu amigo me contou tudo.
-O quê!!? – Eu boquiabri, horrorizada. – O que ele contou???
-Ele me disse que estava tentando ajudar você – Jade deu de ombros, insignificando o assunto. – Que nos viu na floresta, viu quando o carro bateu. Ele estava caçando cervos. Por isso essa roupa esquisita. É de proteção, sabia?
-É mesmo? – Indaguei, me sentando e olhando Yen com incredulidade. Ele continuou calado.
-Sim – Jade me deu um garfo. – Ele falou que tentou nos ajudar. Pois é, toda aquela loucura de faca e sangue e ele tentando te matar... Foi tudo coisa da minha cabeça. Eu imaginei a cena, porque fiquei levemente perturbada com o acidente. Nada pra se preocupar.
-Tudo bem, que boa explicação – Respondi com um sorriso falsamente aliviado.
-É verdade. Bem, vou procurar Bela. Já está na hora dela comer.
Jade saiu da cozinha pela porta da frente. Assim que ela se foi, segurei Yen pelo braço, puxando-o da mesa.
-O que fez com ela?? – Perguntei, desafiadora.
-Só deturpei um pouco os acontecimentos da noite passada com meus poderes – Respondeu ele sussurrando e apontando o indicador para a própria cabeça. – O quê? Queria que a menina fizesse perguntas?? Foi a coisa certa a fazer e logo ela vai esquecer de tudo – Ele deu de ombros, desinteressado. – Além do mais, ela tentou me matar. Então mereceu um curto-circuito. Depois ela veio pra cá e me ofereceu comida, o que achei estranho. Humanos comem humanos também?
-Como é!?! – Eu boquiabri pela segunda vez. Estava chocada.
-É isso – Yen sentou-se junto da bancada e espetou uma batata com o garfo. – Ela veio... Salvar você nas palavras dela. Só que me viu aqui, dormindo na sala e tentou me nocautear com uma frigideira!
Eu respirei fundo. Precisava me acalmar e precisava comer. Não conseguia pensar com o espaço oco dentro do estômago e a dor horrorosa em minhas têmporas.
-Foi assim que sobreviveu todo esse tempo? – Perguntou ele, ressabiado. – A menina é um tipo de escrava que faz sua comida?
-Claro que não – Murmurei, com medo que Jade pudesse surpreender nossa conversa. – Eu descobri isso depois de conhece-la. A forma como ela cozinha, as coisas que faz... Aliviam minha ansiedade por comer carne humana.
-Notei – Ele largou o garfo dentro do prato e respirou fundo. – Nunca pensou em come-la?
-O quê? É claro que já! – Respondi, envergonhada. – Mas tudo é muito diferente com ela. Eu... Me afeiçoei a essa menina.
Yen se levantou, incomodado. Antes que ele saísse, eu o segurei.
-Yen, eu preciso arrumar uma forma de proteger essa menina.
-Entenda, Aleerah – Ele virou para mim e segurou meus braços com leveza. Seu semblante perturbado suavizou e suas palavras ecoaram gentis por meus ouvidos. – Se não for eu, alguém virá atrás dela. É somente questão de tempo. Você não pode impedir. Ninguém pode.
-O Conselho pode – Fui mais longe.
Yen me encarou com incerteza. Com medo.
-Você foi banida. Não pode simplesmente aparecer por lá – Explicou ele, entristecido.
-Mas é o que farei. Se é isso que preciso fazer, enfrentar todos eles, pra essa menina sobreviver, eu farei.
Notas finais
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